A Revitalização do Pequeno Comércio

Continuamos, nesta rubrica, a propor soluções para os mais diversos problemas sociais do
nosso tempo, de acordo com critérios de justiça e de verdadeiro humanismo.

Em face da multiplicação das grandes superfícies comerciais nos diversos centros urbanos, o chamado pequeno comércio - as chamadas “lojas de bairro” - entraram numa crise generalizada.

Escutam-se, é certo, apelos frequentemente repetidos para que se retomem os velhos hábitos de comprar nessas pequenas lojas; contudo, tais apelos, só por si, pouco resolvem, uma vez que os preços dos produtos que se podem encontrar nos hipermercados são comparativamente muito mais baixos. São bem conhecidas as razões pelos quais as grandes superfícies conseguem praticar esses preços, com os quais o pequeno comércio não tem possibilidades de competir.

O problema de base também não poderá sanar-se com a atribuição de subsídios destinados a minorar a situação ruinosa de tantos pequenos comerciantes. Essa é sempre uma falsa solução, precária, provisória e de que, aliás, somente uma pequena parcela dos necessitados acaba por beneficiar.

Os fundos disponibilizados para subsídios poderiam muito mais vantajosamente ser empregues pelo Estado na criação e progressiva dinamização de Macro-Estruturas públicas de abastecimento exclusivo de (pequenos) comerciantes. Deveriam elas funcionar em termos e condições tais que acabassem com a especulação de intermediários oportunistas*(cujos lucros excessivos causam as maiores dificuldades aos produtores, agricultores e pequenos comerciantes) e permitissem uma aproximação dos preços dos produtos vendidos nas pequenas lojas de bairro e nas grandes superfícies.

Desta forma, num momento em que a questão do pleno emprego se encontra na ordem do dia, estaria igualmente o Estado a assegurar a criação e a manutenção de postos de trabalho - equilibrando a prosperidade monopolista de apenas uma escassa parcela das populações). Com efeito, a criação dessas Macro-Estruturas envolveria também a necessidade de constituir uma vasta rede de especificidades laborais - quem compra os produtos, quem os recolhe e transporta, quem inspecciona, quem avalia sanitariamente, quem opera nesses grandes armazéns vendendo, limpando, secretariando, etc.

Em suma, não apenas se proporcionaria trabalho a muitos cidadãos, como se daria um relevante contributo no sentido de evitar o desaparecimento das pequenas lojas de bairro, tão úteis e necessárias para os mais idosos e diminuídos (em especial), para manter um insubstituível toque de humanismo nas operações de compra e venda e, afinal, para impedir a degradação da qualidade de vida nas áreas urbanas.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural; Licenciado em Direito

- Importa sublinhar a expressão “oportunistas”, porque é justo ressalvar que há intermediários que realizam um trabalho útil, honesto e com práticas perfeitamente normais.

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