Ao Amor (Des)Conhecido

Amor Vivo
“Amar!
Mas de um amor
que tenha vida.
(…)
Amor que viva e brilhe!
Luz fundida
Que penetre o meu ser -
e não só beijos
Dados no ar
- delírios e desejos -
Mas amor…
Dos amores que têm vida.”
Antero de Quental, séc. XIX

Muitíssimo se fala, escreve, canta, pinta, esculpe, glosa, filma, …, representa, sobre o amor. Da mais comum paixão à mais terrível das guerras, tudo tem servido de motivo para empunhar a bandeira do amor. Esta é, sem dúvida, uma das palavras mais gastas em qualquer língua e um dos temas mais vulgarizados, abordado por tantas e tantas pessoas, nas mais diversas áreas, em múltiplas formas, feitios … e aparências.

Porém, apenas em casos raros se refere o genuíno amor, aquele que tem VIDA, como escreveu Antero de Quental ou, aquele que, ardendo sem se ver, tem a capacidade de transformar a mente consciente, nas palavras de Camões: “Transforma-se o amador na cousa amada / Por virtude do muito imaginar; / Não tenho, logo, mais que desejar, / Pois em mim tenho a parte desejada”. Não podemos, neste contexto, deixar de evocar um outro notável pensador e poeta, Fernando Pessoa, que, conta-se, terá a certa altura confidenciado pensar que a sua vida tinha sido um relativo fracasso, por não ter conseguido aprender o amor. Como se ele, humilde, com a “sua alma do tamanho do mundo”, não tivesse expressado o amor… que sempre perdurará.

Amor (I)Maculado - o excesso de sinal contrário
Podemos falar do amor que sentimos relativamente ao que quer que seja, em relação a qualquer ser, a qualquer coisa, à Humanidade, à Natureza, ao Universo, etc. Neste texto, vamos começar por centrar-nos nos sentimentos que envolvem a relação afectiva entre duas pessoas, uma vez que, muito frequentemente, é disso que se trata quando se fala de amor.

Macula-se desmesuradamente o que deveria significar o amor. Tantas vezes, ele confunde-se com apego, dependência, necessidade, desejo, sexualidade, tolerância, paixão ou, mero hábito. Uma das coisas que não deixará de chocar uma criança, é o modo como muitas pessoas falam (no dia-a-dia, nos filmes, etc) entre si: “ó amor vem cá”, “ó amor dá-me aquilo”, … Essas mesmas pessoas podem estar a discutir no minuto seguinte pela “mais pequena palha”, agredir, falar ou cometer uma qualquer barbaridade, entoando aquela palavra - que deveria ser sagrada - de um modo repetido, tão meloso, falso ou vazio, que não deixa de incitar a criança a desviar o olhar, a fugir se puder e a ficar, no mínimo, confusa. Que ideia vai essa criança interiorizar do amor? Como irá ela reagir a um natural - e puro - anseio de dar, que brota do seu íntimo?

Também por via disso, durante longo tempo, amor pode tornar-se uma palavra estranha ou perversa para essa pessoa, parecendo-lhe demasiado vulgar, com múltiplos sentidos e sem um significado relevante. Como se fosse perfeitamente admissível e natural dizer ou fazer algo num momento, e a seguir, dizer ou fazer algo bem diferente, ainda que incoerente, ilógico ou insensato. Como se o correcto e o errado não se distinguissem, e uma relação fosse uma competição. Mas, interiormente, a palavra amor poderá continuar a ressoar lá bem no seu íntimo. Ainda que não saiba porquê… sabe que (passe o pleonasmo) a ama.

Com o tempo, inúmeras questões continuarão a surgir… mas algumas ir-se-ão aclarando: “O veneno, embrulhado (envolvido) em teorias de amor, em palavras de unidade, não deixa de ser veneno - mais insidioso até. (…) O excesso verbal indica, quase sempre, um excesso de sinal contrário. Muitas vezes, (…) quem muito proclama o amor, facilmente o esquece, sem quase dar por isso” 1. E isso, infelizmente, sucede amiúde. É essencial sabermos crescer sem esquecer nem sufocar qualquer criança, pura e inocente (e até a que permanece em nós).

