Tiphereth

Tiphereth é o pretexto, na letra “T”, para introduzirmos o tema da Cabala e da Árvore da Vida. É, na verdade, não mais que uma introdução, porque o assunto, pela sua revelância, pelo mundo imenso de significados e implicações que comporta, pelas múltiplas interligações que permite, justificaria por si só um volumoso livro.

 

A Árvore da Vida

A Árvore da Vida é um “compêndio de ciência, psicologia, filosofia e teologia” 1.

 

É um esquema diagramático tanto do Macrocosmo, como do Microcosmo, ou seja, das forças, dos poderes, das ideias motrizes e das fases operantes na formação do Universo, seu desenvolvimento e direcção (macrocosmos); das coordenadas, dos níveis de experimentação, vivência e iniciação da alma humana, dos seus condicionamentos, caminhos de evolução e estruturas de suporte e ampliação da consciência e dos poderes de criação e entendimento (microcosmos).

 

Esta correlação entre o grande e o pequeno cosmos, conforme um princípio axial do hermetismo, é (porque formativa) predominantemente descendente, ou seja, do Alto para baixo, na hierarquia dos Planos ou da ontologia do Universo (macrocosmos); e é (porque fomentadora da evolução da consciência individual) predominentemente ascendente, quer dizer, de baixo para o Alto, na hierarquia dos níveis de polarização do ser humano (microcosmos).

 

A Cabala

A Árvore da Vida é uma síntese notável, fundamental e fundamentadora de muitos aspectos essenciais da ciência cabalística. Tradição multimilenar, a Cabala é, num sentido mais próximo e restrito, o conhecimento secreto do Judaísmo, que em algumas das suas expressões influenciou (ou mesmo conformou) muito do Cristianismo, e nele irrompeu, em várias fases da civilização europeia, nomeadamente como uma das forças motrizes da Renascença (em vultos tais como Pico della Mirandola e Marsílio Ficino). Num sentido mais amplo, contudo, a Cabala, extravasando além do Judaísmo – que a refere aos marcos simbólicos e iniciadores de Abraão e Moisés –, tem as suas raízes em fontes caldaicas, egípcias e, muito provavelmente, em última instância, da velha Índia. E, assim, confunde-se, senão como sinónimo absoluto, ao menos como uma das suas expressões matriciais, com o Conhecimento Sagrado, a Tradição Oculta, a “Sabedoria de todos os tempos e lugares”.

 

É o que afirma, nomeadamente, Helena Blavatsky: “O cabalista é o estudante da ‘ciência secreta’, aquele que interpreta o significado oculto das Escrituras, com a ajuda da Cabala simbólica, e expõe o seu verdadeiro significado através desses meios.

 

Os Tanaïm foram, entre os judeus, os primeiros cabalistas; surgiram em Jerusalém no início do séc. III antes da era cristã. Os livros de Ezequiel, Daniel, Enoch e o Apocalipse (ou Revelação) de São João são puramente cabalísticos.

 

Esta doutrina secreta é idêntica àquela dos caldeus e inclui ao mesmo tempo uma grande parte da sabedoria persa ou ‘magia’.

 

A história colhe alguns vislumbres de cabalistas famosos após o séc. XI. As épocas medievais e também o nosso próprio tempo tiveram e têm um número enorme de homens doutos e intelectuais, que eram e são estudantes da Cabala. Os mais célebres entre os primeiros foram Paracelso, H. Kunrath, Jacob Boehme, Robert Fludd, os dois Van Helmont, o abade João Trithemius, Cornélio Agrippa, o Cadeal Nicolau Cusani [Nicolau de Cusa], Jerónimo Cardan, o Papa Sixto IV, e sábios cristãos tais como Raimond Lully, Juan Pico della Mirandola, Guilerme Postel, o esclarecido J. Reuchlin, o Dr. Henry More, Irineu Filaleto ou Philalethes (Thomas Vaughan), o erudito jesuíta Atanasio Kïrcher, Cristian Knorr (barão) de Rosenroth; mais tarde, Sir Isaac Newton, Leibniz, Lord [Francis] Bacon, Spinoza etc., até formar uma lista quase interminável. Segundo faz Notar Isaac Myer, na sua Qabbalah, as ideias dos cabalistas influenciaram poderosamente a literatura europeia. Baseado na Cabala prática, o abade de Villars (sobrinho de Montfaucon) publicou, em 1670, a sua famosa novela satírica intitulada O Conde de Gabalis, sobre a qual Pope baseou o seu Rape of the Lock [A mecha de cabelo roubada]. Os poemas da Idade Média, o Romance da Rosa, os escritos de Dante, estão todos impregnados de Cabalismo. Não há, contudo, dois autores que concordem sobre a origem da Cabala, do Zohar, do Sepher Yetzirah, etc.. Alguns dizem que a Cabala é proveniente dos patriarcas bíblicos, de Abraão e até de Seth; outros acreditam que é proveniente do Egipto e outros ainda da Caldeia. Tal sistema é certamente muito antigo, porém como todos os demais sistemas, sejam religiosos ou filosóficos, a Cabala deriva directamente da primitiva Doutrina Secreta do Oriente, através dos Vedas, Upanichads, de Orfeu e Thales, Pitágoras, e dos egípcios. Qualquer que seja a origem da Cabala, a sua parte fundamental é, de qualquer modo, idêntica a todos os demais sistemas, desde o Livro dos Mortos até aos últimos gnósticos” 2.

