Yin-Yang

A Filosofia Chinesa representa uma das mais poderosas e consistentes tradições mentais. Desde as tradições que se perdem na noite dos tempos, até aos poderosos influxos do Taoísmo e do Confucionismo, e abarcando ainda as características que localmente o Budismo adquiriu, contém um grandioso acervo de importantes ensinamentos, com uma especificidade própria, que torna injusta a sua arrumação pura e simples num bloco indistinto de Filosofia Oriental. Na verdade, há mesmo quem a considere mais distante das Filosofias Indiana e Grega (ambas) do que estas se diferenciam entre si 1. De qualquer modo, justifica a sua inclusão nessa tríade maior.

 

Uma das suas formulações axiais é a da bipolaridade Yin-Yang, com todas as suas decorrências.

 

O símbolo do Yin-Yang é uma representação bem ilustrativa do pensamento Chinês antigo. O círculo externo representa o todo, enquanto o Yang (“branco”) e o Yin (“negro”), entrelaçados, expressam a dualidade de cuja relação, de cujos movimentos, de cujas mutações (modulações e alternâncias), de cujas naturezas se constituiu tudo quanto existe e resultam todas as coisas e acontecimentos. Em tudo estão presentes o Yin e o Yang, (embora) em diferentes combinações e proporções, como “modos funcionais do Qi” 2. O Qi é a substância-energia-vida de que é composto tudo o que existe.

O Yang é activo, expansivo, criador, destruidor, brilhante/luminoso, diurno, consciente, ígneo, quente, seco; o Yin é passivo, contractivo, conservador, formador, obscuro, nocturno, inconsciente, aquoso, frio, húmido.

Yang é masculino, Yin é feminino. Na sequência desta última asserção, podemos estabelecer a correspondência de Yang com Purusha (Espírito, Consciência) e de Yin com Prakriti (Matéria, Substância) – lembremos que Purusha é “o que tem atributos masculinos” e Prakriti “o que tem atributos femininos”. Ao fazermos esta afirmação, não esquecemos que, na Filosofia Samquia, Purusha permanece como Testemunha imóvel (inactiva, dir-se-ia) do mundo cambiante (activo, poder-se-ia sustentar) de Prakriti. No entanto, ainda aí, é Purusha que activa, fecunda, empsiquica Prakriti (“O Yang chama, o Yin responde”); e a acepção em que é empregue nesse sistema é somente uma das várias utilizações ou sentidos do termo Purusha.

Yin e Yang são dois em um ou, também, dois e um. A Unidade que os engloba, que os-embraça-no-seu-abraço é o Tai-chi (o grande princípio – ou princípio supremo ou derradeiro), que é assim a fonte das mutações ou alternâncias cíclicas. Por seu turno, o Tai-chi pode ser contrastado com o Wuji (o ilimitado, o infinito; segundo o pensador Chu Hsi 3, o princípio derradeiro do não ser 4,5; o universo primordial, ainda antes deste universo em particular).

Esta distinção entre o Tai-Chi e o Wuji equivale, estamos convictos, ao contraste entre o Tao nominado e o Tao inominável (entre a Unidade Manifestada e o Absoluto; entre o Um e o Zero), que encontramos logo no início do Tao Te King 6:

O Tao que se procura alcançar não é o próprio Tao; o nome que se lhe quer dar não é o seu nome adequado. Sem nome, representa a origem do universo; com um nome, torna-se a Mãe de todos os seres”. (“As dez mil coisas nascem a partir do que existe [e tem nome]
E o que existe nasce do que não existe [e não tem nome])”.

Os estudantes de Esoterismo e de Teosofia reconhecerão aqui o contraste entre a) o Absoluto e b) o Logos; entre a) Parabrahman e b) Mûlaprakriti e o (Primeiro) Logos que nele desperta.

Indefinível 7, Inefável, fundo sem fundo 8, o Tao da Sabedoria Arcaica da China representa “a Lei Imutável” 9, a natureza, a raiz, o fundamento e o caminho de tudo, mas não pode ser confundido com o Deus dos teístas, que em última instância a Filosofia Oculta não acolhe – antes indicando os complexos problemas, conflitos e equívocos que em muitos aspectos gerou. Se em escritos de teor esotérico fundamentado surgir a palavra Deus, ela refere-se à natureza essencial ou radical, aos Princípios mais elevados do Cosmos ou do Para-Cosmos (seja esse Cosmos um magno Universo, um homem, um átomo ou qualquer outra unidade de ser) ou, alternativamente, às colectividades dos poderes demiúrgicos operantes (e nos quais, à escala, todos participamos, porque o Universo está sempre a ser co-edificado, mantido e dirigido num eterno devir, por todos os seres que o integram). A identificação por vezes feita entre o Tao e Deus (como já aconteceu com Brahman e até com Buda) é provavelmente bastante indesejável 10.

