PANPSIQUIS

Matéria Organizada - um Crescendo de Consciência
Os antigos hindus distinguiam o “mundo” dos microorganismos como uma plataforma a partir da qual se precipita, em ascensão, a biodiversidade que serve a evolução da Consciência em termos colectivos.

De algum modo, em certos aspectos, este paradigma coincide com o processo vislumbrado por Darwin, de acordo com o qual “a função faz o órgão” ou, dito por outras palavras: é a necessidade que aguça o engenho e que produz uma tão vasta gama de peculiaridades funcionais, todas elas servindo propósitos específicos, tendo em conta o meio envolvente e visando a satisfação de requerimentos próprios que garantam a subsistência de cada espécie.

A Natureza, no seu Todo, é inata e latentemente dotada de inteligência e, quando particularizada (ou seja, quando a consciência se involucra numa forma), essa inteligência é activada e posta ao serviço de cada “parte”, de cada unidade de vida organizada.

O mundo desses microorganismos era, em sânscrito, chamado Svapada. Svapada é o protoplasma universal bem como as células constituintes de um organismo e, ainda (o caso que visamos neste artigo), todo o universo das bactérias e vírus. Sva é o “self”; svabhâva é o “eu” idiossincrático, peculiar, de cada coisa.

Na presente era, o homem iniciou-se numa tarefa inédita até então. Desenvolveu métodos de defrontar os microorganismos invasores do seu sistema biológico que lhe traziam doenças. Investigou e descobriu compostos químicos, tais como os antibióticos, que tinham a propriedade de “arrasar” com as bactérias, eliminando doenças anteriormente terríveis e temíveis que o atacavam. Ao fazê-lo, julgou que tinha irrevogavelmente dominado o mundo biomicroscópico. De facto, o recurso aos antibióticos e antivíricos revelou-se precioso e utilíssimo. Pareceria que a batalha estava ganha.

No entanto… com o decorrer do tempo, os investigadores acabam por se ver hoje a braços com uma inquietante constatação. Os vírus e bactérias, sujeitos ao ataque químico, vêm desenvolvendo resistências que lhes permitem mutações que se traduzem num espantoso incremento biológico evolutivo (estimulam habilidades e versatilidades múltiplas), a uma velocidade exponencial. Até há pouco, a vantagem temporal na descoberta de novos fármacos, relativamente à velocidade das mutações viróticas e bacterianas, era nossa (da humanidade). Neste momento, são estes organismos que estão a ganhar terreno elaborando defesas eficazes, armas sofisticadas contra as quais nos vemos na maior dificuldade e imparável incerteza…

Sob Ponto de Vista Oculto, o Que é Que se Está a Passar?
Sustenta a Ciência Ocultista que o propósito da Manifestação dos Mundos é a obtenção e aprimoramento daquilo a que se chama Consciência. É a objectivação (o cumprimento objectivo, concreto) daquilo que só o era em potência. A Vida (JÃL;®va) expressa-se e exterioriza-se e, no tumulto do processo de diversificação dos Mundos atinentes à Matéria (e à Forma), sofre atrito 1 - e este desencadeia Consciência, uma Consciência progressivamente mais luminosa, cristalina e perfeita…

A Natureza é dotada de uma síntese radial de sete forças principais. Todas elas estão inicialmente presentes em cada partícula germinal, em cada mónada. Porém, apenas se actualizam, sucessivamente 2, à medida que essa unidade vai subindo a escalada dos Planos do Grande Septenário da Consciência Universal. Uma dessas forças, a sétima no descenso à Matéria e a primeira a despertar, é Svarâj 3.

