Génese da Terra e do Sistema Solar

 “… Saído das profundezas da Existência Una, do inconcebível e inefável Um, um Logos, impondo-se um limite, circunscrevendo voluntariamente a extensão do seu próprio Ser, torna-se o Deus manifestado e, ao traçar os limites da sua esfera de acção, determina também a área do seu Universo. Dentro de tal esfera nasce, evolui e morre este Universo, que no Logos vive, se move e tem o seu ser. A matéria do Universo é a emanação do Logos, e as suas forças e energia são as correntes da sua Vida. O Logos é imanente em cada átomo, é omnipenetrante. É o princípio (ou origem) e o fim do Universo, a sua causa e objecto, o seu centro e circunferência… Está em todas as coisas e todas estão nele…”

 

Esta loquaz descrição, feita há mais de 100 anos por Annie Besant1 no seu livro Sabedoria Oculta, diz respeito ao nascimento de um Universo no seu sentido pleno, integral, e não apenas ao surgimento de um Universo no Plano Físico (sendo, este, apenas o 7º e último Plano do Septenário Cósmico).

 

No entanto, toda a Acção inaugural criativa neste mesmo Plano é um reflexo da mais abrangente Acção criativa no 1º Plano – o Plano Adi, no sentido etimológico de “primevo” – no início de um Manvantara (período de actividade) Cósmico.

 

Deste Fiat, deste Acto Criativo que, no 1º Plano (o mais elevado), procede do Logos, podemos inferir uma correspondência na Criação do Universo Físico e, neste contexto, o Logos do nosso planeta é por sua vez uma extensão do Logos Solar2, essência da sua Essência, um Raio da sua excelsa Natureza.

 

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1 Este, e alguns outros méritos de Annie Besant existiram de facto, não obstante lastimarmos os erros que cometeu na Direcção da Sociedade Teosófica, em vários aspectos se afastando da profunda e rigorosa instrução de Helena Blavatsky e dos seus Mestres, com consequências nocivas (mesmo que não conscientemente queridas).

2 Na verdade, o Logos é a unidade de todos os poderes criadores ou demiúrgicos actuantes num dado Cosmos.

 

 

 

Nascimento físico da Terra e do Sistema Solar

Sustenta a Ciência que a matriz do Sistema Solar foi uma nebulosa ígnea, magnetizada a partir de um vórtice central, o proto-Sol.

 

Em termos genéricos, esta é também a perspectiva ocultista. Com efeito, diz a Tradição milenar, o Sol e os Planetas tiveram a sua génese a partir de uma nébula de fogo.

 

No que respeita à nossa Terra, no início (nos ciclos de muitos milhões de anos correspondentes à 1ª e 2ª Rondas) havia apenas não mais do que um vórtice ou remoinho energético, que a pouco e pouco se foi tornando ígneo. No limiar da 3ª Ronda já existiria um definido e potente núcleo ardente rodeado de uma névoa espessa e ígnea. Mais e mais, a nébula primitiva foi-se contraindo pela força gravitacional do núcleo e o primeiro esboço de terra firme, o assoalho primitivo, foi então conformado, assumindo-se gradativamente como uma barreira isoladora das altas temperaturas magmáticas do interior.

 

À medida, porém, que esta superfície foi engrossando, tornou-se capaz de conter essas mesmas tumultuosas forças magmáticas crescentemente activas e pressionantes, permanecendo sulcada por numerosos lagos de lava e por vulcões com violentas erupções e emissões constantes de gases. A par disto, no exterior, o caldo denso da atmosfera primitiva, presumivelmente constituída de metano, azoto, amoníaco e dióxido de carbono, ia-se condensando e as suas camadas inferiores e mais pesadas deram lugar ao pré-oceano. Durante largas Idades o elemento aéreo e o aquoso quase se confundiam. No seu seio, a par das bactérias, desenvolveram-se os primeiros rudimentos de formas de vida organizada, gelatinosos e filamentosos. Este foi o berço do universo vegetal e vegetal-animal. Pouco a pouco, os incipientes organismos iniciaram a captação de dióxido de carbono e foram-no transformando em glucose, oxigénio e água… abrindo caminho para a complexidade e multiplicidade das formas biológicas que a Terra foi abrigando.

