Cristo. Parte IV - O Cristo Histórico, o Cristo Mítico e o Cristo Místico

Nos números anteriores da “Biosofia”, alinhámos algumas das muitas dúvidas históricas (para os pesquisadores independentes) que rodeiam a maior parte dos factos atinentes à figura de Jesus; referimos quais as matrizes iniciais do Cristianismo (que o legitimam como mais uma pérola brilhantíssima no fio dourado da apresentação pública da Sabedoria Divina, Eterna e Universal); detivemo-nos um pouco nos modos como homens sectários e intolerantes (mais tarde vistos como campeões da ortodoxia) falsificaram essas origens, deturparam a realidade, destruíram tesouros imensos de Sabedoria dita pagã e perseguiram tantos dos melhores e mais genuínos cristãos.

Um Cristianismo Intemporal
Tentaremos agora, nesta última Parte do artigo, ver o significado de Cristo à luz do Esoterismo, e sublinhar a verdade intemporal (a Ciência Espiritual) subjacente ao Cristianismo, mais além de todos os circunstancialismos históricos, de todas as desfigurações e de todos os sectarismos.

No primeiro livro que escreveu, afirma, a certo passo, Helena Blavatsky: “… Por Budismo, por conseguinte, entendemos a religião que significa literalmente a doutrina da sabedoria e que precede em muitos séculos à filosofia metafísica de Siddârtha-Sâkyamuni” 1. Semelhantemente, poderíamos dizer que, por Cristianismo, podemos entender a doutrina de todos aqueles que chegaram a tornar-se Christos (do que tal significa falaremos adiante) e que, portanto, independe da existência de Jesus num tempo histórico restrito e, mais ainda, de quaisquer más interpretações - sendo, pois, como dissemos, intemporalmente verdadeira e sublime.

Grandes momentos históricos
Há cerca de 2.500 anos atrás, viveu-se uma das épocas mais notáveis de que há registo histórico. Em diferentes partes dos globo, despontaram Homens e Eventos de rara grandeza, de cuja luz sumptuosa ainda hoje nos beneficiamos.

Na Índia, Siddharta Gautama tornou-se um Buda, assomando o limiar do Para-Nirvana, depois de (voltar) a ensinar a Lei-Verdade (Dharma) aos homens, de lhes assinalar o Nobre ÃL;“ctuplo Caminho que nos pode libertar das garras da ilusão e da dor, estabelecendo um código ético de perfeição inultrapassada. Terá sido também a época do grande Bâdarâyna. Na China, dois grandes Instrutores, Lao-Tsé e Confúcio, deixaram um rasto de Sabedoria e Prudência que ainda hoje se estudam com admiração e reverência. Na Pérsia, ter-se-á vertido a escrito o Avesta. Também, no seio do povo judeu, Esdras reuniu e coligou os materiais que deram origem à maior parte dos livros do (assim chamado pelos cristãos) Antigo Testamento. Na Grécia Antiga, irrompeu uma cultura brilhante, com filósofos, cientistas, artistas e até políticos de uma tal estatura que ainda hoje têm os seus discípulos, os seus estudiosos, os investigadores que aí encontram uma fonte prodigiosa de Conhecimento e inspiração - Tales de Mileto, Pitágoras, Platão, Anaximenes, Heráclito, Anaxágoras, Parménides, Empédocles, Aristóteles, Teofrasto, Leucipo, Demócrito, Safo, Fídias, Apeles, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Péricles, Alexandre, Heródoto, Tucídides, Xenofonte… um nunca acabar de vultos notáveis.

Há cerca de 2.000 anos atrás, numa grande medida como consequência desses movimentos anteriores, verificou-se uma outra época extraordinariamente fecunda. Também na Índia, emergiram grandes sábios como Aryasangha, Asvaghosha ou Nagarjuna; mas, como já disséramos em outro capítulo deste artigo, grande parte desse vórtice girava agora à volta da bacia do Mediterrâneo: os diferentes grupos gnósticos e/ou cabalísticos do Egipto, da Judeia, da Grécia; um tempo de grande pujança (nomeadamente, literária e jurídica) de Roma; a gloriosa cultura de Alexandria; as ramificações do pitagorismo e do platonismo; Seres da grandeza de Jesus ou de Apolónio de Tiana ou, ainda, de Saulo de Tarso (São Paulo), Basílides, Valentino, Marcion, Simeon Ben Jochai…

Foi nesse cadinho de cultura, nesse alforge de espiritualidade, acolhendo elementos de diferentes origens mas que já se coloriam com o que chamamos a “civilização ocidental”, que o Cristianismo despontou. E, pelo contexto geográfico em que surgiu, revestiu-se, naturalmente, dos arquétipos, dos termos e dos contornos que se adaptam à mentalidade mais ocidental (por contraposição, por exemplo, à notável e matricial espiritualidade hindu, a quem tanto devemos, e onde, em última instância, encontramos as raízes primevas da generalidade das religiões e tradições espirituais chegadas até hoje).

