Big Bang: O moderno mito da Criação

À medida que as fronteiras do conhecimento científico se alargam e o desenvolvimento tecnológico nos permite ter acesso a fenómenos e segredos da Natureza inimagináveis até há algumas décadas atrás, as incontestadas verdades do passado são atiradas para o rol das coisas esquecidas e novas certezas tomam, temporariamente, conta do presente.

Os novos paradigmas têm, em geral, vida efémera e outros rapidamente tomam o seu lugar. O passado contém o gérmen da potencialidade futura, o amanhã prepara o dia seguinte e o presente é algo que rapidamente se perde entre o que foi e o que será.

A Terra, o Sol, o Universo e o homem já tiveram muitas idades e muito provavelmente muitas mais hão-de vir a ter, à medida que a Natureza vai abrindo mão dos seus segredos. Em 1640 por exemplo, supunha-se que a Terra tinha sido criada no equinócio do Outono de 3928 BC. Algum tempo depois, o bispo irlandês James Usher anunciou que Deus tinha criado a mesma Terra ao entardecer de um sábado, dia 22 de Outubro de 4004 BC.

Tendo por base o relato do Génesis dos seis dias (de 24 horas) da criação da Terra e os detalhes cronológicos da raça humana (Adão terá sido criado no sexto dia de existência do nosso planeta), os Criacionistas defensores da Terra jovem sustentam que o Planeta tem apenas meia dúzia de milénios de existência.

O nosso planeta já foi plano, com fronteiras que desembocavam num precipício; esteve no centro do Universo durante a maior parte da nossa existência conhecida neste planeta, tendo como súbditos o Sol, os outros planetas e a imensa abóbada celeste e, hoje, não passa de um modesto ponto rochoso azul, perdido na imensidão da noite cósmica, que orbita à volta de uma estrela mediana, situada na região exterior dos braços espiralados de uma galáxia média, não muito diferente de biliões de outras galáxias semelhantes, mais ou menos insignificantes no contexto da incomensurável vastidão cósmica que nos é possível abarcar.

Em tempos idos, nada que fosse mais pesado do que o ar seria capaz de planar; o átomo era o mais elementar constituinte da matéria e o homem a mais elevada expressão da criação. Hoje, aviões pesando toneladas e transportando centenas de passageiros cruzam os céus, o átomo é um complexo edifício atómico que encobre tantas partículas elementares que quase já lhe perdemos a conta, e o homem, não só não é a mais elevada expressão e finalidade do cosmos, como a probabilidade de existirem civilizações extraterrestres mais evoluídas é espantosamente elevada.

Desde meados do século passado, com o advento da Radiometria (medição dos isótopos radioactivos) a Terra passou, subitamente, da sua meninice para a idade adulta. Tinha agora 4,5 biliões de anos de idade, o Sol 5 a 7 biliões e, mais recentemente, a ciência concluiu que o Universo tem 13,7 biliões de anos de existência desde que surgiu da explosão de… coisa nenhuma.

O tempo tem-se encarregado de nos mostrar que aquilo que num dado momento é indiscutível, rapidamente deixa de o ser, e o que nunca poderia ser tem grande probabilidade de vir a acontecer.

Desesperadamente o homem tenta compreender e ordenar na sua ainda pouco esclarecida mente o mundo que o rodeia e que, pela sua evidência avassaladora, se lhe impõe e mostra que o seu pouco conhecimento é manifestamente insuficiente para abarcar o dinamismo do Todo onde ele próprio existe, vive, respira e está contido.

Ele é a parte tentando compreender algo muito maior que integra. Nesse titânico esforço, louvável e necessário para a ascensão do despertar da consciência, confunde o acessório com o essencial, a aparência ilusória com a Realidade dos mundos, e agarra-se com ambas as mãos a todos os fragmentos do saber, científico ou não, que lhe possam servir para explicar o que, por enquanto, parece estar além da sua compreensão.

Por que existe alguma coisa para além do nada? Por que existem bactérias? Poderão elas entender os organismos onde vivem? Será a célula capaz de perceber a irracionalidade da emoção descontrolada? As proteínas hormonais dar-se-ão conta do papel que desempenham na homeostase do universo humano, isto é, que são elas que asseguram a estabilidade de mudança feita? Será a formiga capaz de avaliar, em termos energéticos, os processos químicos que lhe dão energia para carregar às costas objectos mais volumosos que elas próprias? Que segredam uma às outras quando se encontram? Saberão os glóbulos brancos a razão por que defendem tão tenazmente o universo onde vêm à existência e onde vivem e morrem, bem ao contrário dos humanos que parecem genuinamente empenhados em destruir a casa que habitam? Haverá “cientistas” por detrás de cada partícula elementar que “pensem” o universo material que suportam?

Apesar de considerarmos que tais questões são absurdas porque nos parecem estar muito para além da espiral de vida e consciência de seres tão “insignificantes” à nossa escala, argumentos haverá que justifiquem as mais variadas opiniões sobre o assunto. Se pensa que as interrogações anteriores são obtusas e sem sentido, experimente só pensar em: “tempo imaginário” como sendo um tempo perpendicular ao tempo real; espaço-tempo a 11 dimensões das quais só 4 nos são acessíveis; cordas cuja frequência de vibração são as partículas do mundo físico; estrelas que são comprimidas até se tornarem num ponto infinitamente pequeno, de densidade infinita (buraco-negro), que enrolam o espaço-tempo sobre si próprio e do qual nada é permitido sair mas que, teimosamente, expelem matéria e energia; um universo infinito que graças a uma energia misteriosa, não detectável, que não se sabe o que é, ainda assim continua a expandir-se para além dos limites do infinito. Galáxias que “fogem” de tudo o mais a velocidades próximas da velocidade da luz; espaço que se distende mas que, curiosamente, só o faz onde não o podemos observar; um universo que no início, num tempo extremamente curto, aumentou 1050 (10 seguido de 49 zeros) de tamanho, a uma velocidade superior à da luz quando, por outro lado, se postula que nada pode exceder a velocidade da luz. Confuso? Sossegue porque não está só. As abstracções matemáticas têm o condão de fazer dores de cabeça a muita gente, incluído cientistas de topo que, perdidos em esdrúxulas abstracções matemáticas, “criam” universos e teorias que de real só têm a actividade eléctrica que desenvolvem no limitado espaço das suas cavidades cranianas. E, no entanto, grande parte das teorias que mais consensos recolhem na área da cosmologia moderna nelas assenta.

