Nascimento da Terra e Surgimento dos Primeiros Seres – Uma Perspectiva

Este artigo é uma perspectiva teórica pessoal, fruto de longas reflexões alimentadas e fermentadas por um estudo de três décadas dedicado às Ciências Esotéricas, mormente a Teosofia. Não objectiva ser rigoroso em termos de datações, apenas conjectura em traço largos e genéricos a sucessão de acontecimentos tão longínquos como foram os da aurora da humanidade e do berço do seu nascimento.

Recuemos então no tempo, e tentemos passo a passo imaginar como tudo se poderia ter passado… Conto-vos uma história.

 

A “Poeira Estelar” morava ainda caótica e informe no Espaço. A Matéria indiferenciada (i.e., a pré-matéria química, já que os elementos químicos ainda não se haviam formado) recém-acordava do seu longo sono e a sua palpitação era ainda débil. Do seio inescrutável do Espaço – lugar de todos os mundos futuros –, pouco a pouco emergiam e se aglutinavam extensões imensas de “nebulosas etéricas” (à falta de melhor ou mais consensual expressão) que, agitando-se, tendiam a girar sobre si. Eram os primeiros esboços dos sistemas galácticos e estelares. Como os demais, o nosso sistema solar teria estas características…

A propósito do conceito de Éter, desejamos deixar escrito o seguinte: é um facto consabido que a Ciência oficial tem geralmente contestado a possibilidade da existência de algo como um “Éter” intercósmico (note-se que as experiências em que assentam essas opiniões buscavam um “Éter” com características e propriedades algo distintas do Éter postulado milenarmente pelo Esoterismo).

Entretanto, há cerca de quinze anos atrás, um cientista britânico, Roger J. Shawyer, apresentou à comunidade científica um dispositivo que construíra, um motor capaz de impulsionar uma nave espacial sem consumir combustível, retirando a sua energia directamente do vácuo quântico. Com o princípio aplicado, nas viagens inter-espaciais não mais se dependeria de desmesuradas quantidades de energia química e poluente acumuladas nos depósitos das naves…

O seu engenho foi objecto de desdém e não mereceu a menor atenção. Contudo, há cerca de três anos, pesquisadores de uma Universidade chinesa pegaram no princípio e construíram eles próprios uma pequena máquina que produziu 720 micronewtons, mais do que suficiente para equipar um satélite espacial, mas longe da soma de energia que Shawyer conseguira. Não obstante, com isto ficou confirmado a viabilidade e o potencial do invento; face a este novo dado, investigadores da NASA resolveram por fim dar a devida atenção ao projecto. E, pasme-se, construíram um protótipo que efectivamente consegue produzir energia “inexplicavelmente” a partir do “aparente nada”. Os resultados são concretos e inequívocos. A razão de ser é que não

Diz o artigo, do qual extraímos esta notícia:1 “Aparentemente o motor quântico tira a sua energia do vácuo quântico, que nada tem de vazio. Em lugar do ‘nada’, o vácuo quântico é um constante ‘borbulhar’ de partículas virtuais que aparecem e decaem constantemente, desaparecendo em fracções de tempo tão curtas que são difíceis de medir.

Apesar disso, vários experimentos já mostraram a realidade do vácuo quântico e das suas energias, incluindo a geração de luz a partir desse ‘nada’ virtual”.

Ora, cabe aqui lembrar um postulado esotérico fundamental e incontornável: o da existência de planos ou mundos internos ao físico, de menor materialidade e de maior potência e liberdade de energia. Cabe também remeter para o que escrevemos no nº 5 da Biosofia. 2

Sistema Solar

Concentremo-nos no nosso sistema solar. Imaginemos uma colossal nuvem de “gás-etérico” que, pouco a pouco, se organiza e densifica. Os primeiros elementos químicos dão sinal de vida e iniciam a sua rota de interacção e propagação. A nebulosa solar era, em si mesma, o corpo por inteiro do nosso actual Sol.

Um núcleo, “vazio” a princípio3, se forma, atraindo vigorosamente mais massa exterior intergaláctica (um misto de pré-química e de química embrionária), e esse núcleo se preenche eléctrica e quimicamente, vindo a ser o Sol actual.

Em definidos pontos da massa estelar (solar) diferenciam-se grandes conglomerados que, por sua vez, giram em torno de si mesmos. Cada um destes conglomerados será um futuro planeta.

