Esoterismo, Psiquismo, e Artes Ocultas

O que nos propomos, neste artigo, não é definir ou tentar explicar o que se entende realmente por Esoterismo - e que, a dizer a verdade, é bem distinto do que habitualmente por aí se pensa. Fizemo-lo, de passagem, ou implicitamente, em vários artigos da Biosofia; e dedicámos-lhe todo um artigo num anterior número desta revista 1, para o qual nos permitimos remeter.

Temos especialmente em vista, sim, alertar contra o perigo de certas práticas e maneiras de estar que, associadas, mais ou menos (in)correctamente, a Esoterismo, são tomadas como vivências ocultistas por excelência, e exercem um evidente fascínio sobre muitos.

De facto, tais actividades, exercícios e posturas são afinal os bas fonds, quando não o lado negativo, da Ciência Esotérica.

Iremos referir-nos aqui, particularmente, aos mil e um métodos de cura dita esotérica que vêm proliferando nas últimas décadas; às práticas espiritistas e mediúnicas; e, em geral, a todas as posturas de astralismo e psiquismo inferior, com as sempre associadas visões, revelações e profecias, que constituem, muito frequentemente, um gravíssimo problema.
A Parafernália de Curas, Passes e outras Terapias “Espirituais”

Consideramos que Helena Blavatsky foi, sem dúvida nenhuma, a grande pioneira, impulsionadora e dinamizadora de todo o movimento esotérico moderno - convicção que mais se enraíza em nós quanto mais anos passam, e quanto mais vamos estudando e reflectindo. Por aquela razão, aliás, é que foi e continua ela a ser vítima de todos os ataques, alguns até de onde menos, aparentemente, seria de esperar 2. Em Abril de 1890, um ano antes da sua morte, numa mensagem enviada a uma convenção teosófica nos Estados Unidos da América, deixava ela…

” … uma palavra de advertência. À medida que a preparação para o novo ciclo se processa (.) os poderes latentes e ocultos no homem estão começando a germinar e a desenvolver-se. Daí, o rápido crescimento de movimentos como a Ciência Cristã, a Cura Mental, a Terapia Metafísica, a Sanação Espiritual e por aí afora. Todos esses movimentos não representam mais do que diferentes fases do exercício de poderes crescentes - mas ainda não compreendidos e, assim, com demasiada frequência usados ignorantemente. Compreenda-se, de uma vez por todas, que não há nada de “espiritual” ou “divino” nessas manifestações. As curas por eles efectuadas são devidas, simplesmente, ao exercício inconsciente de poderes ocultos nos Planos inferiores da natureza - usualmente do Prâna ou das correntes vitais. As conflituantes teorias sustentadas por essas escolas estão baseadas em conceitos metafísicos mal compreendidos ou mal aplicados, frequentemente em lógicas falaciosas grotescamente absurdas. Mas o único factor comum à maior parte delas - um factor que apresenta o risco principal no futuro próximo - é este: em quase todos os casos, o teor dos ensinamentos dessas escolas é tal que conduz as pessoas a olhar o processo sanador como sendo aplicado à mente do paciente. Por outras palavras, sempre que o curador interfere - consciente ou inconscientemente - com a livre acção mental da pessoa que ele trata, isso é - Magia Negra. Quase todas as assim chamadas ciências de Cura (”Healing”) estão a ser usadas como meio de ganhar a vida. Em breve, algumas pessoas astutas descobrirão que, pelo mesmo processo, as mentes de outros podem ser influenciadas em muitas direcções, e a partir do momento em que se tenha insinuado a motivação egoísta do ganho pessoal e da obtenção de dinheiro, o até então “curador” pode ser insensivelmente conduzido a usar o seu poder para obter riqueza ou qualquer outro objecto do seu desejo.

Este é um dos maiores perigos do novo ciclo, agravado enormemente pela pressão competitiva e pela luta pela existência…” 3

Bem sabemos que para uma boa parte do actual consumismo pseudo-esotérico, Helena Blavatsky pouco ou nada significa. No entanto, podemos com toda a convicção asseverar que ela foi não somente a mulher mais sábia do seu século mas, provavelmente, de todas quantas a História tem registo; que se não fora a sua coragem em expor publicamente o que todos desconheciam ou não se atreviam a confessar, sofrendo com isso os mais brutais e aviltantes ataques 4, tudo quanto (pelo menos no Ocidente) se reclama (bem ou mal, melhor ou pior) de Esoterismo e Ciências Ocultas - incluindo os que aí encontram um modo de vida fácil e menos custoso do que o do trabalho comum - estaria metido na toca e/ou nem sequer saberia que “tais coisas” existiam.