Face a esta realidade e à legitimidade com que tais teorias e explicações obtusas de algo que nos transcende nos são apresentadas como verdade e ensinadas em escolas e universidades, não será igualmente legítimo questionar a expansão do Universo e a radiação cósmica de fundo – dois dos pilares de sustentação do Modelo Cosmológico Padrão (Big Bang)? Ou especular sobre o “cientista” que poderá estar por detrás de cada partícula elementar? Ou interrogarmo-nos se a formiga tem conhecimentos de química para entender os processos energéticos que animam o seu frágil organismo? Quer dizer, legítimo é, questionar pode sempre mas … no primeiro caso, os poucos que o têm feito tem sido marginalizados pelos seus pares da comunidade científica dominante, quer dizer formatada pelos interesses pessoais e de grupo e, no segundo, caso se atreva a sugerir “electrocientistas” ou hymenópteras doutoradas em Química, poderá ser aconselhado a visitar um psiquiatra ou, em alternativa, ser tomado por imbecil desmiolado. Em qualquer dos casos o cenário não lhe é nada favorável.

Do alto das nossas cátedras opinamos convictos do que dizemos e afirmamos – quantas vezes fazendo apenas eco do que ouvimos ou lemos – determinados na defesa dos nossos pontos de vista e na argumentação lógica do nosso saber mas, a verdade é que por muito doutos que sejamos, por muito que vasculhemos nos anais dos vários ramos do saber, passado e presente, nada ou quase nada podemos afirmar com segurança sobre o assunto. As bactérias apareceram antes e continuarão a existir e a proliferar nos mais variados e difíceis meios muito depois de nós deixarmos o planeta, a célula e o genoma continuarão a ser os tijolos básicos de sustentação dos organismos onde a vida se manifesta, a formiga continuará a acumular alimento na primavera para consumir em época de menor abundância – quem sabe se receosa de que o céu lhes caia em cima no solstício de inverno – os fagócitos continuarão a eliminar tudo aquilo que ponha em causa a harmonia do seu palco de evolução e as partículas elementares continuarão a emergir de coisa nenhuma para construírem tudo o que conhecemos e também o muito que ignoramos.

Todos eles têm uma coisa em comum: são arrastados pelo impulso evolutivo do meio onde têm a sua existência e, muito provavelmente, são incapazes de o entender na sua plenitude. Em contrapartida, o universo que os contém mostra uma soberba indiferença e insensibilidade às eventuais opiniões, conhecimentos e àquilo que possam ou não discorrer filosófica ou cientificamente a seu respeito.

Será o homem, detentor de um maior número de neurónios, pese embora o facto de nem sempre funcionarem todos em pleno, capaz de entender o Universo que observa? Saber o que é o Universo, se é aberto ou fechado, finito ou infinito, eterno ou efémero, se foi criado, por si imaginado ou se apareceu do nada, são algumas das questões que ainda estão por responder. Não só porque a teoria que reúne mais consenso entre os cosmólogos – a teoria do Big Bang – não o explica, como ainda porque outras teorias, alternativas ao Big Bang, sustentam diferentes pontos de vista.

O Modelo cosmológico Padrão
No início do século XX acreditava-se que o Universo, quando considerado na sua globalidade, era estático. Fred Hoyle e o próprio Einstein nisso acreditavam.
Por isso, apesar de as suas equações apontarem para um Universo dinâmico, Einstein decidiu introduzir-lhes um termo (a constante cosmológica Λ ) de forma a contrariar os efeitos da gravidade e assim obter um Universo estático, conforme era a sua convicção.

Alexander Friedmann (físico russo) em 1922, utilizando a simplificação do Principio Cosmológico , encontrou aquela que é hoje conhecida como a solução do Big Bang das equações de Einstein. Esta solução, afirma que o Universo emergiu súbita e violentamente de um estado de compressão infinita e entrou numa fase de expansão desacelerada, que se seguiu a essa explosão de força e energia iniciais.

Em 1927, depois de tomar conhecimento da teoria da expansão do universo, Georges Lemaitre (padre católico e astrónomo, belga) apresentou a teoria que hoje é aceite pelos astrónomos e especialistas: no tempo zero o universo era somente uma massa minúscula que ele denominou de “ovo cósmico” ou “super átomo”. Nada mais existia. Num dado momento, o “ovo cósmico” explodiu. Essa teoria foi aperfeiçoada por George Gamow, em 1948, para descrever o explosivo nascimento do universo (Big-Bang).

Cerca do ano de 1929, Edwin Hubble estabeleceu uma relação entre a distância a que determinados objectos estelares, as cefeidas , se encontravam da Terra e a sua velocidade de afastamento de nós. Concluiu que, quanto maior é a distância a que os objectos se encontram de nós, tanto maior é a sua velocidade de afastamento. Isso não significa que a Terra ou a Via Láctea ocupam uma posição central no Universo. Tudo se afasta de tudo o mais porque é o espaço que se distende arrastando a matéria nesse movimento. Com Hubble, o Universo passou definitivamente de estático a dinâmico, em expansão. Era agora possível contar a história do Universo: se está em expansão é porque, no passado, as galáxias estariam mais próximas umas das outras. Recuando no tempo, e passando o filme da vida do Universo para trás, podia concluir-se que o Universo teria evoluído a partir de uma região de temperatura e densidade enormíssimas (a tender para o infinito). O Universo tinha evoluído de uma singularidade cósmica até àquilo que hoje é.

Em 1981, Alain Guth propôs que o nosso Universo primevo era, provavelmente, uma pequena região (bolha), uniforme em densidade e temperatura, da bola de fogo original.A inflação subitamente expandiu esta pequena região uniforme de um factor de cerca de 10 50 (Fase Inflacionária) muito mais rapidamente que a velocidade da luz, de modo que o universo que hoje vemos é uniforme. Ou seja, o Universo inicial expande-se de forma incrivelmente rápida, depois entra em desaceleração e agora está de novo em expansão acelerada.

A maioria dos cosmólogos acredita que o universo que vemos e habitamos iniciou o movimento de expansão há cerca de 13,7 biliões de anos numa titânica explosão de força e energia – o Big Bang.

• No início, uma frágil bolha do espaço-tempo, com o tamanho de Planck (10 -33 cm), nasce subitamente do nada em consequência de flutuações quânticas aleatórias.
• Essa pequena bolha cresce rapidamente devido à força anti-gravitacional (originada pela energia-escura) que a obriga a expandir-se de forma vertiginosa, 10 +50 durante um período de tempo muitíssimo pequeno (10 -36 a 10 -34 seg após o big-bang). Fase inflacionária.
• A força anti-gravitacional desaparece subitamente e a fase inflacionária de expansão acelerada chega subitamente ao fim. O Universo volta a comportar-se de acordo com o modelo cosmológico de Friedmann para, posteriormente (há cerca de 6500 milhões de anos), entrar de novo numa fase de aceleração que ainda se mantém.
• A energia gravitacional faz então com que, no espaço em expansão moderada, surjam primeiro os nucleões, depois os átomos e por fim as estruturas galácticas tal como hoje as observamos.