 

Em sentido parcialmente idêntico, escreveram A. Franck 3, Manly P. Hall 4, Thomas Inman 5, Leonora Leet 6, Dion Fortune 7, Julius Evola 8 ou Humberto Álvares da Costa 9.

 

Gershom Scholem, um erudito e conceituado estudioso de Cabala, aparenta defender um conceito bastante mais restrito. Afirma, por exemplo: “Desafortunadamente, ao analisar a origem e os primeiros estágios da Cabala, há que prescindir por completo da obra cabalística mais volumosa do século XIII, o Zohar, quer dizer, do conjunto de escritos que este inclui. Tem-se proposto com frequência (…) que este libro contem em parte, ainda que numa redacção ou revisão posteriores, textos de uma grande antiguidade (…). No capítulo do meu livro As Grandes Tendências da Mística Judaica, em que trato este ponto, expus os resultados de um grande e minucioso trabalho de investigação sobre essa obra, e demonstrei que não há, infelizmente, nenhuma base para supor que o Zohar contenha textos antigos. Toda a obra pertence ao último quartel do século XIII (…). Até aos nossos dias se fazem esforços para ressaltar elementos antigos de um ou outro tipo mas estes não resistem à análise filológica…”10. Entretanto, tal conclusão não exclui a hipótese de que no Zohar 11 constem ideias e conceitos de grande antiguidade 12, perpetuados de forma oral ou disseminados por escritos diversos. Em todo o caso, G. Scholem não nega, pelo contrário, que a Cabala seja muito anterior ao século XIII, incluindo outro texto fundamental, o Sepher Yetzirah 13 – que o mesmo autor situa, algures, entre o século II e IV d.C. (havendo versões que afirmam uma maior antiguidade). 

A Estrutura da Árvore da Vida

O hieróglifo da Árvore da Vida, como se pode ver na figura I, integra dez (mais um, como veremos) círculos ou esferas dispostos por três colunas ou pilares verticais, estando aqueles unidos por todas as linhas que entre eles é possível traçar. Os círculos são as Dez Sephiroth (plural de Sephirah) Sagradas, e as linhas entre elas constituem os Caminhos, que perfazem o total de vinte e dois. Os cabalistas costumam afirmar que cada Sephirah é, por sua vez, um Caminho, o que os leva a referir o número de trinta e dois (logo mencionados, de resto, no início do Sepher Yetzirah).

 

As esferas ou Sephiroth são macrocósmicas, enquanto os caminhos são microcósmicos. Nas palavras de Dion Fortune, “Cada Sephirah… representa uma fase de evolução e, na linguagem dos rabinos, as Dez Esferas recebem o nome de Dez Emanações Sagradas. Os Caminhos entre elas são fases da consciência subjetiva, os Caminhos ou graus (do latim gradus, ‘degrau’), através dos quais a alma desenvolve a sua compreensão do cosmo. As Sephiroth são objetivas; os Caminhos são subjetivos” 14.

 

A Cabala ensina um processo cosmogónico de emanações. Cada Sephirah emana da que antecede, sem que esta, pela sua relativa superabundância, perca nada em tal processo; cada Sephirah contém potencialmente as que se lhe sucedem, num processo de desdobramento sucessivo.

 

Os Três Pilares

A Coluna do meio, da Suavidade ou do Equilíbrio, tem no seu topo Kether (a Coroa), nela se enfileirando ainda Tiphereth (Beleza), Yesod (Fundação) e, na sua base, Malkuth (o Reino) – e também, antes mesmo de Tiphereth, a Sephirah oculta de Daath (Conhecimento), há pouco mencionada e de que trataremos adiante.

 

O Pilar da direita, da Misericórdia ou Clemência, encimada por Chokmah (Sabedoria), passa por Chesed (Amor) e culmina em Netzach (Vitória). É o Pilar Masculino, da Vida, da Qualidade Subjectiva, da Sabedoria Interior e Vivencial. Primeira diferenciação de Kether (a Existência das Existências), Chokmah é o impulso que pode chegar a fecundar, é Abbah, o Pai Supremo.

 

Binah (Inteligência Objectiva, Entendimento, Compreensão), diferenciando-se, por sua vez, de Chokmah (como Eva de Adão, segundo o Genesis), é a Mãe Superior, que apresenta dois aspectos: Immá, a Mãe Estéril e Obscura (a Matéria por fecundar), e Aimá, a Mãe Fértil Brilhante (a Matéria permeada pela vida fecundadora que emana de Chokmah). Estão aqui subjacentes as distinções, das escolas orientais, entre Mûlaprakriti e Prakriti, Avyakta e Viakta, Akasha e Alaya, correspondendo respectivamente a Immá e Aimá.

 

O Pilar da Esquerda, que procede de Binah é, pois Feminino, de Sophia (a Sabedoria Criadora e da Criação, a Sageza, a Prudência), chamada Ela à esquerda pelos Gnósticos; é a Coluna da Forma, com a sua limitação disciplinadora, por isso justificando o nome de Coluna do Rigor, da Ordenação e da Justiça. Nela se sustentam ainda Geburah (Força, Severidade) e Hod (Glória, Esplendor).