 

A maturação geológica processou-se por ciclos e durou largos milhões de anos. Sucessivas plataformas continentais seriam revolucionadas e subsumidas em novos engolfamentos de magma projectados para a periferia; contudo, apenas no início da 4ª Ronda sobreveio uma definitiva e radical crise atinente ao processo de expansão e crescimento planetários. Nesse tempo longínquo, desde o interior do planeta tremendas convulsões terão impulsionado o manto e fraccionado a crusta em diversas direcções, dando origem à derivação daquilo que são hoje os actuais continentes.

 

A transmutação dos elementos e as poderosas combustões químicas geradas na forja interna do planeta, fizeram aumentar o volume magmático (proliferado de gases) – à imagem de uma massa de bolo levada à cozedura em forno demasiado forte, expandida aceleradamente, e abrindo gretas na superfície. Por entre as fendas geradas, novas emergências de massa branda tendiam a subir e a preencher os espaços em aberto. Servindo-nos desta imagem, podemos perspectivar que os continentes recém-apartados constituiriam a crosta do bolo por entre os sulcos e fendas abertos, os quais iriam sendo relativamente ocupados por novas massas de lava incandescente que iam solidificando. Alegoricamente, os continentes flutuariam na periferia do planeta agora mais livremente em expansão.

 

Teorias da Pangeia

Sustenta a Ciência que a Pangeia teria sido um enorme e único continente primitivo, que se fragmentou dando origem aos continentes actuais (e sugere e acrescenta que Pangeia era rodeada por um imenso mar global, o Pantalassa).

No entanto, e como pôde depreender-se na descrição deste artigo, aventuramo-nos nós neste ponto a sustentar uma teoria algo em arrepio aos pressupostos científicos vigentes a respeito da formação de uma tal massa continental.

Partilhamos a convicção de que Pangeia existiu de facto. Na nossa perspectiva, porém, um tal continente cobriu a superfície integral do planeta, cuja massa consolidada era então de muito menor dimensão. Somos de opinião que o perímetro da Terra teria cerca de um terço da dimensão actual.

 

Os blocos continentais mantêm ainda, basicamente, os seus contornos primordiais, de tal modo que, se os unirmos, conformando um mosaico único, revelam o cobrimento pleno de uma superfície esférica, cujo perímetro aponta para cerca de 12.500 km – em contraposição dos actualmente verificáveis 40.076.

 

Na realidade, não nos faz sentido uma formação continental restrita a uma só área do Globo (como é o que sustenta a Ciência): nos primórdios da nossa Terra, no cadinho de tremendas forças elementares que então germinavam, a condensação progressiva da nebulosa ígnea foi tomando forma. Uma massa homogénea e esférica foi sendo estabelecida. As forças centrípetas e a sua rotação tendiam a modelar e manter essa homogeneidade. Em contrapartida, as forças centrífugas, de crescimento, igualmente tenderiam à manutenção dessa homogeneidade. Não nos parece crível, pois, a formação isolada de um continente numa extremidade do Globo, como não nos parece crível que a complexa evolução química, elementar, na formação do planeta não fosse acompanhada de um seu amadurecimento e crescimento dimensionais.

 

E, neste ponto, precisamos deixar claro que é da nossa exclusiva responsabilidade a teoria de que Pangeia teria sido um continente único que abrangeria todo o Globo, bem como a necessária co-relação de que a Terra seria muito menor do que é hoje e as ilações daí decorrentes. O Sistema ocultista estabelece as bases e o conteúdo no que respeita às Rondas e Cadeias, no contexto da Evolução planetária e da Antropogénese; as derivações aqui expostas, com todas as suas eventuais falhas e imprecisões, são apenas nossas.

