Uma Breve Introdução

Esta secção da “Biosofia”, que hoje começa com uma simples Introdução, e que passará a ter presença regular na revista, tem por objectivo comparar as perspectivas da Ciência com as afirmações da multimilenar Sabedoria Esotérica.

Ao longo de muitos números e, portanto, de vários anos consecutivos focar-se-ão alguns dos temas fundamentais estudados em ciências como a Biologia, a Química, a Física, a Bioquímica, a Astronomia, a Antropologia ou a Psicologia e serão rigorosamente recenseados os seus conhecimentos ou teorias existentes sobre essas questões de ponta - por exemplo, os conceitos de Vida, Energia, Matéria, Anti-
-Matéria, Campo, Espaço, Tempo, Formação do Universo, Gravitação, Força, Electricidade, Consciência, Evolução, etc. Simultaneamente, expor-se-ão as concepções da Ciência-Filosofia Esotérica sobre essas mesmas temáticas, assim ressaltando os pontos de convergência ou de divergência ou os pontos em que uma das partes nada tem (ainda) a dizer. Mais tarde, eventualmente, poderá inverter-se o processo: tomar alguns dos dados da Cosmogonia, da Antropogénese e da Psicologia Esotéricas e verificar os pontos em que as ciências indutivas chegaram a algumas aproximações relativamente a essas sustentações.

Pela parte da Ciência - no sentido que, na actualidade, é geralmente aceite - o conteúdo dos artigos será assegurado por colaboradores com formação académica de topo e, regra geral, com uma actividade de investigação nas áreas em debate. Fica, desse modo, assegurado o rigor e o conhecimento de causa das suas exposições. A sua posição perante o Esoterismo - como Filosofia e como Ciência - pode ser basicamente uma destas três: a de um definido interesse e simpatia; a da sua admissão como hipótese de trabalho e de discussão digna de ser considerada; ou, pelo menos (e enfim), a de que o modo como se apresenta a “Biosofia” e/ou actua a entidade que a edita (Centro Lusitano de Unificação Cultural) merece o suficiente respeito e credibilidade para não recusarem a sua colaboração, ainda que mais ou menos descomprometida. Seja como for, cada um dos signatários apenas fica responsabilizado pelas suas próprias afirmações (o que, aliás, é verdadeiro para todos os artigos da revista. Do mesmo modo, o CLUC apenas se responsabiliza por inteiro no que diz respeito aos artigos assinados pelos seus dirigentes; quanto aos restantes conteúdos, o pressuposto necessário é que os considere essencialmente válidos, dignos e positivos).

Pela nossa parte, existe a determinação de, na prática, demonstrar como em qualquer campo do pensamento humano, inclusive no das chamadas ciências experimentais, o Sistema Esotérico pode, sem o mais leve temor, discutir até ao limite todos os pontos fundamentais - indo, aliás, a nosso ver, muito além do conhecimento comum e tendo em tantos casos, susceptíveis de ser comprovados, antecipado as “descobertas” mais “concretas” da ciência moderna. De resto, não foi certamente por acaso que por tal Sistema se interessaram vivamente (ou mais do que isso) alguns dos maiores génios e vultos da ciência: Newton, Thomas Edison, William Crookes, Marconi, Robert Millikan, Einstein, Fermi, Oppenheimer, Rupert Sheldrake, etc., etc.

Temos a viva esperança de que, ao cabo de alguns números, nenhum leitor da “Biosofia” minimamente atento e discernido possa jamais confundir Esoterismo com crenças supersticiosas, com sub-racionalidades ou com sensacionalismos bizarros que tantas vezes e tão lamentavelmente, por desvirtuação de sentido, se lhe associam; que, desse modo, possamos dar um sério contributo para evidenciar o valor da Ciência omniabarcante (e não confinada aos efeitos e à superfície das coisas), da Religião-Sabedoria (fonte perene de todas as particulares religiões ou escolas filosófico-espiritualistas legítimas que surgiram em diferentes tempos, latitudes e civilizações) e da Ética fundada em Leis Universais (e conducente ao mais puro altruísmo) que realmente definem o verdadeiro Sistema Esotérico.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural
Isabel Nunes Governo
Vice-Presidente do Centro Lusitano; Directora da Biosofia