Convém deixar claro que Helena Blavatsky não era nem um desses beatos teatrais, que constituem uma das facetas do triste mundo do pseudo-ocultismo; nem alguém que disse meia dúzia de banalidades místicas com ar de mistério e presunções de basófia, próprias de quem julga não ter nada que fundamentar o que diz, como está na moda 5. Não se tendo jamais apresentado com títulos altissonantes como “Logos Planetário de Marte”, “Hierofante”, “Imperatriz”, “Grã-Sacerdotisa” e outros do mesmo estilo (que entretanto se vulgarizaram numa dimensão assustadora), nem pretendido canalizar mensagens de entidades das Plêiades e ainda de outras constelações mais distantes (como também está em voga) - parecendo que a banalidade e o sensacionalismo insustentável das “mensagens” aumenta na exacta medida da distância geográfica dos supostos pontos de origem das pretensas mensagens -, H.P.Blavatsky legou ao mundo uma obra cuja profundidade e quantidade de Conhecimento ultrapassa muitas vezes a soma de tudo o que de bom se possa aproveitar no que para aí anda sob o rótulo de “espiritualidade”. E, portanto, a SUA ADVERTÃL;�NCIA É DIGNA DE SE TER EM CONTA.

A sua advertência é digna de ter em conta!… No presente, é-o mais do que nunca, quando por todo o lado se encontra hoje quem abra, alinhe e cure chakras; quem trate, restaure e limpe auras; quem leia, descodifique e concerte (?) o subconsciente; quem passe, canalize e medeie a energia universal; quem restaure o sistema vital, reequilibre o corpo etérico, aplique cristais “que curam tudo”, hipnotize, promova ascensões cósmicas com imposição de mãos e uma concentração de uns minutos. … E chamam a isso “espiritualidade”!

Ora, aquilo com que se está a lidar, em todos esses casos - quando se vai um pouco mais além de simples inconsequência ou simulação -, é com os níveis psico-vitais, ou seja, com o(s) mundo(s) imediatamente acima do físico, mas que não são níveis de espiritualidade. São mais subtis do que o mundo físico mas não são espirituais, da mesma forma como as ondas que nos permitem usar telemóveis são realidades menos densas do que a matéria de uma rocha mas não têm nada de espiritual - desconfiando-se até que possam provocar o cancro…

Se se soubesse lidar com tais energias, numa base de conhecimento científico, para fins terapêuticos isentos e inócuos, não haveria nenhum problema especial a referir; pelo contrário, trata-se de um vasto campo de novas 6 possibilidades. Subsiste, todavia, na maior parte dos casos, o problema da não reprodutibilidade 7, tão essencial à dignidade científica; e permanecerá sempre como uma fonte de equívocos considerar espirituais essas energias que, voltando a citar Helena Blavatsky, são próprias dos “Planos inferiores da Natureza”. Dar ou receber uma massagem, pode ser bastante útil, e tal não se encontra (para nós) em discussão; mas vai uma grande distância até podermos considerá-lo como … espiritualidade!

A Mediunidade

Como já escrevemos em outra ocasião, existem muitas pessoas que, não tendo aprofundado o que é a Ciência Oculta, tendem a identificá-la com Espiritismo e, consequentemente, a confundir um ocultista com um médium. Claro que há alguns pontos de similitude entre a Sabedoria Esotérica e o Espiritismo mas não mais do que aqueles que o Esoterismo tem relativamente a qualquer outra ciência ou filosofia de pendor religioso - ou mesmo, provavelmente, em relação à Ciência moderna. Muitos fenómenos para os quais o movimento espiritista chamou a atenção justificam sem dúvida uma investigação séria (que comece, com rigor mas sem preconceitos, por afastar as fraudes, charlatanismos e ilusões primárias); mas, a esses fenómenos, a Ciência Esotérica dá, na maior parte dos casos, uma explicação diferente das afirmações espiritistas - por vezes, autenticamente nos antípodas. Há dados e enquadramentos a ponderar que a quase totalidade dos espiritistas ignora.
A Ciência esotérica vê no médium, em grande medida, exactamente o oposto do ocultista. Enquanto este último exerce activamente o seu poder sobre todas as potências ou condicionantes inferiores, aquele é um instrumento passivo de influências estranhas, de qualquer entidade astral que se encontre nas imediações. Escreveu Helena Blavatsky na sua obra “Ísis sem Véu” 8: “O seu estado [do médium] é aquele de uma verdadeira obsessão. Por outro lado, os melhores médiuns físicos são pessoas doentes, neuróticas, histero-epilépticas…”. E, em outro livro seu, “A Chave da Teosofia” 9, acrescentou: “Nenhuma pessoa inteiramente sã, nos planos fisiológico e psíquico, jamais será um médium”.

De facto, a mediunidade decorre de desequilíbrios psico-bio-fisiológicos, e a submissão ao seu exercício agrava ainda mais esses desequilíbrios e suas dolorosas consequências, pelo que o Ocultismo de modo nenhum o incentiva - antes pelo contrário. Aos próprios sofrimentos dos médiuns, acrescem os males provenientes das ilusões que se espalham à sua volta, em resultado do conteúdo de comunicações mediúnicas. De facto, o campo energético, as formas psico-vitais e as entidades com que se afinizam os médiuns comuns, nada de especialmente bom, salvo raríssimas excepções, podem veicular. O seu enraizamento no Plano Astral, um dos níveis inferiores do Universo (ver mais adiante), melhor não permite.

