MARIA MONTESSORI: DE UM HOMEM NOVO PARA UM MUNDO NOVO

Médica e Pedagoga, Maria Teresa Artemesia Montessori, foi a primeira mulher italiana que se formou em Medicina. Dedicou toda a sua vida ao grande ideal de educar todas crianças, sem exceção, de todos os estratos sociais, estimulando-as para o seu desenvolvimento físico e mental, defendendo o equilíbrio entre liberdade e disciplina, não sendo possível conquistar uma sem a outra. Ficou conhecida pelo método de ensino que desenvolveu, ainda hoje usado nas escolas públicas e privadas, em todo o mundo.

Nasceu a 31 de Agosto de 1870, em Chiaravalle, filha única de Alexandro Montessori, oficial do Ministério das Finanças, e de Renilde Stoppani, tendo-se transferido, ainda jovem, com a família para Roma. Desde muito cedo, manifestou interesse pelas matérias científicas, principalmente Matemática e Biologia. Após algum conflito com os pais que desejavam que a filha fosse professora, conseguiu matricular-se na Faculdade de Medicina, realizando o curso com grande brilhantismo.

Tornou-se médica na Clínica de Psiquiatria da Universidade de Roma, onde prestava assistência a menores deficientes mentais. Neste contexto e verificando que aquelas crianças necessitavam mais de um tratamento pedagógico do que médico, passa a ter um grande interesse pela educação. Esta constatação mudaria a sua vida e a história da educação. Cedo percebeu que aqueles meninos e meninas proscritos da sociedade por serem considerados ineducáveis, respondiam com rapidez e entusiasmo aos estímulos para realizar trabalhos diversos, onde exercitavam habilidades motoras e se tornavam progressivamente autónomos.

Assim, especializou-se em Pediatria e começou, em 1898, uma verdadeira cruzada a favor da Liga Nacional para a proteção da Infância “deficiente”. Nesse mesmo ano, num Congresso Pedagógico, em Turim, exigiu para elas o direito à instrução, defendendo energicamente a superioridade do método pedagógico sobre o medicamentoso para estas crianças deficientes, até então excluídas da sociedade.

Após este congresso em Turim, é encarregada pelo então Ministro da Instrução Pública, Guido Baccelli, de organizar, em Roma, um Curso para Mestres sobre métodos de educação para crianças deficientes. Deste curso nasce, um ano depois, em 1899, como campo de aplicação, uma Escola Estadual de Ortofrenia para as crianças “especiais”, cuja direção é assumida por Maria Montessori, onde irá incluir as crianças dos asilos de loucos. Será fundado, mais tarde, o Instituto Ortofrénico, de natureza médico-pedagógica para deficientes mentais.

Do seu trabalho junto dessas crianças, Maria Teresa Montessori contribui grandemente para a constituição de uma pedagogia de bases científicas. Muito mais ocupada que uma educadora do ensino primário, estava presente e ensinava pessoalmente as crianças, das oito da manhã às sete da tarde, sem interrupção. “Estes dois anos de prática são o meu primeiro e melhor título de pedagogia”, afirma. Ao descobrir o seu vivo interesse por problemas de ordem pedagógica, inscreve-se em Filosofia e Psicologia Experimental, cursos que começavam nas Universidades de Roma, Turim e Nápoles, tendo-se graduado em Pedagogia, Antropologia e Psicologia. Em 1900, toma parte num Congresso patrocinado pela Rainha Vitória, em Londres, e aí, discute a exploração do trabalho insalubre, nas minas, imposto às crianças.

Depois de algumas viagens a Paris e Londres e de estudos e pesquisas sobre Antropologia Pedagógica, onde recebe as influências de Rosseau sobre individualismo, de Pestallozi sobre educação sensorial, de Herbart sobre educação das capacidades, e de Froebel sobre atividades, jogos e criação de hábitos, Teresa Montessori assume, em 1904, a Cátedra de Antropologia Pedagógica, na Universidade de Roma e publica a sua primeira obra “Antropologia Pedagógica”. Afirma um dos seus biógrafos “Nas suas conferências ela já é um estímulo espiritual para todos. Ouvindo-a tem-se vontade de ser melhor”.

