Ciência e Esoterismo uma vivência pessoal

Algumas pessoas têm manifestado certa estranheza pelo facto de conciliarmos um trabalho profissional de docência e investigação na área da ciência experimental (principalmente) no campo da Física com a colaboração em actividades que têm um pano de fundo de assumida filosofia/ciência esotérica. Pareceu-nos, assim, útil clarificar o modo como tal conciliação é possível. Para o efeito, colocaremos e tentaremos responder a algumas perguntas com que sou confrontada, seja explicita ou implicitamente.

Será que existe antagonismo entre trabalhar na área da Ciência e, ao mesmo tempo, aprofundar o conhecimento do Esoterismo?
Não, de modo algum. A Ciência não tem resposta para as questões mais fundamentais do homem: “por que existimos?”, “por que sofremos?”, “por que existe o mal e a injustiça?”, “por que morremos?”… Há âmbitos que estão fora da possibilidade de esclarecimento da Ciência actual e que, contudo, levantam interrogações profundas e essenciais ao ser humano. Por isso, julgo natural que quem procura o sentido da vida em todas as suas implicações, o tente fazer por diferentes caminhos; e, pelo menos hoje, a Ciência, claramente, não preenche todos os requisitos necessários. Não podemos encolher os ombros e, simplesmente porque a Ciência não nos dá respostas, aceitar que elas não existem. Como também não devemos somente quedar-nos satisfeitos com a possibilidade de, num longínquo dia, a Ciência poder vir a ter resposta para todas essas questões (mesmo desejando que tal aconteça). “Quem pede, recebe; quem procura, encontra; ao que bate, abrir-se-á. 1″ Se queremos respostas, devemos procurá-las!

Por que procurei no Esoterismo a resposta a essas questões?
Bem, na verdade, a minha procura não começou pelo Esoterismo. Esse tem sido um encontro muito profícuo mas relativamente recente; tem 10 anos apenas, embora os últimos 5 tenham sido especialmente intensos. A minha procura consciente começou na adolescência e seguiu a via que me era mais fácil e acessível, a experiência religiosa, nomeadamente católica, e o estudo da teologia. Estive muitos anos ligada a movimentos católicos bastante exigentes em termos de estudo, reflexão e serviço. Foi uma caminhada muito bela em vários aspectos mas que acabou por me levar a perceber, com muita angústia e perplexidade, que a Religião Católica, a teologia e de um modo geral as “doutrinas” religiosas vigentes, são visões muito parciais, limitadas, circunscritas geográfica e culturalmente e, de facto, incapazes de dar respostas aceitáveis às questões mais profundas da humanidade.

No meio da perturbação e do desgoverno em que me sentia, tive a ventura de conhecer o Centro Lusitano de Unificação Cultural. Os livros e revistas editados pelo Centro, juntamente com outra literatura esotérica valiosa a que esta associação tem dado grande relevo e divulgação e, ainda, nos últimos anos, a realização de cursos de Esoterismo a que podem ter acesso todas as pessoas interessadas, abriram-me as portas para uma experiência de conhecimento e serviço absolutamente ímpar, de uma enorme profundidade e seriedade, e permitiram que começasse a trilhar o caminho de uma verdadeira compreensão do sentido da vida em toda a sua complexidade.

Então a Ciência e o conhecimento científico não são de grande ajuda nessa procura, uma vez que, pelo menos por agora, não nos esclarecem sobre as nossas questões mais fundamentais?!
Pelo contrário, julgo que são de uma grande ajuda e utilidade. Primeiro, porque a atitude da Ciência (digamos assim) face à Natureza constitui um exemplo importante a seguir. É que a Ciência busca constantemente conhecer e compreender a razão das coisas e dos fenómenos. Ela aceita partir de qualquer hipótese válida mas não se contenta com qualquer explicação ou teoria. Investiga incansavelmente, tentando explorar todas as facetas do universo físico, e reformula constantemente a sua compreensão do mesmo, actualizando-a de acordo com as evidências experimentais que vai descobrindo. De modo análogo, quem se questiona profundamente sobre a razão de ser da vida e de tantas coisas “aparentemente” inexplicáveis, não se deve contentar com meias respostas, com explicações toscas e “mal amanhadas”, com justificações “obscuras” e sem regra.