Não queremos, com isto ferir, minimamente que seja, as muitas pessoas bem intencionadas que existem no seio do espiritismo ou, muito menos, beliscar a figura amabilíssima de um homem tão bondoso como Francisco Cândido Xavier, para darmos um único exemplo. Não é isso que está em causa. Apenas repetimos que “constitui uma leviandade incentivar os incautos a envolverem-se com práticas e com forças onde é fácil entrar mas de onde é tremendamente penoso sair, e quase sempre com muitos danos” 1.

Aquilo que os médiuns vêem, ouvem ou sentem é “real”, no sentido de que constitui ou pode constituir a percepção de algo objectivo, mas NÃL;�O é verdadeiro, uma vez que (a) provém do plano astral, tão enganoso nas suas vibrações e sugestões, bem como nas entidades que o povoam, ou (b) mais não é do que puras alucinações, que só têm existência para quem as vivencia.

Se, entretanto, usarmos a palavra mediunidade num sentido amplíssimo - o etimológico, de fazer a mediação entre duas realidades - e não o confinarmos aos níveis ilusórios do Plano Astral, então, à pergunta se “a mediunidade é uma coisa boa ou má ?”, pode responder-se:

“Depende de que mediunidade se trata. Quando o que existe é uma mediunidade inconsciente, que subjuga o enfermo (porque de enfermidade, nesses casos, se trata) aos caprichos e ditames de entidades e energias de baixo padrão ético e reduzido nível vibratório, constitui algo de indesejável, tanto para o médium como em termos gerais (é quase sempre veiculador de sofrimentos, de ilusões e de debilidade física e/ou psicológica). Nos casos (muito mais raros) em que é plenamente consciente, fundamentada num indiscutível equilíbrio psicológico e numa normal condição física, bem como numa grandeza de alma e (preferentemente) num adequado substrato cultural que faculte os códigos e padrões linguísticos e conceptuais necessários para a
transmissão de mensagens de conteúdo elevado por seres de correspondente evolução espiritual, pode constituir um bem (…).

Em todos os casos, porém, sempre o discernimento, a sensata prudência e o renovado esforço de alcançar mais luz representam atitudes altamente recomendáveis - e, em tal, jamais se porá ênfase excessiva” 10.

Astralismo e Psiquismo Inferior

Muitas vezes, explicita ou implicitamente, confunde-se Ocultismo e Psiquismo; mais até, considera-se que todas as energias mais subtis do que as do mundo físico são espirituais. Ora, à luz do Esoterismo, do Conhecimento Sagrado, da Sabedoria-Ciência Universal e Intemporal, essa identificação é tão errada quanto perigosa.

O Ser Humano é uma entidade complexa que tem vários níveis ontológicos e de consciência. Esses diferentes níveis correspondem ao que em Ocultismo é habitual designar por Princípios. Sustenta-se que cada um desses Princípios, em número de sete, radica de um Plano ou diferenciação da Substância-Vida Universal, havendo naturalmente uma constante interacção entre esses dois domínios (microcósmico e macrocósmico).

Recordemos e caracterizemos brevemente esses 7 Princípios (os números à esquerda, indicam as duas formas possíveis de contar, do mais elevado para o mais denso ou vice-versa).

1.7. Atman - O Espírito (como Ser Incondicionado e Vontade Pura); o Eu Divino; o Purusha da Filosofia Samkhya; o “Pai que Está no Céu”, de que falou Jesus (Mateus, V; Lucas, XI, 13, etc.);

2.6. Buddhi - A Inteligência Espiritual; a Intuição;

3.5. Manas (Manas Superior) - a Mente (Superior);

4. Kâma ou Kâma-Manas (a força do desejo egotista e a energia mental por ele mobilizada e envolvida);

5.3. Linga-SharÃL;®ra (Corpo padrão ou modelo, e das causas formativas do Corpo Físico; foi inicialmente chamado Corpo Astral e, mais tarde, Duplo Etérico);

6.2.Prâna (a Vitalidade);

7.1. SthÃL;�la SharÃL;®ra (o Corpo Físico).

Os três Princípios superiores, ÃL;�tma-Buddhi-Manas, constituem a Tríade Superior, o Homem Espiritual; os quatro restantes Princípios formam o Quaternário Inferior ou Personalidade, isto é, a natureza mortal 11, que dura somente o período de uma encarnação.

Tanto no Macrocosmos, como no Homem (que, de acordo com a Lei das Analogias, é feito à imagem e semelhança daquele), temos uma Unidade Primordial (e, também, final, derradeira), que se diferencia em dois pólos, e, “em seguida”, numa trindade - visto resultar necessariamente um terceiro aspecto da união de dois pólos, um positivo (+) e o outro receptivo (-) -, que depois se faz um septenário. Atman, do nosso ponto de vista, é Espírito Puro e Uno. Precisa, portanto, de um véu ou veículo através do qual se possa manifestar ou expressar e, desse modo, relacionar-se com a multiplicidade. Gera-se, assim, a Díade Superior ou Monádica: ÃL;�tma-Buddhi. Entretanto, mesmo Buddhi é demasiado excelso e puro para se manifestar directamente nos mundos inferiores. Tem, necessariamente, de o fazer através de Manas (vemos, uma vez mais, a indispensabilidade de um intelecto desenvolvido para que uma compreensão e vivência superior - búddhica, intuitiva - se possa expressar no ser humano). E, por sua vez, um raio ou fragmento de Manas, unindo-se a Kâma - a força do desejo que atrai para a encarnação, para a actividade nos mundos mais densos -, está na origem de cada uma das personalidades encarnativas, ou seja, do Quaternário Inferior.