Antiga Sabedoria…
Os erros, equívocos, contradições e até iniquidades que, demonstradamente, pontilharam os caminhos da Religião Cristã - nas suas inúmeras ramificações, seitas e Igrejas -, e sobre os quais falámos (muito parcialmente) no último número da Biosofia, não nos impedem de reconhecer o carácter sagrado do Cristianismo. Nele encontramos, uma vez mais, a (re)afirmação da Ciência Espiritual, da Sabedoria Eterna e Universal. Nele encontramos a ética sublime de todos os Grandes Mestres e Instrutores da Humanidade e, com muito particular identidade, a promulgada pelo Senhor Buddha Gautama. Nele encontramos as referências do caminho que haverão de trilhar todos os que se dispõem a seguir os passos dos Grandes Seres (os Mestres de Sabedoria e Compaixão) e a, melhorando-se a si mesmos, melhorarem o mundo à sua volta. Encontramos tudo isso, e apresentado numa linguagem que (aos ocidentais) nos toca e nos comove nos alicerces, porque se nos adapta maravilhosamente, e porque se revestiu de uma beleza avassaladora - uma obra prima do Senhor Cristo e dos grandes sábios gnósticos e cabalistas que redigiram a matriz prístina do que vieram a ser os Evangelhos.

Com efeito, na perspectiva esotérica, confirmada por qualquer estudo de religiões comparadas que não seja conduzido sob a égide do preconceito da superioridade de alguma delas em particular, há um fio condutor e uma verdade comum subjacente a todas as grandes Tradições Espirituais e Religiosas. Cada uma delas, entretanto, está especialmente adaptada a um determinado contexto geográfico e cultural, a um determinado momento histórico, a um determinado tipo de necessidades e de tendências, a uma determinada fase evolutiva da Humanidade. É por isso que as Religiões são belas no colorido e na riqueza da sua diversidade.

… Em vasos novos
O Cristianismo, na sua matriz original, veio, assim, no tempo necessário: quando se requeria um revigoramento ético, sangue novo na vivência espiritualista, reforma de rotinas e práticas religiosas externas, síntese de várias linhas religiosas que fervilhavam à volta da bacia do Mediterrâneo. Veio nas zonas geográficas onde se recolheram os ecos da Tradição Oriental e se rasgou o caminho para Ocidente, onde iria surgir uma Civilização pujante (muitas vezes, também na vertente negativa), à qual, na sua maioria, a formulação cristã melhor se adapta. Fez vibrar uma tónica de solicitude diante (do sofrimento) do mundo externo, de postura activa e objectiva - e não de mera renúncia passiva -, ainda que equilibrada por uma forte componente devocional 2.

Entretanto, a Humanidade precisa de figuras de referência, de um sentido de maravilhoso e de presença de Seres não sujeitos à condição humana; para que ela se possa arrebatar e erguer da sua consciência habitualmente rasteira, precisa de algo de mais concreto a que se possa agarrar do que as elevadas concepções metafísicas - embora estas sejam imprescindíveis para quem pretenda desenvolver os níveis cognitivos e existenciais superiores e trilhar consciente e determinadamente o caminho da espiritualidade. Necessita, sim, que se personalizem as coisas, necessita de história(s), de lenda, de mito (no seu devido sentido simbólico e abstractamente verdadeiro).

Uma obra prima
Quaisquer que tenham sido as datas e as circunstâncias exactas da vida de Jesus, elegeu-se a sua figura exemplar para, à sua volta, se construir toda uma história onde está expressa a existência típica de todos os Salvadores do Mundo e simbolizado o caminho evolutivo de todo o Discípulo, bem como as grandes coordenadas cosmogónicas 3 4; para lhe atribuir a paternidade de inúmeros ensinamentos de altíssimo valor; para, enfim, o elevar a referência inspiradora. Verteu-se uma grande Sabedoria (Ciência Espiritual) em frases e episódios de beleza profundamente tocante, capaz de impregnar até os corações mais empedernidos - quem pode ficar insensível ao Sermão da Montanha? Condensaram-se tesouros infindáveis de Conhecimento Espiritual em máximas muito simples na aparência (por isso, susceptíveis de serem entendidas até pelos mais impreparados) mas com camadas de significados mais profundos, mais internos, mais esotéricos (a que podem aceder os que têm uma outra exigência e subtileza). Tão extraordinária foi a obra dos que construíram a matriz e os textos a partir dos quais, agregando diversos materiais, se geraram os Evangelhos e demais livros do Novo Testamento que, malgrado todas as (piedosas ou malévolas) falsificações, cortes e acrescentos, desvirtuações e traduções sem ciência, uma luz fulgurante ainda continua a brilhar por seu intermédio!

