A Sabedoria dos Números - Cronologia Sagrada

“A Matemática e a Geometria são as pedras angulares da Cosmogonia Oculta”
Helena P. Blavatsky

Em números anteriores desta rubrica, aflorámos a questão da importância, na Economia da Natureza e nas Leis da Cosmogonia, da fórmula desvelada por Fibonacci e que recebeu o seu nome (V. nomeadamente Biosofia o 9). Tal fórmula é uma progressão harmónica e sinérgica, síntese ou chave de todo o Processo Evolutivo, e que se exemplifica como se segue: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21…

Com efeito, esta matriz (assim lhe podemos chamar) revela o segredo da potenciação de todo o impulso para a Evolução. Poderíamos dizer que, em si mesma, íntima ao mundo objectivo, é o próprio motor de propulsão de tudo o que É manifestado.

No Plano Fenoménico, como fórmula ou símbolo que é, representa como que o rosto aparente (e mais inteligível e tangível para as nossas percepções sensoriais) das matrizes arquetípicas (conceptuais) que dão forma… às Formas. Ela prende-se, naturalmente, com a Lei dos Ciclos - que rege e sustém a ordenação dos Universos Materiais, conferindo-lhes continuidade e perenidade. Ela é mágica, no sentido de que, em termos matemáticos, é magistralmente eficaz e sintética (prenhe de potencialidade). Ela é a batuta do Inominável Compositor e Maestro desta indizível Sinfonia Cósmica, onde tudo - visível e invisível, (por nós) pensável e impensável - se desenrola.

Ciclos de Manifestação
Propomo-nos hoje iniciar um leve, mas significativo e marcante, bosquejo sobre a análise da Grande Lei que determina o nosso Ciclo de Manifestação nesta 4a Ronda da 4a Cadeia Terrestre de globos - larga etapa cronológica onde nós, Humanidade, nos encontramos.

Dizem-nos os Anais da Ciência Oculta que cada um desses longos períodos - denominados Rondas - são compreendidos por Sete Raças-Raízes (por sua vez, subdivisíveis em Sete Sub-Raças); que cada Raça se subsume na seguinte, transportando para ela todo o fruto das suas potencialidades cumpridas (nesta conformidade, a Raça seguinte é sempre mais sintética e aglutinada no tempo); que nos encontramos, actualmente, na 5o Sub-Raça da 5a Raça-Raiz. É dito, também, por algumas fontes, que a última dessas Raças, a Sétima, não terá sub-Raças, constituindo um todo sintético e homogéneo.

(Justifica-se um enfático esclarecimento - particularmente para os menos conhecedores dos conceitos da Ciência Esotérica - que a referência a Raças não implica adesão, mas antes o mais vivo repúdio, de qualquer sentimento de racismo. De resto, o conceito de Raça-Raiz em Ocultismo não tem a ver com a noção estritamente tipológica, no sentido físico, comummente considerada pela Fisiologia.

As 7 Raças matriciais (e suas divisões septenárias), tal como as enuncia e descreve o Esoterismo, correspondem prioritariamente às sucessivas fases-mestras da evolução da Consciência, através - é certo - dos mecanismos morosamente desenvolvidos nos mundos psico-fisiológicos, ou seja, através de uma instrumentalização formal-material que sirva esse majórico propósito.

O que fisionomicamente caracteriza uma Raça, tal como a tipifica a Etnologia, não tem necessariamente de corresponder a um estatuto ou nível circunscrito de desenvolvimento de consciência).

Tenhamos presente que a Evolução da Consciência (através do atrito na Matéria) é uma espiral (uma exponenciação), que se desenvolve da periferia para o Centro. O Centro representa a consumação. E o Centro - só ele - contém tudo, e representa a porta para o Imanifestado.

Prodígio dos prodígios
Quando observamos a Lei de Fibonacci agindo na Natureza e modulando as suas formas1, e, mais ainda, quando a vemos actuando até no aparente vazio, como substracto no portento de Engenharia que representa a distribuição e distâncias relativas (matemáticas) dos corpos siderais, ficamos verdadeiramente fascinados pela perícia e pela arte que lhe subjaz.

No caso que ora analisamos (o do desenvolvimento das Raças-Raízes), verificamos que aquela Lei igualmente actua na (e através da) evolução das formas, a partir de um plano inteligente que perspectiva meticulosamente todo este nosso moroso avanço; mas o que se releva, e constitui o fito implícito e primordial, é o Trabalho na Substância e para o desenvolvimento da Consciência da grandiosa Unidade Colectiva que é a Humanidade. Esse é, aliás, o Moto de toda a Manifestação: a expansão e exaltação do aspecto “Consciência”.

A Consciência emerge e evolui através de veículos (formas) apropriados. As sequentes Raças atrás aludidas - com os seus tipicismos próprios, e distintas e progressivamente mais aperfeiçoadas potencialidades psicológicas, intelectuais e, depois, intuicionais - propiciam e consubstanciam esse papel.

