Um conto sobre o Serviço

Conforme escrevemos na Biosofia o 6, qualquer vivência real de espiritualidade é totalmente incompatível com egoísmo, antes conduzindo, naturalmente, a uma prática continuada e coerente de Serviço (1). Tal é a afirmação explícita de todos os grandes Mestres que, entretanto, nos parece necessário repetir.

No mesmo artigo, citámos várias frases de Confúcio. Foi somente um exemplo. Aqui e agora, lembramos ainda as palavras do Senhor Cristo, o Grande Mestre de Amor, Sabedoria e Compaixão, relativamente conhecidas na civilização cristã (pelo menos, de nome) em que nos inserimos: “Eu não vim para ser servido mas, sim, para servir”,

No que respeita à vida do Senhor Buda (Gautama), valerá a pena reproduzir uma história maravilhosa, cuja autenticidade básica é confirmada pela Ciência Esotérica:

Tinha Ele atingido o último grau de perfeição neste mundo, o estado Nirvânico em que toda a tristeza e todo o sofrimento são deixados para trás, e o Ser mergulha na bem-aventurança plena do Ser Universal, quando viu um mosquito a ser devorado por um morcego.

Então, palpitou de misericórdia o Seu coração tão nobre e compassivo e, detendo-se, no limiar do Nirvana, reflectiu:

“Não, a perfeição final que eu julgara ter alcançado, a universalidade de ser que eu julgara ter alcançado não estão ainda completas. Nem o estarão nunca enquanto houver um único ser - ainda que um simples mosquito - perdido na dor e na ignorância, distante da meta da sua própria perfeição. Nenhum ser pode alcançar sozinho a salvação e a bem-aventurança; esta só estará imaculada, quanto todos os seres lhe tiverem acedido, recuperando a plena consciência da Unidade do Ser”.

Serenamente, decidiu o Iluminado permanecer em contacto com a Humanidade, e por meio dela, com as existências de todos os reinos inferiores, para ajudar todos os cansados peregrinos a subir no caminho, em direcção à meta suprema. Ele, a quem os deuses e anjos serviam, renunciou ao repouso nirvânico, que tinha merecido conquistar, e escolheu… continuar a Servir!

ÃL;€ luz destes nobres exemplos, que todos meditemos: a espiritualidade é (só), de vez em quando, receber e dar uns passes de energia para nos sentirmos (os nossos pequenos eus) bem e relaxados, e depois irmos para casa tratar da nossa “vidinha”, esquecendo toda a dor e toda a ignorância que existem no mundo?

José Manuel Anacleto
Presidente do CLUC

(1) José M. Anacleto, Espiritualismo ou Egoísmo?

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