Reconhecida pela sua grande sensibilidade aos problemas das crianças, em 1906, é convidada pelo Diretor Geral do Instituto Dei Beni Stabili de Roma, para criar algumas escolas nas zonas mais degradas desta cidade. Assim, a 6 de janeiro do ano seguinte, é aberta a primeira Case dei Bambini (Casa das crianças), no bairro San Lorenzo, uma região pobre no centro de Roma. Os resultados foram tão extraordinárias que, em poucos anos, foram fundadas outras Case dei Bambini, em diversos lugares da Itália. O sucesso destas “casas” tornou Maria Montessori uma celebridade não só nacional, como também, fora de Itália, conhecida pela sua admirável obra pedagógica e atividade científica e pelo incansável incentivo à formação de uma consciência nacional nas crianças. No Curso de Pedagogia Científica, em 1909, realizado em Città di Castello, exprime com entusiasmo: “O homem deve, tal como o astro no Céu e o inseto de voo limitado, alcançar o seu destino e nenhum impedimento deve dificultá-lo de o exercer”. E ainda no mesmo congresso, acrescenta: “Não fui eu que criei algo de novo na arte de educar, mas foi o espírito infantil que se me revelou e que eu soube contemplar na sua verdadeira manifestação”.

Sempre preocupada com o desabrochar da riqueza interior da criança, procura criar as melhores condições para o seu crescimento harmonioso onde inclui a sobriedade do ambiente, o mobiliário adequado, as paredes com cores suaves, proporcionando-lhe, deste modo, a concentração e interiorização, o desenvolvimento da espontaneidade, da iniciativa, da autoconfiança, o sentido do outro e a ajuda mútua. Destacou a importância da liberdade na atividade, como estímulo para o seu desenvolvimento físico e mental. Para ela, liberdade e disciplina eram indissociáveis, não sendo possível praticar uma sem a outra.   Defende igualmente a livre escolha de atividades pela criança, a busca de materiais à medida das suas necessidades, para que a atividade seja verdadeiramente imaginativa e formadora. Essa escolha dever-se-á realizar com ordem, disciplina e com um relativo silêncio. O aluno faz simultaneamente a sua autoavaliação, através da ajuda mútua e colaboração espontânea entre as crianças e a interferência mínima dos professores, pois que a aprendizagem terá como base o espaço escolar e o material didático. Os professores serão apenas auxiliares de aprendizagem que observam, acompanham, ajudam e aconselham. “Ajuda-me a crescer mas deixa- me ser eu mesma”.

Para tornar o processo de aprendizagem mais rico e mais fácil, a educadora italiana desenvolveu materiais didáticos próprios, que constituem um dos aspetos mais conhecidos do seu trabalho. São objetos simples mas muito atraentes, pensados para desenvolver o raciocínio e auxiliar a aprendizagem, desde o sistema decimal à estrutura da língua. O “Material Dourado” é um dos muitos materiais didáticos idealizados por Maria Montessori para o trabalho com a matemática. Confecionado em madeira, é composto por cubos, placas, barras e cubinhos. Baseando-se nas regras do sistema de numeração, o cubo é formado por dez placas, a placa por dez barras e a barra por dez cubinhos. Este material é de grande importância na numeração e facilita a aprendizagem dos algoritmos,  da  adição, da subtração, da multiplicação e da divisão, partindo do concreto para o abstrato. O “Material Dourado”, além de permitir o estabelecimento de relações de graduação e de proporções, desperta no aluno a concentração e o interesse, desenvolve a sua inteligência e imaginação criadora, uma vez que a criança está sempre predisposta para o jogo.

O clima afetivo entre o educador e a criança e das crianças entre si permite, igualmente, a valorização de cada um, com a sua maneira individual de ser, ao invés de se lhe impor um comportamento de adulto, através de uma disciplina repressiva. As tarefas são precedidas por uma intensa preparação e, quando terminam, as crianças soltam-se felizes com as suas conquistas, comunicando então com os seus semelhantes num processo de socialização. O silêncio também desempenha um papel preponderante no Sistema Educativo Montessori. A criança fala quando o trabalho assim o exige e a professora não precisa de falar alto. A prática do silêncio, de forma didática, constitui uma estratégia de grande alcance. Propõe-se períodos intercalados de trabalho intenso e concentração com momentos de descontração, de imobilidade física e mental, tendo em vista o desenvolvimento natural e o equilíbrio emocional num crescendo de domínio pessoal.