Considera-se que, desse septenário - no Macro como no Microcosmo -, três são primárias e endógenas, e quatro são secundárias e exógenas. A expressão, usada em Ocultismo, “fogo por fricção” aplica-se à terceira dessas forças (Visvakarman) e está intimamente relacionada com (e actua na) expressividade da séptima, Svarâj. 4

Este terceiro “motor” é responsável pelo fenómeno dito de “espelhismo” ou “mimetismo” da natureza - segundo o qual as formas organizadas aprendem endogenamente, antes que factual e perifericamente. É o que explica a aptidão de aprendizagem da forma-virgem de um nascituro: em sobreposição ao contacto (relacionamento) abstracto que se desenrola entre a mãe e o bebé, pronunciam-se os sons das palavras ou nomes das coisas que correspondem a essa preliminar comunicação endógena. E é só por se verificar o encontro desses dois factores que a criança adquire o tipo de consciência externa, formalizada e intelectualizada, que lhe passa a ser própria. Na verdade, tal é devido ao efeito da conjugação de duas direcções de expressividade dinâmicas - a primeira, manifestando-se de dentro para fora; a segunda, agindo de fora para dentro 5. Ambas são portadoras da capacidade de impressionar a tela sensível - e sensitiva - que subjaz ao cérebro físico do bebé.

O “fogo por fricção” é o operador que transforma a potência em acto; é o agente que produz a mensagem codificada, transmitindo um dado conhecimento, através daquilo que poderíamos chamar, ainda que imperfeitamente, “impressão foto-sensível” ou, talvez de forma mais precisa, “impressão modeladora”. É isso que providencia a aprendizagem por imitação ou espelhismo; ou seja, aquele que aprende, focalizando-se num pólo que lhe é ascendente 6 ou até simplesmente no meio envolvente, estabelece um fio ininterrupto de comunicação (como que imbuindo-se ou fundindo-se com o objecto da sua atenção) e aspira ou capta, imita ou reflecte, a sua imagem ou o seu exemplo.

Esse fogo, agindo na matéria e, de algum modo, representado na sétima das forças aludidas, é pois o gerador da vida apreensível - ou seja, consciência. O Akasha é o meio pelo qual flui, livre, a homogeneidade ou unicidade da Inteligência Universal - toda a infinita gama de frequências continentes de distintos graus de Conhecimento (Sophia). Por seu intermédio, opera-se a comunicação focalizadora de um emissor para um receptor.
Entretanto, nas esferas inferiores, é Svarâj que desencadeia o início de todos os processos de consciência proporcionados pela inter-relação corporal-espiritual de todas as unidades de vida. É ela que preside ao espoletar dos processos de consciência relativos à individuação elemental. Por meio e a partir dela, organizam-se pouco a pouco todos os sistemas corporais (e, assim, servidores, dos propósitos do espírito, que os habita). Multiplicam-se todas as formas e espécies e, dentro destas, todas as possibilidades e diversidades funcionais, dando nascimento à mais prodigiosa manifestação do que poderíamos chamar “Engenharia Biológica”.

Svarâj é para a consciência elemental e para a substância químico-biológica, o que Visvakarman é para a consciência a que acedeu o homem superior, e para as inumeráveis hostes de Construtores na esfera de Mahat (a Mente Cósmica).

O Homem - Factor de Desestabilização num Mundo Holístico?
O que o homem tem vindo a operar, relativamente ao reino paralelo dos vírus e bactérias, é “bombardeá-lo” com estimulantes da sua consciência de espécie - os quais, pela sua enorme potência, frequentemente os matam mas… quando assim não acontece, pelo contrário (e por paradoxal que pareça), os vitalizam e robustecem. Esses bombardeios químicos desafiam, pois, e aguçam a sua capacidade e habilidade de sobrevivência.

Isso ocorre por meio da exposição destes microorganismos a variadas substâncias, particularmente os alcalóides, presentes em muitas espécies do Reino Vegetal. Os alcalóides são, literalmente, pequenas “bombas” ricas em “svarâj” - e svarâj contém a essência dos quatro ingredientes principais promotores da vida física (biológica): o oxigénio, o azoto, o hidrogénio e o carbono (4 é o número que preside ou que rege a matéria, nos seus múltiplos, inumeráveis, desenvolvimentos. Também o 7 com ela está intimamente relacionado 7).

Ao estimularmos anormalmente a capacidade criativa material destes micro-seres, estamos, de facto, a desequilibrar a Balança biológica e o ecossistema do planeta.
De modo nenhum pretendemos tecer aqui juízos de valor ou o menor criticismo, e não queremos com este relato dizer que postulamos uma posição contrária à ciência, à investigação e à utilização dos recursos que tão laboriosamente se têm encontrado e que salvaram um número incontável de vidas. Estamos tão simplesmente a descrever, de forma anódina, um intricado processo de co-relacionamento das diversas formas de vida.