A Lei de Fibonacci como motor, regulador e substracto evolutivo no percurso da nossa humanidade
Foi decidido, há um século atrás, pelos Guardiões da Hierarquia Espiritual do Planeta, através da magistral Obra de Helena P. Blavatsky, em que se destaca “A Doutrina Secreta”, levantar-se um pouco a ponta do Véu no que respeita à datação e duração do actual Período Global em que nos encontramos. Indicou-se então (discreta e muito sucintamente) que o tempo já volvido destas 7 Idades, Gerações ou Raças seria (grosso modo) de 320 milhões de anos; por outro lado, deram-se cifras aproximadas para o início das 5 Raças-Raízes que já se ergueram no horizonte.

Vamos hoje deter-nos um pouco mais no significado e inferências dessas extraordinárias cifras, vendo como a sua progressão obedece a uma Lei Matemática rigoríssima e que os Ensinamentos do Ocultismo autêntico não são afirmações levianas ou infundadas. Na verdade, 320 milhões… não é um número qualquer:
Recapitulando: de acordo com os Registros da Ciência Oculta, a Humanidade habita a Terra (este Globo físico) desde há 320 milhões de anos (aproximadamente), naturalmente em formas e substância muitíssimo distintas da actualidade. As primeiras Raças eram etéricas (ou astrais, segundo a original nomenclatura teosófica).

Nessa Época, a Terra tinha grandes dimensões. Nas altas camadas periféricas uma imensa névoa branda e ígnea circundava-a, aqui e ali investida por revoltosas turbas vulcânicas, gigantescas erupções emergi-
das do imenso crisol mais interno. Durante longas Eras, a massa nuclear do Planeta era ainda muito pouco densa e quase indistinta, na sua natureza, das zonas periféricas.

A Ciência ortodoxa sustenta que toda a vida terrestre é oriunda do Mar. De facto, assim o podemos considerar; porém, não se trataria de um Mar no sentido habitual mas, sim, de um Mar ígneo - uma tal amálgama atmosférica vaporosa e quente onde os elementos ainda se não haviam separado. Só muito lentamente aconteceu a “decantação”: os elementos mais pesados aglutinaram-se e formaram uma massa compacta, muito mais contraída, com contornos topográficos que se foram aproximando dos actuais. Os elementos mais leves também sofreram condensação e muitíssimas oscilações na sua proporcionalidade relativa. Uns, constituíram os Oceanos e, os mais subtis ainda, conformaram a Atmosfera gasosa.

Com efeito, toda a vida primitiva “sobrenadava” nessa espécie de plasma ígneo - por exemplo, aves e peixes ainda tinham um denominador comum. Ocorreram inumeráveis mutações químicas no Planeta e inumeráveis metamorfoses nos seres que o habitavam, de acordo com as alterações ambientais que se iam sucedendo: nomeadamente, os seres mais pesados e “telúricos” deram origem à imensa prole de mamíferos que ainda hoje domina a Terra3.

Na verdade, 5 grandes Tipos básicos de seres pertencentes ao Reino Animal se diferenciaram: intraterrestres (seres cuja vida decorre envolta
ou no interior do Reino Mineral, melhor dizendo, na sua matéria sólida. Neste grupo se incluem micro-organis-mos como bactérias e vírus), terrestres, aquáticos, aéreos e supra-aéreos.

Relativamente ao último grupo, a Humanidade comum sabe muito pouco. Os animais supra-aéreos habitam as altíssimas camadas da atmosfera, mais precisamente as zonas limítrofes da “Cintura de Van Allen”; têm características ígneas ou plasmáticas, quase etéreas, sendo geralmente translúcidos (absorvem radiações intensas e, alguns, emitem luminescência); são também muito contrácteis devido a enorme sensibilidade vibratória (o que pode determinar a alternância da sua maior ou menor tangibilidade ou visibilidade, de acordo com as oscilações de polarização em diferentes Planos). Não foram ainda avistados pela perscrutação astronáutica porque, ao serem extremamente sensíveis e afectados pela vibração emitida pelos aparatos humanos, se retraem e afastam.

ALGUMAS CHAVES
(COMO ESTES 320 MILHÃL;ES DE ANOS
TÃL;M EM SI CONCISOS O PLANO OU AS POTÃL;NCIAS
PARA A EVOLUÃL;ÃL;O HUMANA)

Mas, voltando um pouco atrás, podemos constatar que o longo período de cerca de 320 milhões de anos corresponde a cifras tão espantosas como:

* 148.148,148 Eras Zodiacais (como se sabe, cada Era Zodiacal compreende um período de tempo de cerca de 2160 anos).

* 12345,678(9)(4) Rodas Zodiacais completas (de 12 Eras cada uma, pois). Que dizer sobre este último número, senão que ele é, por excelência, a chave ou a estrutura arquitectural de todo o Universo? Por outro lado, a sua raiz quadrada é 111,1111 (outra cifra que dispensa comentários acerca da sua maravilhosa, quase incrível simbologia…)

* Temos, ainda, que 74 Ciclos de 4 Yugas cabem em 320 milhões de anos (e estes, correspondem ao período de vigência humana no nosso Globo de Manifestação); e 74 x 12 Globos 5 corresponde(ria)m a 888 ciclos de 4 Yugas (ressalvamos, contudo, que, em relação a este particular, não existem dados que confirmem se a duração em cada um dos Globos é equivalente).

