Burros de Carga

Há muitos homens que pensam estar a comprar prazer
Quando, na verdade, estão apenas a vender-se a si próprios como escravos.

Benjamim Franklin

Somos nós os burros de carga. Sim, nós, que temos às nossas costas esta estúpida rede de compromissos, alienações, deveres, obrigações, taxas, impostos, papeladas, horários e tantos outros pesos e pretensas posses que constituem a nossa carga; e que voluntariamente, numa escolha que não faria nenhum burro (por ter maior sensatez), entrámos neste labirinto chamado civilização, incluindo o mundo dos bancos, das finanças, das empresas volvidas em novas divindades, das sempre crescentes necessidades (dependências) que inventamos.

Tudo isto nos cai em cima, num cenário a que se chama crise, e que haverá sempre de voltar, com novas faces, se persistirmos em tentar extinguir esse incêndio justamente com o combustível que o alimenta: a ilusão da posse, da riqueza, do “meu”; as idolatrias relativamente às empresas, aos bancos, aos lucros; a vaidade com a esperteza negocial, com o brilho da carreira profissional, com a correria desenfreada pelo sucesso.

O mundo está cheio de coisas que não interessam nada, e somos capazes de consumir a vida, e de dar cabo dela, por causa dessas mesmas coisas. Afogamo-nos carregados de “tesouros”…

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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