***

As ciências “físicas” e biológicas pretendem compreender o universo nas suas múltiplas e, por vezes, tão complexas manifestações (pelo menos, aparentemente), separando-as em diferentes áreas do conhecimento e analisando, desdobrando, esmiuçando os efeitos observados, de modo a relacioná-los e a compreender as suas causas, numa perspectiva funcional, isto é, de “como?”. Neste esforço é importante que se mantenha uma mente aberta e uma consciência clara tanto dos avanços alcançados como das limitações e interrogações da ciência actual e da imensidão do que há ainda por compreender.
Em toda a história do pensamento humano, inclusive no âmbito científico, os desenvol-vimentos mais fecundos ocorrem habitualmente quando diferentes perspectivas se encontram para iluminar uma mesma “realidade”, dialogam e partilham contribuições, desencadeando novos e estimulantes progressos. Assim, as pessoas do campo de trabalho científico mostram um interesse crescente em conhecer outras áreas e outras versões interpretativas da “realidade” e em intercambiar pontos de vista - e é neste sentido que as signatárias se dispuseram a colaborar nesta Secção da “Biosofia”, tendo, inclusive, sugerido alguns dos termos que, nos próximos números, aqui serão definidos, equacionados e (explicita ou implicitamente) objecto de comparação segundo as duas abordagens (ciências experimentais / esoterismo).

Recentes publicações que procuram mostrar pontos em comum (como “O Tao da Física”) ou relatar experiências de diálogo entre perspectivas científicas e espiritualistas (como “Deus e a Ciência”, “O Paradigma Holográfico” ou “Caos, Criatividade e Retorno ao Sagrado”) têm-se revelado curiosas e sugestivas mas, a nosso ver, insuficientes. Com efeito, a generalidade dos membros da comunidade científica tem alguma relutância em aceitar eventuais semelhanças entre os conceitos científicos e a terminologia filosófico-religiosa, talvez porque a postura religiosa está tradicionalmente associada a coisas inexplicáveis, acientíficas ou, até, anti-científicas, apelando, quase sempre exclusivamente, à crença (mais ou menos cega ou irreflectida). Além disso, existe uma natural rejeição de conclusões (ou, antes, extrapolações) artificiais e quase abusivas.

Por isso, importa esclarecer que a secção que agora se inicia não é um diálogo com a preocupação de tentar forçar a coincidência dos pontos de vista do Esoterismo e da Ciência actual mas uma exposição que se pretende séria e rigorosa de ambas as perspectivas. Pode ser um trabalho de grande e quase singular alcance. Conhecendo o Centro Lusitano de Unificação Cultural, o esforço que tem desenvolvido no sentido de dar a conhecer a Ciência-Filosofia Esotérica numa base de compreensibilidade, de rigor e de utilidade prática, bem como a sua postura de clara rejeição de atitudes apenas sustentadas pela crença, o seu permanente apelo à total liberdade de investigação e o respeito pelas diferentes áreas de conhecimento, temos o estímulo, a confiança, a certeza de participar em algo que contribuirá, decerto, para uma “nova compreensão da Vida, do Universo e do Homem”. Caberá ao leitor, com a reflexão e a investigação adequadas, perceber as analogias e as diferenças e estabelecer ele próprio as relações e inter-relações, aventurando-se num caminho que o pode levar a um mais profundo entendimento de si próprio e do Universo.

Ana Rita Costenla
Licenciada em Biologia; Doutoranda em Neurociências; Assistente na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Liliana Ferreira
Licenciada em Física; Doutorada em Física da Radiação; Professora e investigadora no Departamento de Física da Universidade de Coimbra

License

This work is published under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 2.5 License.

Post a Comment

You must be logged in to post a comment.