Desejos, pensamentos e sentimentos
O que fazemos é causa e, sobretudo, consequência daquilo que pensamos e sentimos. Mas não é fácil conseguirmos perceber - e ainda menos dominar - o que sentimos ou pensamos. Por vezes, o que nos move é uma necessidade a satisfazer, uma ambição, um desejo pessoal, uma atracção ou uma paixão. É natural que a ambição pessoal e os desejos 2 a satisfazer, à medida que o ser humano for aprendendo e crescendo - ao longo de anos e de eras -, se transformem e ganhem uma expressão cada vez mais abarcante e menos egoísta; é natural que o aprimorar da consciência, o maior discernimento, a vontade de ser útil e o manter de uma boa conduta, leve o indivíduo a aspirar, a lutar por ideais, em lugar de cobiçar ou desejar algo que o satisfaça ou proporcione um prazer imediato e instantâneo; é natural que no decorrer do processo evolutivo o indivíduo se torne menos instintivo e, verdadeiramente, mais intuitivo.

Afirma um verdadeiro Mestre que são quatro as qualidades a desenvolver para se trilhar firmemente a Senda 3: discernimento, ausência de desejos - desapego, abnegação -, boa conduta - domínio da mente, domínio da acção, tolerância, contentamento, perseverança e confiança - e amor. Porém, em qualquer momento, a possibilidade de termos emoções e sentimentos é gratificante e essencial para realizarmos alguma coisa. Nunca os devemos menosprezar nem ignorar. Podemos, sim, aprender a reconhecê-los, a interpretá-los devidamente e a trabalhá-los. Nem sempre o primeiro impulso que sentimos é o que nos leva a agir melhor. Se não sentíssemos nada, não exercitaríamos adequadamente a mente, dificilmente algo ou alguém nos atrairia e nunca sairíamos do mesmo lugar; não faríamos bem nem mal - e nada é mais inútil do que isso. A questão pode passar por: como distinguir o que tem ou não a ver connosco? E o que fazer com as pulsões que sentimos, como reagir a uma paixão? Vamos concentrar-nos nesta segunda questão.

Paixão positiva e paixão negativa
“A paixão é um fenómeno psicológico que, alimentado por um qualquer desejo do espírito ou dos sentidos, se eleva até aos cumes do pensamento através da ideia fixa e aí se mantém com perseverança, desenvolvendo-se e enriquecendo-se à custa de outras ideias; depois desce das alturas como uma avalancha até chegar ao organismo, arrastando à sua passagem todas as energias afectivas e varrendo todos os obstáculos” 4.

Paixão (do latim passione ou sofrimento), segundo um dicionário universal, pode designar tanto sentimento excessivo, entusiasmo, afecto violento ou amor ardente, como cólera, grande mágoa, vício dominador, alucinação ou sofrimento intenso e prolongado. Talvez por isso se associe o sofrimento ao apaixonado, nutrido por uma força quase incontrolável que o “arrasta”, quer para o bem, o belo ou o positivo para si mesmo e para os outros - e aí sofre por achar sempre que pode dar mais de si, ir mais longe e fazer melhor -, quer para a satisfação de um insaciável desejo egoísta, a qualquer custo - sofrendo na vertigem deste desejo aprisionador e aprisionante. Então, podemos falar de paixão positiva e paixão negativa.

“A paixão positiva é comparável a um grande ideal. Tende para fazer o bem, ainda que isso implique grandes esforços, o sacrifício, por vezes, do prazer e a realização de coisas que não são agradaveis” 5. A paixão positiva, por um lado, conduz a pessoa ao serviço de ideais nobres, generosos e do bem comum e, por outro, de um modo indirecto, contribui para que ela desenvolva uma consciência progressivamente mais ampla, lúcida, activa e amorosa. É este forte sentimento de paixão - pela focalização em um ideal - que aos poucos dá lugar ou é veículo do amor - que também impulsiona as maiores obras.

