Karma
A Grande Reflexão Cósmica
(Uma Visão Psicológica do Karma)

Não há nada, na natureza física à nossa volta, e dentro de nós próprios, que não pré-exista na Natureza-Mãe (Arquetípica). Tudo o que vemos e o que não vemos, incluindo todas as nossas aptidões e funcionamentos biológicos, existe em potência na “Psique” 1 Universal. Com efeito, esta “Psique” é a destilação, a primeira secreção espiritual que se desprende do Akasha, constituindo a matriz e a potência de todos os instrumentos e mecanismos que se desenrolarão nos mundos fenomenais. É, pois, substância da Vida. Para os antigos gregos, e numa visão meramente antropológica, Psiqué era “o sopro, a respiração, a força vital, a vida” e também “a alma, a sede dos pensamentos, emoções e desejos, a contraparte imaterial e imortal do homem”. Nas mais representativas versões do Mito, Psique, primeiramente mortal 2, deambula com grandes vicissitudes pelos mundos inferiores, chegando à altura em que, inspirada e ajudada pelo seu amado Eros, atinge a libertação e se torna imortal…
Memória

O Akasha 3 é, ao mesmo tempo, o substrato e a matéria-prima (em estado virginal) de tudo o que existe e existirá. É a Tela onde tudo o que ocorrerá nos Planos da objectividade se imprimirá como um Registo ou Memória da Natureza. Essa tela, depois de sensibilizada (isto é, quando o que nela é potência se vai transformando em acto) adquire o nome de Alma Universal (a Anima-Mundi ou Alaya). Assim, a Alma do Mundo é o Akasha depois da primeira “agitação” (os antigos Rishis diriam: depois da primeira agitação do “Oceano de Leite”, coalhando os primeiros rudimentos ou sementes do Cosmo que Será…) 4. Vemos, então, que esta Alma Universal do sistema cosmogónico hindu encontra bastante afinidade com a noção de uma Psique universal.

Aludimos, há pouco, à Memória da Natureza (a Memória Macrocósmica). Fixar-nos-emos bastante sobre essa asserção, sobre os seus mecanismos e implicações nos inumeráveis microcosmos. É ela que prodigaliza a Evolução dos Mundos, que assegura o seu constante impulso de equilíbrio, e que possibilita a multiplicidade objectiva de tudo o que existe.

Na verdade, no Universo não pode haver tal coisa como a Suprema Autoridade, maximamente representativa de um “Bem moral”. Não existe “um Deus, superlativamente Bom e autocraticamente Poderoso”. O que existe, sim, é a Lei, que age automatica e indiscriminatoriamente (ou seja, que não escolhe as suas “vítimas” nem tem preferências, protegendo uns e preterindo outros…). É uma Lei, em si mesma afectivamente cega e amoral. Contudo é uma Lei de Absoluta Harmonia, qual fora uma Balança Cósmica com o seu portentoso eixo ou fiel, na qual todos os seus ingredientes e registos têm um peso específico que é mister constantemente equilibrar.

Existe uma máxima hermética (de todos conhecida) que diz “Como é Acima, assim é em Baixo, e como é em Baixo, assim é Acima”. Apliquemos esse axioma à proposição inicial deste artigo: “Não há nada na natureza à nossa volta e em nós próprios que não tenha primeiramente existência na Natureza-Mãe”. De facto, não poderíamos ter memória se a Natureza não tivesse em si mesma a virtualidade e a actividade de uma mesma Memória.

No nosso próprio pequeno Cosmo, ao recebermos sucessivas impressões do mundo exterior, estas, por força da afinidade (por algo como que um decalque), vão accionando a memória interna e espiritual 5, actualizando e chamando à vida o nosso conhecimento objectivo. Na verdade, seríamos inertes e insusceptíveis de produção de consciência, se não tivéssemos em nós essa matriz potencial, replicadora da Memória Universal.

Vejamos como funciona a nossa memória e o que ela produz. Somos continuamente bombardeados pelas impressões externas, as quais descodificamos com variados graus de fidelidade, de atenção e acuidade. Por outro lado, apenas retemos na memória aquilo que desdobrámos (por outras palavras, aquilo que aprendemos). A memória só é memória quando solicitada por novos impulsos: externos, correlacionados, que confrontam e activam a informação latente e inerte armazenada, ou auto-induzidos, por reflexão intelectiva (esta é outra forma de fertilização dos códigos pré-armazenados). A retenção das impressões produzidas pode permanecer latente e inactiva, por períodos mais ou menos longos, ou indefinidamente (por não haver intelecção) até se dissipar a energia que a produziu. É no acto de desdobramento ou consciencialização dos conteúdos da memória (a sua exteriorização) que verdadeiramente se produzem os efeitos – efeitos de natureza kármica. É a descodificação, a própria interpretação que se dá aos significados entrantes na memória 6, que define a própria consequência intelectiva e o concordante posicionamento nas teias (de correlativa densidade obstaculizadora ou, pelo contrário, de subtilidade desimpedida) da vida e do devir. Somos nós que apertamos e estreitamos essas teias – o nosso Caminho – ou as aligeiramos e corremos em maior liberdade.