 

 

A extinção dos Dinossauros

A deriva dos continentes foi estabelecida pela Ciência como tendo-se iniciado no final do Triássico, há cerca de 200 milhões de anos atrás – quando a Terra era largamente habitada pelos Dinossauros3. E crê que estes foram extintos há 65,5 milhões anos. Todavia, novas evidências apontam para a continuidade da existência de Dinossauros pelo menos durante o Paleoceno (período consecutivo ao Cretáceo mas cujo final é incertamente estimado pelos geólogos como tendo sido há 55 milhões de anos); descobertas neste sentido foram efectuadas na América do Norte em Hell Creek 4 e no Novo México, bem como na China. Pelo que – tudo indica – este tema controverso da datação da sua extinção, não está ainda definitivamente encerrado.

 

 

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3 A primeira metade da 4ª Ronda da 4ª Cadeia assinala a etapa de maior densidade e concretude na descida evolutiva dos mundos, no nosso Sistema Solar. Julgamos que significativamente, também neste particular parece concordante a característica de densidade morfológica das espécies então existentes.

4 Hell Creek, situada maioritariamente em Montana e estendendo-se aos Estados de Dakota e do Wyoming, é uma formação rochosa acuradamente estudada e datando do início do Paleoceno, onde abundam fósseis de dinossauros, de espécies como o Tyrannosaurus, o Triceratops, o Edmontosaurus, o Hadrosaurus e outros.

 

 

Inclinamo-nos para a hipótese de que estes animais tenham sido a população generalizada da Terra no início da consolidação da 4ª Ronda – até à 3ª Raça-Raiz –, isto é, desde há cerca de 230 milhões de anos até há, talvez, 40 milhões de anos atrás. E consideramos que a deriva continental não tenha constituído um fenómeno único, mas antes, que se tenha dado em diferentes tempos, em crises de maior ou menor envergadura. Porém, que justamente em função da premissa da expansão do planeta, um momentoso cataclismo tenha ocorrido no limiar da 3ª Raça.

 

Julgamos ser esta, por si só, uma plausível razão para a extinção dos grandes sáurios do passado e, na sua sequência, o generalizado povoamento na Terra por animais de muito menor dimensão.

 

No nosso entender, até antes da fragmentação da Pangeia e da expansão exponencial da Terra que lhe seguiu, esta teria uma maior gravidade, pelo que toda a flora e fauna eram de porte gigantesco.5 e 6

 

 

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5 Consideramos que essa expansão foi acompanhada de um aumento de massa, e que este em parte se deve a um processo anabólico dos elementos químicos, que, na sua progressão e transformação em novos elementos, retiram a energia de que necessitam do “substrato etéreo-astral” (– manancial de algo como um plasma subtil e energético que subjaz a todo o universo físico, e o qual não é ou não foi ainda reconhecido pela ciência). Parece-nos ainda provável que, num longínquo passado, a extensão dos limites atmosféricos pudesse ter sido significativamente maior, e que a atmosfera, muito mais densa do que é hoje (com outra composição), tenha sido quase um continuum com o manto e a crusta ainda brandos; que parte desse volume atmosférico e essa homogeneidade relativa tenham dado lugar a definida diferenciação e densificação do manto e da crusta, por um processo osmótico de assimilação e transferência de matéria exógena para o interior da Terra. Por outro lado, e a par disto, também a poeira cósmica que a Terra perpetuamente atravessa (no seu trajecto pelo Espaço sideral, arrastada pelo Sol) vem nutrindo o seu “corpo físico”. (Talvez a este factor se deva o Hemisfério Norte ter mais massa territorial do que o Hemisfério Sul, bem como maior volume de humidade e abundância de neve).

No contexto destas reflexões, é verdade, todavia, que não somos possuidores de elementos seguros que atestem a proporção entre o ganho de massa e o de volume planetários.