Por outro lado, cada um dos mencionados 7 Princípios é, naturalmente, positivo ou receptivo em relação ao que lhe é imediatamente superior ou inferior, o que nos permitirá perceber a questão das diferentes Almas, a que adiante nos referiremos. Num plano de dever-ser, cabe ao princípio relativamente superior ser positivo face ao relativamente inferior, e cabe a este ser receptivo relativamente àquele. Mas, no ser humano imperfeito, essa relação natural e hierárquica das coisas não se encontra estabelecida. Por exemplo, na maioria dos seres humanos, o princípio Kâmico, de desejo-força egoísta, é positivo face a um mental pouco desenvolvido e pouco actuante e que, portanto, é conduzido e dinamizado - escravizado - por aquele.

O esquema seguinte ajudará a entender um pouco melhor o que temos vindo a expor - pelo menos, assim o esperamos.
Em artigo publicado no o 13 da “Biosofia” e que dedicámos ao tema da Alma 12, considerou-se alargadamente a trindade ou septenário (dos níveis) da Alma. Para aí tomamos a liberdade de remeter os que estejam interessados em maiores desenvolvimentos. Agora, lembramos apenas que, do ponto de vista humano, há três almas, ou níveis da Alma, especialmente relevantes:

- A Alma Espiritual, que é ÃL;�tma-Buddhi, ou seja, Buddhi, como veículo de Atman. Esta díade é a base operativa dos Mestres de Compaixão e do Conhecimento Sagrado.

- A Alma Humana, que é Buddhi-Manas, ou seja, o princípio Manásico, de Inteligência Criadora - que caracteriza o Homem como o Pensador -, iluminado e orientado pelo Princípio que lhe está acima: Buddhi, a Intuição, o Discernimento, a Sabedoria e o Amor transpessoais. A Alma Humana representa a nossa ligação para os mundos de verdadeira espiritualidade e bem-aventurança. A Humanidade ainda caminha para este tipo de consciência da Inteligência Criadora e rigorosa, porque iluminada pela Intuição. A Alma Humana é a conquista específica do Reino Humano, sendo pois identificada com o Filho do Homem. Recordemos que Jesus, discípulo sublimado e veículo do Senhor Cristo (O Mestre Universal), a Si mesmo Se chamava por “O Filho do Homem”. Todos conhecem a frase que, segundo a legenda, lhe foi dirigida, quando entregue a Pilatos: “Ecce Homo” - Eis o Homem! Ele, sim, era de facto um Homem!

- A Alma Animal ou Temporal, que é Kâma-Manas, ou seja, é constituída pela natureza de Kâma (desejo, paixão animal, emoção separatista, afectos pessoais e egotistas) e por uma porção ou raio de Manas (Inteligência), assim volvido Mente Inferior (Manas Inferior). Esta, no homem comum, ao enredar-se nas reacções aos fenómenos e estímulos externos, e ao deixar-se dominar pelo Desejo (Kâma), volve-se pouco mais do que simples astúcia. A Alma Animal é, pois, o agregado Kâma-Manas. A sua quintessência sublimada pode ser conquistada para a perenidade; o que não se transmuta e eleva desta natureza, pelo contrário, é mortal. No presente momento da sua escalada evolutiva, a Alma Animal representa o mais poderoso factor de negatividade, de rebaixamento vibratório, de ilusão, violência e competitividade a todo o custo no Reino Humano. Repare-se que é normalmente Kâma que assume a postura positiva e domina e conduz Manas (colocando-o ao serviço do desejo egotista), em vez de ser Manas que serena e dirige Kâma, de acordo com a benigna, sábia e luminosa influência de Buddhi ou Intuição.

Entretanto, cinjamo-nos agora a uma mera duplicidade. Os grandes filósofos da Antiguidade Clássica, na esteira de Platão, distinguiam o Nous e a Psyche 13. A Alma Noética, é a Alma Racional e Imortal, a Alma Superior; a Psyche, é a Alma inferior, Irracional, mortal ou condicionalmente mortal (como se vê em Pitágoras, Platão, nos neoplatónicos e no próprio mito de Psyche e Eros, mesmo nos ecos pouco convictos de Ovídio) 14. Lucrécio virá a consagrar a nomenclatura de Anima (Alma) para Psyche e de Animus (espírito ou alma espiritual) para Nous.

Isto encontra a sua correspondência na distinção, estabelecida pelos cabalistas mais esclarecidos, entre Ruach e Nephesh.

