O valor do conhecimento espiritual

Que meditem sobre
a “Árvore de Sabedoria”
e, pelo estudo, lhe assimilem
os frutos, um por um.
Helena P. Blavatsky,
“A Doutrina Secreta”

“Mas há a minha consciência,
a minha intuição!”- você pode
argumentar.
Ela tem tido pouca utilidade (…)
Quanto à sua consciência, você
aceita, então, a definição de
Kant sobre ela?

Talvez você pense como ele que, sob todas as circunstâncias,
mesmo sem nenhuma noção religiosa definida, e talvez mesmo sem qualquer noção firme sobre o certo e o errado, o Homem tem sempre um guia seguro nas suas percepções morais íntimas - ou consciência? Grande erro!
(…) A consciência pode, talvez, indicar-nos o que não devemos fazer mas nunca nos guiará para o que devemos realizar, nem dará um objectivo definido à nossa actividade.
“Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett”

A Senhora Trân-Thi-Kim-Diêu, Presidente da Federação Europeia da Sociedade Teosófica, publicou na revista “Theosophist” um artigo com o qual, em muitos aspectos, estamos seriamente em desacordo. Cabe salientar que a Sociedade Teosófica é uma instituição que muito prezamos pelo papel que desempenhou na afirmação de valores sublimes e de uma Ciência Universal do Espírito; e é por isso que consideramos particularmente gravoso que, no seu seio, se produzam escritos que, no nosso entendimento, são infelizes, e ao arrepio daquilo por que lutaram Helena Blavatsky e os seus Mestres.
É por causa desses princípios, e não obviamente por causa do artigo em si mesmo e, muito menos da sua autora, que enfatizaremos os pontos de discordância com o artigo, fazendo o comentário de algumas partes significativas.

Corre nos meios (ditos) esotéricos, até naqueles onde menos se deveria esperar, a estranha concepção de que pensar é pecado e/ou de que o conhecimento é diabólico, devendo-se olhar com reserva e desconfiança, quando não com hostilidade, aqueles que diligentemente se dedicam à sua aquisição.
Usa-se frequentemente o sofisma de que o conhecimento sem prática de nada vale - afirmação de princípio geralmente válida mas que, sem a necessária contrapartida, se torna, a nosso ver, leviana e bastante perigosa. E que contrapartida relevante é a que falta a esse tipo de afirmações? Vejamos um exemplo: se alguém tiver assistido a muitas lições sobre como fazer para nadar mas nunca o tiver experimentado e levado à prática, ou se, sendo efectivamente capaz de nadar, ao ver alguém a afogar-se, permanece passivo, sem se dispor a ajudar, sem dúvida que o conhecimento teórico adquirido de nada lhe valeu. No entanto, poderá esse alguém ser útil naquela emergência se não tiver aprendido a nadar? Poderá ter uma intervenção positiva se não tiver o conhecimento de para que lado deve nadar, se não souber distinguir entre regressar à terra firme ou afastar-se cada vez mais? Certamente que não. O conhecimento é, para ele, necessário e imprescindível, como necessário e imprescindível o é para um médico que prescreve um tratamento ou para um engenheiro que superintende a construção de uma ponte.

Não ignoramos, é claro, que, à generalidade das afirmações a que nos vimos referindo, não está subjacente nenhuma preocupação de verdadeiro Serviço, de ser útil ao Bem Geral. A questão de conhecer para auxiliar correctamente (mudando os erróneos princípios vigentes no mundo) não se lhes coloca, de facto. O que sim preocupa a esse tipo de pessoas é, basicamente, viver a sua “vidinha” banal e autocentrada. E, para isso, efectivamente, o conhecimento é dispensável. Basta-lhes sentir… o seu umbigo!

Não sendo essa a nossa postura, há cerca de duas décadas que vimos defendendo, em circunstâncias e por palavras distintas, que “apreciamos o esforço de Conhecer desinteressadamente, como reverência à Ordem majestosa do Universo - ao sublime Mistério oculto em todos os seres - e como exigência interior de verdade. Apreciamos a atitude de quem se apresenta, com simplicidade, dizendo singelamente: â��quero ser útil - o que preciso de saber para verdadeiramente ajudar todos os meus irmãos?â�™. É a postura nobre dos que aspiram a ser Discípulos dos Mestres da Grande Fraternidade e que não se deixam seduzir por vãs promessas de atalhos para o â��céuâ�™ e para a â��felicidadeâ�™. (…) O Conhecimento Oculto só pode ser atingido através de um método que, embora maravilhosa e perfeitamente científico, diverge do utilizado nas ciências do mundo externo - não na íntegra, mas numa grande e importante medida. Implica uma inquebrantável vontade de saber, um continuado renovar do esforço de ver mais longe e mais profundamente, uma predisposição para empregar utilmente o conhecimento, uma postura que abdique de toda a mesquinhez e utilitarismo imediato. Implica a capacidade de compreender os grandes princípios gerais e de os aplicar às mais diversas situações, através de uma dedução rigorosa ou, então, de comparar cada indução extraída de um fenómeno particular com aqueles grandes e omnipresentes princípios, as colunas-mestras da Lei Divina. Implica o hábito adquirido da interiorização, do silêncio interior - contudo, em termos tais que não se verifique um adormecimento ou uma anulação do intelecto. Pretende-se, sim, uma reflexão profunda e uma inteligência penetrante, envolvida numa luz maior, perene e intuitiva. Todas as partes do Grande Todo estão representadas e presentes, à escala, no nosso Eu Espiritual, que é da essência de todo o Cosmos (ou, por outras palavras, de mais rigorosa expressão: no nosso Eu Espiritual, que integra a Alma Universal)”. Só a maturação de consciência (pela reflexão continuada) dota o homem de real autonomia, possibilitando-lhe a libertação dos grilhões paralisantes dos instintos gregários. Só a criatividade o subtiliza e o pode catapultar para outras esferas de consciência, esplendidamente luminosas.