O Futuro do Universo

Sendo certo que, segundo o modelo cosmológico padrão, o Universo parece estar numa fase de expansão acelerada, poderá perguntar-se: como irá ele evoluir no futuro?

Sabe-se que é o conteúdo energético do Universo que determinará o seu comportamento. O conteúdo de matéria (incluindo a matéria-escura) e energia (incluindo a energia-escura) determinarão a geometria do Universo e por conseguinte se ele será aberto, fechado ou plano. Por outras palavras, é a quantidade de matéria (visível e invisível) existente no Universo que determinará se ele morrerá gelado (Big Chill) ou num inferno de fogo a que se chama o Big Crunch. Expandir-se-á para sempre ou se será oscilante com períodos de expansão e outros de recolhimento?

Os cosmólogos fazem depender o destino do Universo da densidade de matéria existente (Ω). A força da gravidade actua como um travão que abranda a expansão do Universo, refreando os efeitos de expansão originados por essa misteriosa energia anti-gravidade a que se dá o nome de energia-escura.
Considere-se que a densidade crítica de matéria é dada por X .

1- Se Ω/X 1 o Universo é oscilante. Espaço e tempo são infinitos

A matéria visível e invisível (matéria-escura) do Universo é suficiente para travar e inverter a expansão cósmica. Como resultado da gravidade, a expansão parará, após o que, o Espaço, iniciará o movimento de contracção.
A temperatura subirá à medida que as estrelas e as galáxias se aproximarem e se precipitarem umas nas outras. O Universo tornar-se-á cada vez mais pequeno, denso e quente e, eventualmente, terminará num inferno de fogo o “Big-Crunch” para, depois, começar um novo ciclo de expansão.

3- Se Ω/X =1 o Universo é plano

A densidade de matéria do universo é tal que a força da gravidade compensa a energia de expansão. A expansão só parará ao fim de um tempo infinito. O Universo é plano e tem um futuro idêntico ao do Universo aberto.

Alexander Friedmann, não só nos deu a primeira interpretação compreensível das equações cosmológicas de Einstein, como também nos proporcionou a mais realística imagem sobre o dia do juízo final: a imagem do destino do Universo – pereça ele gelado (Big Chill), num inferno de fogo (Big-Crunch), ou oscile eternamente entre a expansão e o recolhimento. Um destino que não augura nada de bom para a espécie humana e para todas as outras espécies, biológicas ou não, visíveis ou não, que habitam os admiráveis mundos em que o universo no seu todo se desdobra e manifesta.

A resposta sobre qual das 3 hipóteses será a verdadeira depende, de acordo com as principais correntes cosmológicas actuais, apenas e só da relação entre as densidade de matéria/ energia (visível e invisível) do Cosmos.

Analisando os pilares de sustentação da teoria do Big Bang

De acordo com os cosmólogos defensores do modelo do Big Bang, as três principais evidências experimentais de suporte à teoria do Big Bang são as seguintes :

1- A existência do desvio para o vermelho nos espectros dos objectos estelares.
2- A radiação cósmica de fundo de microondas.
3- A abundância relativa dos elementos leves: hidrogénio, hélio, deutério e lítio.

1. Desvio para o vermelho
Quando a luz proveniente das estrelas ou das galáxias é analisada por um espectrómetro óptico obtém-se uma série de linhas espectrais. O espectro pode ser utilizado para identificar os elementos atómicos presentes nos objectos analisados, já que cada elemento químico tem a sua própria “assinatura”.

Contudo, se compararmos as linhas espectrais das galáxias distantes com as do nosso Sol, verificamos que, em cada caso, as linhas espectrais das galáxias estão deslocadas para o vermelho isto é, para c.d.o. (comprimentos de onda) maiores. Este fenómeno é conhecido como desvio para o vermelho e é objecto de intensa controvérsia entre cosmólogos.

Verifica-se também que esse desvio para o vermelho aumenta com a distância dos objectos estelares à Terra. Estes factos são interpretados como significando que as galáxias se afastam de nós com uma velocidade que é proporcional à distância a que se encontram da Terra (Lei de Hubble). As galáxias mais distantes “fogem” de nós a velocidades que se aproximam mais e mais da velocidade da luz, ou porque o espaço entre as galáxias “estica” como um elástico, ou porque mais espaço é continuamente acrescentado entre as galáxias.

No entanto, como essa dilatação do espaço não é detectada dentro dos limites do nosso sistema solar e da nossa Galáxia, os defensores do Big Bang sustentam que o alongamento do espaço só deve acontecer entre os aglomerados ou super aglomerados galácticos (bem longe, portanto, da nossa capacidade de observação).

Um número crescente de cientistas, porém, considera que o desvio para o vermelho é originado por outras causas que não a expansão do Universo, seja devido ao efeito doppler, seja por estiramento do espaço. Como diz o astrónomo dissidente Halton Arp “um dos lados deve estar completa e catastroficamente errado”.

Estará o Universo de facto em expansão?

Dada a popularidade da teoria do Big Bang, somos levados a pensar que há evidências sólidas que mostrem que, de facto, o universo está em expansão. Mas, na verdade, segundo alguns cosmólogos dissidentes, a mais fundamental das premissas da teoria do Big Bang não passa de uma assunção. As tentativas para mostrar através da observação “esta verdade” vêm frustrando os astrónomos desde há décadas.

Os testes feitos ao mais importante pilar de sustentação da teoria do Big Bang, a expansão do universo, envolvem a determinação do desvio para o vermelho em função de vários parâmetros (magnitude aparente das estrelas, brilho de superfície das galáxias, contagem do numero de galáxias, etc) e as conclusões dos testes efectuados mostram que as observações são mais consistentes com um universo estacionário do que com um universo em expansão (modelo de Friedmann).