Nesta dualidade, devemos considerar, pois, o Kâma-Manas, a chamada Díade Central ou Alma Inferior 15, a Psyche ou Nephesh; e Buddhi-Manas, o Nous, a Alma Superior ou Ruach. Na linguagem vulgar, não se exceptuando a que se utiliza nos meios ditos espiritualistas e até esotéricos, usa-se o termo Alma sem qualquer preocupação de rigor. ÃL;� parte a imprecisão que tal significa, em termos de rigorosa Ciência Espiritual, há possíveis consequências práticas, nefastas, de não se fazerem as necessárias distinções.

Enquanto que a Alma Noética, Buddhi-Manas, é a dispensadora da Sabedoria (Sophia, a Ciência Integral do Espírito Santo), a nossa guia segura, a luz clara e redentora do Conhecimento Sagrado, opostamente, a Alma Inferior, Animal, Kâma-Manásica é a detonadora das nossas convulsões, a agitadora do mar da ilusão, a senhora dos caminhos erráticos, da confusão, das ondas alterosas do desejo que cega e engana - a guia falsa, porque ela própria se encontra perdida (corresponde a Sophia Achamôth, ou Sophia inferior dos antigos Gnósticos).

A Alma Noética ou Alma Superior é o Filho do Homem; a Psyche ou Alma inferior é o(a) Filho(a) da Mulher, aqui tomada como simbolizando a matéria.
A Alma Espiritual é pura e receptora da Sabedoria Divina; a Alma Humana é mediadora sacrificada e segura; a Alma Animal é a grande tentadora, que oferece ilusões que inevitavelmente se transformarão em… desilusões.

Neste contexto, é necessário falar do Plano Astral, do Corpo Astral e da Luz Astral. Todos estes termos foram já utilizados em várias e, por isso, equívocas acepções. Originalmente, porém, o Corpo Astral designava a natureza intermediária (ou plástica) entre a Alma Humana e o corpo sublunar, ou físico denso; o Astral correspondia, portanto, às esferas desde o nível Solar até à esfera Lunar, abaixo da qual estava a Terra, o mundo físico.

O Duplo Astral é a natureza plástica, a alma plástica e modeladora do corpo físico, de acordo com os Skandhas e condicionalismos kármicos. A partir dele, por sua vez, se molda o Corpo Físico. O Astral corresponde ao Linga-SharÃL;®ra (mais tarde, equivocamente, chamado Corpo Etérico 16), na sua natureza substantiva; mas, enquanto mediador de causas ao nível da Personalidade, visto não apenas como Corpo mas como influência anímica, o Astral, neste sentido como Alma Astral 17, engloba também o nível Kâmico (e franjas inferiores do Mental - Manas). Repare-se que, conforme o Ensinamento original de HPB e dos seus Mestres, na maioria dos indivíduos o Kâma somente se torna Kâma-Rupa (Corpo de Desejos) depois da morte, na passagem pelo Kâma-Loka (a região ou mansão do Desejo), pelo que durante uma encarnação no Plano Físico a Alma Astral tem uma vasta abarcância que só se corporifica, enfim, no Linga-SharÃL;®ra 18.
No “Glossário Teosófico”, podemos ler acerca da “alma plástica”: “Termo utilizado no ocultismo em relação ao Linga-SharÃL;®ra ou corpo astral do quaternário inferior. É denominado de â��alma plástica” ou â��proteaâ�™ por causa do seu poder de assumir qualquer forma e modelar-se segundo qualquer imagem impressa na Luz Astral que o rodeia…”

E, deste modo, somos conduzidos à questão da Luz Astral, que é sobremaneira importante. Acerca da Luz Astral, escreveu Helena Blavatsky o seguinte: “Eliphas Levi denomina-a de a Grande Serpente e o Dragão, do qual irradia sobre a humanidade toda a má influência. Assim é; porém, por que não acrescenta que a Luz Astral não emite nada além do que recebeu; que é o grande crisol terrestre no qual as más emanações da Terra (morais e físicas), de que se nutre a Luz Astral, se converteram todas na sua essência mais subtil, e as devolve intensificadas, convertendo-se assim em causa de epidemias morais, psíquicas e físicas? (.) Assim é que, enquanto a Luz Astral é a Causa Universal, na sua infinitude e unidade não manifestada, torna-se em relação à humanidade simplesmente os efeitos das causas produzidas pelos homens nas suas vidas pecadoras. Não são os seus moradores resplandecentes - quer se chamem Espírito de Luz ou de Trevas - aqueles que produzem o Bem e o Mal, mas é a Humanidade que determina a acção e reacção inevitáveis no Grande Agente Mágico. Assim, para o profano, a Luz Astral pode ser Deus e Diabo de uma só vez: Daemon est Deus inversus.” 19.