Por outro lado, ela não descurou o ambiente familiar. Defendeu a sua importância, preocupando-se em manter contactos muito frequentes com as mães para implementar, no seio familiar, as novas orientações da sua pedagogia. Não só atuou junto das famílias, como deixou as suas reflexões escritas na obra “A criança e a Família”.

Para Teresa Montessori, é na criança que se constrói o homem e, por consequência, a sociedade. A criança tem um poder interior que a pode levar a um mundo mais luminoso. No seu livro “Como Educar o Potencial Humano”, ela deixa bem exposta a sua verdadeira aspiração por um Mundo novo, construído pelo Homem novo, propondo, assim, um plano integral de educação que ofereça à criança uma visão cósmica da realidade, isto é, que proporcione à criança a visão do Todo para ajudar a sua inteligência a desenvolver-se plenamente, consciente da sua participação no progresso e evolução, como autora da sua história e da história da Humanidade. Teresa Montessori realça a evolução da própria matéria inorgânica, imbuída da aspiração de aperfeiçoamento de si mesma, associando-se à vida, fundindo-se com ela, criando novas rochas, novos continentes, realizando uma Unidade Cósmica completamente diversa, agora com um novo equilíbrio. E acrescenta “O Homem foi enviado para realizar o maravilhoso desígnio do Criador, para participar, pela inteligência e liberdade, dessa harmonia cósmica. Só por uma educação de dimensão cósmica pode esperar-se criar um homem novo, livre e responsável”. E questiona: “E como preparar o surgimento do Homem Novo senão a partir das novas gerações e por caminhos novos? Pois se nas atuais conjunturas socioeconómicas, as ambições do homem se voltam predominantemente para o Ter e não o Ser, só uma radical reformulação da hierarquia de valores poderá inspirar transformações sólidas para aliviar a Humanidade das suas tensões”.

Maria Teresa Montessori recebe, desde 1912, inúmeros pedidos internacionais para divulgar o seu método e, em 1913, é organizado, em Roma, o Primeiro Curso Internacional, frequentado por estudantes de vários países europeus e de vários continentes. O seu mérito chegou à Holanda, Espanha, Inglaterra, Estados Unidos, Grécia, Dinamarca, China e Índia. Em 1922, o governo nomeou-a Inspetora-Geral das escolas da Itália.

Após a 1ª Grande Guerra de 1914 – 1918, as crianças traumatizadas e desalojadas eram tantas que Maria Montessori não podia ficar indiferente. Escreve de San Diego da Califórnia a Augusto Osimo, presidente da Sociedade Humanitária, a sugerir a criação de uma “Croce Bianca dei Bambini”, semelhante à Cruz Vermelha para os soldados feridos na guerra. Com o mesmo empenho, no encerramento do VI Congresso Internacional Montessori, em 1937, em Copenhaga, ela proporá a fundação de um Ministério para a Infância e de um Partido Social da Criança, no Parlamento de Copenhague, órgãos destinados a defender os interesses das crianças, do ponto de vista legal, com uma representação oficial dos Parlamentos dos vários países. Infelizmente estas iniciativas foram consideradas utópicas e não se concretizaram. No entanto, revelam o seu carater, a sua generosidade e todo o seu empenho na educação e bem-estar das crianças.

Teve de deixar a Pátria, em 1936, por motivos ideológicos, por defender ardentemente os ideais de liberdade e de paz. O fascismo retira-lhe todos os apoios que o governo lhe havia proporcionado. As escolas sob o seu apoio foram pouco a pouco suprimidas, embora um movimento clandestino continuasse a desenvolver-se pelos seus discípulos e seguidores. O Ministério da Instrução Pública fecha a Escola Estatal do Método Montessori, centro de formação de educadores, criado e mantido por Teresa Montessori. Pelas mesmas razões, é extinta, em Roma, a Obra Nacional Montessori, fundada em 1924, com o objetivo de divulgar o Sistema Montessori e oferecer subsídios para a sua aplicação.