Outro aspecto muito importante é que a Ciência nos tem revelado que a Natureza não é, nem funciona, de forma “arbitrária”; pelo contrário, os efeitos (fenómenos, acontecimentos, etc.) que se observam têm causas que os originam e explicam, e esses efeitos repetem-se quando se dão as mesmas circunstâncias causais. A Natureza rege-se por leis, por mais estranhas que, por vezes, elas possam parecer aos nossos sentidos comuns. Não é por acaso que se consegue fazer voar uma máquina tão pesada como um Boeing 747. É porque se conhecem bem as leis e as forças que actuam sobre os corpos físicos e se sabe trabalhar e manipular correctamente as energias e as forças de acordo com esse conhecimento. Tudo o que até agora se descobriu na Natureza segue leis e causas explicáveis. Deste modo, não me parece que haja razão para acreditarmos que o que ainda desconhecemos seja arbitrário e possa ser manipulado “a belo prazer” de quem quer que seja. A actividade científica propõe-nos, portanto, um tipo de abordagem do “desconhecido” onde, com rigor e profundidade, se procura a causa, a explicação, a lei, sabendo que a ignorância é terra fértil para o engano, a manipulação, o abuso e a exploração.

Mas não há, logo à partida, um certo mal estar entre Ciência e Esoterismo, uma espécie de desconfiança mútua?

Se existe algum mal estar, creio que não é entre o Esoterismo e a Ciência. Existe, de facto, bem enraizado dentro de nós próprios, uma inquietude que nos vem de estarmos habituados a separar, em compartimentos completamente estanques, o que aprendemos e conhecemos com base na Ciência, por um lado, e, por outro lado, aquilo em que nos limitamos a acreditar, geralmente ligado à nossa experiência religiosa ou espiritual (talvez melhor: devocional), sem nos questionarmos sobre a sua razoabilidade. Na verdade, esta divisão entre o que compreendemos e aquilo em que acreditamos, tem sido muito cultivada no ocidente, sobretudo ao longo dos últimos séculos, tanto pela religiosidade comum como pela própria Ciência, de certa forma para permitir que ambas pudessem seguir caminhos independentes. Uma coisa é a fé, que não procura ou não precisa de justificação científica, seja porque é mera crença, seja porque é uma vivência muito profunda e, até certo ponto, intransmissível e indescritível; outra coisa é o conhecimento, de natureza diferente da fé/crença/vivência religiosa interior e, esse sim, totalmente dependente da verificação experimental ou de comprovação.

Ora, pode acontecer que, por ignorância (por exemplo, julgando que o Esoterismo é uma religião) ou, mesmo, por má fé, quem trabalhe na área da Ciência defenda a mesma divisão relativamente ao Esoterismo; no entanto, o Esoterismo sério não cultiva de todo essa atitude relativamente à Ciência. Muito pelo contrário! O que, aliás, constituiu para mim, no início, uma grande surpresa, admiração e, claro, satisfação.

O que descobri no Esoterismo que me leve a dizer isso?
Quem se aproxima do Esoterismo sério (que é muito diferente do que muita gente, até pelo que vê na televisão, supõe ser) não constata qualquer espécie de desconsideração pela Ciência ou de “menorização” da actividade científica. Depara-se, em vez disso, com o reconhecimento da sua importância e valorização. E mais ainda: ao contrário das religiões vigentes, ou melhor, da postura generalizada das Igrejas, o Esoterismo como que puxa pela própria Ciência, na medida em que a considera como um caminho indispensável para a evolução da humanidade (até por ajudar a desenvolver um pensamento rigoroso e exigente em termos de verdade e de exactidão). Julgo que este aspecto é de extrema importância e gostaria de o sublinhar vivamente, pois mostra que não existe, entre Esoterismo e Ciência, um muro muito alto como o que tem vindo a separar Ciência e Religião: é que para o Esoterismo a verdade deve ser procurada com a Ciência, não apesar da Ciência e muito menos sem ou contra a Ciência.

