Limão - Mais amigo do que amargo

O limão é verdadeiramente uma jóia na natureza. Pode ser considerado o rei dos frutos curativos, sendo impressionante a quantidade e variedade das suas aplicações (ver infra). E, no entanto, tendemos a repudiá-lo quando pensamos nele (como é amargo!) e a minimizar as suas virtudes, tanto no que respeita ao seu uso na manutenção e recuperação da nossa saúde, quanto ao seu valor nutricional e possibilidades múltiplas de utilização culinária. Esta atitude talvez seja devida a que popularmente se instalou a suposição de que é agressivo para o estômago, de que pode acidificar o sangue, de que pode descalcificar e enfraquecer o organismo… Ora, nada mais falso e oposto à realidade, como veremos!

Propriedades
Através de experimentações prolongadas, constatou-se que o uso do limão estimula a produção de carbonato de potássio no organismo, promovendo a neutralização de acidez do meio humoral. Efectivamente, apesar de no estado livre ter como princípio activo um poderoso ácido - o ácido cítrico -, este, em contacto com o meio celular, no interior do nosso organismo, é oxidado durante a digestão e comporta-se como um alcalinizante, ou seja, um neutralizador da acidez interna. Os diversos sais, por seu turno, convertem-se em carbonatos e bicabornatos de cálcio, potássio, etc, os quais concorrem para acentuar a alcalinidade do sangue.

Um dos efeitos notáveis do limão é, por exemplo, o de combater o ácido úrico - temível inimigo (tantas vezes, letal) de muitos bons cidadãos quando chegam a uma idade mais “respeitável”.

Tomado pela manhã, em jejum (10 a 20 minutos antes do pequeno-almoço), descongestiona e desintoxica o organismo e, usado com regularidade, erradicará por completo todos os uratos. Deste modo, é evidente a sua grande valia nas muitas patologias reumatismais e artríticas. Com efeito, a ingestão da dieta de limões aumenta na urina a excreção de ácido úrico, de ureia e de ácido fosfórico. Nos gotosos, regista-se ainda o aumento da eliminação úrica por via intestinal.
Internamente (como, também, em uso externo) é ainda utilíssimo na regeneração dos tecidos inflamados das mucosas, reconduzindo ao estado e funcionamento normais todos os órgãos do aparelho digestivo. Nas afecções gastrointestinais, os ácidos do limão destróiem os germes e as bactérias nocivas que se libertam e que contribuem para gerar as ulcerações. Combate as fermentações. É um amigo do pâncreas e, malgrado certas apreensões quanto a supostas incompatibilidades com o sistema bilioso, revela-se um expurgador e um tonificador do fígado e da vesícula.

Relativamente ao aparelho genito-urinário, bem como ao sistema cardiovascular, é igualmente um poderosíssimo eliminador de toxinas e sedimentações e um tónico privilegiado. Tem, assim, acção impeditiva e neutralizadora na proliferação das tão temidas afecções arterioscleróticas.

Gargarejos (e/ou zaragatoas) do seu suco acabado de expremer são benéficos para todos os tipos de afecções do tracto nasofaríngico, bem como para laringites e gengivites. Inalado (puro ou diluído), é um bom desinfectante nas rinites e sinusites.

Utilidades comuns

Em Uso Interno

- Asma; Enfisema (paralelamente com a terapia do limão, deve erradicar-se os regimes hiperproteicos)
- Infecções pulmonares
- Tuberculose pulmonar e óssea
- Bronquite crónica
- Constipações; gripes
- Afecções cardiovasculares
- Varizes; flebites; fragilidade capilar
- Dermatites várias
- Prurido; eczema; despigmentação
- Hiperviscosidade sanguínea (fluidificante sanguíneo)
- Doenças infecciosas (coadjuvante no tratamento de mononucleoses, leucocitoses, blenorragias, sífilis, etc.)
- Paludismo
- Febres (neste caso, deve recorrer-se, principalmente, à infusão de folhas de limoeiro e/ou cascas do fruto, podendo juntar-se o suco)
- Gastrites; dispepsias e aerofagias (também se podem mastigar finas lascas da casca do citrino)
- ÃL;šlceras de estômago e do duodeno
- Esofagite de refluxo
- Insuficiência hepática e pancreática; icterícia e congestão hepática (utilização e quantidades adaptados a cada caso)
- Desenteria; diarreias; febre tifóide
- Colites; meteorismo
- Parasitas intestinais (para este efeito, ralar a casca do limão e fervê-la em água, com ou sem açúcar)
- Hemorróidas
- Fortalecedor da visão
- Glaucoma; hipertensão ocular
- Hemorragias
- Hemofilia
- Escorbuto
- Piorreia alveolodental
- Astenia
- Anemias; desmineralizações (aumenta a capacidade imunitária)
- Amamentação
- Obesidade
- Hipertensão arterial; hipotensão arterial (regulador da pressão)
- Disfunções metabólicas (reequilibrante)
- Afecções do sistema nervoso (fortalecedor e equilibrante. As flores do limoeiro são também muito benéficas)
- Diabetes
- Leucemia (preventivo)
- Cancro (preventivo)
- Enfarte (preventivo)
- Tromboses; embolias (preventivo)
- Escleroses
- Arteriosclerose
- Doenças reumatismais; artrites
- Descalcificações
- Linfatismo
- Ascites
- Retenções urinárias
- Litíase urinária e biliar
- Prevenção de epidemias
- Antitóxico; antivenenos