“A paixão negativa, pelo contrário, coloca sempre o prazer antes do dever, põe a razão e a liberdade ao serviço do que é meramente instintivo, sem peso nem medida, e os seus objectivos e “ideais” não ultrapassam a barreira do material e dos interesses pessoais e egoístas, sejam quais forem os meios e os métodos que precisem de utilizar. Para satisfazer os seus desejos insaciáveis não hesita em transgredir os mais elementares princípios e valores morais” 6.

Na realidade, a paixão pode tornar-se mais positiva ou negativa, em diferentes graus, dependendo do modo como (lhe) reagirmos e do rumo que (dermos a essa força e) tomarmos, de forma mais ou menos empenhada. Em particular, entre os adolescentes, as paixões pelas pessoas, pelas coisas, por projectos, são muito frequentes e essenciais para o seu desenvolvimento.

É comum falar-se de paixão como uma forma de amor, muito intensa mas sempre temporária, motivada sexualmente, onde o indivíduo tem a sensação de perder a noção das fronteiras de si mesmo e de se fundir com o outro. 7 Esta não é um acto de vontade consciente nem se traduz na expansão das fronteiras do Eu mas, antes, no seu colapso parcial e temporário - a fusão é aparente, o indivíduo volta-se para si mesmo e nesse remoinho tende a arrastar o outro consigo. Esta é igualmente uma paixão que visa o prazer imediato, podendo conduzir ao apego, à repressão, à acomodação e, até, à usurpação, ao parasitismo, à obsessão e à dependência, mas não ao amor. A paixão pode ser mútua. Pode gerar relacionamentos - afectivo-sexuais - breves, circunstanciais e esporádicos. Ela não requer o aprimoramento próprio nem contribui para o crescimento do outro - os seus erros ou falhas podem até parecer insignificantes ou invisíveis - mas pode tentar “escravizá-lo” ao seduzi-lo. Nalguns casos, pode ter em vista acabar com a solidão. Qualquer que seja a situação vivenciada, é sempre possível alguém aprender com ela.

Finalmente, o Amor
No dicionário universal, amor (lat. amore) é: “viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos; inclinação da alma e do coração; objecto da nossa afeição; paixão; afecto; etc”. Daqui não fica clara a distinção entre amor e paixão. Ao contrário da paixão, o amor é uma escolha livre, implica o propósito de contribuir para o crescimento - espiritual - de outrém, sem que exista perca de independência nem de identidade, implica a capacidade de se sacrificar por algo ou alguém e de o(a) servir da melhor forma possível, empregando todo o esforço nesse sentido, com o desígnio de dar sem esperar algo em troca e de expandir o Eu, para além de si, envolvendo o objecto, ideal ou sujeito amado. “O Amor é a continuidade da consciência” 8.

“Realmente, os seres amam quando - ou porque - a sua consciência não se confina e termina em si próprios mas se expande, progredindo até incluir outras realidades, outros seres, outras palpitações de Vida. Quanto mais profunda e inteiramente essa consciência abarca ou integra em si cada ser e cada realidade, quanto mais amplos são os círculos de envolvência dessa consciência (comunicando-se assim com mais seres e realidades) maior e mais amplo é o Amor. O Amor é, pois, não só ilimitado mas, também, progressivo” 9.

A intenção e o grau de consciência (ou inconsciência) daquilo que fazemos são fundamentais para distinguirmos se estamos ou não perante um acto de amor. Dá-se um processo circular, ao expandirmos os nossos limites, ainda que pretendamos apenas o “crescimento” do outro. 10 Esta expansão requer interiorização, esforço constante, coragem, partilha de emoções, sentimentos, ideias, ideais, e o estabelecer de laços de proximidade e intimidade. “Para que num relacionamento se possa verdadeiramente falar de Amor, é necessário que exista alguma fusão essencial, uma doação e uma entrega - não por escravização ou alienação, mas em plena consciência - que permitam a ligação, ao menos até certo ponto, à intimidade do outro pólo da relação; é necessário que exista alguma abdicação de si próprio para aceitar a comparticipação (digamos assim) num todo maior, num eu mais amplo” 11.

