Tudo Afecta o Todo e o Todo Afecta Tudo

Conforme temos exposto em livros, cursos e seminários e, também, em vários artigos, publicados em números anteriores da Biosofia, o Ocultismo afirma claramente que:

1. Tudo no universo tem substância;

2. Essa substância, consoante a sua maior subtileza ou maior densidade, está hierarquizada em diferentes planos, desde o mais espiritual (mais subtil), até ao mais material (mais denso);

3. Não há vazio no universo. Qualquer aparente vácuo está preenchido por substância (matéria, outra forma de matéria) de um plano (ou subplano) mais subtil. Um aparente vazio no universo físico significa que esse ilusório interstício (seja entre planetas e outros corpos siderais, ou entre partículas atómicas) é feito de substância matricial do plano imediatamente superior ao físico.

4. A vida-substância universal é integrada por miríades de vidas, que conjuntamente formam o Todo – contínuo, ininterrupto, sem hiatos.

Porque no Todo não há vazios, qualquer deslocação ou movimento de uma das suas unidades implica necessariamente uma mudança em todas as outras unidades constituintes. Isto é assim, tanto do ponto de vista físico, como psíquico, como intelectual, como espiritual.

Ilustremos com um exemplo. Imaginemos um recipiente inteiramente cheio de bolas. Se houvesse espaço sem bolas, uma delas podia eventualmente deslocar-se sem provocar alterações nas outras; porém, se tal espaço não ocupado inexiste, a deslocação de uma só que seja implica necessariamente que outra ou outras mudem de lugar, de trajectória, de posições relativas.

No entanto, o exemplo dado, que tentámos que fosse simples, corre por isso mesmo o risco de ser redutor. Tomando-o à letra, poder-se-á supor que as inter-relações decorrentes do movimento de uma unidade talvez só se resumissem a uma simples troca de posições com outra.

No Todo universal não é assim. Nele, há constante movimento de cada uma das suas unidades constituintes; ele é, em si mesmo, incessante movimento. Deste modo, a cada instante, as trajectórias, acções e atitudes (pensamentos e sentimentos) de cada uma das unidades que o integram estão envolvidas nesse movimento maior que as engloba; e, a cada instante, se repercutem nas outras unidades, transmitindo-se através de um espaço contínuo.

Se tomarmos a Vida manifestada no Universo que integramos, há um movimento ascendente global, em termos evolutivos, ou seja, de aperfeiçoamento, que perpassa por todos e em que todos são partícipes. Por isso, se uma unidade – no caso, um ser humano – se afiniza com esse movimento evolutivo e avança, ele não só é arrastado pela força ascendente global, como, ao subir, pressiona para cima as que a antecedem (e vão mais à frente no caminho ascendente) e puxa as que lhe estão abaixo. Pelo contrário, se se opõe a esse movimento ascendente global, essa mesma unidade serve de força de retracção no que respeita aos que estão acima (e que, de algum modo, ficam retidos, sem puderem ascender mais, visto que não se pode gerar descontinuidade) e não ajuda a subir – antes, em termos relativos, obstaculiza o caminho – às que estão mais atrás.

Não havendo hiatos no todo, a grande Lei de Equilíbrio Universal, a Lei do Karma ou de Causa e Efeito, a todo o momento reajusta o Karma colectivo em interacção com os karmas individuais, e vice-versa.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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