AGOSTINHO DA SILVA E A LIBERDADE RADICAL

Sendo algo de muito sério e importante, a questão da liberdade, a nosso ver, raramente tem sido tratada de modo amplo e até à sua profunda raiz.

 

Existe o pressuposto generalizado de que somos livres, ao menos nos países em que estão legalmente garantidas as chamadas liberdade de expressão e de participação política e outros direitos coligados. Tal pressuposição é basicamente acrítica, não somente porque à liberdade de expressão não costuma corresponder a igualdade de exposição mediática de ideias, que seria fundamental para dar efectividade à referida liberdade, mas, também, por ignorar todas as outras dimensões da questão.

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O FENÓMENO DAS GUERRAS – Uma Doença Coletiva da Humanidade

Ensina a Ciência esotérica que, subjacente a este Universo físico, existe um oceano de vida psicológica/mental (podemos assim dizer), em que cada unidade existencial tem representação, no qual se nutre, nele age, e dele depende. É algo como um imenso caudal plasmático onde toda a vida interna do planeta navega, com o qual os seres comunicam osmoticamente, em permanência, e entre si intercambiam energias, estímulos e influências.

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MIGRANTES DA ATLÂNTIDA

No último período glaciar, entre aproximadamente 110 000 a 11 000 atrás, a vida humana na Terra centrava-se maioritariamente num perímetro em torno do Trópico de Câncer, estendendo-se em menor escala às regiões subequatoriais. Nesse tempo longínquo, uma pujante civilização teve como morada principal um vasto continente e algumas ilhas situados no meio do que é hoje o Oceano Atlântico. Platão chamou-lhes Atlântida – “terra de Atlán”.

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Pai Nosso

Pai Nosso, que estais no céu

Essência-natureza-fonte primordial de tudo, que não estás em lugar algum e enches todos os lugares como o espaço ilimitado onde tudo se manifesta, processa e flui. Não estás no céu por seres céu, espaço luminoso, espaço-consciência-amor infinito, ausência de forma de todas as formas, imo de todos os seres e fenómenos, potencialidade ilimitada na constante, instantânea e interdependente metamorfose de todos os seres e coisas.

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O Som do Silêncio

Nas igrejas, para que se escute a palavra de Deus, pede-se silêncio. A construção destes lugares foi pensada para que esse silêncio fosse o maior possível, a estética estava repleta de dedicação e simbologia para que aquele espaço físico nos fizesse recordar a grandiosidade escondida no nosso interior. Infelizmente, a juventude hiperativa e tendencialmente orgulhosa da sua irreligiosidade, tem aversão a palavras como igreja, templo, oração e, penso que não por acaso, silêncio.

Não sei se sempre foi assim, mas a ausência de palavras tem o costume de criar uma certa ansiedade. Os silêncios são muitas vezes vistos como desconfortáveis, e uns ouvidos sem música penetrante facilmente se aborrecem. No entanto, a minha opinião é de que quanto mais nos enchemos de vibrações externas, menos espaço damos às nossas células para que falem a sua língua, para que cantem a sua melodia, que é a mesma das árvores, dos rios, das pedras e de todos os animais saudáveis.

Somos todos canção e somos todos ouvidos. Considero um objetivo muito legítimo, embora um pouco abstrato, tirar a poeira e a ferrugem desse instrumento musical que somos e limpar também a cera dos nossos ouvidos. Penso que estas são causas que dificultam a comunicação interna e externa. Essa ferrugem e essa cera deixam-nos insensíveis. Vezes a mais, tudo se apresenta como paisagem muda. Falo por mim.

Os artifícios vão poluindo. É preciso limpar os filtros que nos compõem para que possamos ver, ouvir e sentir com mais nitidez. Desconfio que o mundo seja tão mais belo (e aterrorizante) do que consigo notar agora pelas lentes embaciadas. Quero ver e ouvir claramente, quero sentir essa música e esse filme com todos os infinitos ouvidos e olhos que existem em mim.