Os mais sábios, elevados e úteis dos seres mostram-se naturalmente simples, ainda que fortes e inamovíveis no que concerne às grandes e fundamentais questões. Eles chegaram a uma superior identificação com as Leis Universais (pelo seu íntimo entendimento) e puderam constatar como princípios essencialmente simples regem um universo tão vasto e tão complexo, como princípios essencialmente simples (na sua síntese mais elevada) implicam uma compreensão tão longa, tão demorada, tão laboriosa, tão humilde - e tão absolutamente necessária.

Pode o homem soberbo, vaidoso e insensível conhecer a Sabedoria que concebe, forma e ordena mundos (A Sabedoria na qual foram geradas todas as coisas. os Céus e a terra - Genesis, I,1)? Poderia ele ter dedicado vida após vida a servir, a amar e a sacrificar-se pelo todo, nisso baseando inteiramente a sua alegria? Não, seguramente, pois caso contrário teria igualmente aprendido e manifestado, de forma espontânea, uma simplicidade despretensiosa e natural.

A falta de humildade (com as suas vertentes de arrogância ou de culto e exibicionismo do eu pessoal) cega para a Vida, para a Vida na sua plena expressão…

Do que dissemos, claramente decorre a insensatez e a vacuidade da preocupação com o qualificativo de “iniciático” em que tantos consomem o tempo e a energia que (supostamente) dedicam ao Esoterismo, e que melhor fora empregue no estudo sério e sistemático dos valiosos trabalhos em que a autêntica, profunda e abençoada Sabedoria Oculta é posta à disposição de todos - de todos, na medida exacta em que se forem tornando aptos para a entender.

(…) É importante ser sábios, não para sentir gratificação mas porque a utilidade de um homem depende da profundidade da sua Sabedoria, da constância do seu Amor e da força da sua Vontade.

Os Mestres da Eterna Sabedoria só reconhecem uma Fé, e nunca falaram de outra: é o conhecimento directo, seguro e indubitável, porque intuitivo, real e perene; é o poder que rasga o caminho para a compreensão global do Universo, incluindo a substância dos níveis invisíveis; é a afirmação da Vontade Divina, reconhecida sabiamente no âmago do indivíduo, com a ajuda do espelho do mundo externo. Quanto à Fé no sentido de crença cega nos ditames das igrejas sectárias (de onde quer que sejam) ou de qualquer auto-intitulado â��videnteâ�™, nada mais é do que alienação ou loucura - na melhor das hipóteses, uma concessão infantil.

(…) Só o impulso de dar - Servindo ao Bem Geral - pode rasgar o caminho para a Casa Celeste, de onde provém toda a firmeza e toda a consolação que, assim, se mereceu receber - unicamente para voltar a dar, numa partilha incessante. Temos de ensinar a todos que a Hierarquia da Compaixão e da Sabedoria está sempre - imutavelmente - connosco, com todos os homens, e que só pode mudar a consciência que desse facto alcançamos ou a inconsciência que nos aparta dessa realidade. Temos de ensinar que existe uma Sabedoria Celestial, uma Ciência Integral da Vida que abarca todos os Planos do Universo (desde os mais espiritualizados aos de mais densa materialidade), a que todos, pelo seu esforço, podem aceder, e que trará o precioso dom da perpétua alegria anterior e do poder inesgotável de abençoar e redimir e mundo. Temos de ensinar que o Amor que recebemos do Alto pode e deve ser retransmitido para os que são mais fracos, ignorantes e infelizes. Temos de ensinar que há um Caminho de Rigor e de Verdade para deixar os labirintos obscuros do mundo - e que o advento de um Novo Homem depende da generosidade, do empenhamento, da lucidez, do bom senso, da cooperação, da solidariedade e da coragem de todos os que despertam para a luz”. 1

Pensamos que deixámos inteiramente esclarecido qual o nosso posicionamento. E, assim, passemos agora a ver algumas das frases escritas pela Senhora Trân-Thi-Kim-Diêu. As citações estão entre aspas e em itálico.

“Depois deste interlúdio de carácter sério (tirado da Doutrina Secreta como tantos outros) a pergunta a fazer é: Como poderá ser feita a ligação de tudo isto à vida quotidiana de cada um de nós? É uma pergunta legítima. Mais ainda: é crucial, porque no caso de o elo não poder ser estabelecido, então a Doutrina Secreta nada mais é do que um entretenimento para o intelecto”.