 

As Colunas da Direita e da Esquerda – de Jaquin e de Boaz, respectivamente, no simbolismo do Templo de Salomão, tão caro à Maçonaria –, conquanto opostas, são ambas necessárias ao Universo e ao ser humano. É através do seu equilíbrio que progredimos. Ciência (Binah) sem Vivência do Bem (Chokmah) é estéril; mas Entusiasmo (de Chokmah; note-se que em “Entusiasmo” há o sentido etimológico original de “ter Deus no interior”) sem Leis e sem Ordem – sem o espelho objectivo que permita aferir e fundamentar a validade de cada iniciativa ou afirmação – é perigoso e tantas vezes ilusório, frágil e contraproducente.

 

Esta contraposição direita / esquerda é, porém, microcósmica. Mas, se usarmos a árvore para “representar o Microcosmo, isto é, o nosso próprio ser, devemos dar-lhe as costas, de modo que o Pilar Medial se equipare à espinha [dorsal], o Pilar que contém Binah, Geburah e Hod corresponda ao lado direito do corpo, e o Pilar que contém Chokmah, Chesed e Netzach, ao lado esquerdo”15. Lembremos que a Árvore deve ser entendida predominantemente no sentido descendente, quando se trate da compreensão do Macrocosmos; e predominantemente em sentido ascendente, em se tratando do Microcosmos. Assim, ela “tem uma representação no corpo humano quando descemos (Árvore de Queda) e outra inversa quando subimos (Árvore de Ascensão), isto é, a mão esquerda na Ascensão é do Rigor, mas na Descida é da Misericórdia”16.

 

A Existência Negativa

Entretanto, ainda além de Kether, e do triângulo das três (Sephiroth) Supremas – cujos outros vértices são Chokmah e Binah – temos o campo do Imanifestado. Kether é a primeira de uma série de causas, é o primeiro exsurgimento no domínio de um Cosmos. O Imanifestado está além de todas as séries. É um Para-Cosmos, aparente Caos para a nossa compreensão relativa. É inefável ao entendimento humano, que de Ele (ou, talvez melhor, de Isso) só pode saber que É.

 

Na Cabala, toma-se como ponto de partida – o ponto no círculo imaculadamente branco – Kether, o centro sintético, o gérmen da expansão, o primeiro impulso do Cosmos (de um Cosmos…). Sobre ele, contudo, pendem os chamados “Três Véus da Existência Negativa”, correspondentes a três Planos de Imanifestação (havendo quatro Planos de Manifestação). São eles Ain, Nada ou Negatividade; Ain Soph, a Ilimitação; e Ain Soph Aur, a Luz Ilimitada. Este último, é já o nível de onde desperta a manifestação, a exteriorização, isto é, onde se concentra e de onde desperta e exsurge Kether.

 

 

As Sephiroth e o Raio Luminoso

A Coroa, Kether é, pois, a primeira Sephira. É a Existência das Existências, o Ancião dos Dias, o Um manifesto, o Ponto Primordial, a origem do Poder, o Primeiro Motor e o Primeiro Adão, o Homem Celestial. É a Luz Interna. Como Coroa, suscita naturalmente a alusão ao Sahamsara, o chakra coronal, o Lótus das Mil Pétalas. Também como Coroa – que é aberta – ou (noutro dos seus títulos), a Cabeça que não Existe 17, é um nível-momento de passagem (como o Primeiro Logos) desde o Sempre Oculto, Transcendente e Incognoscível para a existência fenomenal, um canal por onde flui a brilhante Energia-Substância-Consciência primordial (Daiviprakriti, como se designa no Bhagavad Gîtâ) – correspondendo ao Bindu do hinduísmo 18.

 

Depois do impulso inicial da criação, desenvolve-se uma sequência desde a primeira Sephirah (ou recipiente), passando por oito etapas, para se resolver, finalmente, na décima Sephira, chamada Malkuth ou Reino, situada na parte mais baixa do pilar central.

 

Este desenvolvimento primário pode comparar-se com uma oitava musical de a , onde cada nota realiza uma função particular ao interagirem as emanações entre forma e energia, tal como o expressam os pilares esquerdo e direito da Árvore da Vida.

 

Esta progressão denomina-se Raio Luminoso, porque baixa fazendo zig-zag pela Árvore. Começando em Kether… flui até Chokmah… onde se manifesta como uma poderosa dinâmica em cima da coluna activa… depois cruza até Binah…”19.

 

Deste modo, Chokmah, a Sabedoria, a Inteligência Iluminadora, o Esplendor da Unidade (pois constitui a primeira diferenciação de Kether), é o grande Estimulador ou Galvanizador do Universo, o Dador da Vida. É “a esfera de energia pura… mais além de toda a forma, diferença ou distinção”20. É a ideia-semente 21. Potência masculina, activa, é o segundo Adão.

