Nem superficialismos nem unilateralismo

O Ser humano é quase sempre dotado de duas pernas e certamente que caminhamos ou corremos melhor com as duas do que somente com uma.

Também nos sentimos satisfeitos por podermos utilizar duas mãos, com as quais somos capazes de fazer coisas que dificilmente conseguiríamos apenas com uma.
Mas, se assim é, por que desaproveitamos, especialmente nos desígnios mais nobres da vida, uma das duas grandes faculdades que podemos e devemos utilizar?

No que concerne ao entendimento do significado “da Vida, do Universo e do Homem”, deparamo-nos com duas atitudes que frequentemente se excluem e, pior ainda, tantas vezes se repudiam.

Há uma cultura oficial, pomposa, intelectualizada e pretensamente científica que, apesar de algumas boas intenções, e exceptuando aqueles poucos que revestem um entendimento e uma visão mais profundos (esotéricos, portanto!) em estruturas convencionais, caracteriza-se, a nosso ver, por um enorme superficialismo. Faz lembrar aquela anedota da banana: valoriza-se e aproveita-se a casca, e deita-se forma o miolo, deplorando que seja um caroço tão grande.

Sobrepõe-se o significante ao significado, a aparência à interioridade, a forma e o formalismo à autenticidade e à vida interior. O Homem é reduzido a um sujeito económico - e pouco mais. O Universo é visto como uma espécie de terreno a explorar para lhe arrancar todas as possíveis vantagens materiais. O pensamento comum não passa de uma massa limitada e confusa de vulgaridades e pre-concebidos. Falta-lhe exigência de profundidade. É uma forma de unilateralidade, a de só ver as coisas superficialmente.

No entanto, há outro género de unilateralidade, de certa forma oposta: é a que apela a uma vivência emocional, devocional ou de assim chamada “fé” e despreza ou até anatemiza a inteligência objectiva, a compreensão (científicas) das leis que regem a existência universal e o aperfeiçoamento das formas para melhor e mais completamente se expressarem valores, ideias, conceitos, camadas mais internas do Ser.

Não seria preferível juntar e melhorar (ou elevar) ambas as perspectivas?

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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