A actividade científica, que já se justificava inteiramente pela vontade e pela satisfação de desbravarmos o universo, contém também, segundo o Esoterismo, a nobreza de ser uma actividade humana incontornável para o progresso intrínseco (e não meramente tecnológico, pois) da humanidade. Isto dá um sentido muito mais profundo e belo a todo o esforço de conhecimento realizado no âmbito da Ciência e, em termos pessoais, deu um sentido novo às minhas tarefas profissionais, e deu firmeza e confiança à determinação de aprofundar o sistema esotérico.

Mas não há uma clivagem entre a investigação e compreensão do universo que a Ciência traduz em leis e uma postura que, por impossibilidade de verificação directa das afirmações do Esoterismo, acaba por cair numa espécie de crença?
A postura que é pedida a um estudante de Esoterismo não é de modo algum a crença nas afirmações do Esoterismo. O Esoterismo tem uma abarcância colossal quando comparada com o objecto da Ciência actual. A Ciência, como sabemos, estuda apenas o universo físico e as relações entre seres e fenómenos cuja manifestação se dá no contexto material/energético em que vivemos, desde o nível intra-atómico até ao das estruturas galácticas. A filosofia esotérica engloba definidamente esse pequeno subconjunto que ocupa a Ciência e estende-se muito para além dele, apresentando todo um sistema hierarquizado de planos de diferente materialidade ou frequência vibratória, com universos dentro de universos existindo em ritmos, ciclos e com correlações e correspondências que respondem a leis de equilíbrio e rigor extraordinárias. A Natureza é muito mais completa e complexa do que sonha a Ciência actual mas tudo na Natureza é regido por leis que devem ser objecto de estudo, investigação e verificação experimental! A um estudante de Esoterismo não se pede crença; pede-se, sim, estudo, investigação, conhecimento - e, em suma, compreensão!

Nesse caso, se tanto a Ciência como o Esoterismo afirmam a existência de leis e da investigação como meio de aprofundamento, a diferença está só no objecto de estudo?
Não, não: as metodologias também são substancialmente diferentes. O método científico parte do particular para o geral, dos efeitos que podemos observar, quer directamente, quer através de instrumentos de medida cada vez mais potentes, para a descoberta das suas causas. Fá-lo adaptando modelos à realidade e testando-os até à formulação de leis gerais que traduzem os fenómenos observados. Pelo contrário, no fundamental, o Esoterismo parte do geral para o particular, da causa para o efeito, das grandes leis para as suas consequências no mundo dos fenómenos. A Ciência usa o método empírico: vai da observação de muitos factos experimentais para a compreensão global dos fenómenos e para a formulação de leis. O Esoterismo usa o método sintético: parte de grandes leis e afirmações gerais, e a sua compreensão e comprovação vai-se desdobrando e desenvolvendo em múltiplas matizes e consequências em cada plano de materialidade ou, se quisermos, em múltiplos sistemas ou vidas. Assim, o objecto de estudo da Ciência, o mundo material/energético físico, corresponde ao nível de desdobramento ou existência mais denso de todos os planos ponderados pelo vastíssimo sistema esotérico.
Mas como é que pode haver estudo, investigação e comprovação de leis em âmbitos que estão muito além das nossas capacidades de verificação experimental?

A compreensão desse ponto é de vital importância. Repare-se que a investigação e a comprovação de leis estabelecidas está intimamente relacionada com a natureza dos factos que estamos a ponderar e também com o seu grau de abrangência e complexidade. Cada caso específico exige a linguagem e os conhecimentos adequados. Dou um exemplo. Se quisermos provar que num triângulo rectângulo o comprimento da hipotenusa está relacionado de um modo matemático preciso com o comprimento dos catetos, é necessário estudarmos a linguagem e alguma axiomática da matemática. Mas não é necessário tirarmos um curso superior de matemática. E também não tem sentido usarmos a axiomática de outro ramo da Ciência. Se quisermos agora demonstrar uma lei mais geral da Natureza, por exemplo, a lei da gravidade, que reina em todos os cantos do universo por nós explorado, já o assunto se torna mais complexo. Neste caso há muito mais implicações a ponderar e, embora seja uma lei que, literalmente, nos faz “tropeçar” muitas vezes, só quem estuda física e matemática em profundidade pode chegar a demonstrá-la. E mesmo assim, é fácil verificar experimentalmente a validade desta lei no planeta Terra mas muito poucos a experimentaram na Lua e mais ninguém em qualquer outro planeta do universo - sendo, contudo, considerada como uma lei universal. Ou seja, quanto mais complexa e abarcante é a lei ou a realidade envolvida, mais profundo e continuado tem que ser o estudo e a investigação e menos imediata e directa é a sua comprovação.