 

6 Inclusive no que concerne às primitivas raças humanas, a generalidade das Tradições, Mitos e Religiões do passado (muitas destas, especialmente as mais recentes, permeadas de elementos históricos) se referem ao facto do gigantismo dos (pré-)homens em tempos recuados. Sobre as Raças dos Gigantes, a Grécia teve os seus Titans e Ciclopes; os Hebreus e os Caldeus referiram amplamente os Nephilim, os Giborim, os Izdubars, os Avvim, os Anaquim e Rephaim (entre os quais englobavam os Zuzim, os Emim e os Horim), os Filisteus, as 60 Cidades de Gigantes de Argob, etc (Ver Genesis, Num., Deut., Josué…); no Egipto, os seus textos de execrações mencionavam Ashdod, a terra dos Gigantes; a Índia reportava os Danavas e Daityas; o Sri Lanka, os Râkshasas; os Persas, os Devs e os Mâzan, bem como, na versão do Kawân de Mani, se mencionam nomes de gigantes como Shahmîzâd, Sâm, Narîmân, Barâqîyal, Mâhawai, Virôgdâd, Hôbâbîs…; a mitologia nórdica recolhe da memória colectiva os gigantes Jotun, do mesmo modo que o seu folclore está povoado de menções a trolls e ogres; os Maias tinham os seus titans “bacabob”; os Aztecas herdaram os registos dos seus ancestrais sobre gigantes e compilaram-nos em códices como os Anais de Cuauhtitlán – pelo que tudo isto, decerto, representa pelo menos alguma reminiscência dessa realidade longínqua de gigantismo generalizado.

 

 

 

Este facto, a par dos sucessivos cataclismos de natureza vulcânica libertadores de rios de lava, nuvens imensas de cinzas e gases letais levaria ao fechamento do ciclo da vida de toda a variedade daqueles grandes animais. Em alguns lugares do globo, sobreviveram os antepassados dos crocodilos, eventualmente porque puderam proteger-se na água. Os ancestrais dos grandes cetáceos ter-se-ão igualmente refugiado nos oceanos, adaptando-se progressivamente ao novo habitat.7

 

 

7 Em diferentes locais do globo, os paleontólogos encontraram fósseis de alguns antepassados dos cetáceos, como sejam o ambulocetus natans, o dalanistes, o pakicetus, o rodhocetus kasran, e estabeleceram que estes animais viviam em terra firme entre há 52 e 46 milhões de anos. É curiosa esta datação, uma vez que ela aponta para que, qualquer que tenha sido o evento que os compeliu a uma drástica adaptação a um novo habitat, esse marco terá ocorrido depois. Por outras palavras, um grande cataclismo terá ocorrido há menos do que 46 milhões de anos. O basilosaurus, já transferido e completamente adaptado à vida marinha mas ainda conservando patas, viveu entre há 34 e 39 milhões de anos atrás.

 

 

Presumivelmente, as cíclicas e poderosas emissões de gases para a atmosfera desencadearam reacções químicas em cadeia, fazendo precipitar ininterruptas chuvas torrenciais e contribuindo assim para um significativo aporte nos caudais oceânicos. A Terra deverá ter, de novo, entrado numa idade de penumbra, senão mesmo de trevas.

 

Quando os céus, por fim, se dissiparam, uma nova idade, com marcadamente diferentes condições de vida, teve início na Terra. Nos ares, as primeiras aves puderam estender as suas asas.

 

 

A Lemúria

 

Em resultado da fragmentação da Pangeia iniciou-se a deriva continental. Uma progressão lenta afastou primeiramente um bloco que corresponderia à actual localização do Pacífico. De acordo com os anais ocultistas, com o passar do tempo aí floresceu uma próspera civilização, a que se chamou Lemúria.