 

O outro pólo – o Feminino – em que Kether se diferencia, é Binah, a primeira Sephirah organizadora e estabilizante, a Forma primeira que recebe, constrange e disciplina a Força. Embora seja a outra “divisão polar” de Kether, sai, por sua vez, das entranhas do Segundo Adão – no sentido de que emana de Chokmah 22. É a raiz primordial da Matéria Cósmica (como Pradhana para a Filosofia Sâmquia), Matéria que atinge o seu máximo desenvolvimento em Malkuth. Potência Feminina, passiva, receptiva, a Mãe Superior, Binah, é a Dadora Primeva da Forma que permite a existência objectiva e circunscrita, que por ser limitadora, simultaneamente permite o desenvolvimento da Auto-Consciência (só no espelho da forma material o Ser subjectivo toma consciência de si mesmo), como vem a ser a Dadora da Morte (que só na Forma existe). É neste equilíbrio Vida/ Morte, Masculino/ Feminino, Positivo/ Receptivo, o Pilar da Misericórdia / o Pilar da Severidade, que se processa toda a manifestação Universal. Em Binah (correspondente a Sarasvatî, Sophia, Atena, Minerva) está a fonte tanto da Sabedoria Criadora quanto do Conhecimento Objectivo e Verdadeiro; em Binah estão as Leis Regentes do Universo, e está o fundamento da Ciência Universal.

 

É sobremaneira importante notar que Chokmah é chamada Reshit, Princípio. Por sua vez, Elohim é o Nome Divino em Binah. Ora, o Genesis bíblico começa com a frase “No Princípio (BeReshit) os Elohim criaram…”. Este Princípio é o da Sabedoria, e não um temporal início. Permanece discutida a questão de saber se Elohim é o sujeito ou o complemento directo de “criar”…23.

 

 

Kether, Chokmah e Binah constituem oTriângulo Supremo, Arquetípico ou Criador.

 

Entre as Três Supremas – e mais imediatamente, entre a bipolaridade Chokmah-Binah – e o par Chesed-Geburah (que com Tiphereth formam o Triângulo seguinte, Ético ou Intermédio) encontra-se o Abismo, que separa o Rosto Imenso da Face Menor (ver Infra); é aí que se encontra a misteriosa Sephirah Invisível ou Oculta, de que os cabalistas tanto evitam falar – Daath, Conhecimento. “Representa no homem o ponto em que ele não apenas sabe mas é aquilo que ele conhece 24. Nesse instante é quando a sua individualidade se desvanece e pode chegar a experimentar – ou não-experimentar – a união com a Divina Kether” 25. Macrocosmicamente, Daath representa a união, num terceiro elemento, de dois pares diferenciados, Pai/ Mãe, Activo/ Passivo (Receptivo), Chokmah/ Binah.

 

Chesed, a Misericórdia ou Compaixão, é a força organizada (por ter fluído através de Binah) e construtiva, é a Inteligência Coesiva, o Amor, que preserva e continua a obra do Pai (Chokmah), levando de um plano de abstracção até um de maior concreção, ainda que não descendo abaixo do nível das Ideias Arquetípicas – em todo o caso, uma maior objectivação do que o simples jorro criador de Chokmah.

 

Sephirah benigna e inspiradora – a esfera de Júpiter –, Chesed é equilibrada, no Pilar oposto (o Feminino ou do Rigor), por Geburah, a esfera marciana da Força e da Severidade. É o guardião da Misericórdia, pelo Temor (Pachad) que infunde. É, aqui, a coragem de fazer a única Guerra Sagrada, pela Verdade e pela Justiça, depurando tudo quanto é nocivo, maléfico e ilusório – mesmo quando se aparente como real e benéfico. Tal significa também controlo, sacrifício e paciência.

 

Em Chesed (também denominada Gedulah: Grandeza) é possível o contacto real com os grandes Mestres do Espírito; em Geburah, está a aprendizagem (tão difícil!) da discriminação entre a visão verdadeiramente inspirada – o toque do divino – e as ilusões aparentemente luminosas e tantas vezes de subtilíssima distinção. A argumentação e a fundamentação sólidas, rigorosas, exigentes têm aqui o seu lugar; e, de outro modo, voltam a surgir em Hod, mais abaixo, na mesma Coluna.

 

Se o vício (por excesso ou desvirtuação) de Geburah pode ser a tirania, a crueldade ou a insensibilidade, as suas virtudes são totalmente necessárias: “Há um momento em que a paciência se toma fraqueza, desperdiçando o tempo do melhor homem, em que a misericórdia se torna uma loucura e expõe o inocente ao perigo (…) Onde quer que haja algo que tenha sobrevivido à sua utilidade, Geburah deve brandir a sua faca de poder; onde quer que haja egoísmo, este deve ser traspassado pela ponta da lança de Geburah; onde quer que exista violência contra a fraqueza, ou o uso impiedoso da força, é a espada de Geburah, não o orbe de Chesed, que é o neutralizador mais eficaz; onde quer que haja preguiça e desonestidade, o flagelo sagrado de Geburah é necessário” 26.

