O Dever de Informar Bem

Ao longo das últimas décadas tem-se insistido muito na liberdade de informação e no direito a informar. É bom que assim seja.

No entanto, parece-nos de lamentar que haja muito pouca ênfase no dever de informar bem, com verdade e correcção.

Pela nossa parte, pensamos que a assunção plena dessa obrigação, com a responsabilidade que implica, é um dos mais elevados direitos de cidadania.

Em parte pelo trabalho dos profissionais dos meios de comunicação social, vivemos realmente num mundo cada vez mais mediatizado. Em muitos domínios, na prática, é como se apenas existisse e acontecesse aquilo que é dado a conhecer (e como é dado a conhecer) pelos media.

Como podem dar uma informação completa, verdadeira e isenta, meios de comunicação controlados por interesses económicos, políticos e religiosos e, além disso, “povoado” por jornalistas e outros trabalhadores que não são isentos de preconceitos – e que, tantas vezes, têm a quimérica pretensão de saber de tudo? Os códigos deontológicos, a nosso ver, ainda são insuficientes.

Sendo assim, a igualdade de oportunidades das ideologias existirá efectivamente na prática? Imaginemos que alguém funda um movimento político, cheio de ideias novas e muito boas mas sem apoios económicos, sem amizades jornalísticas, sem pressão favorável do status quo. Que possibilidades tem de fazer chegar a sua voz, as suas mensagens, as suas propostas à generalidade dos cidadãos, em comparação com o tempo de antena que outros dispõem? E os movimentos de teor filosófico, religioso ou de qualquer outro tipo ideológico?

É bem provável que a internet seja, hoje em dia, o meio mais democrático de comunicação, aquele em que maior igualdade de oportunidades existem. Mesmo aí, já existem filtragens. E não duvidamos que haverá muitas tentativas de controlo, para o que a imaginação humana é fértil em criatividade.

A responsabilidade de quem tem o poder de informar é tremenda. Querer e saber informar com imparcialidade e com conhecimento de causa, é vitalmente necessário e de tal depende em muito a qualidade do mundo que iremos construindo.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

License

This work is published under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 2.5 License.