Agora apliquemos ao caso do Esoterismo. As suas afirmações, pela natureza englobante e causal que possuem, não podem por nós ser demonstradas por evidência directa (o que, atenção, é muito diferente de dizer que nunca chegaremos ao seu conhecimento por se tratar de um “mistério”!). Segundo o Esoterismo, a Natureza segue o mesmo tipo de evolução desde o universo até ao mosquito, para usar uma expressão consagrada, de acordo com um axioma importantíssimo “como é em cima, é em baixo”, como é no macrocosmos é no microcosmos, como é nos planos mais internos, é nos mais externos e densos. Assim, as suas leis e afirmações devem ser objecto de um estudo continuado e perseverante, em que os grandes axiomas são ponderados e desdobrados nas suas múltiplas consequências até atingirmos, sempre por correspondência, os planos e subplanos de manifestação acessíveis à nossa experiência directa, enquadrando-se aí os muitos factos e experiências da nossa vida cujo sentido buscamos.

Não é uma tarefa muito difícil?…
É, sobretudo, uma experiência arrebatadora, não sendo propriamente de carácter emotivo, pelo menos no sentido mais superficial. Na verdade, à medida que vamos aprofundando o nosso conhecimento do sistema esotérico através do estudo e da reflexão, a nossa consciência vai-se expandindo e adquirindo uma capacidade notável para abarcar e compreender realidades cada vez mais profundas e internas, permitindo que elas se vão estabelecendo de modo gradual mas firme na nossa mente. Não há aqui crença, nem tiques visionários, nem golpes de magia. Há determinação, estudo e ponderação.

Não será abusivo falar-se em Ciência Esotérica ou Conhecimento Oculto?
Não, não, de modo algum. É uma verdadeira ciência pois resulta do estudo exaustivo, experimental e muito aprofundado da Natureza, em toda a sua complexidade e diversidade, e que vem sendo realizado desde há “eras incontáveis”, como diz a tradição oculta. E está encoberto por um véu que se irá dissipando apenas e justamente na medida em que a humanidade seja capaz de atingir o nível de consciência, de elevação ética e de serviço que lhe permitam saber usar correctamente esse conhecimento.

Como é que apareceu todo o manancial de conhecimento de que o Esoterismo dispõe?
O ensinamento esotérico tem raízes multimilenares, perdidas no tempo. Contudo, esse ensinamento tem sido reafirmado e actualizado na sua formulação, tanto a oriente como a ocidente, por seres humanos mais avançados na caminhada evolutiva e por outros seres que, tendo já ultrapassado a etapa humana, têm tido a especial tarefa de ajudar a humanidade terrena no seu processo evolutivo.

Esse aspecto, da existência de seres superiores ou Mestres, não é uma “pedra de tropeço” para o Esoterismo, tanto na sua relação com a Ciência como com as outras religiões e mesmo com filosofias liberais?
Por vezes, talvez seja, sim, mas a esse propósito gostaria de chamar a atenção para uns quantos aspectos. Primeiro, todos sabemos que alguns seres humanos são mais evoluídos que outros. Têm capacidades extraordinárias como músicos, pintores, cientistas, bailarinos, escritores, etc. e, por vezes, possuem também uma notável estatura ética, o que os torna realmente singulares. Por outro lado, a humanidade não é o único grupo de seres existentes no planeta e não vejo razão, nem nenhuma religião ou filosofia me convenceu até hoje do contrário, para que a evolução dos seres terrenos termine no homem e não haja patamares evolutivos superiores ao do reino humano. Como pessoa ligada ao trabalho e reflexão científica, do mesmo modo que admito a hipótese de existência de vida noutros cantos do universo, enquanto tal não for claramente refutado, também me parece razoável que a evolução da Natureza conduza a humanidade a estados superiores de evolução, estados esses que já terão sido atingidos por alguns, cujo estatuto evolutivo leva a serem reverenciados como Mestres ou Irmãos Maiores.