Tendo em conta o que se nos oferece observar, julgamos que a curto prazo o homem vai ser obrigado a rever as suas posições e estratégias de defesa, pois, lenta mas inexoravelmente, iremos todos conhecer o preço da “manipulação” não totalmente bem gerida (e respeitosa) da natureza e das suas leis.

Também nós, humanos, temos por diante um poder, legítimo e portanto natural, que será propriedade e apanágio de uma condição mental-superior (que nos espreita e aguarda). Todos os verdadeiros YogÃL;®s, desde sempre, o conhecem e o usam naturalmente. É, também ele, a resultante activada de uma das sete forças (já aludidas) da Natureza. É chamado o poder de Kriya-shakti.

O homem comum não é dele possuidor, pois não domina ainda os sentidos, submetendo-os ao serviço de um “desígnio” superior - Buddhi-Manas, a Mente Iluminada (única verdadeiramente equilibrada e inofensiva).

Pela força da Evolução, quando o homem chegar à condição natural desse estádio e de, assim, usufruir desse poder (que hoje detém, latente), ele subordinará todos os poderes inferiores (como os da elementaridade, tão fortes na natureza animal e, até, na vegetal) e, consequentemente, não será afectado por eles. A doença não mais o atingirá.

Nos dias actuais, alguns homens que se adiantaram na Senda da Evolução submetem naturalmente os vírus e bactérias, apaziguando-os - se assim nos podemos expressar - no seu interior. Aliás, apesar de os diferentes Reinos da Natureza (em que o humano se inclui) já não co-habitarem num mundo natural, mesmo nos Reinos inferiores assistimos muitas vezes a uma simbiose ou consonância espontâneos 8 entre animais e microorganismos (para nós, patogénicos). Por exemplo, sustenta-se que o vírus da Sida já existia e parasitava outros primatas sem que, contudo, lhes provocasse dano. No seio do organismo humano, porém, e sujeito a uma velocidade vibratória muito superior das suas moléculas constituintes e, decerto, actuadas por diversos factores inerentes à presente condição típica na humanidade - factores químicos e de polarização mental 9, expressa no metabolismo endócrino -, sofreram acelerações da própria velocidade vibratória das suas pequenas consciências e, deste modo, mutações que o tornaram letal para o ser humano.

Com efeito, parece claro que, abaixo ou acima de um determinado diapasão, não são estimulados ou perturbados; o mesmo é dizer, existe uma faixa vibratória dentro da qual são especialmente mobilizados e extrapolam o seu comportamento bioquímico. Isto vale, aliás, para todos os processos nos quais o homem é ou tem sido arbitrariamente interventor. Durante muitos anos de agradável utopia, o ser humano alimentou a ideia de que poderia manipular a natureza em prol das suas próprias conveniências imediatistas: o sempre repetido problema das “partes” dissociadas do todo (que constitui o organismo planetário).

Sucedeu assim na agricultura, ao usar e abusar de fertilizantes (e pesticidas). Os resultados imediatos foram espectaculares mas, a médio e longo prazo, verificou-se que aqueles artifícios empobreciam e desestabilizavam os solos e até a qualidade das colheitas, bem como fomentavam o aparecimento, sempre mais difícil de controlar, de pragas de insectos nocivos. Sucedeu assim na avicultura, na suinicultura e outras explorações, em que o homem via crescer e engordar, em pouco tempo, os seus animais de consumo alimentar, sem perceber que tal, inevitavelmente, haveria de deteriorar os elos da cadeia da vida integrante do planeta, desequilibrando a balança reguladora (em harmonia) de toda a expressividade dessa vida, em que nos incluímos. A ausência de uma visão holística tem-nos empurrado para uma situação de grande risco, nomeadamente no que respeita à qualidade da vida respirável; à irregularidade em matéria das radiações solares ultra-violetas a que vimos a ser perigosamente expostos pelo rompimento da elementar barreira protectora (referimo-nos ao enfraquecimento da camada de ozone, fruto dos excessos e da incúria humana); ao equilíbrio na diversidade e sábia distribuição das espécies da vida animal e vegetal (inúmeras espécies se têm extinto, com um prejuízo inapreciável para a sã economia do todo). Onde o homem estabelece ou impõe a desordem, a Natureza repõe a ordem, por vezes com custos dolorosos e… incompreendidos.
Uma hipótese a considerar?

