Quem é o sábio, quem é o louco?

Temos uma forte convicção de que, dentro de umas centenas ou, no máximo, de um ou dois milhares de anos, a Humanidade de então olhará com assombro o pensamento predominante nesta época presente. Supomos que não se tratará de nenhum espanto com a sua elevação, profundidade ou abrangência; mas, sim, com a sua limitação, superficialidade e sectarismo.

Espero, contudo, que sejam mais benévolos para connosco do que temos sido para os sábios da Antiguidade. Na verdade, temo-los arbitrariamente qualificado de acordo com os nossos deturpados códigos interpretativos, preconceitos e véus de egoísmo, de materialidade e de imediatismo, vendo metáforas onde se faziam afirmações taxativas, e “opiniões” literais onde se aplicava um simbolismo, ao qual presidia Ciência-Sabedoria. E por isso, frequentemente os consideramos pueris, ignorantes e supersticiosos.

O futuro decidirá de quem era a superstição e a ignorância: se de Vyasa, Kapila, Patanjali, Pitágoras, Platão, Apolónio de Tiana e Proclo (para nada dizer de Krishna, de Hermes, do Buda Gautama ou do Jesus real, i.e., não deturpado pelo fanatismo) ou se dos sofistas, Pirros empoados, Demóstenes menores e sofisticados seguidores de Mara dos nossos dias.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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