Sim, totalmente ao contrário da “conversa” sobre os desejos (!!!) de (um suposto) Deus, é bem melhor, a propósito do que mais importa, referir que: “Aquele que sabe, não fala. Aquele que fala, não sabe” (Tao Te King, 56).

Num parêntesis, devemos ressalvar que Confúcio, como se pode verificar nos Analectos 11, não desenvolveu a noção de “um princípio inominável, informe, eterno, subjacente a todos os fenómenos, o conceito metafísico dos Taoistas. O Tao de Confúcio é o Caminho que todos os homens bons e sábios trilham e sempre trilharam ao esforçarem-se por conformar as suas vidas com a vontade do céu (…) que todos os homens de carácter nobre devem procurar seguir ao longo das suas vidas (…) caracterizado pelo amor, a rectidão, a conveniência e a sabedoria. É o caminho da reciprocidade (shu) e da lealdade (chung) nas relações humanas. É seguido com perfeita sinceridade (ch’êng) e conduz à harmonia (ho)” 12. Trata-se, afinal, de mais um exemplo do contraste entre o enfoque predominantemente de Ética Social do Confucionismo e a subtilíssima metafísica do Taoismo.

Com a sua profundidade e capacidade de expressar o que é essencial, escreveu a fundadora do movimento Esotérico-Teosófico contemporâneo: “… no princípio não havia nada mais do que o Espaço ilimitado e infinito. Tudo quanto vive e é, dele nasceu, do Princípio que existe por si mesmo, desenvolvendo-se de si mesmo, isto é, Svabhâvat. Por ser desconhecido o seu nome e insondável a sua essência, os filósofos o denominaram Tao (Anima Mundi), a incriada, inata e eterna energia da Natureza, que se manifesta periodicamente. A natureza, tal como o homem, quando alcança a pureza, alcança o repouso, e então tudo chega a ser uno com Tao, que é a fonte de toda a bem-aventurança e felicidade” 13.

A divisão do (ou melhor, no Tao) gerou Yin e Yang – dois opostos mas complementares. Só com dualidade existe dialéctica, atrito e geração, produzindo as “dez mil coisas” que há no mundo. Segundo o Livro do Imperador Amarelo 14, “O Céu foi criado pela concentração de Yang, a força da luz; a Terra foi criada pela concentração de Yin, a força da escuridão 15”. Yin e Yang dão origem aos chamados Cinco Agentes ou Elementos (bem conhecidos dos que se interessam pela Medicina Chinesa Tradicional 16) – Fogo, Água, Madeira, Metal e Terra –, “todas as forças materiais que, confinadas e fixadas pela natureza física, ‘são diferenciadas em coisas individuais, cada uma com a sua própria natureza’, e contendo o Grande Princípio Derradeiro” 17.

A síntese de todos os “filhos do Cosmos” está figurada em Pangu (ou P’na-ku), que surge da relação entre Yang e Yin, dos quais é Filho. No esquema, de síntese universal, apresentado por Helena Blavatsky em A Doutrina Secreta 18, a correspondência será: Tai-Chi, Primeiro Logos; Yin-Yang, Segundo Logos; Pangu, Terceiro Logos. É certo que, na mesma obra 19, a insigne autora correlaciona Tai-Chi com Parabrahman; entretanto, subtilíssima é a distinção entre Parabrahman e o Primeiro Logos, como ela de resto deixou várias vezes expresso, não sendo de estranhar que, não se mencionando Wu-ji, se apresente Tai-Chi como equivalente de Parabrahman.