Voltemos ao nosso assunto fulcral - o da inter-relação entre o homem e as vidas microscópicas que, crescentemente, quase governam hoje o planeta:
É reconhecido o facto, aparentemente estranho, de que portadores do HIV por mais de vinte anos não foram por ele dizimados. Nesta conformidade, julgamos poder aferir que a razão subjacente se prenda com a “qualidade” do metabolismo (e assim, da consciência do portador-hospedeiro do vírus) que tem a capacidade de o subordinar e apaziguar.

Segundo esta hipótese, quem sabe, então, se a medicina não se poderia valer, precisamente, desses vírus modificados pela ambiência polarizante dos resistentes à sua perniciosidade. 10 Quem sabe se não os poderia “inocular” (de algum modo adequadamente ponderado) em pacientes com as vulgares estirpes agressivas, a fim de se tentar uma génese, consequente, de vírus mais inofensivos. (Como se o organismo destes indivíduos, demonstradamente resistentes, fora o laboratório ideal - porque natural - para uma modificação do vírus no sentido da inofensividade).

Todos sabemos que os organismos animais são portadores, no seu respectivo seio, de miríades de micro-espécies benignas - benignas no sentido de que, apesar de parasitárias, não atentam contra o equilíbrio biofuncional do seu hospedeiro. Noutros casos, contribuem até para esse mesmo equilíbrio - como é o caso da flora bacteriana que coloniza os sistemas digestivos (i.e., numerosos bacilos que adjuvam na boa assimilação dos nutrientes e garantem uma boa assepsia e economia fisiológicos), defendendo os organismos, onde habitam, da possível malignidade de certos invasores.

Esta é tão só uma interrogação especulativa que, nesta oportunidade, partilhamos com o leitor. Talvez alguém na área da investigação possa achar a hipótese plausível e, a partir dela, encetar algum projecto que a indague de forma aprofundada e eventualmente a justifique, com o proveito que adviria para milhões de infectados…
Os Irreversíveis avanços e conquistas da Ciência no seio da matéria

O novo degrau que se ergue…
Diz-nos hoje em dia a Ciência oficial que a vida microbiana vem evoluindo na Terra há uns 4 biliões de anos. A dimensão da sua intervenção sobrepuja a de qualquer outro ser animado deste planeta; influi e atravessa literalmente toda a restante vida biológica, não podendo, pois, ser ignorada ou negligenciada. Por exemplo, actualmente gera metade do oxigénio que utilizamos em cada respiração.

Incontáveis milhões de bactérias, protozoários, fungos, pululam em todos os ambientes - uma gota de líquido pode conter cinquenta milhões de bactérias, e um grama de terra, em média, mais de mil milhões. Eles são o produto do aperfeiçoamento das numerosas interacções químicas que mantêm entre si. Na verdade, é-lhes corrente a troca de informação genética; no seu sistema de colónias 11, partilhar genes faz parte integrante da sua economia de vida. Mesmo entre espécies totalmente diversas, intercambiam plasmídeos - partículas de ADN - 12 com enorme facilidade e a um ritmo alucinante 13.

Observando este potencial, os investigadores avançam para estratégias de vacinação de algumas plantas mortalmente atacadas por vírus (e que, por via dos nossos sucessivos procedimentos incorrectos, se tornaram debilitadas, menos e menos aptas a enfrentarem os seus cada vez mais poderosos infestadores parasitantes). O processo que ora vêm a adoptar é o da introdução de um gene, resistente ao vírus agressor, na própria planta. Contudo, e também neste caso, os efeitos - todos os efeitos - a longo prazo da actuação da Engenharia genética são difíceis de prever.