 

Tiphereth, que equilibra Chesed e Geburah – com elas formando o Triângulo Ético ou Intermédio – é a Beleza, a Inteligência Mediadora (e Redentora), a entrega ao Serviço Sagrado, o Filho, o ponto de ligação entre o divino e o humano, o espiritual e o temporal, o centro de onde promana a inspiração para as grandes obras da Humanidade. “É o mais elevado estado de consciência de que o homem é capaz, enquanto continua a ser um homem”27. É o lugar de onde se encarna, mergulhando nos mundos temporais, mas também onde se ascende misticamente. Por conseguinte, é o centro de redenção e de consagração, o centro crístico (e de crucificação) dos deuses solares e salvadores do mundo sacrificados. Esfera solar, Tiphereth é o coração da Árvore da Vida, o seu centro, como o Sol o é do seu Sistema. Podemos aqui constatar a comutação entre a Terra e o Sol, entre o heliocentrismo e o geocentrismo, astrológica e astronomicamente. Tiphereth, estando no centro, é o Sol, não obstante, na ordem dos planetas em correlação com as Sephiroth, ou seja, Saturno-Binah, Júpiter-Chesed, Marte-Geburah, Vénus-Netzach, Mercúrio-Hod (28), esta pudesse ser a esfera da Terra. Mas, aqui, temos um outro ponto de vista, que não o puramente astronómico 29.

 

Tiphereth é a Sephirah dos oito caminhos, a única que se liga a oito Sephiroth (somente não tem ligação com Malkuth).

 

É importante termos em conta a noção de que a Coluna Central da Árvore é a da consciência, que se polariza através do equilíbrio das tendências opostas – activa/ passiva, estimulante/ selectiva – das duas Colunas laterais. Kether, a potencialidade e o núcleo da consciência; Daath, a consciência/ conhecimento espiritual (conhecer e ser, como vimos); Tiphereth, a consciência individualizada, na descida (“queda”), e a consciência mística, na ascensão; a consciência psíquica de Yesod; e a consciência cerebral-sensorial de Malkuth, são os seus grandes marcos niveladores. Também como Sephiroth centrais, Daath e Tiphereth são transformadoras: “Tiphereth tem que ver com o descobrimento do Ser, enquanto que Daath é o ponto onde essa identidade se desvanece no vazio da consciência cósmica, antes da união com Kether”30.

 

Tal como o Abismo, onde se situa Daath, separa as três Supremas das restantes Sephiroth (“as sete abaixo”), o mesmo sucede no nível de Tiphereth com o Véu do Templo (Paroketh), marcando uma fronteira de consciência relativamente ao Triângulo inferior. É bem curiosa a expressão “Véu” do Templo, se recordarmos que Tiphereth é o centro crístico, e o lugar da Crucificação na Árvore. Encontraremos um sentido, que não poderia ser o literal, para a alusão evangélica (Mateus, 27: 51; Marcos, 15: 38; Lucas, 23:45) ao rasgar do véu do Templo de Jerusalém, depois da morte de Cristo-Jesus, crucificado.

 

Nesta esteira, se assimilarmos a Trindade Cristã à Árvore da Vida, Kether corresponde ao Pai, Tiphereth ao Filho, e Yesod ao Espírito Santo.

 

O Triângulo Astral, Mágico ou Formador é constituído por Netzach, Hod e Yesod.

 

Na base da Coluna da Misericórdia está Netzach, Vitória, a esfera venusiana dos instintos e das emoções, dos desejos e dos sentimentos, da embriaguez dionísica e artística, do psiquismo astral. “Aqui encontramos a natureza trabalhando, criando, sempre construindo e logo dissolvendo…”31. A emanação de Ser-Vida que transborda de Tiphereth “parte-se na Sephirah Netzach, como num prisma, em diversos raios de manifestação; daí provém a descrição yetzirática dessa Sephirah como ‘o esplendor refulgente’”32.

 

Em Hod, a Glória, na Coluna Masculina, vai-se escolher, cingir, conformar entre o turbilhão de Netzach. Hod é estruturante em termos cognitivos. Recolhe, selecciona e transmite a informação – devido a tal acção, já organizada em termos mentais-lógicos. Temos novamente os dois pólos: força (Netzach – a força vital da Natureza) e forma (Hod – a forma mental organizada).

 

Yesod, o Fundamento, está na base deste Triângulo. É a esfera lunar 33, da Luz Astral. É o médium através do qual a mente pode actuar na objectividade material, tal como a mente é o meio através da qual o Espírito se pode manifestar nos planos psíquicos e físicos. É a galeria das memórias da Natureza, bem como de todas as acções, tanto físicas como psicológicas, que nela se imprimem como imagens. Constitui como que a oficina ou a maquinaria do Universo, permitindo a consumação de cada ideia ou qualidade (positiva ou negativa, isto é, um vício). Yesod é “o receptáculo das emanações de todas as outras Sephiroth… e o único transmissor dessas emanações a Malkuth”34, a última Sephira.

 

Apensa à Árvore, da qual decaiu, está Malkuth, a esfera terrestre e, no homem, o corpo físico. É a Sephirah inferior, a porta da morte, a porta das lágrimas – e, não obstante, recordando um axioma cabalístico: “em Kether está Malkuth e Malkuth está em Kether”. De resto, é nas circunstâncias mais difíceis ou adversas – a encarnação no veículo físico ou, noutro exemplo mais lato, numa Kali-Yuga, Idade Negra ou do Ferro – que, pelo maior atrito e resistência, mais se progride, do mesmo modo como é através do treino duro que o atleta se melhora. Sendo o nível de maior afastamento, é também o do início do retorno: de acordo com a doutrina cabalística, “o Relâmpago Brilhante, alcançando o seu ponto terminal em Malkuth, é substituído pelo simbolismo da Serpente da Sabedoria, cujas espirais sobem pelos Caminhos até que a sua cabeça repouse atrás de Kether. O Relâmpago Brilhante representa a descida inconsciente da força, que edifica os planos de manifestação e passa do activo ao passivo, retomando ao ponto de partida para que o equilíbrio possa ser mantido. A Serpente que se enrosca nos Caminhos representa a aurora da consciência objectiva, e é o símbolo da iniciação; no Caminho trilhado pelos iniciados, que estão sempre à frente da sua época, a evolução se põe em marcha, conduzindo consigo a raça como um todo. É agora normal para o homem comum fazer o que apenas os iniciados costumavam fazer”35.