Cosmologia de Contradições

Segundo Tom Van Flandern , para o modelo de universo em expansão ser consistente com as observações, os cosmólogos devem:

• Justificar a existência de estrelas com um desvio para o vermelho tão grande que a sua idade estimada é de 15 biliões de anos – ou seja, 1,3 biliões de anos antes do Big Bang acontecer.
• Justificar a existência de galáxias com desvios para o vermelho tão grandes que a luz por elas emitida teria iniciado a viagem há 13,1 bilião de anos – ou seja, 600 milhões de anos após o Big Bang – quando a teoria afirma que as galáxias se formaram 1 bilião de anos depois do Big Bang.
• Justificar a observação de galáxias elípticas com desvios para o vermelho que indicam que as mesmas têm cerca de 1 bilião de anos de existência – no entanto, tais galáxias contêm estrelas com 12 biliões de existência.
• Encontrar uma solução para as inesperadas super estruturas de aglomerados galácticos – as quais, segundo os cálculos, não teriam tido tempo suficiente para se formar desde o início do universo (considerado como tendo 13,7 biliões de anos).

2- Radiação Cósmica de fundo

No seu movimento inicial de expansão, o Universo vai arrefecendo. Quando a temperatura baixou para os 3000 º K, os fotões que até aí eram absorvidos pelo plasma cósmico deixaram de o ser e o universo tornou-se transparente e encheu-se de fotões que se deslocam em todas as direcções, distribuindo-se de forma uniforme pelo cosmos à medida que este se expande.

Foram esses fotões libertados na chamada época de Recombinação – quando o Universo tinha cerca de 380.000 anos, e que constituem a Radiação Cósmica de Fundo (a radiação mais antiga do universo descoberta em 1964 por Penzias e Wilson) – que nos chegam agora na forma de uma radiação fóssil de microondas, equivalente à radiação de um corpo negro com uma temperatura de 2,7 º K.

Segundo a teoria do Big Bang, apesar de homogéneo, o universo primordial apresentava perturbações muito pequenas na sua densidade, conforme testemunha o mapeamento feito pela sonda WMAP . Essas perturbações evoluíram, cresceram e deram origem às estruturas cósmicas hoje observadas. Sem estas flutuações o Universo ter-se-ia mantido homogéneo e não existiriam galáxias, nem estrelas, nem planetas, nem árvores, nem homens, nem formigas, nem dúvidas existenciais, nem ganância, nem sede de poder. Tudo seria muito mais simples e, eventualmente, a Terra não se veria de novo obrigada a “sacudir-nos do seu dorso” por sermos uma espécie que lhe perturba o equilíbrio milenar.

No entanto, o universo que observamos é tudo menos homogéneo. A matéria existe na forma de nuvens de gás e galáxias, que por sua ver se agrupam em aglomerados, depois em super-aglomerados e, por fim, em estruturas maiores em forma de teia filamentosa de dimensões incomensuráveis.

Para justificar a existência de galáxias, a teoria do Big Bang requer que a intensidade da radiação de microondas, quando se observam duas zonas do céu, varie, pelo menos, de uma parte por mil. Para justificar outras estruturas ainda maiores (aglomerados e super aglomerados galácticos) essas variações são ainda maiores. Tais não–uniformidades na radiação de microondas nunca foram encontradas.

As variações da intensidade da radiação cósmica de fundo, detectadas pela WMAP, são demasiado minúsculas quando comparadas com aquelas requeridas pela teoria do Big Bang, para que se tenha dado a formação das estruturas galácticas.

O satélite europeu PLANCK, lançado em Maio de 2009, estudará a radiação cósmica de fundo (CMB) de microondas. O seu principal objetivo é medir as anisotropias da CMB — i.e., a temperatura da radiação, em função da posição no céu — com uma precisão de uma parte em um milhão, dez vezes mais preciso que o antecessor, WMAP. As anisotropias contêm, segundo o modelo padrão do Big Bang, informação sobre a origem das Galáxias

3 - A abundância relativa dos elementos leves Hidrogénio, Hélio, Deutério e Lítio.

É natural que não saibamos muito acerca de como o Universo veio à existência ou sequer por que existe. Afinal de contas, não estávamos lá quando isso aconteceu nem podemos questionar a causa que esteve na sua origem para identificar a razão de ser de tudo o que vemos e … não vemos.

De facto, a maior parte do Universo é constituído por um tipo de matéria (matéria-escura invisível que rodeia as galáxias – 22%) e energia (energia-escura – 74%) misteriosas, invisíveis e de origem desconhecida. O Universo é dominado por uma forma de matéria e energia inteiramente novas e desconhecidas. Dos restantes 4%, a maioria está na forma de Hidrogénio e Hélio e, provavelmente, apenas 0,03% na forma de elementos pesados. Espantosamente, os elementos que constituem o mundo físico – estrelas, planetas, galáxias e nós próprios – representam apenas 0,03% da componente matéria-energia do Universo.

O que são e qual o seu papel na evolução do universo é um mistério mas, segundo os cosmólogos, é nessa “escuridão” que permanecem as intrigantes possibilidades da física para além da estabelecida pelo Modelo Padrão das partículas elementares ou, dito de outra forma, a já fantasmagórica selva de partículas elementares vai alargar-se para “acomodar ad-hoc” as hipotéticas partículas a descobrir, as “super-simétricas”, parceiras das já “acomodadas” pelo Modelo Padrão. A esperança de as encontrar está agora no LHC (Large Hadron Collider) do CERN que, também “tem às costas” o pesadelo de encontrar a “partícula de Deus”, o bosão de Higgs que, supostamente, virá finalmente explicar por que é que as partículas têm massa. Com ou sem partículas de Deus, há quem diga já (dissidentes, naturalmente) que a matéria-escura e a energia-escura são 2 cheques em branco passados ao actual paradigma cosmológico, que o impedem, para já, de se desmoronar.

Resumindo, é muito mais aquilo que não vemos e desconhecemos do que aquilo que vemos e supostamente conhecemos. O que define o Universo não é tanto aquilo que é visível mas, sobretudo, o que é invisível e desconhecido: o vazio à volta das estruturas cósmicas, que não é detectável directamente através de telescópios ou outros instrumentos que utilizamos para alargar os nossos sentidos, mas apenas através dos efeitos gravitacionais que originam nas estruturas galácticas e na evolução do cosmos.

Os teóricos do Big Bang sustentam que a maior parte do hélio, deutério e lítio foi sintetizado nos primeiros minutos após o Big Bang. Mas o modelo do Big Bang não prediz com rigor a relação entre estes elementos leves. As observações mostram que há menos hélio e muito menos deutério e lítio do que a teoria prediz. Alterando o assumido valor da densidade de matéria no universo, o modelo pode prever com precisão, e à vez, as quantidades de deutério, hélio e lítio existentes mas nunca as 3 em simultâneo.