No que concerne ao combate às doenças, a microelectrónica parece constituir a maior promessa de revolução na ciência de diagnóstico, prevenção e erradicação. Estudam-se e concebem-se, já, microchips que possuem a virtualidade de captar, detectar e interpretar, no seio do corpo humano, o ADN estranho e indesejável, proveniente de microorganismos patogénicos.
Os próximos passos da Ciência
Neste momento os cientistas vislumbram a possibilidade de fazer dos nossos micro conterrâneos os maiores aliados na luta pela sobrevivência do Planeta, nomeadamente utilizando-os no combate e neutralização dos efeitos do lixo radioactivo e da poluição em geral - nos últimos 100 anos transformámos o nosso Lar comum numa perigosa lixeira, uma bomba de toxicidade imparável no seu crescimento. Verificou-se, neste entretanto, que têm surgido novas espécies bacterianas capazes de se nutrir do gás natural e do gás metano - particularmente uma bactéria denominada methanotrops. Também a bactéria Pseudomonas putida apresenta quimiotaxia positiva em relação a diversos poluentes ambientais. Ela vem sendo experimentada com importantes sucessos na degradação microbiana de resíduos industriais.

Num laboratório da Ucrânia existem armazenadas (em simples - e perturbadores! - tubos de ensaio) mais de 8.000 espécies de bactérias provenientes de todo o mundo 14 15, algumas terrivelmente letais, mas muitas tendo em comum um enorme potencial de intervenção útil. A população microbiana do solo em torno de uma determinada árvore - um abeto, uma tuia, etc. - é completamente diversa da existente no meio afim (em inter-relação) com outra espécie; e quando num terreno convivem diversas espécies arvícolas, as espécies bacterianas que se geram possuem sempre mais e mais diversificação. Sem que nos demos conta, sob os nossos olhos, desenrolam-se probabilidades ad infinitum de desenvolvimento e sofisticação no universo do infinitamente pequeno. 16

Entre aquelas bactérias, têm sido objecto de particular atenção as provenientes dos solos das imediações de Chernobyl: nelas se verificaram mutações aceleradas que - acidentalmente - poderão, quiçá, converter-se em esperança de uma intervenção equilibrante da nossa vida colectiva futura. Com efeito, tem-se constatado que algumas espécies criaram resistências assombrosas (e assustadoras), subsistindo a temperaturas elevadíssimas e, até há bem pouco, impensáveis quanto à possibilidade de sustentarem qualquer forma de vida conhecida ou sequer imaginável. Por outro lado, demonstradamente, aguentam radiações nucleares que, de igual modo, dizimaram qualquer outra forma de vida vegetal ou animal.
Outras parcerias

Ordinariamente, o lixo comum e diário degrada-se muito lentamente, em especial (e como é mais comum) quando privado de água e de circulação de ar no seio das muitas toneladas nas gigantescas lixeiras dos meios urbanos 17. Com a adopção de sistemas de injecção de ar e de água em lixeiras, um grande número de microorganismos encontra um meio nutriente favorável, degradando assim lixo que, em condições correntes, levaria 30 a 40 anos para se neutralizar mas que, nestas circunstâncias, é consumido num espaço de tempo de apenas alguns meses (até 2 anos). Pelo menos à primeira vista, eles podem vir a constituir a solução para incontáveis toneladas de lixo comum, bem como para a poluição radioactiva com que diariamente nos asfixiamos.

Isabel Nunes Governo
Vice-Presidente do CLUC

1 Todos os processos atinentes à Matéria estão sujeitos à acção do que, em Ocultismo, é chamado o “Fogo por Fricção”. Quando operamos artificialmente, num laboratório, mudando o curso ou a ordem natural dos fenómenos, estamos também a utilizarmo-nos dessa propriedade inerente à Natureza - o “Fogo por Fricção” - extraindo e/ou fazendo comunicar entre si como que a quintessência dos elementos químicos. Só ela é que é sensível e responsiva; a matéria de per si seria inerte e inconjugável, sem o elo verdadeiramente vivo da essência que lhe subjaz, que a define e que lhe provê a sua peculiaridade de “ser”. (Um simples processo de fervura vale-se dessa propriedade da Natureza).

2 … de acordo com a velocidade vibratória da substância desses Planos - com os quais, pela lei natural, progressivamente, se afinizam, e da qual se alimentam, ou melhor, a qual incorporam, em cada etapa ascendente, nos seus próprios veículos de consciência.

3 Sushumnâ é a primeira destas forças, o Raio sintético, que se desdobra e “decai” na Matéria dando origem a todas as outras seis. A sétima é, portanto, Svarâj. Noutra perspectiva, Svarâj é o Raio sintético - uma vez que aglutina e condensa todas as outras qualidades/forças.