 

Malkuth, o Reino, é o ponto de maior estabilidade. O dinamismo cessou e prevalece a inércia.

 

É a Mãe Inferior, porque é a Forma na sua maior densidade, como Binah, a Mãe Suprema, o é na sua condição mais arquetípica.

 

Entretanto, da substância deste plano material inferior depende imediatamente a actividade produtora de Formas que é característica de Yesod (do mesmo modo como de Yesod depende a vida que há em Malkuth). Em última instância, Malkuth depende de todas as outras Sephiroth, e as emanações de todas estas, finalmente, se juntam e corporizam em Malkuth. No topo da Árvore da Vida, Kether é uma síntese; na sua esfera derradeira, Malkuth é outra síntese. Uma é potência, a outra é acto consumado.

 

O Rosto Imenso e o Rosto Menor

A Malkuth são atribuídos os epítetos de Noiva e Rainha. Isto pode ser melhor entendido, se lembrarmos que Kether recebe o título de Arik Anpin, o Rosto Imenso ou Macroposopos, que se manifesta também em Chokmah e Binah (um em três ou uma tri-unidade). É o Universo puramente espiritual-abstracto. As seis emanações seguintes – Chesed, Geburah, Tiphereth, Netzach, Hod e Yesod – formam Zaur Anpin, a Face Menor ou Microprosopos, cujo núcleo é Tiphereth. É o Logos Manifestado, o Filho. Malkuth é a Noiva de Microprosopos. Sendo Tiphereth o Rei (Melekh), o seu Reino é a esfera de Malkuth, por isso também denominada Rainha. Com a união, em Yesod, de Tiphereth e Malkuth, esta é reassumida na Árvore.

 

A Personalidade e os níveis da Anima

Podemos considerar que as quatro Sephiroth inferiores formam a Personalidade ou Eu Inferior. Esta, manifestação parcial (e temporal) do Eu Superior, constitui-se pela força do desejo (Kâma ou Tanhâ) encarnativo, que atrai um raio de Manas (o Mental), assim constituindo o Kâma-Manas, o núcleo de cada personalidade. É curioso, por isso, ver como na Árvore da Vida, Netzach, a Sephirah mais conectada com o emocional-desejo, surge antes de Hod (mais mental…), servindo-lhe de estimulante. Acrescem os níveis vitalizadores e da objectividade física, representados em Yesod e Malkuth.

 

Afigura-se-nos, por outro lado, que a Alma Espiritual corresponde a Chokmah-Binah, com assento em Daath; a Alma Humana, a Chesed-Geburah, com assento em Tiphereth; a Alma Temporal, a Netzach-Hod, com assento em Yesod.

 

 

As Qliphoth

 

A esfera de Malkuth chega até ao inferno das Sephiroth negativas, adversas, malignas, que são chamadas Qliphoth (plural de Qliphah). Constituem a acção desequilibrada, excessiva, seja num sentido ou noutro (excesso de actividade ou de resistência), das Sephiroth positivas, o seu reverso. Há assim uma Qliphah para cada Sephirah.

 

As Qliphoth, entretanto, volvem-se matéria caótica, desorganizada, “cascas” que virão a ser utilizadas para revestir Inteligências Espirituais: “o Demónio é o anverso e capa de Deus”, conforme um antigo eufemismo. Tudo, neste mundo, tem o seu pólo oposto, mesmo que em latência.

 

Os Quatro Mundos

 

Os cabalistas referem-se a quatro mundos de manifestação: Atziluh, o Mundo (Olam) da Emanação, Divino ou Arquetípico, composto por Kether; Briah, o Mundo da Criação, composto por Chokmah e Binah; Yetzirah, o Mundo da Formação, composto pelas seis Sephiroth de Chesed a Yesod; Asiah, o Mundo Material ou da Acção, representado por Malkuth (que, para todos os efeitos, só existe vivificada ou animada por Yesod). Compare-se, e faça-se a equivalência com Isaías, 43: 7: “A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória, os formei, e também os fiz36.

 

Por seu turno, cada Sephirah tem uma natureza quádrupla; têm, cada uma, o seu próprio ponto de contacto com cada um dos Quatro Mundos.

 

A este propósito, escreveu Dion Fortune: “… as Dez Sephiroth Sagradas figuram em cada Mundo Cabalístico num outro arco ou nível de manifestação; assim como Ain Soph Aur, a Luz Ilimitada do Imanifesto, concentra um ponto, que é Kether, a as emanações operam em sentido descendente, através de graus progressivamente maiores de intensidade, até alcançar em Malkuth; assim Malkuth, em Atziluth, dá origem a Kether de Briah, e assim consecutivamente através dos planos, o Malkuth em Briah dando origem a Kether de Assiah, e o Malkuth de Assiah, em seu aspecto inferior, confinando com as Qliphoth” 37.