COSMOLOGIAS ALTERNATIVAS
Os defensores da teoria do Big Bang pedem-nos que aceitemos o seguinte: o tempo e o espaço nem sempre existiram; ambos vieram à existência num preciso momento num passado remoto; quer a idade quer o tamanho do universo são, portanto, finitos; toda a matéria e energia do universo estava contida, no início, num ponto infinitesimal que, por alguma razão desconhecida, explodiu, e o espaço e o tempo iniciaram a sua expansão como consequência dessa explosão; inicialmente o espaço expandiu-se mais rapidamente que a velocidade da luz; a explosão foi tão uniforme que ao fim de algum tempo foi emitida radiação de forma uniforme para todo o lado; que a mesma explosão era tão irregular que deu origem ao universo de matéria desigualmente distribuída que hoje observamos; que toda a matéria no universo se afasta de tudo o resto à medida que o espaço continua a expandir-se, apesar do centro dessa expansão estar em parte nenhuma; que a expansão do espaço só ocorre entre aglomerados galácticos e as estruturas em grande escala (portanto a uma distância que impede a sua observação) mas não ocorre à escala local como sejam na nossa galáxia ou no sistema solar; que há uma energia (energia-escura) e uma matéria (matéria-escura) desconhecidas que são responsáveis pelo comportamento do universo mas que não conseguimos detectar.

O Big Bang sustenta ainda que durante as primeiras fracções de segundo, depois da explosão primordial, o espaço-tempo teve um aumento de volume exponencial. Numa fracção extremamente pequena de segundo (10 -36 a 10 -34 seg. após o Big Bang) expandiu-se 10. 000.000…. (50 zeros) e esta inflação produziu todo o conteúdo do universo literalmente a partir do nada; depois parou de acelerar e agora parece estar a acelerar outra vez para destino incerto expandindo-se para além do infinito.

Muitos cosmólogos sustentam que há demasiadas incoerências neste modelo que assenta num elevado número de parâmetros livres. Para manter a consistência do modelo com os constrangimentos resultantes das observações, os parâmetros livres são ajustados com frequência. No entanto, quando são ajustados para darem conta de um conjunto de dados observados, a teoria do Big Bang fica em completo desacordo com outros testes cosmológicos, lançando os teóricos em desespero.

Assim, mesmo que as dificuldades do modelo do Big Bang (quando comparado com o modelo estacionário do Universo) sejam ultrapassadas de forma elegante, o princípio lógico da Navalha de Occam diz-nos que devemos optar por outro modelo mais simples, como é o caso do modelo estático do universo.

Opondo-se à teoria do Big Bang, há várias outras teorias cosmológicas alternativas que, na opinião dos seus autores, explicam de forma mais racional o que se observa a nível do cosmos. São, no entanto, pouco publicitadas e conhecidas. Destacamos as seguintes:

1. Teoria de ARP.
2. Teoria do Plasma Cosmológico.
3. Meta modelo de Tom Van Flandern.
4. Modelo Cosmológico da Cinética Sub quântica de Paul LaViolette.
5. Modelo de Barry Setterfield.
6. Modelo da Cosmogénese Oculta.

1. Teoria de ARP

Halton Arp é um dos, cada vez mais numerosos, cientistas defensores da ideia de um universo estático e infinito, em constante transformação.
Arp argumenta que as anomalias verificadas no desvio para o vermelho são a prova de que vivemos num universo que não está em expansão. O desvio para o vermelho dos objectos extra-galácticos é causado primeiramente pela tendência da massa das partículas aumentar com a idade das mesmas e, secundariamente, pela perda de energia da luz ao atravessar o espaço inter-galáctico.

Para Arp a matéria criada vem à existência com massa zero que, depois, aumenta com o tempo à medida que as galáxias envelhecem. Uma galáxia nova terá um desvio para o vermelho acentuado; depois, com o tempo passará a ter um desvio para o vermelho normal e por fim quando forem mais velhas, um desvio para o azul.

A razão por que as galáxias mais distantes apresentam um desvio para o vermelho maior é porque nós as vemos como eram num passado muito remoto, isto é, quando elas eram muito mais jovens. Acerca das 7 galáxias locais que têm o desvio para o azul, a ciência ortodoxa vê-as, ao contrário da “fuga” generalizada das outras galáxias, movendo-se na nossa direcção a uma velocidade superior àquela a que o universo se expande. Arp diz que muito simplesmente essas galáxias são mais velhas do que a nossa galáxia e por isso mais “azuis”.

Para Arp a matéria é criada, não a partir do nada mas através da materialização da energia -massa que existe no estado difuso, na forma do “mar quântico” ou “zero-point-field” que tudo permeia. Diz ele que o universo se desdobra constantemente de dentro de si mesmo. Ele também acredita que, depois de um tempo de existência, as partículas elementares decaem, de forma que a matéria mergulha de novo no “oceano quântico”.

Arp argumenta também que o desvio para o vermelho não é um indicador seguro ou preciso da distância a que os objectos estelares se encontram (galáxias jovens). Apesar da luz perder energia ao viajar através do espaço e, nesse sentido, quanto mais viaja (mais distante o objecto) mais desvio para o vermelho apresenta, a observação de galáxias à mesma distância que possuem desvios para o vermelho bastante distintos mostra que o desvio para o vermelho não é um indicador preciso da distância dos objectos estelares. Segundo ele, a nossa imagem do espaço extragaláctico pode estar completamente errada.

Galáxias Velhas / Galáxias Novas
Se o desvio para o vermelho fosse exclusivamente causado pela recessão das galáxias, como afirma a teoria do Big Bang, ou se fosse causado apenas pela perda de energia da luz ao viajar pelo espaço, como na teoria da “luz cansada”, então, os desvios para o vermelho deveriam ser sempre proporcionais à distância.

Contudo, há numerosos exemplos onde galáxias à mesma distância têm desvios para o vermelho diferentes – o que indica que outros factores devem ser considerados.

Se o desvio para o vermelho fosse devido à recessão, então, as galáxias que orbitam em torno de outras galáxias – galáxia-mãe – deveriam apresentar um desvio para o vermelho ligeiramente maior ou menor do que a galáxia central, o que não se verifica.

O desvio para o vermelho das 22 galáxias companheiras, no nosso Grupo Local e no Grupo mais próximo, é, segundo Arp, sistematicamente maior do que o da galáxia central. A conclusão a tirar é a de que o excesso do desvio para o vermelho das galáxias companheiras é intrínseco e que o mesmo nada tem a ver com a velocidade de aproximação ou afastamento. Para Halton Arp esse excesso de desvio para o vermelho está relacionado com a “tenra” idade das galáxias (com a sua juventude).