Em outro lugar 20, acrescenta ela, fazendo o contraponto entre a Luz Astral e o Corpo astral individual: “A nossa Luz Astral é, por assim dizer, o corpo etéreo ou Linga-SharÃL;®ra da Terra; com a diferença de que, em vez de lhe ser o protótipo, como no caso do Chhâyâ ou duplo humano, é precisamente o reverso. Os corpos do homem e do animal crescem e desenvolvem-se de acordo com o modelo dos seus duplos antitípicos; as passo que a Luz Astral provém das emanações terrenas, cresce e desenvolve-se segundo o seu progenitor prototípico, e as suas traiçoeiras ondas reflectem invertidas todas as coisas, não só dos planos superiores como do plano sólido inferior, a Terra. Daí a confusão de sons e de cores e de sons para os sensitivos videntes e auditivos (…) quando se fiam nas impressões da Luz Astral”. Sinteticamente, escreveu ainda: “De acordo com o ensinamento Oculto, a Luz Astral não é â��o pensamento substância” do Universo mas a registadora de cada pensamento; o espelho universal que reflecte cada evento e pensamento, como cada entidade e cada coisa, animada ou inanimada. Nós chamamo-lhe o grande Mar da Ilusão, Maya”.
Fica, portanto, claro, que a Luz Astral é um dos níveis inferiores da grande animação universal, um autêntico labirinto de espelhos com imagens invertidas, ilusórias, fantasmagóricas, uma galeria de sucessivos quadros onde se imprimem os vãos desejos da Humanidade - pois, na verdade, ela é a contraparte fluídica do Kâma-Loka ou Mundo dos Desejos 18.

De facto, “esta luz astral não é espiritual, mas sim material. Na realidade, ela é o princípio inferior do corpo cósmico, do qual ÃL;�kasha é o princípio superior. Ela tem o poder de reter todas as imagens. Isto significa que cada pensamento, cada palavra, cada acto imprime nela uma imagem. Estas imagens possuem, por assim dizer, duas vidas: a primeira, a sua própria, como imagem; a segunda, a marca deixada por elas na matriz da luz astral. Na região superior desta luz, não há nada comparável ao espaço e ao tempo na acepção humana. Todos os acontecimentos futuros resultam dos pensamentos e das acções dos homens; de facto, pensamentos e acções produzem antecipadamente a imagem do acontecimento que sucederá. Constantemente, irresponsavelmente e maldosamente, os homens comuns geram os acontecimentos que inevitavelmente se produzirão. Mas os Sábios [Sages], os Mahâtmâs e os Adeptos da Boa Lei só geram imagens de harmonia com a Lei Divina porque sabem como dominar a produção do seu pensamento. A luz astral contém também todos os sons diferenciados. Nela, os elementais constituem centros de energia. As sombras dos seres humanos falecidos e dos animais mortos encontram-se lá também. Assim, qualquer vidente ou pessoa em transe pode ver na luz astral aquilo que foi feito ou dito por qualquer ser, bem como tudo o que sucedeu a qualquer outro com quem esteve relacionado. Daí também o erro de inferir, através da transmissão (em forma de palavras, factos ou ideias) de informações esquecidas ou desconhecidas, a identidade de pessoas falecidas que se supõe estarem especialmente comunicando, a partir desse plano” 21.

O Caminho a percorrer

Estes níveis inferiores, ainda que suprafísicos, do Grande Todo Universal, são, deste modo, uma contínua fonte de ilusões, erros e enganos (parciais ou integrais) dos psíquicos que não se submeteram ao treino necessário, ou que o não completaram suficientemente. E mesmo quando tal aconteceu, e/ou quando um ser humano é dotado de especial capacidade para ser útil, muitas potências inferiores, involutivas, se abatem contra ele - e a batalha pode ser tremenda.

É claro que este tipo de advertências é frequentemente desconsiderado ou ouvido com desagrado por pessoas demasiado envolvidas nas suas próprias fantasias, por pessoas desejosas de protagonismo ou, tantas vezes ainda, por pessoas muito genuinamente bem intencionadas - aquelas que mais sofrerão mas também as que mais rapida e frutuosamente aprenderão a lição. O motivo puro não evita enganos mas é uma força poderosa de redireccionamento para o caminho certo. Muito piores são os casos em que pouco escrúpulo é posto na distinção entre o certo e o errado, entre a criatividade e fantasia ilusória, entre a inspiração e o devaneio leviano.

Talvez porque esse escrúpulo nem sempre existe, é que o mundo está cheio de assim chamadas revelações, que nada acrescentam ao Conhecimento Sagrado nem à causa evolutiva da Humanidade, antes semeando a confusão (primeiro) e o desencanto (depois).

Um Mahâtma, um grande Mestre de Sabedoria, aludiu a isso em palavras eloquentes e expressivas (além de perpassadas por um benevolente sentido de humor), ao escrever sobre a necessidade de cumprir regras de verdadeira evolução e desenvolvimento oculto, e sobre as consequências provenientes da leviandade em alardear sabedoria espiritual antes de cumprir esses requisitos: “. aquele caminho largo e público, cheio de gente, que está do lado de fora das regras, e no qual os espíritas e místicos, profetas e videntes se acotovelam hoje em dia. Sim, de facto, a multidão heterogénea de candidatos pode clamar durante uma eternidade pedindo que o Sésamo se abra. Isso nunca ocorrerá enquanto eles se mantiverem fora daquelas regras. É em vão que os seus modernos videntes e as suas profetisas procuram esgueirar-se por entre todas as brechas e becos sem saída nem continuidade que encontram; e é ainda mais em vão que, uma vez lá dentro, gritam alto: â��Eureka! Obtivemos uma Revelação do Senhorâ�™ - porque na verdade não conseguiram nada semelhante a isso. Somente perturbam os morcegos, menos cegos que os intrusos; os quais, sentindo-os voarem ao seu redor, confundem-nos frequentemente com anjos, porque eles também têm asas! Não tenha dúvidas, meu amigo, é somente do alto dessas nossas â��rochas diamantinasâ�™, e não da sua base, que se pode perceber sempre toda a verdade, ao abranger todo o horizonte ilimitado” 22.

