O Grande Desafio Religioso

O GRANDE DESAFIO RELIGIOSO

A presunção de superioridade, incomprovada porque sem fundamentos, é especialmente insidiosa quando implica pronunciamentos sobre questões religiosas.

Pretensas autoridades espirituais levaram a cabo, incentivaram e mantiveram fraudes, superstições, dependências alienantes e comércios com o divino na generalidade das religiões que chegaram até nós. Dizia, e bem, o conhecido historiador Edward Gibbon: “A prática da superstição é tão congénita para as massas que, se elas são acordadas pela força, ainda lamentam a perda da sua agradável visão”.

No entanto, em todas as grandes formulações religiosas têm existido grandes sábios e místicos, naturalmente à margem das concepções pueris do vulgo e, frequentemente, olhados de esguelha (quando não perseguidos) pelos detentores do poder temporal (temporal, ainda quando se reivindica de espiritual).

Ao mesmo tempo, a grande maioria das pessoas está ainda carecida de percepção espiritual autêntica para que se possa confiar no livre curso das suas opiniões. Habituado a debruçar-se sobre o seu umbigo, sem capacidade alguma de pensar de modo universal e científico, o homem comum, por si só, não irá além do subjectivismo emocional e egocêntrico.

A liberdade de pensamento e de opinião não deve ser questionada mas é preciso alimento sólido e confiável. Entretanto, esse alimento não pode deixar de ser adaptado a compreensões relativamente frágeis, embora até certo ponto fortalecidas pelos programas de educação generalizada e pela maior informação e discussão de questões religiosas e espirituais (no meio, infelizmente, de muita desinformação).

O grande desafio religioso dos nossos tempos deverá ser o de, tendo sempre como farol a VERDADE, formular princípios claros e simples mas sólidos e universalmente válidos que balizem o progresso moral e espiritual da Humanidade.

Pensamos que os pontos fundamentais a expor com toda a clareza são os seguintes:

- A evidência de que o Nada é impossível e de que Algo, que contém todas as possibilidades e não se esgota em nenhuma delas, sempre É, foi e será – necessariamente -, além de quaisquer condições ou relativizações. Esse Algo pode ser visto como Espaço, Duração, Movimento, Vida, Ser, Consciência absolutos e ilimitados.

- O infinito poder gerador e evolucionante dessa Vida inesgotável, sempre dando origem a novos universos e a novas formas de existência (modos de manifestação da Vida).

- Tudo é analógico e, assim, o Homem é essencialmente idêntico ao Macrocosmos – sendo, por sua vez, ele próprio, um Macrocosmos para inúmeros seres que o integram.

- A descida do Espírito na carne em todos os seres humanos, assim entendidos como sagrados; e o poder transformador, regenerador, libertador e aperfeiçoador dessa presença divina em nós.

- O respeito por nós próprios, enquanto filhos do Divino (de Deus, de Deuses, da Vida una), e por todos os seres, nos quais identicamente, a seu modo, se manifesta a Vida universal. Desse respeito, activo e amoroso, assim entendido, derivam os grandes princípios éticos.

Nisto está, a nosso ver, o essencial. Subjaz-lhe uma ciência espiritual, a ser investigada e entendida por quem estiver disposto a reunir os requisitos para se abalançar ao seu estudo. A parte que dela supomos ter vislumbrado mostra-nos uma magnificência e perfeição que não podemos exprimir em palavras.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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