 

A civilização da Lemúria (a que corresponde a 3ª Raça-raiz, no Sistema Esotérico) durou cerca de 36 milhões de anos (desde há cerca de 45 milhões de anos até aproximadamente 9 milhões de anos atrás) e veio, por sua vez, a sucumbir num memorável cataclismo de “fogo e água” (tudo indica que vulcânico e sísmico, seguido de maremotos). A Austrália, a Papua Nova Guiné e a Antártida são a parte substantiva desse antigo continente, que no curso das eras “migrou” para sul. A Papua foi elevada (pelas pressões emergentes e continuadas da lava em expansão) e a larga faixa de terra submersa entre essa ilha e a Austrália, pelo menos em parte, corresponderia à porção “engolida pelas águas” mencionada pelas diversas tradições. Nas Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett, nomeadamente, é referido que a 4ª Raça Atlante (fixada posteriormente num lugar situado a meio do Oceano Atlântico) se desenvolveu a partir de um núcleo oriundo do Norte da Lemúria, o qual fora submerso pelas águas.

Curiosamente, verificamos que residem nessa mesma zona do Pacífico, ainda hoje, as forças sísmicas mais tumultuosas do planeta, irradiadas ao largo do chamado Anel de Fogo.8

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8 O Pacífico é actualmente delimitado por margens continentais activas (que correspondem ao Anel de Fogo do Pacífico) sob as quais se afunda uma crusta oceânica em rápida expansão. Nas suas águas foi registada a maior temperatura alguma vez detectada em algum oceano: 404° C, a uma profundidade de 2 mil metros, a cerca de 480 km ao oeste da costa dos Estados Unidos.

 

A Atlântida

Revela a Tradição esotérica que a Civilização Atlante floresceu, teve o seu apogeu e o seu ocaso no decurso de milhões de anos (8,9 milhões de anos), tendo como berço um enorme Continente situado no que é hoje o Atlântico, entre as Américas e a Europa/África, mas (que) igualmente se disseminou pelo Globo.9 O último reduto da Atlântida (a pequena ilha de Poseidon, a mesma a que se referia Platão) afundou há 11.575 anos, de acordo com indicações dadas nas Cartas dos Mahatmas 10. E na Doutrina Secreta 11 podemos ler que a maior parte do Continente atlante (melhor dizendo, as duas últimas grandes lhas da Atlântida – Rutâ e a menor Daitya) submergiu há 850.000 anos atrás (e a primeira vaga de afundamentos terá ocorrido ainda durante o Mioceno).

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9 Sobre a existência da Atlântida, também se pronunciaram convictamente Homero, Platão (de quem nos chegou o mais célebre testemunho, nomeadamente da sua localização – para lá das Colunas de Hércules, actual Estreito de Gibraltar), Sanconíaton, Eurípides, Eudoxo de Cnido, Teopompo, Crantor, Manetho, Diodoro Sículo, Estrabão, Proclo, e outros, para além de diversas fontes orientais. É curioso referir que na língua nauatle (azteca-tolteca) atl significa “água”. Deste étimo se originou atlan, “no meio da água”, e deste provém o adjectivo “atlântico”, das nossas línguas modernas. E isto certamente não era conhecido de Platão (e dos sacerdotes de Saís que o instruíram), ou de Homero ou Sanconíaton, que o precederam. Sobre os Toltecas, devemos lembrar que foram eles um ramo – a 3ª sub-raça – da 4ª Raça-raiz, ou Atlante.

10 Cartas dos Mahatmas a A. P. Sinett, Vol. II, p. 112-13, Editora Teosófica, Brasília, 2001.

11 D.S., Vol. III, págs. 157 e 331.

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É comum vermos contestada pela Ciência a hipótese teórica de poder ter havido um continente numa tal localização. A refutação baseia-se especialmente em que os contornos da Europa e África, por um lado, e das Américas, por outro, são coincidentes, indiciando uma anterior e longínqua unificação, não permitindo assim espaço para a existência de uma outra massa continental no seu seio.