 

Septenários

 

Apesar dos problemas que tal tem suscitado, é possível conjugar o esquema da Árvore Cabalística com as divisões septenárias dos Princípios Humanos – dos patamares da Consciência individual – e dos Planos Universais, tão amplamente disseminadas, e uma vez mais reafirmadas por Helena Blavatsky e pelo Movimento Esotérico Contemporâneo.

 

Assim, usando a nomenclatura teosófica, o nível de Kether estaria para Âtman; o nível de Chokmah-Binah, para Buddhi (ou Buddhi-Âtman; note-se que os planos, como os veículos, se interpenetram); o nível de Chesed-Geburah, para o Manas Superior (ou Buddhi-Manas); Tiphereth, para o Antahkarana; Netzach-Hod para o Kâma-Manas; Yesod, para o Prâna e o Linga-Sharîra, seu veículo (que, também na Vedanta, são juntamente considerados no Prânamayakosha); Malkuth, para o Sthûla-Sharîra, o corpo físico.

 

No Vol. I de A Doutrina Secreta, Helena Blavatsky coliga os sete globos da Cadeia Planetária com as sete Sephiroth inferiores: Geburah com o Globo A; Hod com o Globo B; Yesod com o globo C; Malkuth com o nosso Globo D; Netzach com o Globo E; Tiphereth com o Globo F; Chesed com o Globo G 38.

 

Adicionalmente, as dez Sephiroth estão distribuidas por sete Palácios, assim chamados. No Primeiro Palácio, estão as três Supremas, enquanto Yesod e Malkuth se encontram no Sétimo Palácio. As outras cinco Sephiroth encontram-se, cada uma, num dos Palácios intermédios.

 

Tríadas

 

Ao longo deste artigo, temos mencionado várias tríadas.

 

Outras, todavia, têm sido apontadas, nomeadamente:

 

Tríada das Raízes: Kether, Chokmah e Binah;

 

Tríada da Ética, da Consciência Moral ou das Escalas de Valores: Chesed, Geburah e Tiphereth;

 

Tríada da Memória ou do Despertar: Tiphereth, Netzach e Hod;

 

Tríada do Templo de Ânimo: Netzach, Hod e Yesod:

 

Tríada da Inserção no Mundo: Netzach, Hod e Malkuth;

 

Tríada Mística: Kether, Chokmah e Tiphereth;

 

Tríada da Inovação: Chokmah, Chesed e Tiphereth;

 

Tríada dos Sentimentos: Chesed, Tiphereth e Netzach;

 

Tríada da Lógica: Hod, Yesod e Malkuth 39.

 

Os Caminhos

 

Já acima referimos que, frequentemente, se alude a cada uma das Sephiroth como Caminhos. Além destas dez, e agora na sua acepção mais significativa, cada Caminho representa a conquista do equilíbrio entre as duas Sephiroth que une, o que inclui não só o que é comum a ambas mas também a sua posição na Árvore, e o Triângulo ou Triângulos com que se relaciona 40. Todos os caminhos se traduzem em experiências e aprendizagem; são fases da consciência subjectiva, e o trilhar de cada um deles representa a conquista de degraus na evolução. Na figura II podemos observar esses vários caminhos. Vale a pena aqui referir que mesmo o 26º, o 25º e o 24º Caminhos representam, quando sobre eles se alcança domínio, um muito importante nível de progresso.

 

O trabalho “prático” possível a partir do esquema da Árvore da Vida, como esquema meditativo e de desenvolvimento evolutivo, é muito vasto e variado. Percorrer e alcançar maestria sobre os Caminhos, implica muitas coisas, decorrendo em parte da espôntanea aprendizagem obtida a partir das experiências perante as quais a vida nos coloca, mas, também, de diversas práticas deliberadas, algumas simples ou relativamente simples, outras requerendo a compreensão de diferentes símbolos e suas corespondências e interligações. Infelizmente, não faltam propostas simplistas e selvagens que de pouco valem ou que podem mesmo representar impecilhos e, pior ainda, a abertura de portas de alienação e ilusão.

 

Em todo o caso, não vamos entrar aqui pelos domínios da Cabala prática, no sentido mais formal da expressão. Entretanto, há um valor imenso – e imensamente prático – na compreensão do sistema cosmogónico, psicológico e meditativo da Árvore da Vida, que é o de interpretar as grandes coordenadas do Universo, as causas subtis por detrás dos efeitos visíveis e palpáveis, os grandes equilíbrios que a tudo sustentam e encaminham ordenadamente, e assim entendermos aquilo que necessitamos de conquistar e suprir para em nós mesmos reproduzirmos essa Ciência das Proporções.

 

José Manuel Anacleto

 

Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

 

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 1 Dion Fortune, A Cabala Mística (Ed. Pensamento, São Paulo), 1984. pág. 15.

