De regresso ao nosso lar

Continuando o breve olhar sobre os planetas principais, chegámos de novo à Terra.

Todos nós estivemos já em praias de areais imensos. Imaginem-se a pegar num punhado daquela areia e a seleccionar um simples grão. Imaginem a praia… imaginem o grão… imaginem que alguns grãos vêm sempre agarrados às nossas roupas, às roupas dos milhares de utentes das praias, sem que a areia diminua… Numa escala proporcional, que significado pode ter para toda a praia um simples grão?! Mais: que significado pode ter um simples grão perante todas as praias do mundo e todas as areias do fundo dos oceanos? É descomunal a relação de grandeza entre um simples grão e toda a areia e, no entanto, o nosso planeta, essa enorme esfera sobre a qual nos movemos, não é mais do que aquele grão de areia face à imensidade da galáxia de que faz parte, com cerca de cem mil milhões de estrelas!!! Mas essa relação de grandeza torna-se, no mínimo, desconcertante, se nos lembrarmos que se conhece a existência de milhares de milhões de galáxias…

Pluralidade de Mundos Habitados (?)
Só um insensato ou ignorante, sabendo ademais que muitas daquelas estrelas possuem sistemas solares semelhantes ao nosso, poderá duvidar da existência de incontáveis mundos habitados. A nossa Terra é um simples e diminuto ponto perdido algures num espaço imenso, mais perdido que o tal grão de areia, pois, enquanto aqueles estão juntos, as estrelas estão espalhadas a distâncias inimagináveis umas das outras! A estrela mais próxima de nós, a seguir ao Sol, está a cerca de cinquenta BILIÃL;•ES de quilómetros de distância (um espaço um pouco superior ao percorrido pela luz em quatro anos, luz essa que, só para cobrir a largura da nossa galáxia, levaria cerca de CEM MIL ANOS!).
Imaginemos que na estrela mais próxima de nós se tinha desenvolvido um sistema solar em que se originou uma qualquer espécie de seres inteligentes. Imaginemos ainda que os “nossos vizinhos” alcançavam uma tecnologia capaz de os transportar às suas luas, aos outros planetas e que, mais _tarde, procuravam lançar-se no empreendimento portentoso de tentar atingir outras estrelas. As quase infindáveis probabilidades de escolha em todas as direcções levariam a que só por um incrível acaso o nosso sol fosse o escolhido. Vamos, contudo, supor que, mesmo assim, o nosso sol era o escolhido. Para fugir da gravidade de um planeta como a Terra, é preciso alcançar velocidades da ordem dos 40.000 Km por hora. Imaginemos que “eles”, com uma tecnologia superior à nossa, conseguiam uma velocidade constante de 100.000 Km por hora (a essa velocidade bastariam cerca de três horas para ir da Terra à Lua): pois bem, chegariam ao nosso sistema solar em cerca de 60.000 anos!
As incomensuráveis distâncias a que se encontram os corpos celestes parecem votar-nos a uma solidão completa! No entanto, estamos apenas no limiar do conhecimento: novas teorias deixam antever possibi-lidades apaixonantes de “atalhos” no espaço-tempo, que permitiriam saltos de um ponto a outro do universo! Mas… não tenhamos ilusões. As probabilidades de civilizações terem atingido níveis de conhecimento que lhes permita dominar os processos de tais viagens (mesmo que se venha a demonstrar tal possibi-lidade) é tanto menor quanto maior é o grau de complexidade civilizacional necessário para o efeito! E, além disso, mesmo que uns largos milhares ou milhões de humanidades conseguissem tal feito, a susceptibilidade de sermos visitados, entre os biliões e biliões e biliões de possibilidades de escolha, seria incrivelmente diminuta e bastante esporádica no relativamente parco tem-po de vida do nosso globo. É como se, perdido numa qualquer praia em qualquer sítio e posição, onde umas centenas de pessoas, dispersas pelas praias de todo o mundo, se dedicassem a analisar - um a um - certo número de grãos, para qualquer estudo, o nosso particular grão de areia aguardasse a possibilidade de, entre todos os outros, lhe calhar também essa sorte! Tente-se imaginar!…
No que se refere aos planetas do nosso sistema solar, a existência de humanidades, no plano físico igual ao nosso, seria mais provável exactamente nos planetas em que já se verificou não haver (actualmente e desde há largo tempo) condições para tal.

A Questão dos OVNI’s
Não quero com isto negar a possibilidade de, algum dia, em qualquer tempo, termos sido - ou virmos ainda a ser - visitados por representantes de outra civilização. Há, efectivamente, alguns casos raros de fenómenos que justificam a ponderação de tal hipótese já ter ocorrido. Pretendo, não obstante, tentar demonstrar a impossibilidade das muitas e constantes observações de naves e alienígenas que tantos afirmam registar. Nunca nenhum dos vários astrónomos amadores que conheço fez qualquer observação desse tipo, eles que passam muitas horas de muitas noites a observar e a fotografar o céu - e alguns (posso afirmá-lo pelo meu próprio testemunho) bem que gostariam de o ter conseguido. Um dia, quando um grupo de pessoas gritava que estava a ver um OVNI, tive a possibilidade de correr para junto delas e constatar que não passava de um simples satélite artificial. Na enorme maioria das ocasiões em que alguém telefona, nos Estados Unidos, para esquadras de policia denunciando a presença de OVNIS, trata-se apenas do planeta Vénus que, por vezes, junto ao horizonte, se apresenta com enorme brilho; noutras, são balões meteorológicos, como o era, há alguns anos, o “OVNI” que foi observado sobre Lisboa (sendo noticiado por todos os jornais) e que um conhecido meu teve ocasião de observar a telescópio. Restam ainda as observações de aviões de alta tecnologia, utilizados sobretudo em espionagem, e alguns raros fenómenos atmosféricos, como os raios glo-bulares ainda mal estudados exactamente devido à sua raridade.

Assim, caro leitor, fique sadiamente de pé atrás cada vez que alguém afirmar a observação de OVNIS a toda a hora, ou, pior ainda, o contacto com alienígenas que instruem esses “contactados” - com banalidades -, ou lhes conferem qualquer tipo de missão (que exalta, vaidosamente, a sua importância). Se não sofrerem de algum desequilíbrio, é bastante provável que apenas tentam dar nas vistas. Não façamos dos OVNIS e dos Extraterrestres um mecanismo de compensação. A fantasia e a crendice são os piores inimigos de uma investigação séria e isenta. Entre a negação cega, surda e insensata e a crença fácil ou alucinada, há certamente um ponto de equilíbrio.

Joaquim Candeias
Arquitecto; Sócio-fundador da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores; Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Criatividade; Criador do “Lusoscreen”, do “Ultra-compasso” e de vários outros inventos, galardoados internacionalmente.

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