As galáxias companheiras parecem ser criadas no centro ou próximo do centro da galáxia central (mais velha) e depois expelidas para a vizinhança. Também nos aglomerados galácticos as galáxias mais novas têm desvio para o vermelho maior que as galáxias mais velhas.

Segundo Arp, a razão por que as galáxias mais distantes têm maior desvio para o vermelho é porque nós as observamos tal como elas eram na sua juventude. E quanto mais longe, mais novas eram, ou seja, maior é o seu desvio para o vermelho.

Arp não rejeita a teoria da “luz cansada”, diz apenas que o principal mecanismo do desvio para o vermelho é a idade das galáxias, tendo a perda de energia dos fotões (luz cansada) um papel secundário nesse mecanismo.

Galáxias em colisão ou galáxias ejectadas?

Quando os astrónomos viram pela primeira vez galáxias vizinhas perturbando-se mutuamente, imediatamente concluíram que se tratava de galáxias em colisão. O comentário de Arp é o seguinte: “por ignorarem a evidência empírica da ejecção de material pelas galáxias, os cientistas ilustram bem a tendência que têm, nomeadamente quando confrontados com duas possibilidades, de escolherem sempre a errada.”

2.Teoria do Plasma Cosmológico

A teoria do plasma cosmológico foi avançada pelo prémio Nobel Hannes Alfvén, astrofísico sueco, em 1950. Tal como a teoria do universo estacionário, Alfvén propõe que o universo é infinito e eterno no espaço e no tempo, e que continuamente evolui.

Apesar da maioria dos cosmólogos acreditarem que os campos eléctricos e os campos magnéticos são de menor importância na explicação da formação e evolução das estruturas galácticas e multi-galácticas, os cosmólogos de Plasma vêem um universo assente em redes de poderosos campos eléctricos e magnéticos, ordenado e controlado pelo electromagnetismo e secundariamente pela gravidade.

Esta estrutura filamentosa do universo não é uma novidade já que a maioria dos plasmas gera estruturas filamentosas naturalmente, apertando-se elas próprias em densos filamentos turbilhonantes observados nos laboratórios, no Sol – um enorme novelo de plasma –, nas nebulosas e no coração das galáxias.
Fios de plasma disparados a alta velocidade uns contra os outros, enrolam-se em forma de galáxias espirais, sugerindo que as próprias galáxias devem ter sido criadas por filamentos em vórtice em muito maior escala.

A cosmologia de plasma pode demonstrar, através de princípios físicos simples, a formação e o comportamento de estrelas, galáxias espirais e estruturas cósmicas em larga escala, sem recurso às hipotéticas matéria-escura e energia-escura ou buracos negros. Os radiotelescópios mapeiam os campos magnéticos galácticos, e a configuração dos mesmos é semelhante à encontrada nas experiências feitas pelos defensores do plasma cosmológico. Se a ciência fosse a propalada procura da verdade, deveríamos esperar que os cosmólogos defensores do Big Bang se precipitassem para os laboratórios de plasma, mas isso não acontece porque na sua maioria são matemáticos teóricos.

Para David Talbott and Wallace Thornhill, “ … Uma extensa teia eléctrica liga e unifica tudo na natureza, seja a formação da mais pequena partícula ou a mais majestosa galáxia. Forma e dá luz às estrelas, organiza as galáxias, dá origem a planetas e, no nosso mundo, controla as condições climáticas e anima os organismos biológicos. Não há ilhas isoladas no universo eléctrico”

3.Teoria do Meta Modelo de Tom Van Flandern

O astrónomo Tom Van Flandern propõe que o universo não só é infinito no espaço e no tempo, mas que é composto por objectos e entidades abrangendo uma infinita gama de dimensões. O universo deverá parecer essencialmente o mesmo, independentemente da escala em que o observemos. Aquilo que para nós são objectos de grandes dimensões, como as galáxias, podem não passar de partículas de um meio à escala cósmica. No extremo oposto, por exemplo, para um hipotético cientista que habite um electrão de um átomo (chamemos-lhe electrocientista), os outros electrões são como que planetas de um sistema solar cujo Sol é representado pelo núcleo atómico; um aglomerado de átomos, uma molécula, será, para o electrocientista, o nosso equivalente à Galáxia; aquilo que para nós é um grupo de moléculas, para o electrocientista é um aglomerado de galáxias. O fluído intersticial representará nesse nível microscópico aquilo que para nós é o espaço inter-galáctico com o vazio cósmico entre as estruturas de larga escala. Para além disso, onde para nós começam os tecidos do nosso organismo, para aquele ser inteligente microscópico abre-se o abismo do SER, Aquilo, o incomensurável Espaço Abstracto.

Flandern sustenta também que há infinitos meios compostos por partículas de todas as dimensões concebíveis, dos quais um deles serve de propagação à luz (elysium) e um outro, composto por gravitões ultra pequenos e ultra rápidos, que são responsáveis pela força da gravidade. Junto das grandes massas onde a pressão dos gravitões é maior, o meio óptico onde a luz se propaga torna-se mais denso, produzindo os efeitos de curvatura da luz e o desvio para o vermelho (absorção da energia dos fotões) dos objectos estelares, num universo que, segundo ele, não está em expansão.

A “luz cansada”

• Uma das principais explicações alternativas ao desvio para o vermelho é a hipótese da “luz cansada”, de acordo com a qual a luz perde energia ao viajar através do espaço, seja ele preenchido pelo éter dos tempos modernos, o “vácuo quântico” ou Zero Point Field (Z.P.F.), ou pelos gravitões (portadores da força gravítica) de T. Van Flandern.

• Em 1929, sete meses depois de Edwin Hubble ter publicado os seus resultados da relação “distância – desvio para o vermelho” (lei de Hubble), o físico suíço Fritz Zwicky sugeriu que o espaço e as galáxias eram estáticos e que o desvio para o vermelho era devido à perda gradual de energia (por interacção com o campo gravitacional) por parte dos fotões durante a sua longa jornada através do espaço inter-galáctico. Se os fotões perdiam energia de maneira uniforme ao longo da sua jornada, então a amplitude do desvio para o vermelho aumentaria progressivamente com a distância de forma logarítmica. Para distâncias inferiores a 1 bilião de anos-luz, o desvio para o vermelho era linear tal como Hubble observou.