Em Uso Externo

- Conjuntivites; fortalecedor da visão (utilizado como colírio)
- Cefaleias (neste caso, colocar compressas embebidas em sumo na fronte e nas têmporas)
- Febre dos fenos; sinusites; anginas
- Hemorragias nasais (epistaxis)
- Otites
- Estomatites; glossites; aftas
- Sifílides bocais
- Blefarites; terçóis
- Herpes
- Dermatoses (erupções, furúnculos, dartros, etc)
- Feridas infectadas
- Picadas de insectos
- Verrugas
- Seborreia facial
- Tónico e adstringente facial
- Unhas quebradiças
- Pés sensíveis (friccionar com sumo ou polpa)
- Queda do cabelo (fazer lavagens e fricções do couro cabeludo com o sumo puro)
- Tonificante corporal (juntando suco de limões espremidos à água do banho)
- Tonificante ocular (banhando os olhos, de manhã, ao levantar, com água acidulada por algumas gotas de limão)

Composição
Entre os frutos conhecidos e disponíveis entre nós, é o que apresenta mais alto índice de radioactividade(1) natural e benéfica (85%), sendo seguido pela uva moscatel ácida e pelo ananás (74%). Como termo comparativo, podemos dizer que a média de cerca de 70 frutos (e/ou suas variedades) diferentes é de somente 43%. Assim, o limão é portador de uma enorme capacidade vitamínica e de dinamismo no nosso metabolismo interno.

- Contém sobretudo vitamina B1, B2 e B3, provitamina A (caroteno), que se encontra principalmente na casca, e vitamina A, na polpa fresca e no sumo. É riquíssimo em vitamina C (40 a 50mg por 100gr de fruto), vitamina com um papel inestimável nos fenómenos óxido-redutores, beneficiando, concomitantemente, o de-sempenho das glândulas endócrinas. (Não é possível haver hipervitaminose no que respeita à vitamina C; acima da taxa de saturação, ela é eliminada, pois o organismo não a pode armazenar. Por essa razão, é indispensá-vel a sua ingestão diária). Possui igualmente vitamina PP, a qual age protegendo e tonificando o sistema vascular, e vitamina I, que é um preventivo das pneumonias.

- Contém grandes quantidades de sais minerais e oligoelementos: cálcio, ferro, silício, fósforo, cobre, manganésio, iodo.

- Encontram-se apreciáveis percentagens de ácidos cítrico e málico, pequenas quantidades de ácido acético, fórmico e de citratos de potássio e de sódio (a acção fisio-lógica do citrato sódico não influi no metabolismo nitrogenado mas alcaliniza as urinas).

- É portador de glucose e frutose directamente assimi-láveis, bem como de sacarose.

- Contém gomas, mucilagem e algumas albuminas.
Tratamento Intensivo com Limões
Enumerámos, acima, mui-tos dos casos que se benefi-ciam com o uso regular do limão. No entanto, uma utilização intensiva é especialmente indicada nos reumatismos e doenças afins, na asma, no enfisema, nas doenças agudas, nas afecções do sistema digestivo.
Começa-se o tratamento pela ingestão do suco de 2 limões, puro ou diluído, pre-ferencialmente sem açúcar. Vai-se aumentando a dose, ao longo de 10 dias, até prefa-zer 10 ou 15 (nalguns casos, podendo ir até 25 a 30) limões diários, distribuídos por antes das refeições (10 a 20 minutos) e pelos seus intervalos. A partir do 10o dia decresce-se as doses em equivalente proporção até ao 20o dia, altura em que, tal como inicialmente, se deverá tomar apenas o suco de 2 frutos. Convém, em seguida a cada toma, bochechar bem a boca, pois a acidez do limão pode atacar o esmalte dos dentes. Note-se que este regime não é radical, sendo adaptável de acordo com as naturezas individuais e as circunstâncias específicas. Pode, com vantagem, observar-se no início da Primavera e no início do Outono ou do Inverno.

Isabel Nunes Governo
Vice-Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

Nota bibliográfica: alguns dados trofológicos foram consultados no livro “Traitement des Maladies par les Légumes, les Fruits et les Céréals”, de Jean Valnet, 1977, Editions Maloine, Paris.

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