Quanto mais se pratica o silêncio mais nítidas ficam as sinfonias que nos atravessam. Pequenos sons como a mão a passar no papel, sons constantes como os carros da estrada, outros inesperados como o cantar dos pássaros no meio de Lisboa. Estes e inúmeros mais ganham espaço para serem contemplados como as dádivas que são. Quantas bênçãos são desprezadas pela nossa insensibilidade? Quantas vozes de amor, quantas músicas escondidas não ignoramos nos nossos caminhos? O silêncio, arrisco dizer, parece-se com uma nudez de alma. Contudo, ao pensar em nudez penso igualmente num grito: de chamada de atenção, de protesto, de anseio por liberdade. Ações para as quais o silêncio também pode ser resposta.

Exigimos que os outros, que a rádio, que a televisão ou até que os livros disfarcem este silêncio profundo. Penso que fugimos do que nos salva. Se nos deixarmos abraçar pelo silêncio vemos o efémero e o eterno das coisas, o subtil e o impermanente. Vemos mais cores e ouvimos mais sons. Sentimos mais texturas. O sabor das coisas fica mais intenso. As riquezas passam a ser interiores e assim a preocupação diminui.

Digo tudo isto mas o hábito de fazer e de agir está muito vincado naquilo que, na maior parte do meu dia-a-dia, ainda acredito ser: a minha personalidade. Tenho sentido o silêncio como um caminho muito positivo. Um silêncio sensorial, que permite notar mais claramente os ruídos que a mente produz e tentar voltar a um estado de união com a harmonia da vida, com a melodia do amor e com o ritmo da respiração.

Sofia FrutuosoVieira

Mestre em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. Autora da dissertação de mestrado: “Bases epistemológicas da engenharia para uma inovação curricular”. 

ONDAS GRAVITACIONAIS: ECOS DO UNIVERSO DISTANTE

Há 1300 milhões de anos, mais ou menos quando na Terra a vida multicelular tinha apenas começado a desenvolver-se, numa galáxia muito distante da nossa, dois buracos negros que espiralavam há muito em volta um do outro, acabaram por colidir e por se fundir num único buraco negro.

A colisão terá durado apenas um décimo de um segundo e a extraordinária quantidade de energia libertada teria iluminado o Universo, não fosse o caso de as estruturas envolvidas serem precisamente buracos negros… 

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Rendimento Básico Incondicional

Deveríamos todos ter, apenas por estar vivos, incondicionalmente assegurado um rendimento que nos permitisse satisfazer as necessidades materiais básicas?

Isso seria o Rendimento Básico Incondicional, ou “RBI”: uma garantia presente e futura de meios dignos de subsistência para todos; independente das opções, comportamentos ou circunstâncias pessoais; indiferente à disponibilidade para trabalhar ou até ao grau de “inserção social” de cada um.

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O contributo do conceito de vontade e da música de Wagner para o filme Excalibur, de John Boorman

 Este artigo tem o propósito de estabelecer uma possível ligação entre a filosofia da vontade, desenvolvida por Arthur Schopenhauer em “O Mundo como Vontade e Representação (1819) e a leitura que o realizador britânico John Boorman fez da gesta arturiana no filme Excalibur (1981), no qual recorre à música de Richard Wagner para a banda sonora.

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MORINGA – UM MILAGRE DA NATUREZA

A Moringa Oleífera (Moringaceae) ou Acácia-branca é verdadeiramente uma esperança para o combate da fome no mundo. Julga-se que seja nativa dos sopés montanhosos meridionais dos Himalaias, porém, o seu cultivo estende-se hoje um pouco por toda a Ásia, à África, à América Central e do Sul.

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A (in)compreensão de Gaia

 Gaia, a Terra como organismo vivo, “um todo relacional, inter-retro-conectado com tudo e maior que a soma das suas partes” tem sido entendida somente como um “conglomerado de matéria inerte (os continentes) e água (os oceanos, lagos e rios)”, nas expressões muito significativas de Leonardo Boff.

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