Do mesmo modo, a Grande Memória Cósmica só se nos revela quando externamente solicitada, por força da afinidade dos contactos. “A Escalada é árdua. Os grandes segredos dos deuses são-lhes roubados a pulso” 7 – diz uma velha alegoria.

No imenso oceano da esfera colectiva, os processos de reflexão correspondem e dão origem como que à “regurgitação” da Grande Consciência-Memória a cada momento revolucionada e ajustada, atribuindo, a cada parte que a integra, a justa medida de efeitos correspondentes à sua contribuição. Este é o funcionamento da Grande Balança Kármica. Entretanto, a própria Grande Memória da Natureza assume diferentes capas (ou Planos do Ser), de progressiva concreção à medida que se adentra nos Planos da Materialidade (e, naturalmente, de inversa progressão de subtilidade à medida que todos os seus trânsitos se volvem igualmente subtis) 8.

Em concomitância (e interdependência), nos processos da nossa própria memória individual (na intelecção dos significados dos impactos), o poder discriminatório que usamos e que preside às direcções 9 optadas na nossa conduta habitual (definindo, assim, o nosso carácter), irá determinar as consequências futuras no panorama que então delineamos à nossa frente. Somos nós que arquitectamos um quadro de possibilidades e conjunturas, ao mexermos as peças do xadrez no Grande Tabuleiro Universal. E continuamente acrescentamos e ajustamos os actos – registos magnéticos de pensamentos, palavras e obras – que imprimimos na Tela Universal.

A nossa memória pessoal, bem como a de tudo o que tem existência no universo objectivo (animais, vegetais, minerais, elementais…) 10, funciona em moldes de identidade e equivalência com esse padrão Maior, Matricial – a incomensurável Memória da Natureza.

O Lugar da Memória
na Cosmogonia

No Nascimento dos Mundos (macro ou microcósmicos), a memória (impessoal ou pessoal) é a primeira (re)acção. A Memória é o agente número dois a surgir no Universo 11. É a Mãe, é o Mar da Consciência Universal.

Na Cosmogonia hindu, como na generalidade das Cosmogonias que nos chegaram até hoje (e de aquela foi a fonte primaz), as crónicas e relatos contêm personificações das Forças Cósmicas. Assim, e de acordo com a primeira, os Lipikas são os Escrivães 12 e os Executores da portentosa Lei do Karma, aqueles que imprimem na Tela Magnética os registos de tudo o que se passa nos Mundos Fenomenais. E significativamente, no que respeita ao Karma humano e individual, é dito que os Lipikas (…) devolvem, como um espelho devolve a imagem, os moldes que conformarão o corpo etérico/astral futuro de cada homem. Vemos aqui uma interessante descrição dos processos mnésicos acima enunciados. De cada vez que uma informação latente na memória humana é solicitada, ela é transformada em código inteligível, em conhecimento próprio e definitivo. É só nesta fase de processo de activação da memória que os efeitos da sua integração/assimilação se fazem sentir, e determinam consequências inalienáveis. É essa assimilação da consciência que expele – reflecte – a “imagem” daquilo em que nos tornamos a cada momento [“Os Lipikas – os escrivães magnéticos da Lei na Tela Etérica/Astral (Akáshica) – devolvem, como um espelho devolve a imagem, os moldes (quiçá, o eídolon dos gregos) que conformarão o padrão etérico/astral (ou carácter) futuro de cada homem]. Os Lipikas são as próprias forças naturais em acção, no cumprimento da identicamente natural Lei do Karma. De facto, o Karma é tão só um mecanismo da Memória da Natureza (com a sua incomensurável digestão dos significados e decorrente juízo e consequências – que definem, a cada momento, o posicionamento e o jogo de forças entre todos os intervenientes no grande Palco da Manifestação).

O Karma é um Mecanismo
da Memória da Natureza

Mnemósima era uma divindade grega, cujo nome é um derivado do verbo mimnéskein, fazer-se lembrar, lembrar-se de – donde, significar “a personificação da Memória”.