No entanto, devo dizer que em nenhuma página da mais séria literatura ocultista li qualquer referência a realizar-se “culto” a esses Mestres. Coisa muito diferente, e em voga, é o que está a acontecer em algumas seitas, grupos espíritas e de “nova era”, que chamam mestres “a torto e a direito” (perdoe-se-me a crueza da expressão) a seres encarnados e desencarnados mas ainda bem vinculados à etapa humana e, portanto, necessariamente limitados. Em Esoterismo, só existe o culto pela verdade. Os autênticos Mestres, esses Irmãos Maiores que já atravessaram a etapa humana, são admirados e reverenciados pelo seu extraordinário exemplo, por serem possuidores de um conhecimento muito mais profundo e abarcante e por continuarem a disponibilizar toda a ajuda à humanidade.

Colaborar com um grupo de vertente esotérica não é colaborar com seitas?
As seitas são associações (religiosas, políticas ou outras) onde “verdades muito parciais”, limitadas e separatistas, são defendidas sem ciência, sem questionamentos, por pura “crença” e onde o sentido de fraternidade se restringe aos membros da própria associação.

Um grupo de vertente esotérica é necessariamente um grupo de estudo e aprofundamento das leis e das causas que estão por detrás de todas as manifestações de vida mas é também um grupo de serviço à causa da fraternidade universal, tanto mais quanto mais consciente é da raiz e razão de ser dessa fraternidade. Trata de aprofundar a grande Sabedoria Milenar, e essa Sabedoria integra, dá fundamento e ao mesmo tempo sintetiza a multiplicidade de expressões religiosas, filosóficas, éticas, estéticas e científicas que têm caracterizado a diversidade da actividade e dos anseios da humanidade desde sempre.

Mas aceita que o mundo do espiritualismo está povoado por pessoas crédulas, frustadas, incultas, mal informadas e que gostam da exibição sensacionalista e afirmações cheias de ligeireza?
Infelizmente, essa é uma triste realidade. Nos dias de hoje, proliferam e propagandeiam-se as mais variadas experiências de fenómenos “paranormais” (sendo a maioria pura charlatanice), onde se induzem estados psíquicos de modo a controlar o emocionalismo das pessoas e obter certos resultados (aliás muito previsíveis, se reflectirmos bem) e se trabalham “energias cósmicas” (!) com um palavreado muito “científico” (pseudo-científico, claro). É pena que, por desconhecimento e ignorância da opinião pública e dos meios de comunicação social, essas experiências sejam muitas vezes denominadas de “esotéricas”. Na verdade, nada têm a ver com Esoterismo, são um tristíssimo engano, e quem as pratica pouco ou nada sabe dizer sobre as leis e princípios que diz seguir, fazendo sobretudo alarde dos seus “dons particulares” e tirando simplesmente partido do desnorteio e do sem-sentido de muitas vidas humanas. Esse é o mundo da fantasia enganadora. Não é o mundo do Esoterismo.

Neste sentido, enche-me de gratidão o difícil trabalho que o Centro Lusitano tem desenvolvido, chamando permanentemente a atenção para os logros em que é fácil cairmos nos dias de hoje. Estou a lembrar-me de umas palavras escritas em finais do século XIX, salvo erro pelo Mahatama Koot-Hoomi, que traduzem muito bem a importância desse trabalho e a razão da minha gratidão: “… as sugestões mais valiosas deixariam de alcançar as mentes daqueles que buscam a verdade, pois uma pérola solitária logo desaparece no meio de um monte de falsos diamantes quando não há joalheiro que chame a atenção para o seu valor.”

Liliana Ferreira
Licenciada em Física; Doutorada em Física da Radiação; Professora no Departamento de Física da Universidade de Coimbra; Investigadora na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

1 Mateus, 7, 8.

2 Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett, Vol. I, Ed. Teosófica, 2001,pág. 195

License

This work is published under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 2.5 License.

Post a Comment

You must be logged in to post a comment.