Do Plano interno imediatamente precedente ao nosso universo físico-químico (então emergente) brotavam e brotam incessantemente até hoje, como que dos seus poros invisíveis para nós, matéria, cujas partículas infinitesimais, de elevadíssima intensidade vibratória, são as partículas intra-atómicas constituintes dos átomos físicos.4

Este é um processo “osmótico” permanente, e é dele e a partir dele que a matéria física é vitalizada e os sóis, planetas e todos os seres que os habitam extraem toda a energia. No nosso planeta é ele, e não Sol que vemos – o qual é apenas um veículo mediador, um “terminal” físico transformador de correntes eléctricas, as mais díspares –, que alimenta, nutre e constrói as nossas células.

É ele o criador de estrelas, a partir do aparente nada, e o receptor dos seus restos moribundos… 

A Nossa Terra

Entretanto, no nosso planeta nascente, em redor do núcleo, a pré-matéria química e a incipiente matéria química que se vai formando geram enormes cargas eléctricas. O movimento e a fricção das suas partículas fazem surgir paulatinamente novos elementos; porém a matéria terrestre é ainda informe, uma vastíssima nuvem de partículas de uma natureza que podíamos, como alegoria, representar como um “oceano vaporoso escuro e frio”. As dimensões da Terra (etérea/química) seriam, nesse tempo, imensamente superiores às actuais.

Durante muitas idades, esse era o material que a constituía. O vortex nuclear atraía, então, mais e mais substância, e lentamente a gigante massa de “gás-etérico” foi-se consolidando e contraindo – as partículas ganhando coesão –, e um núcleo denso foi surgindo.

À medida que os “jovens” elementos químicos despontavam e se combinavam entre si no caldo primordial, uma pré-atmosfera foi tomando forma. A sua contextura assemelhava-se a um gás denso e viscoso.5 Na evolução deste processo, lenta e gradualmente a temperatura foi subindo, potenciando reacções químicas em cadeia e a formação de violentas marés de múltiplos gases. Um “ar ígneo” em turbilhão rodeava o núcleo e atraía e fazia sedimentar grandes somas de matéria periférica.

Progressivamente, em torno do núcleo formou-se um envoltório semelhante a um magma gasoso, proveniente das matérias aéreas sedimentares, que, sujeitas à acção das altas temperaturas, à intensa radiação e à actividade eléctrica, se coagulavam e espessavam. Igualmente, esta fornalha central, irradiando e projectando os seus gases para as camadas aéreas superiores, induzia pouco a pouco à condensação do vasto manancial “etérico-gasoso”. Nascia a substância do primitivo Oceano – um misto de “gás” e de “líquido”.

Fazendo jus e de acordo com o que ensina a Doutrina Secreta, “a extensão oceânica da Terra originou-se das ‘Águas do Espaço’, progénie do Espírito-Fogo masculino e da Água feminina (gasosa)”6 .

As Águas Superiores (gás / aquoso) combinam-se com as emanações do Fogo Central e ambos dão origem aos primeiros corpos etéricos / astrais

No alvor da nossa Terra, e durante Idades incontáveis (trinta crores – ou trezentos milhões de anos –, conta a Sabedoria Oculta7), a luta entre o Fogo interno e esta Água exterior (o elemento andrógino, o duplo elemento) foi titânica. Com efeito, no seu âmago crescentemente poderoso geravam-se altíssimas temperaturas que “iam cozendo” e condensando o produto cada vez maior e mais complexo de sedimentação. À semelhança de uma massa fermentada de bolo levada a um forno, a massa envolvente do núcleo planetário crescia e densificava, fazendo lentamente surgir uma crosta que se estendia por toda a superfície do globo.

Na superfície recém-solidificada, contudo, o equilíbrio era instável e precário. A incessante actividade vulcânica sulcava a superfície e projectava gases e lava a enormes distâncias. Estas emanações corrompiam a atmosfera etéreo-gasosa, tornando-a mais densa, quente e viscosa; por outro lado, promoviam a condensação de vastas regiões adjacentes à crosta.

Este processo tendeu à estratificação e separação dos elementos. Os produtos da exalação vulcânica, mais pesados, tornavam à superfície e envolviam-na, gerando com o tempo um limo brando e fluido; os mais subtis e menos contaminados permaneciam na imensidão periférica. Não obstante, de entre estes últimos, igualmente as camadas vaporosas superiores, menos poluídas e menos densas, se preservavam; em contrapartida as medianas, saturadas de gases espessos e quentes, condensavam-se abrindo caminho para o nascimento dos oceanos (líquidos).