• Em 1935, e à medida que regiões mais profundas do espaço eram analisadas, com velocidades de recessão das galáxias na ordem dos nos 13 % da velocidade da luz , o próprio Edwin Hubble e Richard Tolman sugeriram que um outro mecanismo que não a expansão do universo devia ser responsável pelo desvio para o vermelho. Um ano depois, já com muito mais dados de observações entretanto feitas, Hubble saiu em favor da teoria da “luz cansada”.

4- Modelo da Cinética Subquântica

A cosmologia da Cinética Sub-quântica foi desenvolvida por Paul LaViolette, que propõe que a matéria física emerge do ether pré-existente.

4.1- Cinética do Ether
Compreendendo como é que certos sistemas de reacções químicas auto-organizam as concentrações dos seus reagentes moleculares gerando ondas macroscópicas visíveis , poderá entender-se como é que os constituintes do Ether (que tudo permeia) se podem auto-organizar gerando ondas de concentração que criam as partículas subatómicas, blocos de construção do mundo material.

Para Paul LaViolette, um tal Ether seria constituído por um abundante mar de partículas constituintes, os Etherons que, tal como as moléculas numa reacção química, se difundem de um lugar para outro e se transformam de um estado noutro.

Os etherons serão muito mais pequenos do que as partículas subatómicas. Quadriliões delas caberiam no espaço ocupado por um único protão e não há razão para supor que tenham carga ou massa.

Porque os nossos detectores, feitos de matéria ou energia, só podem detectar formas de matéria ou energia, não detectam os etherons e, portanto, não podemos conhecer a sua verdadeira natureza.

Em todo o caso, para LaViolette, não nos é necessário conhecer as propriedades dos etherons em grande detalhe. Basta saber que há etherons de vários tipos (p.e. X, Y, G, etc) e que eles interagem uns com os outros de forma específica.

Os etherons de um dado tipo constituem um substrato do ether. Por exemplo os etherons do tipo X formam o substrato X; os etherons do tipo Y formam o substrato Y, etc.

Todos juntos, os vários tipos de etherons, formam colectivamente um meio heterogéneo reactivo e difusor a que se chama o Ether.

As variáveis X, Y e G teriam uma distribuição uniforme inicial, mas em determinadas circunstâncias as suas concentrações se afastariam dos valores uniformes e formar-se-ia uma onda estacionária de concentrações (uma partícula subatómica) que seriam os blocos de construção do mundo material.

A energia radiante, tal como as ondas de luz e as ondas de rádio, não são mais do que ondas de concentração de etherons em propagação. As ondas de concentração (estacionárias ou em propagação) são similares aos campos de potencial da física e geram forças que são tanto maiores quando maior for a diferença de concentrações. As forças electrostáticas são produzidas pelos gradientes de concentração nos substratos X e Y. A força gravítica, pelos gradientes de concentração no substrato G.

4.2- A Emergência do Útero Super-crítico

Suponha-se que algures nas vastas regiões do espaço, a concentração do substrato G desce abaixo de um dado valor crítico. Um poço de potencial desta natureza, “poço G”, pode desenvolver-se espontaneamente como resultado de flutuações locais do potencial gravítico. Há uma pequena probabilidade, mas não nula, de que possam surgir flutuações dos potenciais X ou Y dentro do poço de potencial G.

Quanto maior for a região fértil do “poço G” maior a probabilidade de tais flutuações (X ou Y) ocorrerem dentro do seu perímetro. Assim, são necessários 2 ingredientes para que o processo de criação de matéria se inicie: um poço de potencial gravítico e um impulso eléctrico (X ou Y) simultâneos dentro da região do poço de potencial.

Um impulso que atinja o tamanho crítico chama-se flutuação crítica. Uma flutuação crítica é aquela que ganha a batalha contra o Caos do Ether pois é capaz de sobreviver aos processos de destruição de ordem – tais como os processos de erosão e difusão – e crescer e dar origem a uma partícula subatómica.
O “poço G” pode ser olhado como a “Mãe” ou o “Útero fértil”; o impulso eléctrico como o “Filho” que, se suficientemente alimentado, trará o estado de ordem.

4.3- Partenogénese (Nascimento imaculado)

O processo de criação de matéria a partir do ether pode também ser expresso em termos das mitologias antigas.
Para que a criação de matéria possa acontecer, deve primeiro existir uma região fértil no ether, isto é, um poço de potencial G. Depois, deve ser permitido ao “Filho” (impulso eléctrico) aparecer dentro dessa região de gestação.

O impulso espontâneo que fertiliza a região crítica vem do caos presente no ether e não é imposto do exterior. No ambiente protector de gestação da Mãe, o Filho cresce e desenvolve-se numa flutuação crítica e torna-se portanto invulnerável às acções destrutivas do Caos envolvente. Com um poder autónomo, ele luta contra as forças destrutivas (a competição com outras flutuações e as forças de homogeneização) e emerge vitorioso. Nasce a partícula subatómica.

4.4- A criação do Universo

Para Paul LaViolette, as regiões super-críticas ou “poços de Gravidade” formados pelas flutuações da camada G do ether (equivalente ao potencial gravítico) são de natureza transitória. Por isso, a probabilidade de que uma dessas flutuações de G coincida com flutuações das camadas X ou Y do ether (equivalentes ao potencial eléctrico), de molde a formar uma partícula subatómica, é muito reduzida.

No entanto, considerando o enorme número de flutuações que acontecem na vastidão do espaço cósmico num período de tempo muito grande, a criação do universo não só é plausível como também certa. O tempo necessário para que as primeiras partículas de matéria tenham aparecido pode ter sido milhares de vezes mais longo do que os 13,7 biliões de anos atribuídos à idade do Universo.

A materialização acontecerá muito mais rapidamente na vizinhança de matéria existente, uma vez que os protões criariam regiões férteis (poços de gravidade) onde as frágeis flutuações de X ou Y poderiam facilmente crescer.

Segundo o modelo de Paul LaViolette, as tremendas explosões do núcleo galáctico, para além de ejectarem gás e poeiras, expelem também aglomerados de estrelas que passam a orbitar a Galáxia-mãe (veja-se modelo de Halton Arp). Tais aglomerados ejectados passam a ser, eles próprios, centro de criação de massa e energia que, com o tempo, evoluem para galáxias satélites. As Grande e Pequena nuvens de Magalhães que orbitam a nossa galáxia são exemplos de tais galáxias. Galáxias satélite anãs são também visíveis como 2 pontos brilhantes orbitando Andrómeda, a galáxia mais próxima da nossa.

