A Homeopatia

A Homeopatia é um método terapêutico seríssimo e testado, que importa claramente distinguir de algumas pretensas terapias que, embora possam estar muito em voga, são destituídas de rigor e validade científica. No entanto, mesmo no caso da Homeopatia, devemos saber distinguir o trigo do joio, visto que têm havido práticas desvirtuadas e lamentáveis. Para se clarificar um pouco melhor algo que é digno de grande atenção e respeito, a Biosofia publica a presente entrevista com o Prof. Carvalho Neto, Homeopata e Energologista.

BIOSOFIA: O que é a homeopatia?
CARVALHO NETO: A homeopatia é uma medicina energética baseada no facto experimental de uma mesma substância poder curar o problema que causa. O lema da homeopatia é “o semelhante cura o semelhante”. Este princípio foi enunciado há 180 anos pelo Dr. Samuel Hahnemann, na Alemanha, e constitui a linha de orientação dos homeopatas clássicos de hoje.
A doença começa por ser uma alteração na natureza energética do homem e acaba por se projectar no corpo físico, de acordo com as condições que, entretanto, foram proporcionadas pela carga genética, hereditária e familiar, bem como pelos hábitos de vida contraídos pelo indivíduo durante a sua existência. Na realidade, a doença provém de uma invasão miasmática nos níveis mental e emocional do indivíduo, originando, no confronto com a força vital do mesmo, os sintomas físicos que observamos e a que chamamos patologia.
Ora, seguindo o princípio da homeopatia - “o semelhante cura o semelhante” -, a doença e o medicamento homeopático, estando na mesma frequência energética, atraem-se e, então, o mais forte, “mais potente”, absorve o mais fraco, “menos potente”. Os medicamentos homeopáticos actuam melhorando o sistema imunológico do corpo, reforçando-o e permitindo, ao mesmo tempo, combater a doença.
Não é necessário que os sintomas que a pessoa apresenta tenham sido provocados pela intoxicação por uma determinada substância. Basta que se ministre uma substância que, por si própria, seja capaz de manifestar todos esses sintomas. Qualquer produto tóxico vegetal, animal ou mineral, ministrado frequentemente a uma pessoa saudável numa dose mínima específica, pode fazer com que esta adoeça. Ora, a mesma substância, numa dose extremamente pequena e potencializada, libertará a energia capaz de remover os sintomas que causou.

B: Pode ilustrar com alguns exemplos?
C.N.: Todos sabemos o que acontece quando se bebe demasiado café. A mente fica acelerada e não conseguimos dormir. O sistema nervoso é esforçado ao limite e podem surgir tremores involuntários. De acordo com os princípios homeopáticos, o melhor antídoto para o envenenamento de café é o próprio café. Contudo, basta uma dose ínfima (uma gota ou menos, depois de ser convenientemente preparada pelo método homeopático) para reverter os efeitos do café.
Outro exemplo é o do cozinheiro que corta cebola às rodelas. Os seus olhos ardem e choram profusamente. Possivelmente, também o seu nariz poderá ser afectado por espirros e corrimento. Ora, se uma pessoa apresenta estes sintomas e não esteve a picar cebolas, o mais provável é sofrer de algum tipo de alergia ou até mesmo de “febre dos fenos”. Como se pode antecipar, o medicamento adequado para esta situação pode ser a cebola - de novo uma quantidade mínima, preparada de acordo com as instruções homeopáticas.

B: Como se preparam os medicamentos homeopáticos para produzir esses efeitos?
C.N.: São fabricados a partir de substâncias tóxicas de todo o género, utilizando doses extraordinariamente diminutas, em concentrações inferiores ao número de Avogadro, o que torna difícil compreender como funcionam. O Dr. Hahnemann descobriu que os seus pacientes melhoravam mais depressa e com menos complicações se os medicamentos fossem cuidadosamente diluídos e se agitasse vigorosamente o frasco com o medicamento após cada diluição. Estes procedimentos são conhecidos por “diluição” e “potencialização”. Juntos dão origem ao medicamento homeopático. Todos os medicamentos homeopáticos são potencializados.

Quando o medicamento homeopático é bem prescrito, na potência indicada, ao absorver a energia miasmática, deixa a força vital livre para recuperar as funções físicas e bioquímicas e, assim, desenvolver a imunidade.

B: Referiu “medicamento homeopático bem prescrito”. Os medicamentos homeopáticos têm contra-indicações?
C.N.: Se a pessoa excede os limites da posologia adequada, por exemplo em auto medicação, pode começar a piorar de todos os sintomas (chama-se agravamento homeopático) e mesmo começar a apresentar nova sintomatologia, pois o medicamento apresenta sempre mais sintomas que o doente.

B: Em que é que um homeopata é diferente de um médico convencional?
C.N.: Um homeopata não tem de ser forçosamente um licenciado em medicina convencional ou alopática, apesar de isso acontecer em muitos países estrangeiros, e também entre nós. Por vezes, depois de uma formação de carácter alopático, os vícios adquiridos dificultam a absorção dos verdadeiros conceitos energéticos e universais em que se fundamenta a homeopatia. Porém, a formação de um homeopata, quando tem realmente formação, é semelhante à do médico comum, sabendo também interpretar os exames bioquímicos, raios-x, etc. De qualquer modo, a sua especialidade é a utilização de medicamentos homeopáticos, dos quais se serve em exclusivo para tratar todo o tipo de pacientes.