4 Na realidade, a este quinário - da 3a à 7a expressão de Raio -, corresponderiam (aqui expostos em sentido inverso) os cinco tanmâtras (gandha, rasa, rÃL;»pa, sparsha, e shabda), a essência subtil e matriz dos 5 mahâbhÃL;»tas ou elementos grosseiros - terra, água, ar, fogo e éter -, aos quais, por sua vez, correspondem no microcosmo as potências dos cinco sentidos - olfacto ou captação do aroma (fortemente associado ao instinto, o precursor remoto da intuição); gosto (associado ao magnetismo bipolar e à geração); visão (associada à luz); tacto (associada à densidade/peso), e ouvido (associado ao som) - cada um destes tendo em si a sua peculiaridade de “ser” mas comungando da essência última e recôndita dos restantes. Relativamente a esta questão, recordemos o antigo axioma platónico “a natureza só pode reconhecer o que lhe é semelhante (homoion)”, quer dizer …o que é partícipe de si próprio. E é esta, verdadeiramente, a primeira inerência do conhecimento. A segunda premissa - sustentada por Anaxágoras e Heraclito, e que para nós, ao contrário da generalidade dos estudiosos do legado filosófico grego, só aparentemente é inconciliável -, sobrevem-lhe e postula que [por fim] “o conhecimento brota da presença da oposição (enantion)”.

5 Em termos metafísicos, esse ponto de coincidência é o centro de simetria, o centro da Cruz Cósmica ou da Manifestação (identificada à svastica) e tem o nome de svâdhishthâna (literalmente “o Eu que se auto-sacrifica”. Ishta ou Ichta significa “sacrificado”; de forma sugestiva, Ichthus - em grego, o peixe - era um dos nomes atribuídos a Jesus, o Cristo). Svâdhishthâna é igualmente o nome dado ao segundo lótus dos yogÃL;®s, oposto ao umbigo, e sede da percepção sensorial (que antecipa a cognição ou intelecção propriamente ditas). Um outro nome para aquele lótus é Adhishthâna; a ele, na sua correlação macrocósmica, está relacionado o adhi-yajnã, ou supremo sacrifício (da crucifixão cósmica - a crucifixão na Matéria - de todos os Avatares ou construtores/geradores - como Vishnu, Krishna, Indra, Varuna, etc.). Adhi-yajnã é uma das trinas manifestações da natureza divina, ou seja, o centro do qual procedem todos os seres autoconscientes. {Lemos no “Glossário Teosófico”, de Helena Blavatsky: “YajÃL;±a significa ‘Sacrifício’ e, segundo o Rig-Veda, existe, como presença invisível, desde a eternidade - porque promana do Supremo -, e faz-se representar estendendo-se desde a forma do ÃL;‚havanÃL;®ya, ou fogo sacrificial, até aos céus, formando uma ponte ou escada através da qual o sacrificador pode comunicar-se com o mundo dos devas e ‘ascender, em vida, às suas mansões’. É uma das formas do Akasha, dentro da qual a Palavra Mística chama à exteriorização. Pronunciada pelo Sacerdote-Iniciado ou pelo YogÃL;®, esta Palavra sagrada é investida de poderes criadores e comunicada através de uma Força de Vontade exercitada - [ou seja, Kriyâ-shakti]”. A este propósito, chamamos a atenção para que o termo sânscrito Svara tem precisamente o significado de “O Som Místico”, o ultérrimo e sintético Nome. Cada átomo, cada ser, tem o seu próprio svara, a sua própria e distinta vibração ou nota-chave}. Por último, e para melhor compreensão, neste particular, da arcaica cruz svastica acima aludida, diremos que, entre muitos outros prolíferos e sacratíssimos significados, ela representa a união do Espírito com a Matéria inscrita no coração de todas e cada uma das coisas, bem como essa União, plena e harmonicamente conseguida, em cada Grande Ciclo de Manifestação. (Pensamos, entretanto, que nunca é de mais esclarecer ou lembrar que a svastica não é um símbolo nascido do nazismo e, sim, que este se apropriou do uso desse símbolo antiquíssimo e sagrado nas mais diversas religiões, das quais se contam o próprio Cristianismo primitivo e o Budismo).

