A Nova Árvore da Vida

Substâncias
As medicinas alternativas, que procuram agir sobre o corpo biológico através da acção de Energias vindas de outros Planos, são complementares das que actuam directamente sobre o corpo físico. Em sentido filosófico, estão a revelar a existência dum homo mais vasto do que o mero corpo que é desfeito em pó da Terra.

O Homo não é apenas o corpo biológico. No entanto, a concepção religiosa vulgar, que fala em alma como o contrário do corpo, é limitada e até errónea: não há Espírito sem Substância de corpo e almas. O termo Substância serve para distinguir entre a matéria inerte e as matérias das almas (substâncias).

A personalidade é um Quaternário, quatro corpos ou princípios, que nos faz diferentes uns dos outros. O mais baixo dos quatro é o físico; depois há o vital, o etérico-astral, e a alma natural - o emocional e o mental. Quando morre o corpo físico, o Quaternário todo vai morrer mas não de uma só vez: morre o biológico, e a luz invisível que se encontra no nosso coração, e representa o Divino em nós, retira-se para o nível seguinte ao físico, que é o vital e o duplo do corpo físico. Passadas 24 a 72 horas, morre o duplo e a luz do nosso coração transfere-se para a alma natural: corpo da emoção e pensamento concreto (Kama-Manas).

Se as características da personalidade são substâncias (físicas, astrais, emocionais, mentais), podemos ter memórias de outras pessoas, conforme a percentagem de substâncias herdadas delas. É o Ego que, pela força da imagem, cria, forma e gera o Quaternário Temporal, a Personalidade, com os materiais evoluídos numa cadeia de vidas de biliões de anos. As memórias estão nas substâncias que circulam entre as almas; logo, não vivemos só a nossa vida e os nossos desejos mas, também, os de outros.

António Damásio, o autor Português que escreve livros sobre neurociência, afirma que a emoção é a base sobre a qual se forma o pensamento. É verdade, se considerarmos que esse pensamento é apenas o concreto, o inferior. É verdade, enquanto se refere somente à Alma Temporal, o Kama-Manas. Deixa de ser verdade, se tomarmos em conta o pensamento racional e intuicional, que é de outro nível, correspondendo a outra Alma, a Alma Humana - o Filho do Homem, na simbologia Cristã.

É o Mental que liga o Eu Superior ou Espiritual ao Eu inferior ou Personalidade; daí a importância do Mental e o significado de chamar à Alma Espiritual, a Alma do Filho do Homem, dos Planos acima da Alma Natural ou Temporal.

Os quatro tempos da manifestação correspondem a quatro Planos da Manifestação. Os Gregos chamaram-lhes Atias. Atias vem de Átis o Deus da Natureza. Os quatro tempos de manifestação são estes: Primavera (sementeira, germinação); Verão (florescimento); Outono (frutificação) e Inverno (repouso). Olhemo-lhos como símbolos dos ciclos da vida (e da morte e do renascimento)!

Na tradição Hindu, os Tempos das Idades, chamadas Yugas, que significa Ciclos, são estes: I. Satya ou Krita (Ouro); II. Treta (Prata); III. Dvâpara (Bronze); e IV. Kali (Negra).
O Homo Evolutivo vive em dois mundos. Simbolicamente, é dois Gémeos, o Caim ou temporal, o mortal; o Abel ou Espiritual, o imperecível. Mesmo que a alma natural, Caim, seja extinta por Evolução contrária - e está a ser -, o Abel é perene.

A Ciência Espiritual
A Ciência dos Mestres apresenta-nos as Leis Divinas. No entanto, há milhares de séculos que não saímos do buraco, e a fuga à responsabilidade é mais apetecida que a Verdade, que juntaria os dois gémeos. Somos iguais pelo Espírito e muito diferentes pela substâncias.

A Boa Memória (Gr. Alétheia) é difícil. Poucos são capazes de ensinarem as Leis Divinas e há muita falta de Ciência Espiritual para fazer do Homo um Ser livre, pelo Conhecimento das Leis. Saber é, cada vez mais, experiência das Leis.

Não há Ciência Superior à dos Cientistas Divinos, os Mestres de Sabedoria. Só o Homo Perfeito pode ter a experiência dos Sete Planos Cósmicos; Ele é o Cientista completo. Não debita, arrogante ou insensato - qual traficante de emoções, ao arrepio da Verdade -, opiniões subjectivas. Conhece as leis que regem o Macrocosmo, como o Microcosmo. Ou sabemos com evidências, fundamentadamente, ou corremos o risco de piorar o mundo pelo pensamento, pela falar ou pela escrita.

Duas Árvores da Vida
Não há apenas a Árvore da Vida (na Tradição da Cabala) das costas (e não das costelas), da mulher (Eva), da Queda na Matéria. O ensino dos Mestres, que ensinam as Leis sob a forma de normas Éticas, mostra que há um esforço para activar uma segunda Árvore da Vida, a imagem em espelho da Queda, na face anterior ou visível do corpo humano. As Leis dominantes do Rigor (Coluna Feminina, Matéria) vão ficar submetidas às Leis da Misericórdia, da Compaixão (Coluna Masculina, Vida Interior). Antes era: Rigor primeiro, Compaixão depois. Agora é o contrário, por mudança estrutural!