Podemos estar equivocados mas aparenta-se-nos uma grande ironia na frase “Depois deste interlúdio de carácter sério (tirado da Doutrina Secreta como tantos outros)”. Nada que nos estranhe, porém: não assistimos já nós à resposta dada, pela mesma responsável, a alguém que lhe dissera que um determinado grupo estudava sistematicamente “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky? Sem a mais pequena simpatia ou satisfação pelo facto, a resposta, seca e cortante, foi: “Não se pode ser fundamentalista da Doutrina Secreta”!!! Deveríamos, talvez concluir, que sempre que se estude um livro se é fundamentalista desse livro ou do seu autor? Ou deveremos, porventura, deduzir que a obra máxima de Helena Blavatsky não é vista com bons olhos por muitos responsáveis da Sociedade por ela mesmo fundada, sendo os seus estudiosos olhados com desconfiança - e com tanta mais desconfiança (e despeito e azedume) quanto mais revelarem sinais de um conhecimento aprofundado???!!! Ou, enfim, “teremos” que aceitar, como (no mesmo meio dito “teosófico”) se pode ouvir, que a “Doutrina Secreta” é só para “consultar uma ou outra página”, caso contrário “podendo fazer mal à cabeça” e sendo a sua autora “maluquinha” (sic)?

Perguntamos: não seria antes melhor insistir para que se lessem os escritos de Helena Blavatsky? Na verdade, a maior parte das pessoas, incluindo membros da própria Sociedade Teosófica, pura e simplesmente desconhecem essas obras. Regra geral, a ideia que têm sobre elas, é em 2a, 3a ou 4a mão (como é o caso de grande parte dos livros de Leadbeater), às vezes em fontes tão distorcidas que mais parecem transmitir o reverso das verdadeiras ideias de Helena Blavatsky. Frequentemente, a concepção que têm sobre Helena P. Blavatsky é a de que teria sido assim uma espécie de santinha, com ideias semelhantes às das igrejas, acrescidas de vagas noções de Reencarnação ou de Karma… Sendo assim, repetimos: não seria melhor enfatizar a importância dos trabalhos de Helena Blavatsky? Infelizmente, não parece ser a ideia de muitos dos supostos “amigos” de Helena Blavatsky, que preferem servir uma mistela krishnamurtiana não assumida como krishnamurtiana, desvalorizando todas as referências do esoterismo teosófico e fazendo crer que “qualquer pessoa, num momento qualquer, sem ter feito nenhum esforço por isso, se pode tornar num grande místico” (sic)!!

Sinceramente, não conhecemos ninguém que tenha feito da “Doutrina Secreta” um (simples) entretenimento para o intelecto. O que conhecemos, sim - e pena é que isso pareça não afectar a Sra. Kim-Diêu, se é mesmo que não a ocupa militantemente -, é pessoas que entretêm de modo vão o seu intelecto a sofismar se a “Doutrina Secreta” não será apenas uma meditação, um mito (!!!), uma relíquia do passado que não se pode levar muito a sério (!!!); se, caso HPB voltasse a escrever nos nossos dias, não escreveria uma coisa diferente. Por certo, escreveria algo diverso do que produziu há 115 anos atrás, pois a linguagem modifica-se e o seu brilhante diálogo com a ciência, a filosofia e a cultura (algo que se perdeu entre os seus supostos seguidores) não deixaria de ter em conta as especificidades actuais. No entanto, mais uma vez infelizmente, não é aí que se quer chegar: o que está em causa (nesses entretenimentos especulativos), é o desejo de afirmar que ela produziria uma obra de sentido vago e descomprometido com a Ciência Espiritual de todos os tempos e de todas as latitudes, obra essa que não implicaria a capacidade de aprofundamento, a investigação incessante e um pensamento sintético e penetrante, tirando o incómodo espinho da dolorosa questão que a muitos aguilhoa, ou seja, “como é possível que â��euâ�™ mal perceba isto? Como é possível que ela escrevesse esta obra colossal e â��euâ�™ não consiga produzir mais do que umas gotas?”.

Escreveu também a Sra. Kim-Diêu: “Ser ecléctico é saber o que há de melhor em cada filosofia, doutrina ou ensinamento, para reunir num conjunto perfeito tudo aquilo que há de excelente, sem necessariamente aplicar isso. Pode haver falta de aplicação prática. Poder-se-á mesmo dizer que é impossível para um ecléctico praticar uma disciplina, porque qualquer forma de disciplina é necessariamente uma coisa específica. Por outro lado, ser zetético é aprender um ensinamento, e viver esse ensinamento como instrumento de pesquisa. (Zetético = aquele que pesquisa). De certo modo, um zetético pode não precisar de ser um ecléctico, porque qualquer forma de ensinamento tem que conduzir, mais cedo ou mais tarde, a um eventual grau de prática, caso contrário não mereceria ser chamado como tal. Um zetético percorre o movimento vertical da mente, enquanto o ecléctico acompanha o seu movimento horizontal.