O mito do amor romântico - a morte e a vida
Quantas pessoas desperdiçam tempo e energia na busca do “amor perfeito”? Algumas com exaustão, por tentativas sucessivas. Outras procuram incessantemente o que nunca encontrarão. Lembramo-nos daquela história da mulher que queria que tudo na sua vida fosse muito perfeito, em todos os aspectos; assim teria que ser também no amor. Então, ao longo do tempo, ia rejeitando todos os homens, nenhum era suficientemente bom para estar ao seu lado. Até que, um dia, já cansada e idosa, percebeu que nunca iria encontrar a pessoa dos seus sonhos, iria morrer em solidão, e aproximou-se de um homem… mas, era tarde demais.
Este mito do amor romântico, poderoso, onde tudo é belo, está intimamente ligado à ideia do amor fatal e da imortalidade, de que as lendas de Tristão e Isolda ou de Romeu e Julieta são bons exemplos - qual paradoxo, foi a morte que consumou a sua união e imortalizou o seu amor. Encontramos aqui outra noção de continuidade, de sintonia com algo divino.
“Ora, o Amor é a melodia, é a harmonia, a Música do Universo. Ele gera permanentemente a Vida, opondo-se, por isso mesmo, à Morte. O Amor é, portanto, A-mor 12, isto é, NÃL;ƒO-MORTE” 13. Os gregos expressaram bem, simbolicamente, a relação entre amor e morte, como duas “forças” antagónicas, através de Eros (nomeadamente como força universal de vida ou pulsão para viver) e Tanathos (como personificação da morte ou pulsão para morrer). A morte de um ente querido pode gerar tremenda dor, tristeza e sensação de separação. Porém, “o verdadeiro laço, feito de amor comungante, é imperecível. Quem ama verdadeiramente funde as suas energias, a sua essência mais pura com o ser amado. No autêntico amor não há reservas nem condições. Apenas há o ser que se doa, que flui e que se expande, envolvendo num mar de harmonia o ente querido” 14.

Amor “incondicional”
“O companheiro perfeito” não existe, mas haverá sempre alguém - com quem se sente uma maior afinidade, profundo afecto, respeito e proximidade - que “é perfeito” para uma pessoa. Disse Shakespeare que “o amor não é amor, se muda quando encontra mudanças”. Nesse sentido, o amor é tão mais perfeito quanto menos depender de interesses circunstanciais pelo outro. Por outro lado, e por estranho que pareça, o amor por si mesmo - não por orgulho ou narcisismo mas, por Ser, com a consciência de “ter em si” as chaves dos mistérios e a divindade - é vital para se amar. Como pode dar e gostar de alguém quem não gosta de si mesmo?

Não existem relações fáceis. Haverão momentos mais e menos agradáveis. Para se manter o amor entre duas pessoas, é necessário cada uma dar, cuidar e expandir-se com ele, com ritmo e constância, reconhecendo os períodos de maior paixão ou fulgor e os de interiorização e recolhimento, ambos importantes. “Quando se ama, estabelecem-se laços aceptivamente profundos, vias de comunicação subtis e subterrâneas, ou consanguíneas, por onde perpassam e distribuem, osmoticamente, fluxos múltiplos e que incluem, diversamente, as tensões geradas” 15.

Quando o que existe é apenas atracção física ou paixão, com o tempo, esta esmorecerá e somente a ilusão - na esperança de o tempo operar milagres e materializar o “tal mito” -, a habituação ou a dependência manterá um casal ligado, mas não unido. O tempo não irá melhorar a relação… a tristeza, o ciúme, a desilusão e o vazio acabarão por ditar o seu rumo.

Amor, sexualidade e família
“A abstinência pode ser o maior dos abismos” 16; mas a estulta inebriação dos sentidos, em nada é benéfica. “Os ocultistas não consideram levianamente as relações sexuais promíscuas porque conhecem perfeitamente as consequências que produzem nos planos internos e as causas que se põem em movimento nos mundos invisíveis” 17. Para Francis Bacon (sécs. XVI-XVII), “o amor nupcial gera a Humanidade; a amizade aperfeiçoa-a; o amor libertino corrompe-a e avilta-a”. As relações sexuais podem/devem ser nobres, amorosas e, como a natural procura de afecto, naturais, edificantes e espiritualizadas. (Será isso o mais frequente?) “A Humanidade precisa de reflectir maduramente sobre os valores éticos, encontrando o justo caminho de equilíbrio entre um moralismo rígido, formal, supérfluo e mesmo traumatizante (logo, desnecessário e indesejável) e uma insensata libertinagem e amoralidade (que hoje predomina e igualmente vos aprisiona em obscuros labirintos psicológicos). O estado ideal é o do exercício de uma liberdade responsável, consciente e auto-controlada de acordo com uma noção de ordem superior” 18.