Na matemática da Construção dos Mundos, e do Plano Divino para a sua Evolução, não há acasos. Tudo é assombrosamente ideal e perfeito…

Entretanto, poder-se-á observar: surpreendentemente (também), parece que o términus deste Período Global, em termos relativos, não estará muito distante. Se nada nos tiver escapado, realmente assim é! Mas também é verdade que os cerca de 144.000 anos que temos pela frente, neste troço cíclico do Caminho - que, sublinhe-se, é apenas o do 4o Período Global da 4a Ronda -, é muitíssimo tempo6; e que estamos todos - a Humanidade inteira - muitíssimo mais maduros para podermos aproveitar e potenciar a nossa aprendizagem passada. O processo de assimilação e aproveitamento da aprendizagem é exponencial: o Plano Divino assim o determina e assim, favoravelmente, nos impulsiona.

NOTA:
A autora assume este trabalho apenas como uma hipótese fortemente fundamentada. Ele evidencia a correcção - matemática, demonstrada - dos números que a genuína Tradição Esotérica sustenta relativamente ao passado. Quanto ao futuro, sempre os Mestres da Hierarquia da Compaixão e do Conhecimento foram muito reticentes e até evasivos em dar números exactos. É nossa convicção de que, relativamente ao devir, a mesma chave está correcta; mas devemos saudavelmente admitir que alguma coisa adicional, porventura, nos escape. Como é óbvio, a autora respeita outras convicções, na linha dos pressupostos até agora mais usualmente estabelecidos. Tal significa, evidentemente, que não ignora que os indícios e indicativos que, dispersamente, se recolhem, sugeririam períodos temporais imensamente superiores aos aqui considerados. Faz, porém, notar que, no que respeita a este particular, até “A Doutrina Secreta”, a obra-mestra de Helena P. Blavatsky, está pontilhada de aparentes contradições, de intencionais meras alusões, nebulosas afirmações ou, até, omissões e, mesmo - declaradamente - de algumas afirmações criptográficas ou truncadas relativamente ao seu fiel e original sentido esotérico (que não “exotérico”). É manifesto que, necessariamente, num dado período (neste caso, aquando da saída dessa magna e preciosa obra) se deliberou ainda silenciar (ou desviar as atenções ainda não maduras) sobre este específico tema afecto ao nosso futuro. Os “véus” não se erguem nem recolhem todos ao mesmo tempo. Sempre, em todas as épocas, alguns temas devem continuar “por mais algum tempo selados”…

Isabel Nunes Governo
Vice-Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

1 Posteriormente, contamos dedicar alguns artigos de “Arquitecturas” à observação e ilustração desta mesma Lei ao actuar e moldar belamente formas dos Reinos Mineral, Vegetal, Animal e Humano.

2 A Lei de Fibonacci sempre actua e se manifesta na Natureza com ligeiros desvios e oscilações que se autocorrigem no perpétuo balanço pendular cósmico (e que é o próprio motor do tempo). Disso resulta, nomeadamente, a imensa e insondável pluralidade e relativa imprevisibilidade das Formas.

3 Devemos notar que, de acordo com a Antropogénese Esotérica, o Homem não pertence ao Reino Animal, constituindo um Reino distinto, e precedeu todos os mamíferos no presente Período, mesmo que estes se tenham densificado primeiramente. Na verdade, o ancestral homem-animal não se tinha materializado além de um veículo etérico/astral - veículo modelador das formas densas e da sua funcionalidade - até à primeira metade da 3a Raça-Raiz. No entanto, esse corpo formador (o Linga-Sharira) era o protótipo e o mote que determinaria todas as características potenciais da ampla e diversificada Biologia animal. A complexa demonstração destas afirmações, tão ou mais fundamentadas que as geralmente aceites, não cabe no âmbito deste artigo.

4 Não deixa de ser curioso assinalar que nesta basilar sucessão de algarismos a vírgula está colocada no cinco. Efectivamente, esta trave sugere o objectivo fulcral para a Etapa Humana: a conquista e dominação do 5o Princípio - ou seja, o Princípio Manásico, que é dual, e que se desdobra e desponta para uma volta superior na espiral concernente aos Planos arúpicos (e a que correspondem - nesta chave ou ordenação - os subsequentes algarismos).

5 Nestes 12, devemos distinguir 5 objectivos + 2 de entrada e saída de manifestação, perfazendo os 7 globos manifestados; e outros 5 imanifestados, subjectivos ou puramente causais; cfr. “Lettres des Mahatmas M. et K.H. à A. P. Sinnett “, Adyar, Paris, p. 90, e “Cartas de Luxor” (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000)

6 Permitindo, provavelmente, um mínimo de 150 encarnações para a média da Humanidade.

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