A Sociedade Teosófica, de acordo com o meu ponto de vista, deve apresentar ambos os aspectos - ecléctico e zetético”.
Embora a Sra. Kim-Diêu diga que a Soc. Teosófica deve apresentar os dois aspectos, ecléctico e zetético, percebe-se bem onde quer chegar. Se dúvidas houvesse, veja-se, mais abaixo, o modo como acaba o seu artigo: “Que cada membro seja um zetético!”. Aliás, no próprio parágrafo que ora estamos a considerar, ela já praticamente o expressa, ao afirmar: “de certo modo, um zetético pode não precisar de ser um ecléctico” (!!!). E assim vai pela borda fora um dos três objectivos da Sociedade Teosófica, mais propriamente o 2o, a saber: “Promover o estudo comparativo das Religiões, Filosofias e Ciências”. Sim, porque, segundo a Sra. Trân-Thi-Kim-Diêu, “de certo modo” podemos “não precisar de ser um zetético”! Afinal, Helena Blavatsky e os seus Mestres, e 1700 antes, o grande Amónio Saccas 2, fonte arcaica do nome Teosofia, não sabiam o que diziam, a acreditar no que os actuais dirigentes da Sociedade Teosófica defendem.

E, aqui, citamos o Dr. Humberto Álvares da Costa, na sua excelente interpretação do termo “Teosofia” à luz da Árvore da Vida, e na valorização simultânea da Sabedoria-Qualidade interna e da Sabedoria-Conhecimento: “Religião-Ciência significa Teosofia; Teo +, religião; Sofia -, Sabedoria do Conhecimento ou Ciência. A terceira Sabedoria é a Plenitude do Eterno como o nome Teosofia, Sabedoria Divina, do Eterno, contempla. Por não se mostrar a polaridade Divina, incitamos uns contra os outros, atitude tão falsa como a de saber se o homem é superior à mulher, ou o inverso. Há dois pólos.

O esforço de cumprimento da Lei suscita a Bondade, Clemência, Compaixão. Compaixão e Justiça ou Rigor não são antagónicas, são complementares. Não há Compaixão que não seja rigorosa; nem Justiça, a exactidão da Lei, que não seja clemente, bondosa, compassiva!

Ciência contraria o subjectivo, porque a Ciência é objectiva e a Lei objectiva é quase sempre incompatível com os ardores afectivos e passionais estabelecidos. A Teosofia e a ciência restabelecem a Verdade.

Alguns contestam - se eu tiver um bom vivido, se for naturalmente compassivo e verdadeiro, para quê conhecimento? As pessoas simples são [podem ser…] maravilhosas pelo seu vivido mas essas não marcam o passo das culturas. O homem tem de ser educado em conhecimento, para sobre ele fundar um vivido baseado em experiência e sem qualquer lugar a dúvida. Só uma pessoa psicologicamente perturbada opõe o conhecer ao saber; ela terá de ser um e outro”. 3

Na verdade, há que compaginar bem a Realidade Una com (simultaneamente) a Subjectividade e a Objectividade. O Realismo é superior tanto ao subjectivismo como ao objectivismo, que nele se subsumem.

A objectividade pura é uma quimera de tempos de materialismo intenso, a pretensão impossível e doentia de um positivismo decadente. Até na ciência confinada ao mundo físico, e nos domínios da epistemologia, os mais esclarecidos vão ficando cientes da limitação de uma tal perspectiva. Em breve não será mais do que uma relíquia do passado, na adolescência da Humanidade.

A subjectividade é uma fonte habitual de ilusão psicológica e, nos domínios da investigação e da ciência esotérica, uma causa invariável de erros e de equívocos. Deve-se aos subjectivismos anárquicos, e a uma beatice que parece encontrar refúgios nos meios mais inverosímeis, a degradação de grupos religiosos ou “espirituais” que se apartam da Ciência Espiritual em que necessitariam estar fundados.

A Realidade está acima de dois pólos que, ao mesmo tempo, integra: o pólo subjectivo e o pólo objectivo. Integrados que estão na Realidade Una, eles são verdadeiramente inseparáveis e a tentativa de amputar qualquer deles, por ser contra-natura, só pode ter maus resultados. Os delírios subjectivistas (por mais que se chamem religiosos ou espirituais) ou físico-objectivistas (ainda que sob os nomes sonantes de Ciência ou progresso) são deformadores da Realidade e só podem ser entendidos como reacção ao excesso de sinal contrário.

Todos conhecemos a frase dos Evangelhos Canónicos: “O Reino de Deus está dentro de vós”. Em tal frase, muitos pretendem justificar a fuga preguiçosa à investigação e ao estudo da Ciência Espiritual, e a legitimidade de toda e qualquer afirmação - por mais vaga e insustentável que seja. No Evangelho (gnóstico) de Tomé, porém, encontramos uma formulação muito mais perfeita e abarcante, englobando - sem amputar nem separar - os dois pólos da Realidade Una : “O Reino de Deus é dentro de vós e fora de vós”. Temos, assim, restaurada a Trindade (Pólo Objectivo + Pólo Subjectivo + Uno que os engloba e transcende) que está presente em todos os níveis da manifestação universal.