Jesus
O que foi dito, não significa que Jesus não tenha existido historicamente. Menos ainda, que não tenha sido um vulto de pureza, sabedoria e coragem extraordinárias. Simplesmente, os primitivos cristãos 5, os detentores da Gnose e das chaves cabalísticas que escreveram os mais antigos textos com ensinamentos atribuídos a Jesus e relatos destes ou daqueles episódios, nunca pretenderam transmitir a Sua vida histórica exacta. Nem, tão pouco, os seus detalhes os ocuparam. Eles transmitiam uma Verdade muito maior - porque intemporal, porque perenemente válida - do que a dos factos históricos concretos. Mais tarde, outros cristãos, mais ignorantes, tomaram à letra essas narrativas, geraram fraudulentamente as (supostas provas) da sua exactidão histórica - não conseguindo, entretanto, evitar grosseiras incoerências - e tornaram a religião cristã, em tantos aspectos, numa crença cega. Assim, perdendo a grandeza dos símbolos que lhes subjaziam, fizeram artigo de fé (?!) a crença de que a Ressurreição de Jesus, a virgindade de Maria, a concepção por acção do Espírito Santo, etc., etc., etc., foram factos históricos literais (e, na falta de melhor argumento, invocaram o vergonhoso não argumento Credo quia absurdum - “Creio porque é absurdo”!). Tudo isso é Mito (com profundo significado, se claramente entendido e assumido como tal). Não obstante, a grandeza de Jesus resiste e em nada sai diminuída - antes pelo contrário. Se ele fora o Deus único, absoluto e omnipotente que as Igrejas fazem crer, então, não poderíamos apreciar-lhe o mérito nem compreender por que não veio antes ao mundo, nem deixar de nos sentirmos desconcertados; mas, como homem que se tornou maravilhosamente perfeito, ele é digno de toda a nossa reverência e gratidão.

Que diziam os Gnósticos cristãos sobre Jesus? Eles afirmavam que “Jesus era um homem ensombrecido 6 pelo Christos ou Mensageiro da Vida” 1. “Os primeiros nazarenos 7 sustentavam a seu [Jesus] respeito a mesma doutrina do ‘ensombrecimento’ divino de certos ‘homens de Deus’, enviados para a salvação das nações, e para chamá-las ao caminho do bem (…) Cristo (o ‘ungido’), o príncipe dos Aeôns, foi enviado e, tomando a forma de um devoto judeu…” etc. “Logo que Jesus nasceu, Christos, o perfeito, unindo-se a Sophia, desceu através das sete regiões planetárias (…) Assim, Christos entrou no Homem Jesus no momento do seu baptismo no Jordão” 8 9.

Cristo e Sophia

Sophia é, nas concepções gnósticas e cabalísticas, o Espírito Santo, a Mente Universal, o Logos feminino, a Sabedoria Ordenadora do Mundo, pelas Leis Divinas. A Virgem Sophia, a Sophia Celestial é, na Árvore da Vida, “Ela à esquerda”, Binah, encimando o Pilar Feminino do Rigor. E Christos, “sentado à direita de Deus” 10 (Deus aqui referido a Kether, a mais elevada das Sephiroth e que está no topo da Coluna do Meio, o Pilar do Equilíbrio) corresponde a Chokmah, encimando a Coluna Masculina da Misericórdia. Temos aqui manifestamente aludida a estreita e imprescindível união desses dois pilares ou colunas, o de Cristo e o de Sophia (correspondentes a Yakin e Boaz).