6 por exemplo, uma individualidade que lhe é positiva em relação à sua pontual condição de negatividade receptiva.

7 O chakra Muladhara (ou da Raiz, da Base da coluna) tem 4 pétalas.

8 … uma simpatia ou ressonância vibratória afim.

9 Por exemplo, a poderosa força cristalizada do mental concreto - sem a influência clarificadora e subtilizadora de Buddhi (a Intuição, na acepção ocultista). Ou, ainda mais comummente, um mental forte eivado de um poderoso egocentrismo emocional que comanda todos os impulsos e todas as acções.

10 Ou, eventualmente, do soro sanguíneo desses pacientes.

11 A generalidade dos microorganismos reproduz-se por cissiparidade (dividindo-se em dois), se bem que também os haja assumindo uma reprodução sexuada, na forma de conjugação. Nas bactérias que se multiplicam por divisão celular (a Pseudomonas, por exemplo) - pode ocorrer bipartição em cada 20 minutos. Noutros casos, tem-se observado, nesta “mecânica”, a surpreendente média rítmica de 12 em 12 minutos.

12 Plasmídeos são moléculas de ADN, covalentemente ligadas, de 10 a 1000 vezes menores que o cromossoma bacteriano. Constituem unidades de replicação autónoma, i.e., multiplicam-se independentemente do cromossoma bacteriano e da divisão celular. Nestes termos, uma célula pode transportar vários plasmídeos diferentes ou não ser portador de nenhum. Os plasmídeos não causam danos às suas células hospedeiras e nem apresentam formas extra-celulares (designadas “virions”) como acontece com o ADN de origem viral (”bacteriófagos”). As bactérias não constróem os seus próprios plasmídeos mas adquirem-nos através do fenómeno de “conjugação bacteriana”, segundo o qual uma bactéria, transportando um plasmídeo, o transfere para uma outra bactéria, reservando-se, entretanto, uma cópia (ou a matriz?) deste. Quando uma bactéria adquire um plasmídeo, passa a expressar as características codificadas pelos genes plasmidianos. Quando, pelo contrário, perde um plasmídeo, deixa de expressar tais características. Por exemplo, se adquire um plasmídeo contendo genes que conferem resistência a um determinado antibiótico, tornar-se-á resistente a esse mesmo antibiótico; mas, se o perder, voltará a ser sensível ao mesmo. Da mesma forma, uma bactéria antes não patogénica, pode passar a sê-lo se adquirir um plasmídeo portador de genes codificados com factores de virulência, ou deixará de sê-lo se o perder. A resistência a drogas é uma das mais marcantes propriedades conferidas por genes plasmidianos. Muitos plasmídeos R (transportadores de genes para resistência a agentes antimicrobianos) apresentam a propriedade de se auto-transferir entre bactérias da mesma espécie, de espécies relacionadas e mesmo de diferentes géneros. A sua versatilidade e mobilidade funciona como um mecanismo amplificador do fenómeno de resistência a drogas. A presença de genes conferindo resistência a substâncias antimicrobianas, não somente permite como incrementa a sobrevivência e a devastadora multiplicação de bactérias patogénicas durante o uso de antibióticos.

13 Quanto a este particular, em Engenharia genética aposta-se hoje na transferência selectiva de determinadas partículas de ADN de espécies que ainda não desenvolveram resistência relativamente a certos antibióticos, para outras que se tornaram imunes a todos os recursos actualmente existentes na Medicina laboratorial.

14 Porém, em todo o mundo estão apenas devidamente interpretadas e catalogadas nas suas características morfológicas, bioquímicas, celulares, moleculares, cerca de 1800 espécies de bactérias.

15 Algumas, geneticamente manipuladas.

16 Como exemplo da extraordinária intervenção destes ínfimos seres na própria tipificação de algumas espécies florais, comprovou-se que certas colorações acentuadas (características de algumas flores), foram devidas à estabilização de processos químicos ocorridos pela ingerência de certos vírus.

17 As bactérias podem ser aeróbias ou anaeróbias, conforme necessitam ou não de oxigénio para se reproduzir.

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