Após 18 000 anos de gestação, Pangu sai do Ovo primordial (correspondente ao Hiranyagarbha hindu). (…) A parte luminosa do Ovo, então quebrada, que tinha a natureza de Yang, eleva-se para se tornar o Céu; enquanto a parte mais pesada, de Yin, desce para tornar-se a Terra. Pangu mantém o céu e a terra afastados (sem o que tudo voltaria, precocemente, à indiferenciação, ao caos), sendo, ao mesmo tempo, o elemento de mediação entre ambos, visto que a sua cabeça toca o céu e os seus pés assentam na terra. Os dias e as noites (os diferentes Pralayas ou Manvantaras…) alternam conforme Pangu tem os olhos abertos ou fechados, expressão simbólica muito feliz e sugestiva… Também, na Índia, nas Leis de Manu [1: 9-13], algo de semelhante se pode ler: ‘Neste ovo, o abençoado permaneceu um ano [cósmico…] inteiro; então, por ele próprio, pelo esforço do seu pensamento, ele dividiu o ovo em dois’” 21 e desses dois fragmentos fez o céu e a terra.

À luz da Tradição Esotérica, é impossível não relacionar os 18 000 anos do mito referido com os cerca de 18 000 000 anos decorridos desde o despertar da centelha mental na Humanidade por acção dos (alguns) Agnishvattas 22 – os Kumaras 23. Haverá aqui, deste modo, uma alusão ao resultado (o Filho) da existência universal: o erguer de seres sencientes, que cheguem a ser auto-conscientes (subsumindo-se, depois, a sua consciência individual adquirida numa consciência global – ensina a Sabedoria Esotérica).

As Duas Almas

A referência vulgar a “Alma”, sem nenhum qualificativo, remete para um conceito vago, indeterminado. Nas diversas tradições espirituais bem informadas, há sempre a noção de uma pluralidade de almas (quer dizer, de níveis anímicos): dois, três ou sete. No ensinamento Teosófico original, diferenciam-se a Alma Espiritual (Buddhi-Âtman), a Alma Humana (Buddhi-Manas) e a Alma Temporal (Kâma-Manas) 24, 25. Lembremos também as três Almas ou três “partes” da Alma de Platão: a Alma Racional, a Alma Irascível e a Alma Concupiscente; as sete Almas da espiritualidade egípcia arcaica 26; Mânomayakosha, Vijnânamayakosha e Anandamayakosha da Vedanta; Daenam (Conhecimento – voltado para o mundo externo), Baodhas (Consciência) e Urnaem (Alma Espiritual), no Mazdeísmo 27; Neshmash, Ruach e Nephesh na Cabala; o Corpo espiritual e o Corpo Psíquico de Paulo, o Apóstolo Cristão (I Coríntios, 15: 44-5); os vários níveis (ou tipos) da Mente referidos pelos Budistas (que, aliás, evitam falar de “Alma”) até à Natureza de Buddha 28, etc, etc, etc.

Constatamos a presença desse conhecimento na espiritualidade Chinesa, com a distinção entre o p’o, que pertencia à categoria Yin, uma alma corporal; e o huen, de natureza yang, uma alma pneumática, espiritual, que (depois da morte), separando-se da alma do Yin “tinha um destino etéreo, ascendia ao céu, onde ocupava um lugar conforme ao seu estatuto hierárquico…” 29, como “espírito (shen”) ou antepassado (“zu”) 30.

 

Correspondências do Yin-Yang na Filosofia Grega

 

É deveras interessante verificar como o conceito de Yin-Yang e outros coligados estão presentes (como é óbvio, sob terminologias diferentes) na cultura Ocidental, nomeadamente na Filosofia Grega.

 

No que sabemos do pensamento de Heraclito, essa presença é especialmente evidente. É bem conhecida uma frase em que o “filósofo do fogo” se referia à Harmonia dos Contrários, dizendo: “Eles não compreendem como, separando-se, podem harmonizar-se: harmonias de forças contrárias, como o arco e a lira” 31. Também, segundo o testemunho de Aristóteles na Ética a Nicómaco, terá declarado que “o contrário é convergente” e que “das coisas discordantes surge a mais bela harmonia” 32. A similitude com a complementaridade dos opostos polares Yin e Yang é bastante clara.

 

Já vimos, que há um movimento contínuo de – e entre – estas duas energias (Yin e Yang), alternando-se como o dia e a noite, o fluxo e o refluxo, a inspiração e a expiração, a contracção e a expansão, o pequeno e o grande, o frio e o quente. De modo semelhante, sustentava Heraclito: “O frio torna-se quente, o quente frio, o húmido seco e o seco húmido” 33.

 

Adicionalmente, a concepção de Heraclito segundo a qual todas as coisas fluem como um rio – e que se voltarmos ao rio, nem ele nem nós já somos os mesmos porque tudo é mudança constante – é igualmente bem próxima das noções que encontramos no Tao Te King ou no I Ching.