5-O Modelo de Barry Setterfield

Para Barry Setterfield a quantificação do desvio para o vermelho detectada por William Tifft, do Observatório de Tuscon, Arizona, obriga à procura de um novo modelo cosmológico. Para B. S., o universo já esteve em expansão mas já não está. O comportamento dos átomos e a velocidade da luz estão intimamente relacionados com a Z.P.E. (Zero Point Energy) e com as propriedades do vácuo. Para Barry Setterfield, a diminuição da velocidade da luz e a quantificação do desvio para o vermelho são devidos à libertação de energia acumulada pelo espaço durante a expansão. O Universo terá tido uma expansão inicial brusca e acelerada sendo essa distensão do espaço acumulada na forma de energia potencial (à semelhança do que acontece num elástico que se estica). Com o tempo, e uma vez terminada a expansão, a energia acumulada libertar-se-ia para o próprio espaço na forma de radiação, levando a um aumento progressivo da energia Z.P.E.

Segundo o modelo QED , as partículas atómicas tais como protões e electrões, mesmo quando inteiramente sós no vácuo a uma temperatura de zero absoluto, estão continuamente a emitir e a absorver partículas virtuais, ou seja, um protão e um electrão são considerados como centros de actividade constante rodeados por um mar de partículas virtuais com as quais continuamente interagem. Essa interacção é detectada como efeito Zitterbewegung no caso do modelo QED, e como efeito Casimir no caso do modelo SED.

Uma vez que há essa interacção das partículas atómicas com a Z.P.E., assume-se que as energias das órbitas atómicas são por ela influenciadas. Sendo que a energia da Z.P.E. no passado era menor do que é no presente então, podemos assumir que a energia das órbitas atómicas também eram menores e, portanto, as transições atómicas menos energéticas.

Se a energia das órbitas atómicas é quantificada, apesar da energia da Z.P.E. aumentar de forma contínua, os átomos só absorveriam energia quando o aumento de energia da Z.P.E. atingisse um determinado patamar. Nesse momento, todos os átomos do Universo reagiriam de igual modo absorvendo da Z.P.E. um determinado “quantum” de energia. Ou seja, entre os saltos quânticos, os átomos não seriam capazes de absorver energia, daí os desvios para o vermelho se apresentarem em Concha Quântica. O aumento de energia da Z.P.E. não afecta os átomos até que seja atingido um determinado nível, altura em que todos os átomos reagem simultaneamente.

Assim, no passado, as galáxias emitiriam energia em c.d.o. maiores (transições atómicas menos energéticas), dado que a energia da Z.P.E. era menor. Com o decorrer do tempo, as galáxias mais antigas e as mais recentes emitiriam radiação de maior energia (desvio para o vermelho menor), uma vez que a energia do vácuo Z.P.E. também é maior. No entanto, para as galáxias mais longínquas e porque a luz que delas é emitida demora tanto tempo a chegar até nós, continuamos a ver o seu espectro como ele era num passado remotíssimo: mais desviado para o vermelho.

Para alguns críticos do modelo do Big Bang, se o universo se está a expandir de forma contínua, e se o desvio para o vermelho fosse devido a essa expansão, então os espectros das galáxias deveriam variar de forma contínua com a distância das mesmas à Terra. Ao invés disso, verifica-se que os desvios para o vermelho encontram-se quantificados, isto é, são múltiplos de uma dada quantidade básica que é de 2,68 Km/s.

A quantificação do desvio para o vermelho, apesar das evidências de observação, nunca foi aceite pelos astrónomos.

Explicações Alternativas para a Radiação Cósmica de fundo.

• A aceitação de um universo estacionário parece ser uma explicação mais óbvia e simples. A radiação cósmica de fundo é resultado da temperatura do meio inter-galáctico. Se todo o hélio observado foi produzido nas estrelas, a energia libertada por estas seria a adequada para gerar a radiação cósmica de fundo observada.
• Eric Lerner, propôs uma outra alternativa. A radiação cósmica de fundo de 2,73º K é resultado do nevoeiro de plasma filamentoso que enche o espaço. Em 1990, Lerner encontrou evidências desse nevoeiro de plasma filamentoso, na atenuação em 15 % da intensidade original dos sinais de rádio e microondas emitidos por galáxias distantes, a cerca de 100 milhões de anos-luz. Como resultado da absorção e emissão continuadas dessas rádios emissões, esse plasma filamentoso deveria emitir uma radiação térmica equivalente a um corpo negro a 2,73ºK. Os raios cósmicos seriam os principais “fornecedores” de energia desses filamentos de plasma.

Procurámos, nesta série de artigos, fazer um resumo dos principais aspectos da teoria do Big Bang e dos modelos alternativos mais conhecidos. O futuro dirá se os defensores do Big Bang estão certos ou se, pelo contrário, alguma das teorias que hoje são rejeitadas pela maioria dos cosmólogos tomarão o seu lugar.

Também não é de excluir a hipótese de que uns e outros estejam desastrosamente equivocados, o que não seria a primeira vez que tal acontece na história da ciência. Se assim for, resta-nos esperar pela próxima geração de cosmólogos porque a actual não deverá querer abrir mão do que considera ser a sua verdade.
Até lá, está decidido e fica lavrado em acta que o Cosmos e tudo o que nele está contido, vive, respira e tem o seu ser, deverá obedecer às leis e teorias que alguns, poucos, mas iluminados seres de uma espécie onde o intelecto dá os primeiros passos, determinaram que seja.

Fernando Nené
Licenciado em Microfísica e em Engenharia

Bibliografia:
Genesis of the Cosmos – Paul A. LaViolette
Cosmology and the Big Bang – David Pratt
Black Holes tear Logic apart
• Did the Universe have a Begining? – Tom Van Flandern http://www.metaresearch.org/cosmology/cosmology.asp
Black Holes/Big Bang: a Debate – Aard Bol; David Pratt
The Vacuum, Light Speed, and the RedShift – Barry Setterfield
• http://www.plasma-universe.com/index.php/Plasma-Universe.com; http://www.youtube.com/watch?v=vm3N71iJJzA&feature=related (Cosmology in Crisis I and II)
• http://www.haltonarp.com/articles

Cosmogénese Ocultista (de que se falará numa 2ª parte deste artigo, no número seguinte da Biosofia):

A Doutrina Secreta – Helena Petrovna Blavatsky
Fountain Source of Occultism – G. de Purucker
O Universo Autoconsciente – Amit Goswami
O Homem, Deus e o Universo – Taimni
Deuses, Mónadas e Átomos – Aquarian Theosophist Dez. 2005
Biosofias nºs 4, 5, 10, 15, 16, 18, 20, 25…

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