Acentue-se - como a ciência médica o comprova - que “a prática sexual normal e equilibrada (desejavelmente assumida com dignidade, afecto e respeitabilidade) evola determinadas compressões energéticas que, de outro modo, poderiam manifestar-se na forma de predisposição para a agressividade. Se essa energia compulsiva não for utilizada na combustão de qualquer tipo de acção ou de esforço (nomeadamente, também, de trabalho físico ou mental), poderia perverter-se e produzir desequilíbrios danosos para a saúde e para a sociedade” 19.

É ainda essencial salientar que “o amor familiar não deve ser um ponto de chegada mas um ponto de partida - um meio de aprendizagem e de propulsão para abrangências de amor crescentemente mais alargadas” 20. “Onde, porém, o amor verdadeiramente exista, toda a relação é verdadeiramente abençoada, porque representa progresso, evolução, reencontro de partes no Grande Todo” 21.

Amor-Sabedoria
“O Amor pressupõe sempre algum tipo de relação - e só nos podemos relacionar consciente e profundamente com aquilo que conhecemos. É por isso que o conhecimento - mais ainda, a Sabedoria - é importante para se poder vivenciar um amor profundo e verdadeiro” 22. Na realidade não se pode dissociar “a Sabedoria do Amor nem a Religião da Filosofia. A Religião deverá ser a Filosofia do Amor; a Filosofia deverá ser a Religião da Sabedoria. (…) Se não amardes o Universo, jamais o havereis de compreender, (…) se não amardes o vosso semelhante, nunca o podereis entender e ajudar, por mais teorias psicológicas que conheçais. Só pelo Amor a Razão de Ser que está dentro de vós pode compreender a Razão de Ser de todas as coisas…” 23

Daí ser fundamental não estagnarmos num amor superficial e fraco - qual água parada que acaba por apodrecer - e, ao invés, encontrarmos o rio donde provimos e que nos pode conduzir, se nos esforçarmos por navegar, lucidamente, através de um amor activo e sincero, às margens da Sabedoria e ao oceano da Vida. É o Amor que nos une a Tudo e a Todos. Quando amamos, o impulso de dar, de modo espontâneo e sem condições, veicula o bem, ilumina e enche-nos de felicidade. E quanto melhor nos conhecermos, mais poderemos dar. “A Sabedoria - como o Amor - identifica-se com o próprio Eu Real. Provém da identificação do Eu com tudo o que existe - e isso é Amor. É este, pois, o binómio - Amor e Sabedoria - que move e que fecunda o nosso Sistema” 24. Também por isso, os seres que há muito ultrapassaram a etapa humana, os Mahatmas 25, os legítimos dignitários da excelsa Sabedoria Oculta e, por opção própria, Mestres da Humanidade, são igualmente conhecidos como Mestres de Compaixão (ou do Amor) e da Sabedoria. O Seu Amor nunca se aparta de nós. 26
Em Nome do Amor!

Apenas o que se interioriza e o que se dá, refulge, permanece e engrandece. “O Amor é verdadeiramente a Luz e o Sangue Vivificante, a força coesiva do Universo. É ele, pois, que preside à Criação, que permite a Manutenção dos Mundos da Forma e, finalmente - em cada final -, a sua Reabsorção. É a força que acorda a Matéria, que a fecunda, que a transmuta, que a ergue e que a reassume no Espírito. É a consciência que se expande até à Continuidade no Todo” 27.