 

A figuração do Yin-Yang também não pode deixar de ser evocada a propósito de Pitágoras, que afirmava algo como: “a Natureza é feita de um sistema de relações ou de proporções matemáticas produzidas a partir da unidade (o número um e o ponto), da oposição entre os números pares e impares… de tal modo que essas proporções e combinações aparecem para os nossos órgãos dos sentidos sob a forma de qualidades contrárias: quente-frio, grande-pequeno, seco-húmido, áspero-liso, claro-escuro, duro-mole, etc.” 34.

Sendo Yang a unidade, e Yin o Binário 35, note-se ainda que, para Pitágoras, o número dois (como outros números pares) era feminino e representativo da Matéria (Mater…Maya…Prakriti…Yin). O 2 é símbolo da dualidade e da possibilidade de dar à luz o(s) Filho(s).

Correspondências do Yin-Yang no Hermetismo

 

A analogia (identidade fundamental) entre a formulação Chinesa do Yin-Yang e os Princípios Herméticos é deveras flagrante – de resto, apesar de mais habitualmente contextualizado em termos geográficos, o Hermetismo é um ensinamento Universal 36.

 

Com efeito, de tão manifesta, é desnecessário comentar a presença dessa similitude em dois Princípios Herméticos, que reproduzimos em seguida:

 

Princípio das Polaridades:

 

Tudo tem duplo; tudo tem pólos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza mas diferentes em grau; os extremos tocam-se; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados. (Os opostos polares constituem os dois aspectos ou faces de uma mesma realidade).

 

Princípio do Género:

 

O Género está em tudo. Tudo tem o seu princípio masculino e o seu princípio feminino 37.

 

Recordemos ainda a Lei dos Ciclos ou do Ritmo, outro princípio Hermético fundamental:

 

Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem as suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação.

 

De igual modo neste caso, encontramos uma analogia com a alternância de Yang e Yin, de luz e sombra, de vida e morte, de dia e noite, de tempo para a semente desaparecer, morrer e apodrecer na terra escura, e para germinar, crescer, florescer e frutificar à luz do Sol. Compreender a Lei dos Ciclos, implica entender as mutações do Cosmos e “deixar fluir” – não por preguiça ou nesciência mas por compreensão e identificação com o pulsar da vida.

 

José Manuel Anacleto

Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

 

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1 Cfr., nomeadamente, Chakravarthi Ram-Prasad, Eastern Philosophy, Weinfeld & Nicolson, Londres, 2005.

2 Joseph A. Adler, Religiões da China, Edições 70, Lisboa, 2002; p. 60.

3 Chu Hsi ou Zu Xi (1130-1200) foi um autor importante no contexto do pensamento da China, tendo liderado a Fraternidade Tao-hsüeh (Escola do Princípio ou Compreensão do verdadeiro Caminho), movimento Neoconfucionista. Defendeu a importância de gewu, a investigação das coisas. Teve também seguidores no Japão e na Coreia. Para mais desenvolvimentos, cfr., por exemplo, Peter Watson, Ideas – Historia Intelectual de la Humanidad, Crítica, Barcelona, 1ª ed. 2006, p. 494-5.

4 Tradução por nós adoptada de “The Ultimate of Nonbeing”, expressão utilizada, supomos que adequadamente, por Ben-Ami Sharfstein, em A Comparative History of World Philosophy – from the Upanishads to Kant, State University of New York Press, Albany, 1998; cfr. p. 288.

5 Defendia também Chu Hsi que todas as coisas têm o seu princípio próprio, o seu Princípio Derradeiro: “Quando consideradas separadamente, elas tornam-se vários princípios, mas quando as dez mil coisas são consideradas colectivamente, essas dez mil coisas estão fundidas (“merged”) umas nas outras e são apenas um Grande Princípio Derradeiro” (cfr. Ben-Ami Sharfstein, op. cit., p. 289).

(6) Todas as frases do Tao Te King citadas neste artigo são extraídas da publicação da Editorial Estampa, Lisboa, 2ªed, 1977.

7 “O Tao é aquilo que não é para ser determinado mas sim para ser seguido”. Chakravarthi Ram-Prasad, op. cit., p. 46.

8 “O Tao é como um vaso / Que o uso jamais enche. / Assemelha-se a um abismo, / Origem de todas as coisas do mundo. (…) Parece muito profundo, / parece ser eterno. / Filho não sei de quem, deve ser o antepassado dos deuses”. (Tao Te King, 4).