Escreveu ainda a Sra. Kim-Diêu:

“Contudo, é o aspecto zetético que irá conduzir o membro-pesquisador na direcção de dimensões de conhecimento nunca sonhadas, o tipo de conhecimento que não pode ser obtido apenas pelo intelecto através da mera acumulação de factos ou de elucubrações mentais. Tem que haver algum elemento mais subtil, mais elevado e avançado, que inclua todos os planos da existência e que portanto inclui também o intelecto. Chamamos a este elemento inteligência. É este princípio de ligação que também chamamos amor. A descoberta deste elemento não se realiza pelo querer (desejo) nem pelo discurso e discorrer (fala e intelecto), mas apenas pelo sentir interior da sua realidade (estar desperto e ser sensitivo) pelo modo como expressamos tudo isto na nossa própria vida. A vida de ensinamento chama-se compromisso”.

Caracteriza-se este parágrafo por um mais explícito piscar de olho a Krishnamurti 4 (sempre presente nestes dias da Sociedade Teosófica, por um processo que quase parece masoquista, tendo em conta a posição que ele tomou sobre a Teosofia), através da identificação inteligência-amor. Mas o que sobremaneira nos impressiona é esta frase: “o tipo de conhecimento que não pode ser obtido apenas pelo intelecto através da mera acumulação de factos ou de elucubrações mentais”. Elucubrações?! A linguagem é inquisitorial, e típica de todos os fanáticos inimigos do conhecimento. Malgré tout, não cremos, sinceramente, que a Sra. Kim-Diêu seja um deles; não obstante, lamentamos que use expressões que nos fazem lembrar as fogueiras e os cadafalsos onde pereceram alguns dos mais justos e mais sábios, vítimas dos fanatismos religiosos; o assassínio de Hypatia e as devastações de Alexandria; os modernos fundamentalismos de franjas islâmicas e todos os tipos históricos de terrorismo contra a luz do conhecimento.

Pouco mais à frente, podemos ler as seguintes palavras da Sra. Trân-Thi-Kim-Diêu:

“Estes últimos, quando cristalizados durante um período muito longo, geração após geração, e mais ainda quando, mal conduzidos por â��sacerdotes assalariadosâ�™, transformam-se em superstições, crença em â��sintonia vicariante ou por imitaçãoâ�™ e fanatismo - seja ele teísta ou ateu”.

O signatário, que continua a ser membro, com as quotas em dia (…), da Sociedade Teosófica - por respeito a quem fundou esta instituição e ao que ela representou (e por em certo momento ter pensado que podia ajudar que ela volte a ser o que deve ser), e não por aquilo em que ela se tornou - concorda inteiramente com as considerações tecidas no parágrafo anterior mas pergunta: não são assalariados alguns dos que, na Sociedade Teosófica, diariamente traem os princípios que Helena Blavatsky promulgou e pelos quais sofreu e lutou? Não são assalariados os que por actos e omissões, por palavras ditas e escritas, por posições assumidas e outras que se deixam de assumir - continuamente lhe são desleais, mesmo quando ano após ano reafirmam o compromisso de lhe serem leais? Não são assalariados os que promoveram a incrível publicação das cartas de Helena Blavatsky, que inclui várias forjadas por um dos seus maiores inimigos, e não são assalariados os que por omissão permitem que essa edição circule 5? Não são assalariados os que promovem e alimentam essa estranha mistura de devocionalismo requentado e pseudo-moralista de toque calvinista com o agnosticismo ateosófico (quando não anti-teosófico) krishnamurtiano, ingredientes completamente ao arrepio do que Helena Blavatsky e os seus Mestres sustentaram e fundamentaram?
Mais à frente, cita a Sra. Kim-Diêu uma das Cartas dos Mahatmas, compiladas por Trevor Barker (THP Adyar 1972 - o11):

“Os homens buscam o conhecimento até ficarem exaustos, mas não se mostram impacientes por ajudar os que os rodeiam com o seu conhecimento; neste facto tem origem uma frieza, uma indiferença mútua, que torna aquele que sabe, inconsciente em relação a si próprio, e o coloca em desarmonia com o ambiente que o rodeia. Do nosso ponto de vista, consideramos que os efeitos nocivos são muito mais elevados no aspecto espiritual do que no aspecto material do homem…”.

Justamente essa frieza, essa indiferença em ajudar os outros com verdadeiro conhecimento (e que, infelizmente, constatámos onde não seria de esperar ou, talvez, de desejar), é o que nos choca. As palavras do Mestre são, pois, evidentemente correctíssimas e precisas. Mas, também justamente pelos motivos que já acima desenvolvemos, elas estão na realidade longe de ter qualquer sintonia com as teses, os argumentos e a postura que transparecem no artigo da Sra. Kim Diêu. Trata-se, claramente, da repetição de uma situação muitas vezes verificada: a de recorrer a alguma citação retirada do contexto (que lhe dá outro sentido) ou, como é o caso, com um direccionamento bem diferente (ainda que com longínqua semelhança formal) dos argumentos daquele que procede a essa citação, para parecer que se está a ser coerente com as grandes obras e com os fundamentos do início da Sociedade Teosófica e, assim, tentar justificar e legitimar - e mais do que isso, fingir que não existe - o “golpe de estado” das últimas décadas.