B: Referiu o “carácter alopático” como opondo-se à formação homeopática?
C.N.: Sim, o termo “alopático” deriva do grego “Allos” e “Pathos” (o que significa diferente da patologia) e foi enunciado pela primeira vez pelo Dr. Samuel Hahnemann, por oposição ao termo homeopático - “Homoios” e “Path”-, que significa semelhante à patologia. As grandes diferenças em termos de actuação consistem no facto de que a medicina convencional ou alopática se limita a considerar a sintomatologia imediata, focal, dores localizadas, abcessos e todo o tipo de incómodos localizados, sem ter em conta o indivíduo como um todo. Se lhe diagnostica um problema reumático, trata-lhe dos músculos, articulações, etc, mas envia as alergias para o alergologista, as otites para o otorrinolaringologista, etc., e pouco tempo depois tem-se quatro ou cinco médicos a tratar a mesma pessoa, por vezes sem nenhum deles saber dos tratamentos que os outros estão a efectuar. A medicina homeopática aborda o indivíduo como um todo e considera a totalidade dos seus sintomas como um conjunto, tratando-os em simultâneo.

B: A homeopatia tem uma base científica ou está apenas baseada na propensão particular ou “intuição” do médico homeopata?
C.N.: A homeopatia é um sistema científico baseado na “lei da prova ou reprodutividade”. Está fundamentada num conjunto de resultados experimentais que cada medicamento homeopático produz quando ministrado em voluntários saudáveis. Considerando os testes cuidadosos preconizados pela medicina homeopática em seres humanos saudáveis, é que podemos falar na “lei da prova ou da reprodutividade”. É graças aos dados obtidos na experimentação que hoje temos conhecimento da acção dos medicamentos homeopáticos. Uma vez que os sintomas subjectivos são importantíssimos, especialmente os mentais e emocionais, este tipo de testes ou tratamentos não pode ser efectuado em animais. Os animais não nos trazem nenhum conhecimento sobre as reacções mentais e emocionais especificamente humanas; como é óbvio, eles são fisio-patologicamente distintos dos seres humanos.

Os “provadores”, como chamamos às pessoas que fazem a prova das substâncias, devem ser sensíveis e reagir facilmente às primeiras doses, revelando o maior número possível de sintomas. Devem estar de perfeita saúde, para que os sintomas provocados pela prova da substância não se misturem com sintomas de nenhuma doença. Se possível, devem ser pessoas instruídas para poderem descrever cronologicamente e de uma forma organizada o que vão sentindo e poderem responder e colaborar de modo claro com a observação médica.
É, pois, na experimentação, na “experiência pura”, que reside a base da homeopatia. Está comprovado que cada medicamento provoca exactamente os mesmos sintomas em diferentes voluntários, desde que estes estejam em pleno estado de saúde. Verifica-se que todos os indivíduos experimentam sintomas idênticos a todos os níveis: mental, emocional e fisicamente.
O homeopata clássico tem sempre em linha de conta a pessoa como um todo. Isto é, trata os três níveis que constituem o paciente: mental, emocional e físico. Considera sempre a totalidade dos sintomas. Usa apenas um medicamento de cada vez. Não mistura homeopatia com outras formas de terapia, que possam pelo seu carácter alopático agir como supressoras de sintomas e prejudicar a avaliação do resultado terapêutico e mesmo provocar uma patologia mais grave em substituição da anterior, suprimida.

B: Utilizou por vezes a expressão “homeopata clássico”. Existem outros tipos de homeopatia?
C.N.: Existem basicamente três escolas: A Escola Clássica, também chamada Escola Inglesa, por serem os homeopatas de língua inglesa, espalhados pelo mundo, aqueles que têm respeitado e seguido rigorosamente os princípios homeopáticos tal como foram indicados pelo criador da homeopatia. A Escola Pluralista Alternista, francesa, que se baseia em princípios de difícil entendimento - mas decididamente não homeopáticos e que misturam todo o tipo de medicamentos (inclusive vários medicamentos homeopáticos prescritos a longo prazo, antes de qualquer sintoma manifesto, como se esses médicos tivessem o dom de ver o que vai acontecer aos seus doentes no futuro). A Escola Complexista, alemã, que no mesmo recipiente mistura diversas substâncias homeopatizadas, com afinidades focais em relação a uma determinada patologia, e que age pelo princípio alopático de supressão de sintomas. Por vezes tem-se verificado algum sucesso com este tipo de tratamento, talvez devido à ausência de efeitos secundários. Nos casos de doença crónica, porém, mostram ser ineficazes.

B: No nosso país, nos dias de hoje, é possível obter uma sólida formação como homeopata? Onde?
C.N.: O C.I.C.T. (Colégio Internacional de Ciências Tradicionais) ministra há 7 anos um curso de Homeopatia e Medicina Tradicional. Tem um convénio com a Escola Superior de Medicina Tradicional para curso de nível superior, que aguarda despacho, que se prevê para breve, do Ministério da Educação. O I.M.H., Instituto Médico Homeopático ministra as pós-graduações em Homeopatia. Estes profissionais são conhecedores profundos de toda a filosofia homeopática pois, na realidade, estas duas instituições, são verdadeiras escolas de vida que ajudam os seus alunos a mudanças profundas nos seus hábitos sociais e de vida.

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