9 Murillo Nunes de Azevedo, O Pensamento do Extremo Oriente, Ed. Pensamento, S. Paulo, 9ª ed., 1993, p. 315.

10 … pelo menos neste tempo de muito maior liberdade e disponibilização de informação sobre diferentes tradições espirituais. No tempo e nas circunstâncias de Leibniz, podemos compreender e até elogiar o esforço por ele feito em Discurso sobre a Teologia Natural dos Chineses (em Português, conhecemos a edição da Colibri, Lisboa, 1991), valorizando uma Filosofia Religiosa diferente do Cristianismo.

11 Os Analectos são integrados pelas respostas de Confúcio a perguntas que lhe foram colocadas por discípulos, príncipes, ministros. As questões e aforismos são em número, deveras significativo, de 432, chave essencial das grandes cifras cronológicas. Em língua Portuguesa, conhecemos as edições da Editora Pensamento, da Editora Unesp e da L&PM Editores.

12 D. Howard Stern, Chinese Religions, Weidenfeld and Nicolson, Londres, 1968; p. 38; ver também p. 72

13 Helena P.Blavatsky, Glossário Teosófico, Ed. Ground, S. Paulo; p. 676.

14 O tratado de acupunctura do Imperador Amarelo é uma prestigiadíssima obra baseada na filosofia do yin e do yang e nos cinco elementos. É constituído por diálogos entre aquele Imperador (Huang Di) e o seu ministro e médico Ch’i Po. O referido Imperador terá reinado de 2698 a 2599 a.e.c.! Não obstante, sustenta-se que o texto, pelo menos o que chegou até nós, será dois milénios posterior a esse tempo.

15 Obviamente, e como decorre do que antes foi apresentado, o termo “escuridão”, neste contexto, não tem conotação de nocividade.

16 As implicações do Yin-Yang e dos cinco elementos são axiais na Medicina Tradicional Chinesa. A saúde, tanto física como psíquica, depende do correcto equilíbrio entre o Yin e o Yang. Muitas das enfermidades do ser humano contemporâneo são consequência de uma congestão de Yin.

17 Ben-Ami Sharfstein, op. cit., p. 290.

18 Ed. Pensamento, S. Paulo, 1973; Volume I, p. 83.

19 A Doutrina Secreta, op.cit., Vol. IV, p. 124.

20 As subtilezas de graduação em níveis de tão formidável abstracção (cuja ponderação, contudo, exercita a nossa mente superior e intuitiva) são imensas e desafiam até os melhores esforços terminológicos (conquanto necessários, pois todas as ciências e saberes têm uma linguagem). Por exemplo, o Mahatma Morya antepõe a Parabrahman… Para-Parabrahman (“ainda além de Parabrahman” ou “ainda além de ainda além de Brahman”) – cfr. Cartas dos Mahatmas para A. P.Sinnett, Ed. Teosófica, Brasília, 2001 (ver, nomedamente, Vol. I, p. 203). De modo semelhante, no Ocultismo Zoroastriano, ainda além de Zrvane Daregho-Khodate (o Círculo do Tempo), é Zrvane Akerna (a Duração Ilimitada (cfr. o excelente livro de B. P. Wadia, The Zoroastrian Philosophy and Way of Life, Theosophy Company, Bombaim, 1964, pp. 8 e 14). Há ainda quem anteponha AHU a Zrvane Akerna (cfr., por exemplo, Phiroz Tavaria, The Zoroastrian Occult Knowledge, Parsee Vegetarian & Temperance Society e Zoroastrian Rahih Society); mas tal parece-nos de duvidosa fundamentação.

21 José Manuel Anacleto, Alexandria e o Conhecimento Sagrado (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2012); p. 166.

22 Agnishvattas – Os nossos ancestrais solares. Uma Hierarquia Criadora, também designada por “Senhores da Chama”, “Filhos da Mente”, “Filhos do Fogo”, “Pitris Solares”, “Lhas Superiores”, etc. Tendo passado pela etapa humana, são mestres com e no fogo da mente.

23 Os Kumaras integram a Hierarquia Criadora referida na nota anterior, tendo uma especial relação com a nossa Humanidade, como verdadeiros “progenitores do homem interior”.

24 Remetemos, designadamente, para o nosso artigo “Alma”, publicado no nº 13 da Biosofia (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2002).