Segundo o mito, era filha de Urano e Géia, e teve, juntamente com Zeus, nove filhas – as nove Musas. Estas presidiam, como é sabido, às diferentes e capitais fontes do Saber, prodigalizando aos homens, que por elas eram inspirados, as verdadeiras riquezas do Pensamento Superior.
De igual modo, como se pode entrever, tudo isto corresponde a descrições de processos psicológicos. O homem que se fixa, que se detém nos códigos superiores da sua Memória Espiritual – internamente figurados por cada uma das Musas – é um homem que ascende, que se torna progressivamente amadurecido e escolhe caminhos fluidos e subtis (livres dos congestionamentos obscuros próprios de uma vivência egotista e desequilibrada na sua relação com o Todo).

Por outro lado, Mnêmon, outra divindade grega, identicamente significa “o que se lembra, o que reflecte, o conselheiro”, e as suas práticas e missões eram essas mesmas na Mitologia genealógica dos gregos. De algum modo, Mnêmon, como Agente da Grande Memória, é passível de identificação com o Karma dos hindus.

Nemesis é outra figuração possível e comummente aceite, no Panteão grego, para o sentido de Karma. Ela simboliza o contínuo impulso de reequilíbrio de todas as forças que o homem desorganizou. No mito, ela representava a justiça punitiva dos deuses contra todos aqueles que ultrapassavam o métron, a medida justa de cada um, com o egotismo que é apanágio dos mortais. Todo o excesso, todo o abuso cometido por cada homem, desregula e põe em perigo a ordem e a estabilidade do universo.

Lemos, não obstante, na Doutrina Secreta, de Helena Blavatsky, que, “se pretendêssemos relacionar Karma com Nemesis, deveríamos fazê-lo em termos do seu triplo carácter, como Nemesis, Adrasteia e Themis, porque, assim como esta última é a deusa da Harmonia e da Ordem universal, e que, como Nemesis, está encarregada de reprimir todo o excesso e manter o homem dentro dos limites da Natureza e da justiça sob severas penas, Adrasteia, a ‘inevitável’, representa Nemesis como o efeito imutável de causas criadas pelo próprio homem. Nemesis é a deusa justa e imparcial, que reserva a sua cólera apenas para aqueles cuja conduta se encontra extraviada pelo orgulho, pelo egoísmo e pela impiedade. Numa palavra: assim como Nemesis é uma deusa mitológica, exotérica, ou uma Potência personificada e antropomorfizada nos seus diversos aspectos, Karma é uma verdade altamente filosófica, uma expressão sumamente divina e nobre da intuição primitiva do homem concernente à Divindade”.

A Energia por Contacto

Não raro nos surpreende a enorme vivacidade e plasticidade dos sonhos. São eles tão espantosamente expressivos e realistas nos seus contornos e detalhes – quais obras-primas saídas das mãos dos mais extraordinários artistas – que pensamos, frequentemente: como podem ser fruto da nossa capacidade e aptidão? Com efeito, não somos mesmo nós que os desenhamos e inserimos em fantásticos e vívidos cenários. Apenas e só transportamos códigos de teor emocional, mental, afectivo, etc, que, ao coincidirem ou afinizarem com as miríades de cenas (e suas combinações) na Imensa Tela Akáshica, acendem ou activam esses padrões (colectivamente produzidos e arquivados) e os despejam literalmente nos conteúdos dos nossos sonhos. É o magnetismo dessas interacções mentais e emocionais que nos devolve, em imagens vívidas, conteúdos e cenários perfeitamente desenhados. É a Natureza que, por solicitação – pela “energia de contacto” –, desenha magistralmente para nós. É, de novo, a energia reactiva, da mesma etiologia da memória.

Também quando estamos acordados, a nossa imaginação ou as nossas lembranças – de rostos, gestos e expressões faciais, lugares, paisagens, cores e movimentos – são a réplica dos originais ou das nossas idealizações formuladas. Igualmente aqui, nem pensamos como tal é extraordinário! No que concerne à memória, sucede, de forma instantânea e automática, a devolução pura e simples das impressões luminosas, sonoras, tácteis e outras anteriormente projectadas na nossa tela sensível 13, ou, no caso da imaginação, a devolução em forma pictórica dos registos (impressões em códigos) preponderantemente mentais, na estruturação de objectos-alvo da nossa idealização.

Significativamente, quando estamos em silêncio e quietude, tal como o que sucede num lago calmo e cristalino, as imagens devolvidas são as mais fiéis, réplicas perfeitas das nossas lembranças ou afinações (focagens) igualmente exímias dos objectos por nós idealizados e projectados no nosso imaginário.