Continuou ainda Trân-Thi-Kim-Diêu a escrever: “O conhecimento sob a perspectiva da gnose não é acumulado partindo do princípio que deverá ser exibido mais tarde com fins de auto-gratificação. O estudo comparativo das coerências não precisa de levar à demonstração de cada teoria. De modo semelhante, o estudo comparativo das religiões não significa trabalhar arduamente a fim de comparar as suas respectivas liturgias, doutrinas, conhecendo e memorizando todas as suas diferenças, mas sim aprofundar as ideias essenciais dos seus ensinamentos de modo a libertar-se e desembaraçar-se de todas as crenças superficiais”.

No nosso entendimento, é profundamente lamentável e chocante o conteúdo deste parágrafo. O ataque à gnose - logo, à Sofia de teosofia -, além de errado pelas razões já antes expostas, é feito sob uma perspectiva tristemente reveladora. ÃL;� Sra. Kim-Diêu, pelos vistos, somente ocorre que o conhecimento seja acumulado (porque tem que ser “acumulado” e não adquirido e metabolizado?!) para “ser exibido mais tarde com fins de auto-gratificação”. Que tipo de exibicionismo está inerente à sugestão de que o conhecimento deva (necessariamente) ser exibido? O argumento é claramente viciado. No entanto, para nós, o pior de tudo é que à autora das linhas citadas não ocorra que o conhecimento possa ser usado com outros fins que o de exibicionismo. O facto, porém, é que aqueles que conhecem mais e melhor podem ser mais úteis e melhores a aliviar a ignorância e a dor do mundo. Será que à Sra. Kim-Diêu nem ocorre tal possibilidade? Parece que não. Mas esta é a grande pedra de toque. As possibilidades não se esgotam em exibicionismo de conhecimento ou vivência pessoal confinada ao próprio eu (e afinal, reveladora de egoísmo, ainda que sublimado). Há uma outra perspectiva, que é a de Serviço e, para tal, o conhecimento e a boa intenção são ambos imprescindíveis. Quem quer ajudar a sanar os males do mundo, substituindo a actual cultura desumana por paradigmas correctos, não pode nunca concordar que “o estudo comparativo das coerências não precisa de levar à demonstração de cada teoria. (…) o estudo comparativo das religiões não significa trabalhar arduamente a fim de comparar as suas respectivas liturgias, doutrinas”. Com efeito, só demonstrando rigorosa e integralmente que há uma Ciência Espiritual subjacente a todas as grandes religiões e tradições espirituais é que poderemos realizar o sonho de construir um mundo assente nos princípios intemporalmente válidos da Sabedoria dos Deuses. Parece que a Sra. Kim Dyeu, e os que pensam como ela, não têm esse sonho. Mas, se não têm, então há, a nosso ver, algo de errado e, aí sim, de egoísta e auto-gratificante na sua postura, exclusivista, isolacionista e autocentrada na sua elevação pessoal, no seu bem estar, na sua vivência subjectiva.

Na verdade, toda a explanação, incluindo a referência a “memorizar”, faz lembrar as desculpas do estudante pouco aplicado mas azougado, em plena fase de adolescência demasiado confiada na sua sageza (vulgo, “esperteza”).

Diga-se o que se disser, continuamos a ter o maior respeito e gratidão pelo trabalho feito por Helena Blavatsky ou, noutro nível (embora não subscrevamos todas as suas conclusões), por Geoffrey Higgins (na sua obra “Anacalipsis” 6). Decerto que Helena Blavatsky trabalhou “arduamente” para estabelecer “o estudo comparativo das coerências”, realizar “o estudo comparativo das religiões” (eclecticamente mostrando a unidade essencial dos respectivos ensinamentos) e fazer a “demonstração de cada teoria”, na sua incomparável obra “A Doutrina Secreta” 7. Nós apreciamos, valorizamos e procuramos que seja aproveitado esse esforço colossal e esse trabalho sem par. Sinceramente, poderá a Sra. Kim-Diêu (e os “seus”) dizer o mesmo? A nosso ver, este tipo de afirmações são deletérias para tudo aquilo por que lutou e trabalhou tão nobremente a insigne autora de “A Doutrina Secreta” e de “Ísis sem Véu” 8. Não faz nenhum sentido que o extraordinário “acúmulo de conhecimento, sob a perspectiva da gnose”, o extraordinário “estudo comparativo das coerências levando à demonstração de cada teoria” e o extraordinário “estudo comparativo das religiões, a fim de comparar as suas respectivas doutrinas”, arduamente realizado nos escritos de Helena Blavatsky - além dos já citados, também em “A Chave para a Teosofia” 9, “Voz do Silêncio” 10, “Glossário Teosófico” 11, e em 15 volumes de “Collected Writings” - e nas Cartas dos Mahatmas 12 tenha sido inútil, um autêntico desperdício. No entanto, é a tal conclusão que conduziria a aceitação das afirmações da Sra. Kim-Diêu.

