Pecados?

Vamos ser claros, vamos falar sem eufemismos.

A Igreja Católica é a maior fraude da história. Há 1.700 anos que oprime as consciências. Dos cérebros, tantas vezes perversos e tantas vezes cruéis, dos que fizeram a sua ortodoxia, saiu uma teologia absurda, pueril e monstruosa, partilhada nos aspectos essenciais pelas Igrejas protestantes saídas do seu seio. Os melhores e mais puros cristãos, juntamente com os sábios pagãos – mais a sua magnífica filosofia, ciência, arte e cultura – foram perseguidos e eliminados. Pensar, estudar e investigar foram amaldiçoados por Papas e seus ideólogos. O estigma do pecado e da condenação ao inferno, a eliminação da liberdade de pensamento, a hecatombe de vítimas provocadas pelos apaniguados da Igreja Romana desvirtuaram o genuíno sentimento religioso e condenaram milhões a acreditar nas mais estúpidas concepções. O saque do património dos pagãos, a invenção de doações imperiais, o tráfico das indulgências e a odiosa imposição da dízima aos que trabalhavam de sol a sol na maior pobreza, fizeram-na enriquecer a pontos inimagináveis. Todas as liberdades públicas contaram com a sua oposição implacável. Ainda há cerca de cem anos as encíclicas papais usavam terríveis expressões anti-semitas, como, por exemplo “A sinagoga de Satanás” (Encíclica Etsi Multa Luctuosa, do Papa Pio IX, em 1873).

É esta Igreja, carregada de pecados inomináveis, que vem falar de novos pecados: a internet, ler demasiados livros ou jornais! É esta mesma Igreja, que durante séculos considerou diabólico que as Bíblias fossem traduzidas, que vem dizer que a sua não leitura é um pecado. É preciso descaramento!

No entanto, pode ser que o estigma do pecado leve alguns bons milhares de cristãos a fazer o que NUNCA na vida fizeram: ler a Bíblia. Se lerem, muitos ficarão espantados. Não está lá o que imaginam e estão inúmeras coisas que, se fossem ditas pelo vizinho do lado, os deixaria horrorizados.

Haja um pouco de esperança: talvez alguns desses acabem por concluir que a Bíblia não é mais do que uma cópia distorcida de Escrituras mais antigas e esclarecidas; que a sua letra, na maior parte dos casos, está carregada de aridez e non-sense; e que o seu valor só pode ser salvaguardado com as chaves da Cabala, da Gnose e, em síntese, da Sabedoria Oculta.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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