Assim se pode afirmar que o Amor é “o grande unificador e a melhor expressão da Unidade.”28 O amor que vivenciamos, mesmo pelas mais pequenas coisas e por cada ser, deve levar-nos cada vez mais longe na vontade e na capacidade de dar e de Servir o Todo. Nada é insignificante. Mesmo as mais pequenas coisas podem amesquinhar ou dignificar o Eterno. É tempo de optarmos. Se isso nos incitar a ir ampliando a consciência, melhor saberemos amar e, mesmo quando seguirmos um rumo duvidoso ou ilusório, acabaremos por reencontrar o Caminho. Bem mais do que não fazer mal, importa, determinadamente, fazer e inspirar o bem. “Amai-vos uns aos outros como eu Vos Amo” continua a ser uma Lei por entender e cumprir.

“Tremenda e dolorosa, como é, a história desta Humanidade, oferece, no entanto, sublimes e comoventes exemplos de Grandes Vidas e Grandes Causas. Apesar de tudo, quantas bandeiras dignas e inspiradoras se ergueram no mundo! Quanto enlevo, quanta dedicação em cada novo impulso! Quantos corações já palpitaram por um ideal, quantas tochas já se inflamaram no fogo da Ciência Sagrada! É com essa palpitante e amorosa substância que, em conjunto, Cumpriremos o futuro…” 29. Em Nome do Amor! Pela Vida! Pelo Divino!

Abílio Oliveira
Engo Informático; Psicólogo Social; Assistente do DCTI no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; Autor dos livros
“O Desafio da Morte”, “Olhar Interior” e “Sobreviver”

1 “Pérolas de Luz - vol. III”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1993, pág. 65.

2 desejamos com facilidade e é frequente confundirmos os mais diversos desejos connosco próprios, com o que somos mas, «eles não somos nós», e eles podem diferir da nossa vontade íntima, dos «desejos mais profundos», do que realmente queremos - se assim quisermos chamar, dos «desejos da alma ou do espírito» e da noção de dever.

3 “Aos Pés do Mestre”, Ed. Pensamento, 1995.

4 “Aprenda a viver”, Bernabé Tierno, Ed. Presença, 1998, pág. 37.

5 “Aprenda a viver”, Bernabé Tierno, Ed. Presença, 1998, págs. 37-38.

6 “Aprenda a viver”, Bernabé Tierno, Ed. Presença, 1998, pág. 38.

7 “O Caminho menos Percorrido”, Scott Peck, Sinais de Fogo, 2001.

8 “Sementes e Pérolas”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1989, pág. 36.

9 “Sete Chaves”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1995, pág. 60.

10 “O Caminho menos Percorrido”, Scott Peck, Sinais de Fogo, 2001.

11 “Sete Chaves”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1995, pág. 61.

12 o poeta medieval J. Baisieux apresentou uma definição de amor que se pode sintetizar como: A significa (sans ou) SEM e Mor significa (mor ou) MORTE, juntando os dois teremos (sans mor ou) SEM MORTE.

13 “Pietro Ubaldi: Profeta da Nova Era”, José Flórido, Omnia, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1997, pág. 275.

14 “Pérolas de Luz - vol. III”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1993, págs. 153-154.

15 “No Templo do Espírito Santo”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1992, pág. 80.

16 “As Sentenças da Lei”, Vega, 1995.

17 “A Filosofia Oculta do Amor e do Matrimónio”, Dion Fortune, Pensamento, 1991, pág. 114.

18 “Luzes do Oculto”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1998, pág. 117.

19 “Luzes do Oculto”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1998, pág. 117.

20 “As Novas Escrituras - vol. IV”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1996, pág. 134.

21 “Sete Chaves”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1995, pág. 61.

22 “Sete Chaves”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1995, pág. 62.

23 “As Novas Escrituras - vol. IV”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1996, pág. 104.

24 “Sete Chaves”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1995, pág. 66.

25 ou Grande Almas - veja-se, por exemplo, “Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília.

26 “O Sétimo Círculo”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1995.

27 “No Templo do Espírito Santo”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, 1992, pág. 13.

28 “As Novas Escrituras - vol. II”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1991, pág. 75.

29 “Cartas de Luxor”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000, pág. 158.

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