Foi no início, antes desta divisão dos elementos, que os primeiros arquétipos de formas viventes tiveram nascimento na nossa Terra. Foi na sua e a partir da sua gestação protoplasmática que se esboçaram os primeiros vislumbres de corpos que abrigariam os seres vivos na sucessão dos tempos.8 Imaginemo-los como sombras, como fantasmas imensamente fluidos e plásticos, movendo-se por impulsos e deslizando nas águas etéricas primordiais…

À medida que a própria Terra evoluía, ganhando densidade, e os seus elementos passavam por mutações e se multiplicavam, os primeiros organismos (também eles protoplasmáticos), se especializavam e adaptavam ao meio envolvente.

A comunidade científica é unânime em estabelecer que “a vida terrestre se originou nas Águas dos Mares”. Nós igualmente o reconhecemos, porém não nas “Águas” como se caracterizam hoje – que não as havia –, e sim no Oceano de matéria primordial “etérea”, e depois “aero-aquosa”, do nosso globo. Em termos mais objectivos, todavia, o caldo de cultura onde a vida corpórea se originou foi uma substância mista: mais densa do que a nossa presente atmosfera; mais fluida e subtil do que os nossos mares actuais – esse foi, verdadeiramente, o Oceano primordial.

Peixes e Aves tiveram um antepassado comum

Pela nossa parte estamos absolutamente convictos de que nesse passado remoto radicou um elo perdido, um antepassado comum dos seres aéreos e marinhos, que se estendeu depois a toda a vida terrestre. No grande mistério da vida, tal como uma semente tem contida em si em potência a árvore futura, e todas as outras que dela virão, assim as primeiras raças (do homem-animal) eram os protótipos de todas as raças vindouras na Terra, incluindo-se as espécies animais. O homem é o ser arquetípico, que alberga em si mesmo o modelo e objectivo de toda a escala de evolução neste globo terrestre.

Mas retomando o fio da nossa exposição, não faz o menor sentido que as aves actuais em algum momento remoto do seu percurso evolutivo houvessem começado por ser animais terrestres que, por um ousado arroubo de imaginação sonhadora, se empenhassem em desenvolver os meios orgânicos necessários para se içar no espaço e conquistar as alturas. Teriam de ter uma voluntariedade, uma determinação e mesmo um desígnio, próprios de seres providos de uma mentalidade complexa … Para uma tal proeza seria necessária, deveras, uma mente organizada, disciplinada e continuadamente concentrada num propósito definido. No reino instintivo animal quase todos os objectivos, que levam a mutações diferenciadoras, têm a ver com a satisfação dos desejos básicos e vitais – a busca de alimento e o acasalamento, e nunca com um anseio meramente poético sustentado numa determinação mental continuada.

No nosso entender, as aves sempre moraram nos céus e, ao contrário do pressuposto generalizado, tiveram de adicional e posteriormente se adaptar à terra. Ou seja, antes da definida separação dos elementos, houve um tempo em que as diferentes classes de antepassados das aves nadavam no primitivo Oceano aéreo/aquoso. Todavia, aquando da separação, as classes de seres mais subtis mantiveram-se nas vastas regiões periféricas do planeta, que viriam a ser os “céus atmosféricos” de hoje; outros, que tinham como habitat as camadas inferiores do Oceano primitivo – depois convertido em Oceano aquoso –, tornaram-se no que viriam a ser as numerosas espécies aquáticas actuais.

Em suma, os primeiros organismos subtis atrás mencionados teriam naturalmente evoluído para corpos mais compactos e organizados 9, acompanhando e adaptando-se a pari passu à progressiva densificação do planeta. Em conformidade, achamos verosímil que, em dado momento, tivessem desenvolvido rudimentos orgânicos, designadamente os protótipos de apêndices natatórios, que lhes facilitassem a locomoção.

Nas aves da actualidade, as penas grandes destinadas ao voo – “rémiges”, as das asas, e “rectrizes”, as da cauda – equivalem indubitavelmente às principais barbatanas natatórias especializadas na locomoção dos peixes – respectivamente, às barbatanas peitorais e às caudais. As tectrizes, penas menores disseminadas pelo seu corpo, são antigas escamas. Os próprios paleontólogos tendem a semelhante conclusão, quando afirmam que as penas das aves de hoje evoluíram de escamas, referindo-se, porém, às dos dinossauros e répteis do passado.

Igualmente, segundo a nossa conjectura, não foram os membros superiores que se converteram em asas mas, sim, os apêndices natatórios/ou os voadores que se adaptaram ao pouso terrestre (depois da diferenciação dos elementos), convertendo-se em membros inferiores providos de patas. Claro está, e é importante não esquecer, que nos referimos sempre ao elo comum perdido, um ser etéreo, rudimento e protótipo do que são hoje aves e peixes.