Necessidade de hierarquizar experiências

É por isso que os Mestres de Sabedoria de todos os tempos, bem como os seus discípulos mais sábios, sempre alertaram para a necessidade de hierarquizar os níveis de contacto e experimentação de mundos subtis.

No fim do Séc. XIX, assim se expressava um notável estudante de Ocultismo, W.Q.Judge: “… Você pode adquirir poderes psíquicos, e não há dúvida de que existem homens na Índia e em toda a parte que podem ajudá-lo nessa direcção, mas isso seria, finalmente, para sua destruição. Eles são os charlatães do Ocultismo - tenha cuidado com eles! O seu nível de trabalho é o psíquico, não o espiritual - a região das ilusões, não a da verdade” 23.

Num outro exemplo, mais de 1500 anos antes, Jâmblico, o grande neoplatónico e teurgista dos Séculos III e IV 24, abominava os fenómenos físicos que, segundo ele, são produzidos pelos maus demónios [daemones 25] que iludem os homens, ao passo que exaltava a Teurgia Divina. Ensinava que, para o exercício desta Teurgia, é indispensável que o homem “tenha alma pura e casta, e a mais elevada moralidade”. A outra espécie de Magia só é praticada pelos homens impuros e egoístas, e nada tem de divina, representando antes a profanação da alma.

Em vez dos níveis do psiquismo inferior, apontava ele, na sua “Vida de Pitágoras” para um diferente patamar de compreensão, o búddhico, noético ou intuitivo: “Existe uma faculdade da mente humana que é superior a tudo o que nasce ou é engendrado. Através dela somos capazes de conseguir a união com as inteligências superiores, ser transportados para além das cenas deste mundo e participar da vida superior e dos poderes peculiares dos seres celestiais” 26. Por sua vez, no seu livro “De Mysteriis”, aduzia também: “A Teurgia une-nos mais fortemente com a natureza divina. Esta natureza forma-se por si mesma, actua por meio dos seus próprios poderes, é o suporte de tudo, e é inteligível. Sendo o ornamento do Universo, ela nos convida à verdade inteligível, a aperfeiçoar-nos e a compartir esta perfeição com os outros”.
Recuando ainda mais 800 anos, encontramos as nobres palavras do Senhor Buddha Sakyamuni: “Um bom discípulo não deve vangloriar-se de virtude nem de nenhuma qualidade sobre-humana. O discípulo que por egoísmo ou proveito pessoal se envaidece de possuir faculdades extraordinárias, de ter visões celestes ou de agir por meios de milagres, não é discípulo de Gautama” e “não devemos crer em (…) ilusões supostamente inspiradas em nós”…

Conclusão

Gostaríamos de sublinhar que, ao escrever este ou outros artigos semelhantes, não estamos a colocar-nos numa posição de superioridade e, muito menos, de infalibilidade. Publicamente confessamos que também já nos enganámos, e que também já confiámos (ou quisemos confiar…) em enganos alheios. Com isso aprendemos, por isso nos esforçamos por ser mais prudentes, por isso tentamos aceder a um entendimento mais profundo… corrigindo, a custo, os equívocos que haviam sido gerados.

Talvez por isso mesmo, entretanto, possamos dizer tão enfaticamente que a Ciência Espiritual é infinitamente mais valiosa e segura do que quaisquer formas de comunicações ou experiências psíquicas.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