Chréstos e Christos
Continuemos a avançar pelas pistas assinaladas pela Gnose Divina, distinguindo Christos e Chréstos (termo muito anterior ao ano 1 da Era Cristã. Já no Séc.V a. C., Ésquilo, Heródoto e outros a utilizavam). No seu Glossário Teosófico, escreveu Helena Blavatsky: “Chréstos significava um discípulo posto à prova, um candidato à dignidade de Hierofante. Quando o aspirante triunfava, através da Iniciação, de grandes provas e sofrimentos, e havia sido ungido (…) o seu nome era transformado em Christos, o “purificado”, na linguagem do mistério ou esotérica. Na simbologia mística, realmente, Christés ou Christos significava que já se havia percorrido o ‘Caminho’, o Sendeiro, e alcançado a meta; que os frutos de um árduo trabalho para unir a efémera personalidade de barro com a Individualidade indestrutível, haviam conduzido à transformação num Ego imortal” 11. Assim, o homem Jesus, puro e sublime, um Chréstos ou discípulo no Caminho ascendente, havia chegado a ser um poder maior, Christos, ao realizar a união permanente com o seu Espírito, a Mónada Divina, o Pai (”Eu e o Pai somos um”). Nesse estado crístico, Jesus volveu-se apto para ser o veículo de uma Entidade (ainda) mais excelsa, um Mestre de Mestres - o Cristo manifestado em Jesus.

Todos os homem podem chegar a formar Cristo em si mesmos (usando a expressão de S. Paulo na Epístola aos Gálatas, 4:19). De facto, todo aquele que nasceu da carne (a Personalidade), pode subordinar-se ao Filho do Homem (o Mental Superior, o Pensador); e este, por sua vez, pode chegar a ser um Filho de Deus, a Tríade Monádica no Homem: Atman (Vontade Espiritual), Buddhi (Intuição, Razão Pura) e o aroma, a quintessência de Manas (a Mente Abstracta). O despertar, em cada homem, do Cristo Interno (que se manifestará quando os veículos da Personalidade não o obstaculizarem) é o grande objectivo que nos é proposto, conforme as palavras de S. Paulo: “Cristo em nós, esperança de glória”; “Não sou eu que vivo mas é Cristo que vive em mim!”.

Grandes Instrutores
A grandeza de Jesus está em ter realizado o que nós estamos ainda (mais ou menos) distantes de alcançar e, desse modo, se ter convertido em um (não o) filho de Deus, em um (não o) Salvador do Mundo, em um (não o) Grande Portador de Luz, em um (não o) Grande Médico do Mundo, como Krishna, Zoroastro, Hermes, Gautama, Shankara e muitos outros. A reverência por um desses Grandes Seres, não impede que reverenciemos os outros. A beleza do azul, não tira a do amarelo, do verde, do vermelho ou de outra cor em que a luz se diferencie. Há dois milénios atrás, o Senhor Cristo conferiu mais um impulso no desenvolvimento da Humanidade, por meio de figuras notáveis pela Sabedoria e pelo Amor, entre as quais Jesus foi expoente. Como já vimos, são discutíveis e nebulosas as circunstâncias exactas da Sua vida, começando pela data do Seu nascimento. Quanto a esta, é bem provável que as datas aproximadas que se consagraram nos Evangelhos e na Lenda Cristã tivessem o objectivo de se reportar à conjunção, nos Anos 7-6 a.C., de Júpiter e Saturno, no signo de Peixes - um sinal de manifestação messiânica - 12 assim consagrando Jesus como um Avatara e, particularmente, o Grande Instrutor (ou, antes, o Seu veículo) da Era astrológica pisceana, então ainda nos seus alvores. Curiosamente, é por esses anos que é situado o nascimento do grande Apolónio de Tiana, por vezes chamado “o Cristo grego”, e cuja vida e ensinamentos são identicamente exemplares e sublimes 13.

Conclusão
A mentalidade comum ainda se caracteriza por um unilateralismo sectário (só uma religião seria verdadeira, e falsas ou meras aproximações, feitas às cegas, todas as outras), por um relativismo céptico (os fundadores de religiões eram todos mais ou menos bem intencionados mas não mais do que isso) ou, mais contemporaneamente, por um individualismo sem exigência de verdade (de cada religião sirvamo-nos com o que possa servir os nossos interesses ou caprichos, que isso da verdade “é uma coisa muito relativa” e na religiosidade não há ciência).