2 Glossário Teosófico, Ed. Ground, São Paulo.

3 Cfr. La Kabbala – La Filosofia Religiosa de los Hebreos, Editorial Humanitas, Barcelona, 1990, pp. 264 e ss.

4 Cfr. The Secret Teachings of All Ages, Philosophical Research Society, Los Angeles, 1928, p. 358.

5 Ancient Pagan and Modern Christian Symbolism, Trübner & Co., Londres, 1975, pp. 23-4.

6 The Universal Kabbalah, Inner Traditions, Rochester, Vermont, 2005.

7 Cfr. op. cit., p. 7.

8 Escreveu, por exemplo: “Já nos Vedas e nos Upanixades encontramos a ‘Árvore do Mundo’, às vezes invertida, para significar que ‘no alto’, nos ‘céus’, reside a origem da sua força. (…) No Irão, voltamos a encontrar a tradição de uma árvore dupla, uma das quais contém, segundo o Bundahesh, todas as sementes, enquanto a outra é capaz de proporcionar a bebida da imortalidade (haoma) e a ciência espiritual; o que nos leva a pensar imediatamente nas duas árvores bíblicas do paraíso, uma da Vida e outra, precisamente, da Ciência. A primeira converte-se depois, em Mateus (XIII, 31-32), na figura do reino dos céus, que surge da semente lançada pelo homem no seu simbólico ‘campo’; encontramo-la mais tarde no Apocalipse de João (XXII, 2) e sobretudo na Cabala, como ‘a grande e potente Árvore da Vida’, donde nos ‘chega a Vida desde o alto’ e com a qual se relaciona uma ‘orvalhada’ em virtude da qual se produz a ressurreição dos ‘mortos’: equivalência evidente com a força da imortalidade do amria védico e do haoma iraniano. A mitologia assírio-babilónica tem também uma ‘Árvore Cósmica’ radicada em Eridu, a ‘Casa da Profundidade’, chamada igualmente ‘Casa da Sabedoria’”. (A Tradição Hermética, Edições 70, Lisboa, pp. 19-20).

9 Cfr. Biosofia nº 7, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000, pp. 20-26.

10 Los Orígenes de La Cabala, Paidós, Barcelona, Buenos Aires, 2001, pp. 21-2.

11 Sepher Zohar – O Livro do Esplendor. É um grande tratado cabalístico, escrito na forma de comentários sobre a Torah.

12 O Zohar foi publicado no século XIII, em Espanha, por Moses de León que, porém, o atribui a Simeón Ben Jochai (Shimon bar Yochai), Rabino do século II.

13 Sepher Yetzirah – O Livro da Criação, é um dos textos fundamentais da tradição cabalística.

14 Dion Fortune, op. cit., p. 35.

15 Idem, p. 49.

16 Humberto Álvares da Costa, Biosofia nº 7, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2001; p. 41.

17 “… a Coroa não é a cabeça mas repousa nela e sobre ela”. Dion Fortune, op. cit. p. 41.

18 Bindu – “O ponto-limite a partir do qual começa a manifestação (…) a primeira forma perceptível da natureza não-manifesta” (Alan Danielélou, Dioses y Mitos de la Índia, Atalanta, Girina, 2009; pp. 278 e 326). Também “A imagem do Incomensurável manifesta sob a forma de um ponto ou gota em que o Absoluto ‘concentra’ as potencialidades para um específico Manvantara” (Isabel Nunes Governo, Logos, Devas e Elementais, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2002; p. 70).

19 Z’ev ben Shimon Halevi, Árbol de la Vida – Una Introducción a la Cábala, Editores y Distribuidora Yug, México, DF, 6ª ed., 1999; p. 35.

20 Eduardo Madirolas, El Camino del Árbol de la Vida, Equipo Difusor del Libro, Madrid, 2005; Vol. I, pp. 65-6.

21 Idem, p. 74.

22 Podemos aqui vislumbrar um sentido, que não o literal, para as frases do Genesis, 2:21-2: “Entäo o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adäo, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão”.

23 Eduardo Madirolas, op. cit., p. 66.

24 Encontra-se nesta expressão uma definição perfeita da Intuição Espiritual e do verdadeiro Conhecimento (Buddhi).

25 Z’ev ben Shimon Halevi, op. cit., p. 46.

26 Dion Fortune, op. cit., p. 149.

27 Stephan Hoeller, The Royal Road, Quest Books, The Theosophical Publishing House, Wheaton, 1975; p. 33.

28 Temos ainda a relação de Yesod com a Lua, e de Malkuth com a Terra. Chokmah é referido a todo o Zodíaco.

29 Referimo-nos mais alargadamente a esta questão no nosso livro Alexandria e o Conhecimento Sagrado, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2008, pp. 685 e 710-715.

30 Z’ev ben Shimon Halevi, op. cit., p. 51.

31 Idem, p. 23.

32 Dion Fortune, op. cit., p. 181.

33 … do Arcanjo Gabriel, alegadamente o inspirador de Maomé e do Corão, o livro sagrado da Religião simbolizada pelo Quarto Crescente.

34 Dion Fortune, op. cit., p. 211.

35 Ibidem, p. 226.

36 Humberto Álvares da Costa, op. cit, p. 24.

37 Op. cit, p. 55.

38 Pág. 239; Ed. Pensamento, São Paulo, 1973.

39 Jaime Villarubia, Diccionario Numérico Cabalístico Hebreo-Castellano, Escuelas de Mistérios Ediciones, Barcelona, 2004, pp. 337-8

40 Z’ev ben Shimon Halevi, op. cit., p. 102.

 

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