25 Já agora, mencione-se que Rudolf Steiner, o pai da Antroposofia, assinalava a Alma da Consciência (plenamente espiritualizada), a Alma do Intelecto e a Alma Sensitiva (cfr. designadamente, o seu livro Teosofia, Dominus Editora, São Paulo, 1966, pp. 23 a 41. Por seu turno, Max Heindel aludia à Alma Consciente, à Alma Intelectual e à Alma Emocional (cfr. Conceito Rosacruz do Cosmos, Alfa-Ómega, Lisboa, 3ª ed., 1981; ver pp. 80 a 82. Neste livro, entre outros elementos, beberam-se influências tanto da Teosofia Original de Helena Blavatsky, como do início da segunda geração da Sociedade Teosófica de Adyar, i.e., Annie Besant e C. W. Leadbeater).

26 Ver José Manuel Anacleto, Alexandria e o Conhecimento Sagrado, op. cit., pp. 51-2.

27 Esta distinção tem assento no Zend Avesta (Yasna 26: 5).

28 Acerca disto, ver, por exemplo: The Seeker’s Glossary of Buddhism, The Corporate Body of The Buddha Educational Foundation, Taipei, Taiwan, pp. 77 a 80, 362-3, 468 a 475; Philippe Cornu, Dictionnaire Encyclopédique du Bouddhisme, Éditions du Seuil, Paris, 2001, pp. 38-9, 79-80, 141 a 143, 581 a 584; Paulo Borges, Descobrir o Buda, Âncora Editora, Lisboa, 2010, pp. 33 a 77; André Bareau, O Buda – Vida e Ensinamentos, Editorial Presença, Lisboa, 2ª ed., 2000, pp. 104-5.

29 Historia de las Religiones, Vol. III – Las Religiones Antiguas, direcção de Henry-Charles Puech, “La Religion de la Antigua China”, Max Kaltenmark, p. 319 (editora Siglo XXI, Madrid e México D. F., 4ª ed., 1984).

30 Joseph A. Adler, op. cit., p. 62.

31 É o Fragmento 51 de Heraclito, segundo a clássica ordenação de Diels; cfr. Heraclito – Fragmentos Contextualizados, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 2005, p. 85, e Los Filósofos Presocráticos, Obras, Vol. I, Editorial Gredos, Barcelona, 2007, p. 226).

32 Fragmento 8. Cfr., nos livros identificados na nota anterior, pp. 47 e 223, respectivamente.

33 Fragmento 126. Cfr. pp. 137 e 227 dos livros identificados na nota 31.

34 http://www.coladaweb.com/filosofia/a-filosofia-grega

35 Cfr. Eliphas Levi, Dogma e Ritual de Alta Magia, Ed. Pensamento, S. Paulo, 7ª ed., 1955; p. 76.

36 Um Grande Mestre Espiritual, o Mahatma Koot-Hoomi, assim escreveu: “… a Filosofia Hermética é universal e não sectária, enquanto que a Escola Tibetana sempre será considerada por aqueles que a conhecem pouco (se é que dela conhecem algo) como mais ou menos tingida de sectarismo. Quanto à primeira, ao não aceitar nenhuma discriminação de casta, cor ou credo, nenhum amante da Sabedoria Esotérica pode pôr objecção alguma ao nome (…). A Filosofia Hermética adapta-se a todas as crenças e a todas as filosofias e não se choca com nenhuma. É o oceano sem limites da Verdade, o ponto central de onde flui e onde coincide cada rio, assim como cada corrente – tanto a sua origem esteja no Este, como no Oeste, no Norte, como no Sul. E, assim como o curso do rio depende da natureza da sua bacia, assim também o canal para a comunicação do Conhecimento deve adaptar-se às circunstâncias que o rodeiam. O Hierofante Egípcio, o Mago Caldeu, o Arhat, o Rishi empreenderam outrora a mesma viagem de descoberta e chegaram, por fim, à mesma meta, ainda que por distintas trajectórias” (Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett, op. cit., Vol. II, pág. 257).

37 Para maiores desenvolvimentos, ver, nomeadamente: José Manuel Anacleto, Alexandria e o Conhecimento Sagrado, op. cit., pp. 421-3 e 433-4); Três Iniciados, O Caibalion, Ed. Pensamento, S. Paulo, 1978; Humberto Álvares da Costa, As Sete Leis Fundamentais, STP, Lisboa, 1997; Radovan Nedelkovitch, Le Manifeste Theosophique, Edição de autor, Le Chesnay, 1982, Vol. I, pp. 83-85.

 

 

 

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