Diferentemente, o Esoterismo sustenta a existência de uma Grande Fraternidade de Seres que, tendo alcançado o topo da perfeição humana, estão naturalmente enlaçados e em sintonia num trabalho em prol da verdadeira evolução, do enobrecimento, do progresso espiritual de todos nós. Todos Eles se tornaram já Christos. Assim, Cristo é universal, antes e depois do advento da religião cristã. Possam, portanto, todas as religiões reconhecer o tronco comum de que procedem e reencontrar o Conhecimento Sagrado, sólido e fidedigno, fundamentado e demonstrado, que substituirá o infeliz tempo das crenças que tanto mal trouxeram já ao mundo (foi em nome de crenças, religiosas, políticas, rácicas, etc., que se cometeram as maiores atrocidades). Então, poderão cessar os fanatismos e fundamentalismos, o triste separatismo que ensombra a história da Humanidade, que tem caminhado cega, perdida e vergastada pela ignorância e pela ilusão. Então, caminharemos para o surgimento da Terra Una, para o advento do Homem Universal. Então, conforme as palavras do Apóstolo Paulo (Colossenses, 3:11-16), “… não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos. Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição. Triunfe nos vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um só corpo. E sede gratos. A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de modo que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente”.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

1 Helena P. Blavatsky, “Ísis sem Véu” (Vol. III), Ed. Pensamento, S. Paulo, 1990.

2 Diversos autores têm assinalado que o Cristianismo tem muito de Bhakti-Yoga (a Yoga da devoção). Tal poderá prender-se, numa grande medida, com o facto de ter surgido (nos primórdios) de uma Era de 6o Raio - o Raio da Devoção, da Dedicação, do Idealismo ardente. Deve-se, entretanto, ponderar igualmente a influência de S. Paulo, hoje um Mestre de Sabedoria do 5o Raio (Conhecimento Analítico) e a mentalidade objectiva (às vezes, volvida insensibilidade, no aspecto negativo) de grande parte da civilização condicionada pelo Cristianismo, ao considerarmos as tónicas desta particular Religião e dos impulsos que por seu intermédio foram dados ao mundo.

3 Neste sentido cosmogónico, Cristo é configurado com o Logos ou Verbo, conforme vemos, nomeadamente, no Evangelho segundo S. João, em várias epístolas de S. Paulo e em inúmeros evangelhos “apócrifos”. O estudo da Cosmogonia, muitas vezes ininteligível ou visto como árido - até desinteressante - pelo vulgo, é o cume do Sistema Esotérico, do Conhecimento Espiritual. A genuína Tradição Oculta tem um extraordinário acervo de dados, precisos e de fascinante rigor, sobre a Cosmogonia, ensinados aos que estão aptos ao desenvolvimento da Intuição e da Mente Abstracta. Quando se dirigem à Humanidade comum, para apresentar um ensinamento necessariamente mais simples, é frequente, porém, que os Mestres de Sabedoria não desenvolvam tais temas.

4 Está aqui subjacente a distinção entre o Cristo histórico, o Cristo mítico e o Cristo místico. Para mais desenvolvimentos, cfr. “O Cristianismo Esotérico”, de Annie Besant (Ed. Pensamento, S. Paulo, 1978).

5 Sobre os (verdadeiros) cristãos originais, remetemos para o número anterior (16) da “Biosofia” e, também, para o Vol. III de “Ísis sem Véu”, de Helena Blavatsky ou, ainda, “Os Mistérios de Jesus”, de T. Freke e P. Gandy (Publicações Europa-América, Lisboa, 2002).

6 “Ensombrecer” corresponde aqui ao “overshadow” dos ingleses, significando que um poder espiritualmente mais elevado pairava sobre Jesus, iluminando-o, inspirando-o e conduzindo-o.

7 Sobre os “nazarenos”, cfr. a Parte II deste artigo, publicado no número 16 da “Biosofia” e, ainda o “Glossário Teosófico”, de Helena Blavatsky (Ed. Ground, S.Paulo).

8 King, “The Gnostics and their Remains”.

9 H. P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta, Vol. V” (Ed. Pensamento, S. Paulo, 1973) ou “Collected Writings, Vol. XIV” (Theosophical Publishing House, Wheaton, Illinois, 1985).

10 Marcos, 16:19; Efésios, 1:20; Colossenses, 3:1, etc.

11 A expressão “personalidade de barro” refere-se ao Quaternário Inferior (Kama-Manas, ou Desejo-Mente Inferior; Linga-Sharira, ou Duplo Astral; Prana, ou Vitalidade, e o Corpo Físico) e alude ao Adão de Barro do Genesis (2:7), o produto do trabalho dos Pitris Barhishad.

12 Facto provavelmente indiciado no episódio dos Três Magos do Oriente e da Estrela a que seguiam.

13 Apesar de se ter tentado, e em grande medida com êxito, apagar da memória das gentes a figura desse grande sábio à maneira pitagórica, o seu extraordinário conhecimento, a sua incorrupta pureza e os seus poderes taumatúrgicos estão claramente documentados.

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