1 Cfr. Biosofia o 19, pp. 10-15 (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, Outono de 2003).
2 Veja-se, neste número da Biosofia, as pp. 24 a 26 e o desenvolvimento maior que, sobre a questão aí referida, haverá no próximo número.
3 In “Blavatsky Collected Writings, Vol. XII”, pág.155 (Theosophical Publishing House, Wheaton, 1982).
4 Vários deles radicaram de um célebre relatório produzido em 1885 pela SPR - Society for Psychical Research, de Londres (ou, mais precisamente, pelo seu membro Richard Hodgson), que a apresentava como uma impostora. Tal acusação ainda hoje é citada como base das apreciações depreciativas que contra Helena Blavatsky são feitas em enciclopédias ou em libelos de fanáticos ou sectários desta ou daquela Igreja. Face a isto, cumpre esclarecer que, mais de 100 anos depois, a mesma Sociedade, após um trabalho de investigação do seu membro Vernon Harrison, expressa e formalmente declarou a incompetência, parcialidade e não confiabilidade daquele relatório, e reconheceu que ele não pode nem deve servir de base para qualquer acusação contra Helena Blavatsky (cfr. Vernon Harrison, “H.P.Blavatsky and the SPR - An Examination of the Hodgson Report of 1885″; Theosophical University Press, Pasadena, California, 1997). As conclusões desse estudo de 1997 constarão de artigo a publicar em próximo número da “Biosofia”. Esperamos que novas versões de enciclopédias, bem como de escritos contra Helena Blavatsky, tenham em conta a rectificação que foi feita. Triste e significativamente, já verificámos que, em alguns casos, não houve esse zelo e esse escrúpulo…
5 … sob o pretexto sofista de que temos liberdade de opinião - felizmente que temos - e, portanto, poucos se coíbem de dar a sua, mesmo que pouco ou nada saibam do assunto sobre o qual opinam - infelizmente.
6 Na verdade, essas possibilidades não são exactamente novas, visto serem património da Sabedoria antiga, e terem sido exploradas, ainda que em circunstâncias diferentes, noutros tempos e em outras culturas.
7 Reprodutibilidade é a característica dos resultados que podem ser alcançados por quaisquer outros investigadores, nas mesmas circunstâncias. Quer dizer que deve ser possível para qualquer outro pesquisador fazer exactamente a mesma experiência e chegar exactamente às mesmas conclusões.
8 Editora Pensamento, S.Paulo, 1990.
9 Edições 70, Lisboa, 1978; Editora Teosófica, Brasília, 1991.
10 In “Luzes do Oculto”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1998 (1a ed.), 2002 (3a ed.).
11 Ou antes, condicionalmente (i)mortal, visto que a natureza Kâma-Manásica (a raiz de cada Personalidade) sublimada, respondendo aos influxos de Buddhi, é capaz de transpor o abismo que a separa da imortalidade.
12 Cfr. secção “Esoterismo de A a Z”, pp. 13 a 17 daquele número da revista.
13 Entre outros, veja-se Marco Aurélio, “Pensamentos Para Mim Próprio”, III, 16 e XII, 3 (Editorial Estampa, Lisboa, 2aed, 1978).
14 “Platão e Pitágoras dividem a alma em duas partes: a racional (noética) e a irracional (agonia); a parte racional da alma humana é eterna, (..) mas a parte que foi privada da razão (agnoia) morre”. Plutarco in “De Placitio Philosophorum”, Livro IV, iv, vii).
15 Lembremos que Platão distinguia dois níveis ou faculdades na Alma Inferior.
16 O Éter de que, há milhares de anos, falam os Ocultistas, não é aquele que a Ciência conjecturou, em determinado momento do seu desenvolvimento, embora usando o termo que havia sido empregue por sábios da Antiguidade e, também, da Renascença.
17 Alma Astral - Num artigo de 1886, escreveu Helena Blavatsky: “Nem um só filósofo da [Antiguidade] com alguma notoriedade deixou de acreditar (1) na reencarnação, (2) na pluralidade dos Princípios no homem, ou que o homem tinha duas Almas de naturezas separadas e bastante diferentes; uma perecível, a Alma Astral, a outra incorruptível e imortal; e (3) que a primeira não era o homem a que representava - â��nem o seu espírito, nem o seu corpo, mas a sua imagem reflexa” (”Collected Writings, Vol. VII”, TPH, Wheaton, 2a ed.,1975).
18 Neste sentido, cfr. os seguintes livros de G. de Purucker: “Fundamentals Of The Esoteric Philosophy” (Theosophical University Press”, Pasadena, 1979), p.199; “Occult Glossary” (TUP, 1996), p.9; “Fountain Source of “Occultism” (TUP, Pasadena, 1974), p.566; cfr. também Subba Row, “Esoteric Writings”, Theosophical Publishing House, Adyar, 2a ed, 2002.
19 In “Glossário Teosófico”, Ed. Ground, S.Paulo.
20 In “H.P.Blavatsky Collected Writings, Vol. XII” (Quest Books, Wheaton, 1980); “A Doutrina Secreta”, Vol. VI (Ed. Pensamento, S.Paulo, 1973).
21 William Q. Judge, “An Epitome of Theosophy” (Theosophy Company, Los Angeles).
22 In “Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnett” (Ed. Teosófica, Brasília, 2001).
23 In “Practical Occultism” (Theosophical University Press, Pasadena, 1980).
24 Sobre Jâmblico, cfr. o nosso artigo “Glória e Ruína de Alexandria”, na secção “Um Dia na História” do o 19 desta revista.
25 Sobre os Daemones, e as distintas realidades a que correspondem, cfr. o nosso artigo “Deuses, Ídolos e Demónios”, publicado nesta mesma secção no o 18 da “Biosofia” (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, Verão de 2003).
26 Cfr. “Life of Pythagoras”, com tradução de Thomas Taylor (Theosophical Publishing House, Krotona, Los Angeles, 1918; reimpressão de Kessinger Publishingâ�™s).

License

This work is published under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 2.5 License.

Post a Comment

You must be logged in to post a comment.