No âmbito dos sonhos, por vezes, a muitos de nós nos intrigam e até perturbam certos conteúdos, profundamente antagónicos com a nossa natureza mais essencial. Pode acontecer que (com repúdio, quando acordamos) nos vejamos como tendo agido ou como tendo participado, com naturalidade, em situações que nunca poderiam efectivamente acontecer no rumo e nas escolhas da nossa vida objectiva. De facto, e singelamente, são as nossas próprias condições momentâneas, emocionais e/ou físicas – sensações ou estados de alegria, tristeza, dor, ansiedade, frustração, medo, aflição, euforia, recalques, remorsos… simples ou combinadas – que espoletam o “toque inadvertido” em alguma tecla ou gama de teclas no Imenso Teclado das Imagens, nessa prodigiosa Memória Plástica da Natureza (na qual estamos imersos e somos activamente partícipes). A qualidade ou nível das vibrações por nós vividas e emitidas, é determinante para o tipo e nível dos conteúdos mímicos que atraímos, segundo o momento das nossas vidas.

No que toca ao universo das emoções, a “Psique” da Natureza dispõe de um inimaginavelmente vasto repertório de imagens simbólicas. Os símbolos são convenções arquitectadas e impulsionadas de modos muito diversos – através de rituais, crenças religiosas, superstições, mitos …, e a respectiva alimentação continuada dessas forças (que, segundo a perpetuação do mito ou dogma, são elas próprias mais ou menos duradouras). Essas egrégoras constituem âncoras poderosas no mundo da Psique 14 e são símbolos que conglomeram uma vasta gama de sensações e emoções que antes e repetidamente lhes foram associados.
Natureza Psicológica
do Karma (Conclusão)

Em resumo: é a nossa própria consciência, em constante crescimento e evolução, que escreve o nosso Karma; e, em termos universais, é a interiorização e reflexão do somatório dos Karmas parcelares (a sua interacção) no Ser Colectivo, na Vida Una, que faz a cada momento devolver, como num espelho, a justa imagem daquilo que É – e as suas consequências, a que chamamos Karma 15. Na verdade, ao sermos partícipes da Grande Consciência-Memória Universal, o Karma está inscrito em nós, na nossa memória profunda, e é a partir daí que se manifesta, quando as correspondentes circunstâncias externas ou internas suscitam o despertar dos conteúdos dessa memória, e revelam, assim, a expressão daquilo em que nos tornamos e que atraímos a cada momento.

Tudo, mesmo os objectos inanimados têm memória 16, isto é, a “presença” ou identidade (Svabhâva). E todas, todas essas presenças, animadas e inanimadas, com as suas peculiares características e qualidades, interagem entre si e estabelecem, de forma articulada e dependente, o lugar em que se encontram a cada momento 17.

Na esfera humana, a reflexão (que corresponde a uma interiorização das ideias e significados, e sua correspondente fixação) por vezes origina o sentimento do chamado “remorso”. Quando assim acontece, uma tal reflexão posiciona o detentor em meandros de correlativa densidade vibratória no seio da Anima-Mundi, adequando-o às condições, mais ou menos favoráveis, desse enquadramento. Esse contra-acto de remorso (a contrição) corrige efectivamente alguma parte do desvio antes operado, porque inverte, em alguma medida, a polaridade daquela acção. No plano individual, esta ocorrência tem (ou, regra geral, tem) uma coloração “moral”; no Macrocosmo, todavia, a reflexão (global) é uma contabilidade desprovida deste sentido de moralidade. É, pois, amoral e impessoal – apenas se reflectindo contabilisticamente nos focos humanos que produziram as acções, as cadeias de acções, e quaisquer retrocessos dessas mesmas acções. Não se julgue, porém, que a ética, a bondade e a moralidade são sentimentos vazios. Elas encontram correspondência em Leis e Marcos imorredouros e de transcendente Perfeição no Mundo do Real.