 

No entanto, na perspectiva que aqui expomos, a Atlântida parece encaixar, em perfeita concordância, com o fenómeno de expansão do planeta. É nossa opinião que a Atlântida, sob a forma de um enorme arquipélago, poderá ter surgido neste mesmo preciso lugar por força da colisão de duas grandes fracturas de expansão – a já consolidada fractura ou dorsal meso-atlântica que fez emergir o fundo oceânico, com outra perpendicular e mais recente fractura mediterrânica, a qual começara a fazer divergir a Europa da África. Tamanho choque de “forças de expansão”12 terá suscitado a emergência de nova matéria à superfície das águas, presumivelmente formando uma ilha, ou arquipélago, de consideráveis dimensões. Esse complexo insular localizar-se-ia onde o Mediterrâneo e o Atlântico se encontram, propiciando assim a chegada e posterior fixação migratória do já aludido ramo lemuriano do Norte.

 

A Atlântida, pela sua situação geológica (entre duas fracturas de expansão), esteve sempre sujeita à inclemência da natureza – terremotos, maremotos e grandes erupções vulcânicas. Deveu a essa conjuntura a sua formação, mas também o seu fim.

 

Segundo os geologistas, a fractura mediterrânica encontra-se actualmente inerte ou adormecida, possivelmente (julgamos nós) pela acção estabilizadora do peso das massas continentais Europeia e Africana, que terá possibilitado como que a sua soldadura.

 

É de admitir que a partir do momento em que as duas fracturas de expansão deixaram de se opor, a fractura meso-atlântica continuando activa e mantendo o seu ritmo de expansão terá provocado cíclicos esmagamentos e desgastes nas anteriores formações insulares atlanteanas.

 

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12 Indicativos disso são as formações dos Alpes e Pirinéus, fruto da imensa força de expansão que ali foi exercida. Estas elevações terão sido concomitantes com a formação do Mar Mediterrâneo.

 

 

Perfilhamos a tese ocultista de que os Continentes são palco de consecutivas civilizações (raças-raízes), e que ambos correlacionadamente têm os seus próprios ciclos de manifestação; que a par disto, a Terra vai sendo revolucionada, em cataclismos periódicos de enormes dimensões, submergindo as civilizações que cumpriram o seu ciclo, e renovando os meios para o surgimento de novas manifestações de vida. Rezam as crónicas ocultistas que algumas dessas plataformas continentais rebaixaram e permaneceram submersas, total ou parcialmente, por milhões de anos – tal como aconteceu com o continente africano, do qual apenas o monte Atlas se soerguia acima das águas, como uma ilha, no período Eoceno. O Saara constitui um leito de um antigo mar.

 

 

 

Conclusão

 

Tal como sugere a nossa imagem da cozedura do bolo, com a crosta fendida em diversas direcções…, com a expansão/crescimento do planeta os espaços progressivamente alargados entre os blocos continentais autonomizados, foram sendo sucessivamente preenchidos por mais magma emergente.

 

No curso de longas Idades, essas novas massas continentais, de segunda ordem, iam consolidando a sua superfície, abrigando novas populações, nova flora e nova fauna. Este pode ter sido o caso da enorme plataforma continental atlântica, que se diz ter existido, e do povo que a habitou.

 

E, ainda recorrendo à imagem atrás referida, a massa (de segunda ordem) emergente por entre o alargamento das fendas – a “nossa” Atlântida –, quando o bolo esfria, frequentemente rebaixa, deixando proeminente apenas a crosta que primeiro se formou.

 

Estamos convictos, em conformidade com este quadro, que a Atlântida é não mais do que uma porção da larga faixa dorsal atlântica, quase completamente soterrada, recolhida, no fundo do Oceano. Hipoteticamente, vemos ainda hoje despontar alguns velhos cumes do continente adormecido – os nossos Açores, talvez…

 

Isabel Nunes Governo

e Diogo Gavinho

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