Contrariamente à ideia da Sra. Kim-Diêu, escreveu Helena Blavatsky na “Doutrina Secreta”: “Passámos em revista as antigas tradições dos povos, a doutrina dos ciclos cronológicos e psíquicos, de que essas mesmas tradições são a prova tangível, e muitos outros assuntos que, ao primeiro relance, podem parecer fora de lugar neste livro. Mas em verdade, são necessários. (…)

Só apresentando ao leitor provas em grande número, capazes de demonstrar que, em todas as épocas, fossem quais fossem as condições da civilização e de conhecimento, as classes ilustradas se fizeram o eco, mais ou menos fiel, em cada nação, de um sistema idêntico e das suas tradições fundamentais - é que podemos levá-lo a certificar-se de que tantas correntes de uma mesma água devem ter uma fonte comum, da qual fluíssem”. Na mesma obra, conta ainda HPB: “A maior parte da vida de quem escreve estas linhas foi ocupada com o estudo da significação oculta das lendas religiosas e profanas de vários países, grandes ou pequenos, e especialmente das tradições do Oriente”. Segundo a Sra. Kim-Diêu, grande parte da vida de Helena Blavatsky e da sua obra não fariam lá assim grande sentido…

Escreve ainda a Sra. Trân-Thi-Kim-Diêu: “Ao compreender até certo ponto as implicações do terceiro objectivo, não pode esperar-se tornar patentes os poderes latentes no homem apenas pelo mero desejo que isso aconteça, enquanto continuamos a levar calmamente o mesmo tipo de vida, sem que haja qualquer alteração nos hábitos psicológicos e intelectuais”.

Aqui, finalmente, estamos de acordo com a Sra. Kim-Diêu. Pena é que os seus “apaniguados” se contentem em levar sempre a mesma existência vulgar, na qual a teosofia entra discretamente uma ou duas vezes por semana, por uma nesga retorcida, regra geral sob a forma da fraternidadezinha de tomar chá com uns amigos; e pena é que sustentem alegremente que “nada é preciso fazer para se tornar um grande místico”, que “vamos vivendo a nossa vida, lemos um livrinho ou outro de vez em quando, e de repente somos um grande teósofo, não é preciso trabalho e sacrifício para isso” (sic).

Culmina a Sra. Kim-Diêu: “Que cada membro seja um zetético! Assim seja!”

E, afinal, o grande anseio não é que se seja simultaneamente ecléctico e zetético mas somente zetético. Por consequência, a ideia de uma Gnose ou Ciência Universal e Integral (Holística) fica completamente desvalorizada. Lamentável!

Não contente com isto, em outro escrito, sustenta ainda Trân-Thi-Kim-Diêu: “Igualmente, conhecer teoricamente todos os detalhes da cosmogénese, da antropogénese, admitir intelectualmente a unidade da vida - e mesmo obter a sua certeza científica - discorrer sobre as leis universais, etc., sem realizar efeito espelho em si mesmo, é a mesma coisa que continuar a via que se dirige unicamente ao exterior, sem sequer se aperceber que se está preso num impasse”.

Será que a autora das linhas que acabámos de reproduzir realmente ignora que estas afirmações são um convite e um incentivo à preguiça para estudar as grandes obras de Ciência Espiritual, será que não se importa com isso, ou será que até acha bem o confrangedor panorama do desconhecimento e desaproveitamento dos tesouros imensuráveis de Sabedoria Oculta oferecidos nos livros de Helena Blavatsky, nas Cartas dos Mahatmas, etc? A afirmação é, por conseguinte, e em alternativa, infeliz ou lamentável, muito infeliz ou muito lamentável.

Também constatamos que, para a Sra. Kim-Diêu e para os actuais responsáveis internacionais da Sociedade Teosófica é (quase) irrelevante “obter a certeza científica” de postulados essenciais da Teosofia e da Filosofia Esotérica 13. Como é possível esse desinteresse, esse quase desdém, numa época de ciência? A que vamos então apelar? ÃL;� crença? ÃL;� duvidosa clarividência leadbeateriana? ÃL;� fuga ateosófica de Krishnamurti? Ou, talvez, à dormência vigente onde se esperaria encontrar estudantes e trabalhadores activos?

E, como seria de esperar, vem o grande final: fazer cair o labéu de “não realizarem o efeito espelho em si mesmos e de serem más pessoas” - de cuja perigosidade, no mínimo, se deve desconfiar (criando todo o tipo de espinhos e obstáculos, poder-se-ia acrescentar, com base em amarga experiência de alguns) - sobre todos aqueles que mostram um conhecimento efectivo da Cosmogénese e da Antropogénese Ocultista. Esta desconfiança, esta acusação subliminar é odiosa, injustificada e, quanto a nós, bastante censurável, tanto mais que não reconhecemos legitimidade, autoridade e estatura para tal, a quem irresistivelmente se abalança a fazê-lo. Pela nossa parte, sempre estremecemos ao ver em acção os exemplares do homem novo krishnamurtiano, que implicitamente, naquela Sociedade, se oferece como modelo alternativo aos dedicados estudiosos da Doutrina Secreta; mas jamais nos ocorreria levantar processos de intenções a quem quer que fosse.