As Sete Leis do Hermetismo correspondem a Sete Qualidades Divinas que o Homo manifesta em si mesmo. Cada Ser Humano é a prova da existência Divina, porque é essa(s) Qualidade(s), quando a(s) aceita assumir.

Na investigação para reconhecer o Quadro de Leis Divinas Fundamentais, com vista a uma orientação da Vida para o verdadeiro objectivo evolutivo da Humanidade, foi necessário procurar os equivalentes em cada religião. Os mais importantes foram os Decálogos, que são Três Proposições e Sete Princípios ou Leis Fundamentais. Ao reconhecer a correspondência entre X Mandamentos, X Bênçãos de Buddha, X Versículos do Pai Nosso, começamos a ver a Ciência Espiritual dos Mestres. Os Decálogos são fundados na Árvore da Vida: devemos juntar todas as diversas versões.

Os Caminhos por Passos activam a Árvore Ascensional. São Caminhos de Libertação, de baixo para cima: Oito Passos de Buddha, Nove Passos de Shankaracharya, etc.
A velha Árvore de Eva, das tentações, é a de fazer descer a mente e a consciência ao mundo; a da Aliança ao Eu Superior é a dos nossos Pais Divinos, a facial ou anterior, de Reintegração no Mundo Divino, despertada passo a passo. A dorsal é de predomínio de Matéria, a facial é de predomínio de Energia. É despertada pelos ganhos evolutivos.

Desde a velha Tábua de Esmeralda do Hermetismo até ao Pai Nosso de Cristo, todos os Mestres ensinam o mesmo Quadro Ordenado de Leis, a chamada Árvore da Vida. Ela tem correspondências com o organismo humano: cabeça, coração, mãos, coxas e pés manifestam Leis do Homo cósmico. O Homo é a imagem do Universo! Repetimos: no Homo parido (de Parca), o próprio corpo biológico é uma Árvore da Vida de Sete Leis, e cada parte do corpo tem uma relação íntima com uma Lei. Com a mão direita abençoa pela Graça, com a esquerda pelo Rigor da Lei; a Energia dos Pés é representativa da Evolução, aquilo que deixa pegadas, que deixa impressões psíquicas da passagem

As Leis das Coxas, dar à luz espiritual, regem a Personalidade e correspondem às Parcas: a Tecedeira Klotho (que, no Inglês, é clothe, roupa que Adão e Eva vestiram quando verificaram que estavam nus no Mundo Temporal), ou seja, o Karma (a Lei do Karma); a Parca Dobadoura, Lachesis (relação com Lot, destino, e Loath, adverso, repugnante; o que faria mais sentido, no Inglês, era lack, necessidade), ou seja, Ritmos (A Lei dos Ritmos). O Homo nasce entre as coxas, as duas Leis. A Personalidade nasce do útero ou uberis pela vagina, e temos, enfim, a Parca Atropos da Tesoura (que corta o cordão umbilical, para nascer, e o fio, no fim da vida, para morrer): representa a Lei da Evolução.

Transformações em curso
A transformação em curso no corpo biológico também representa uma diferente relação entre Matéria e Energia. Os corpos actuais têm níveis mais elevados de Energias em relação às Partículas. No processo de Queda e Ascensão, a Vida que anima as substâncias pode ser a primitiva (da escuridão; a telúrica, sem necessidade de luz; a que tem uma base sulfurada); e a solar, ligada à clorofila e ao Oxigénio.

Desde Buddha, que abriu as portas do Nirvana, da Libertação da Humanidade da Queda na Matéria (que a cegou para a luz), há um esforço dos Mestres para passarmos da Árvore de Queda para a Árvore de Ascensão.

O Karma que nos obrigava a descer era mecânico: fizemos mal, recebemos o mal; fizemos bem recebemos o bem - e em ambos os casos ficávamos presos ao resultado da Acção. No entanto, o Karma pode ser redimido pelo efeito multiplicador (Nemesis) da Lei da Graça. Para nos libertarmos, temos de nos libertar das consequências das Acções, sejam elas quais forem. Logo, temos de subir para outro nível, para o Mundo Espiritual e, a partir daí, sermos libertos. Para ascendermos ao Mundo Espiritual, há uma dificuldade: só o alcançamos se mudarmos a nossa vida para o cumprimento das Leis e,assim, para o Bem. O Bem liberta. O Mal prende-nos à escuridão e ao terrenal, à energia oriunda do interior da Terra, a vulcânica, a do Enxofre. Por essa razão, o inferno foi apresentado como lugar de enxofre e da Vida material fétida e suja.

Que importância terá no futuro a existência destes dois padrões da Árvore da Vida?
- Estabelecerá uma relação diferente entre a Matéria e Energia, entre o estático e o movimento (um Hinduísta diria entre Tamas, inércia, e Rajas, actividade), tornando mais fácil o Equilíbrio de Sattva, a Qualidade Feminina.
- Permitirá o acesso crescente a energias vindas dos Planos superiores.
- Duplicará as capacidades biológicas, por causa desse maior afluxo de energias superiores.

Humberto Álvares da Costa
Médico Cardiologista; antigo Secretário Geral da Sociedade Teosófica de Portugal

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