Ciclicamente, no decurso das primeiras Idades da Terra, a flora e a fauna vieram a sofrer inúmeras transformações morfológicas e chegaram a atingir dimensões colossais. Toda a vida era exuberante na época da 3ª e 4ª Raças-raízes, segundo se relata nos registos arcaicos da Antropogénese ocultista. Na segunda metade da 4ª Raça, pináculo da densificação e descida na grande escala dos Planos da Materialidade (ou da Manifestação Cósmica), o processo iniciou a sua rota de regressão, interiorização e progressiva subtilização da matéria dos mundos. A época da 4ª Raça foi o palco da maturação de todos os elementos químicos e, depois dela, não mais surgiram novos elementos.

A Pangeia e os Primeiros Oceanos

Com a separação dos elementos e durante o seu lento processo, o globo terrestre (etérico-energético, no início dos tempos, depois essencialmente gasoso-líquido) contraiu-se imensamente. Em contrapartida, a primeira “terra sólida” depois surgida, foi, no longínquo passado, muito menor do que é hoje, nos nossos dias.

Durante longas eras a crosta foi ganhando substância mais perene e solidificando, malgrado a luta entre os elementos, a luta permanente mantida contra o tumulto interior, vulcânico. Essa relativa estabilidade e uniformidade da superfície foi a chamada Pangeia. No entanto, à medida em que a densa e saturada atmosfera se condensava, dando origem a longos ciclos de precipitações diluvianas, a massa magmática no interior engrossava e elevava-se, pressionando a crosta (repetimos a imagem: “a massa fermentada de bolo levada ao forno, crescia”). A par deste fenómeno, grossos caudais provenientes de tremendas chuvas ácidas rodeavam a superfície. O frágil equilíbrio entre as pressões externas e internas rompeu-se e a crosta abriu fendas abissais em todas as direcções fazendo escoar o espesso lençol diluviano que cobria a Terra e dando origem aos primeiros Oceanos líquidos.

A Terra continuou a crescer e as gigantes placas da crosta fendida sobrenadavam agora nos Oceanos de águas ácidas e de lava. E continuando a Terra a crescer, os Continentes afastavam-se entre si, e a sua deriva prosseguiu, apresentando hoje os traços e a disposição que conhecemos.

Isabel Nunes Governo

Vice-Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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1 http://comtbrasil.com.br/2014/08/nasa-diz-que-motor-espacial-quantico-funciona-de-verdade/

2 Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2000. Ver À Procura do gato de Schrödinger (Sobre o Vácuo e a Realidade), pp. 39 a 48.

3 … vazio de matéria química mas pleno de potencial de vida, uma “ponte” entre este mundo químico e os intra-mundos originais. Como já referimos, a Ciência Esotérica postula a existência de sete níveis (mundos) de manifestação ou materialidade, que se desdobram sucessivamente entre si e que são interpenetrados. O nosso plano de existência, o físico químico (o último dos sete), é precedido de outro de natureza mais subtil, e de mais elevada intensidade vibratória.

4 Já apresentámos antes esta teoria, nomeadamente quando refutámos a existência de um “Big Bang” inicial a dar nascimento ao Universo, defendendo antes a osmótica transposição e transmutação de matéria etérica proveniente de um Plano cósmico inerente e “interno” a este físico-químico. Vide “Biosofia” nº

5 A comunidade científica discute a composição química da atmosfera primitiva do nosso planeta, dividindo-se actualmente os que especulam que a mesma seria constituída de metano, amónia, hidrogénio e vapor de água, e os que consideram antes provável a existência de monóxido de carbono, dióxido de carbono, nitrogénio molecular e vapor de água.

6 Helena Blavatsky, A Doutrina Secreta, Vol. III (Editora Pensamento); pág. 79.

7 “Livro de Dzyan”, Estância II.

8 Ensina A Doutrina Secreta (op. cit.) que foram os Pitris Lunares (classe de Devas Construtores) que exsudaram ou plasmaram de si mesmos (dos seus próprios veículos etérico-astrais) o “protoplasma” formador dos corpos da primeira humanidade, da 1ª e 2ª Raças-raízes (os “Sem Mente”, pois apenas na 3ª Raça desta actual Ronda a centelha anímica da “Razão” – que se converte depois no “Eu Superior” do homem graças ao seu esforço individual –, lhe foi comunicada pelos Pitris Solares).

9 Algumas medusas actuais, fluidas e diáfanas, poderão talvez insinuar-nos o que possam ter sido algumas dessas criaturas.

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