Certamente há coisas muito piores do que o actual estado de coisas da Sociedade Teosófica. Para não sairmos do mundo do chamado (se calhar, impropriamente) esoterismo, basta atentar na parafernália de ilusões, sensacionalismos e truques mirabolantes oferecidos por grupos da chamada new age. Se falamos no que se passa na Sociedade Teosófica, é porque esta instituição tem (teria?) uma especial obrigação. Deveria ser digna dos ensinamentos e do exemplo de quem a fundou - Helena Blavatsky (a quem é dedicado grande parte deste número da “Biosofia”) - e dos seus melhores colaboradores. Deveria ser digna da Teosofia que lhe deu o nome e o sentido - justamente o sentido de que se afastou. A referência à Sociedade Teosófica não é, pois, especialmente depreciativa para com essa organização mas é, antes, especialmente grata e exigente para com essa originalmente tão nobre instituição. Que não se confunda: não estamos contra quem quer que seja; apenas lamentamos que quase não haja ninguém disponível para a grande luta pela causa da verdadeira Filosofia Esotérica e por todos os bens inestimáveis que ela pode propiciar ao mundo.

* ESPAÃL;�O HPB é uma nova secção da Biosofia, dedicada a valorizar a importância da vida, da obra, dos ensinamentos, do exemplo e do significado presente e futuro de Helena Petrovna Blavatsky

1 In “Cartas de Luxor” (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000).
2 Amónio Saccas viveu nos Séculos II e III da Era Cristã. Mestre de Plotino e de outras figuras notáveis, foi o fundador da Escola Ecléctica Teosófica de Alexandria e grande impulsionador do Neoplatonismo. Embora tivesse sido educado no seio do Cristianismo, não professava ou manifestava preferência por nenhuma religião em particular, antes se dedicando ao estudo da árvore comum de que todas são ramificações. Assim, dizia ele: “… o que Cristo tinha em mente era reinstalar e restaurar na sua primitiva integridade a sabedoria dos antigos, pôr um limite ao predomínio da superstição (…) e extirpar os vários erros que se haviam enraizado nas diferentes religiões populares”. Amónio conheceu os mais variados sistemas filosóficos e tradições espirituais e religiosas, incluindo a filosofia grega, os mistérios órficos, a tradição hermética, o Zoroastrismo, as grandes escolas hindus e, claro, o Cristianismo. Para tanto, interpretava as lendas, narrativas, mitos e mistérios sagrados mediante um princípio de analogia e correspondência, de forma que os eventos hoje relatados como tendo ocorrido no mundo externo eram vistos como expressões de operações e experiências da alma humana.
3 In ” A Lei do Holismo”( STP, Lisboa, 1996).
4 As ideias de Krishnamurti merecem-nos respeito, e algumas, mesmo, uma atenta consideração. Somente verberamos o que na Sociedade Teosófica os seus discípulos (como a actual Presidente Mundial da Sociedade) fazem, promovendo o seu culto a todo o propósito (e despropósito), desvalorizando inerentemente a Teosofia de Helena Blavatsky e dos seus Mestres. Parece-nos normal que haja quem seja seu seguidor; não nos parece normal nem aceitável que se utilize uma Instituição que ele sempre afrontou e que se faça uso das prerrogativas de uma posição directiva dessa mesma Instituição para promover, acima de tudo, de modo explícito ou implícito, as suas ideias, e simultaneamente se minimizem os ensinamentos que deram alma e vida à Sociedade Teosófica.
5 Cfr. a secção “Controversas”, tanto do presente, como do anterior número da “Biosofia”.
6 “Anacalipsis: An Attempt to Draw Aside the Veil of the Saitic Isis or an Inquiry into the Origin of Languages, Nations and Religions”. Originalmente publicado em 1833. Existe uma edição, em 2 volumes (1229 pp.), de Kessinger Publishing.
7 Em língua portuguesa: Ed. Pensamento, S.Paulo, 1973.
8 Em língua portuguesa: Ed. Pensamento, S.Paulo, 1990.
9 Em língua portuguesa: Edições 70, Lisboa, 1978, e Editora Teosófica, Brasília, 1991.
10 Em língua portuguesa: Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1921, e Ed. Pensamento, S.Paulo, 1976.
11 Em língua portuguesa: Ed. Ground, S.Paulo.
12 “Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília, 2001; “Cartas dos Mestres de Sabedoria” (comp. Jinarajadasa), Ed. Teosófica, Brasília, 1996.
13 Dizemos para os actuais dirigentes, porque são bem significativas as palavras da actual Presidente Internacional, Sra. Radha Burnier, no seu livro “A Regeneração Humana”: “Não creio que a S.T. tenha nenhuma Sabedoria. Nem sequer tem uma opinião. A sabedoria é uma coisa pessoal. Não se pode dizer que os Mestres tenham dado sabedoria à Sociedade.”

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