À medida que a consciência individual se expande e subtiliza, o ser é transportado para Planos de consonante subtilidade. Deixa para trás a concreção limitadora própria de uma vivência egoísta e entorpecida, e torna-se mais e mais identificado e diluído no Âmago infinitamente puro e luminoso do Todo. A sua visão, antes embotada, volve-se clara e sem obstáculos ou muros separatistas. Então, os circuitos do Karma tornam-se igualmente fluidos e desimpedidos, deixando jorrar energias benfazejas e de inimaginável harmonia… F

Isabel Nunes Governo
Vice-Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

Notas:
1 Esta Psique é aqui convencionada no seu sentido actual, lato, em que se englobam todos os aspectos do Consciente e do Inconsciente.
2 … a alma animal, que depois se sublima e se torna perene (vindo a subsumir-se e eternizar-se na alma espiritual).
No sentido original, o termo “psique” acompanhou o imaginário das religiões-filosofias dos povos helénicos (tanto quanto se julga saber) desde épocas tão recuadas como a Idade do Bronze (cerca de 1950-1580 a.C.) até aos finais do período clássico. Ao tempo de Anaxágoras e, depois, de Platão (e mesmo anteriormente, nas Religiões de Mistérios), a noção filosófica de alma tornou-se mais exigente, reservando-se o termo “psique” apenas para designar a alma animal e fazendo nascer o termo “nous” para cobrir o sentido de uma alma transcendente, divina e imortal.
3 Como se fora um espelho cósmico, no Akasha reflecte-se e revela-se todo o Universo com todas as suas mutações relativas à Grande Peregrinação Evolutiva. Essa “Imagem” sempre activada – contudo, una com o Akasha – recebe o nome de Anima-Mundi. Comummente, não é feita a distinção entre uma e outra (Akasha e Anima-Mundi).
4 Entre as muitas caracterizações do Akasha, uma, que nos interessa particularmente no presente contexto, é a seguinte: Akasha é o agente indispensável de todo o Kritiyâ (operação mágica), religioso ou profano [sendo que este kritiyâ é todo e qualquer mecanismo da memória espiritual ou memória da natureza (ou, por outras palavras, de todo o impulso conducente à fixação na memória)]. Kritiyâ é, em boa verdade, toda a acção (desde a mais abstracta à mais concreta, da mais ínfima à de mais vasta envergadura), sendo que esta acção é portadora do poder de intervir e modificar todo o Contexto universal. Por isso toda a acção é considerada mágica.
5 Essa memória maior, que nos integra e engloba, na qual estamos imersos. Essa memória é, recordemos, a potência de todas as coisas que poderão vir-a-ser.
6 … é em função dos modos como nos relacionamos (interagimos) com todos os impactos externos, que determinamos o nosso posicionamento relativo – forjando os enquadramentos, os condicionamentos, as oportunidades – no vasto cenário da vida.
7 O que significa: … Devemos activar a Memória da Natureza, e ela nos falará. Porém, essa activação somente se produz se e quando a elaboração do conteúdo das perguntas estiver ao nível do das respostas.
8 É dito, nomeadamente, que “a Luz Astral é o aspecto ou contraparte inferior do Akasha”. É nesse nível mais inferior do Akasha que se projectam os impactos de natureza mais grosseira, telúrica, provenientes do tumultuoso palco das emoções humanas, e que se operam, designadamente, as artes da goécia (a magia elemental, cinzenta e negra, nas suas numerosas variedades e vertentes). É o espelho de ilusão e fantasias projectadas pela consciência mediana da humanidade comum.
9 Sejam elas presididas por imperativos morais ou amorais: condicionadas por interesses de mera gratificação egotista, ou por uma (já mais madura) capacidade altruística, que vai de encontro ao equilíbrio global.
10 … Designadamente, na Natureza há uma propensão dos átomos que já conformaram alguma coisa ou ser, a agruparem-se novamente em termos semelhantes e a reproduzirem a mesma forma. Esta tendência é fruto do molde etérico antes definido pela Memória da Natureza.
11 O primeiro é a Vida emanante; o segundo, é a Consciência, que desponta.
12 A Kundalini é a força de que a Natureza se serve para imprimir a Memória. Não é por acaso que, no ser humano, o Centro muladhara, onde reside latente esta força, é o centro mais intimamente relacionado com a memória espiritual, dita reminiscência (o conceito de reminiscência diz respeito à memória cumulativa concernente ao percurso evolutivo de cada ser humano. Poucos são os que dela têm uma clara definição: apenas se torna consistentemente presente em etapas avançadas do Caminho).
13 A memória reflecte o que viu, tal como os nossos olhos apreendem os significados do que os impressiona luminosamente e que têm à sua frente no acto de ver.
14 Hoje, esse mesmo património colectivo é também, por vezes, chamado “o Inconsciente Colectivo”.
15 A palavra reflexão tem dois significados que se interligam e que, no presente artigo, vivamente se evidenciam: reflectir é produzir consciência (passar de um estado passivo a activo) e é também devolver (“regurgitar”, manifestar o que era imanifesto).
16 O registo das suas transformações inumeráveis que lhe conferem o “ser”.
17 … bem como a força e o poder da sua capacidade de intervenção, e o seu raio de acção.

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