Escolhe a Holanda como Pátria adotiva e, durante o seu longo período de exílio, as ideias da grande pedagoga difundem-se pelo mundo inteiro. Durante este período, dedica-se a uma verdadeira peregrinação por Espanha, Inglaterra, Estados Unidos, Holanda e Índia. Esteve igualmente refugiada na Sede da Sociedade Teosófica, em Adyar, na Índia. Maria Teresa Montessori conhecera a Sociedade Teosófica já em 1907, quando foi ouvir Annie Besant, em Londres, depois de ter aberto a sua primeira Case dei Bambini. Annie Besant conhecia o trabalho de Teresa Montessori em prole da educação das crianças mais desfavorecidas e, nesse encontro, falou abundantemente deste seu trabalho, o que agradou bastante a Montessori. Esta ficou tão impressionada com o discurso de Annie Besant que lhe pediu que aceitasse a sua adesão à Sociedade Teosófica, selando-se, aí, a grande amizade que viria a estabelecer-se entre as duas. Annie Besant tornar-se-ia Presidente da Sociedade Teosófica em 1908, um ano depois deste encontro, em Londres. Há biógrafos que encontram grandes semelhanças entre estas duas mulheres. “Ambas romperam barreiras que existiam contra a mulher, ambas estavam interessadas na ciência moderna e no misticismo e ambas foram oradoras carismáticas que deram conferências em todo o mundo. Mas, talvez, o paralelo mais importante foi a visão comum da evolução do Ser Humano e da Unidade da vida.”

Teresa Montessori conheceu igualmente Mahatma Gandhi, em Londres, em 1931, convidando-o não só a assistir como a questionar os seus alunos. Ambos concordavam que só a criança poderia ser um agente de paz no mundo. Gandhi convidou-a, então, a abrir escolas para milhares de crianças na Índia, convite que foi cumprido quando ela se refugiou na Índia, após o eclodir da 2ª Guerra Mundial.

Tinha já 69 anos quando aceitou o convite do então presidente da Sociedade Teosófica, George Arundale e a sua esposa Rukmini Devi, para se refugiar na Índia, tendo sido recebida, no Aeroporto de Madrás, pelo próprio presidente da Sociedade Teosófica. Apesar da idade, não lhe faltou nunca energia para ministrar os seus cursos de formação, dados nos Jardins de Olcott, onde fora construída uma sala de aula com folhas de palma. Fala-se em trezentas pessoas, entre professores e estudantes que chegavam vindos de todas as partes da Índia, ansiosos por escutá-la e pôr em prática, as suas ideias. Sentia-se em casa, pois encontrou, ali, um ambiente excelente de partilha, de solidariedade, um solo fértil para desenvolver, com dedicação, o seu apostolado educacional, semeando os seus métodos de ensino a tantas crianças ávidas de saber. Maria falava em italiano e o filho traduzia para inglês. Em Mumbai, ficou a Escola Besant Montessori School.

Terminada a guerra, regressa à Europa, em 1946, depois de 8 anos no Oriente, onde o seu anseio de reconstrução de um mundo novo pelo surgimento de um homem novo encontra o clima propício do pós-guerra. Recebe o título de Doutora em Letras pela Universidade de Durham, em Inglaterra. E em 1947, já com 77 anos, o governo italiano chama-a para restaurar as Obras Montessori, cujos novos estatutos são aprovados no Parlamento Italiano, por decreto de 5 de Maio daquele ano. Dois anos depois, aceita ser presidente do VIII Congresso Internacional, em São Remo, cujo tema central é “A Formação do Homem na Reconstrução Mundial” e, em 1950, aos 80 anos, é criado o Centro de Estudos Pedagógicos, para estrangeiros, junto à Universidade Italiana, em Perugia. Quando a Unesco empreendeu a grande campanha contra o analfabetismo, Maria Montessori aderiu ardentemente e publicou, no ano seguinte, em 1951, o ensaio “Introdução a um método para ensinar adultos a ler e escrever”. Em 31 de Maio do mesmo ano, envia à Unesco uma mensagem insistindo sobre a necessidade da educação para a paz. No ano seguinte, é nomeada para o Prémio Nobel da Paz.

Faleceu a 6 de Maio de 1952, em Noordwijk, Holanda, a 3 meses de completar 82 anos, completamente lúcida, quando projetava a sua viagem a África. Os despojos encontram-se num pequeno cemitério católico de crianças. Embora o Parlamento Italiano tivesse insistido para que o seu corpo fosse trazido à terra de origem, acedeu ao desejo por ela manifestado: “Deixai-me onde eu morrer, cada terra é a minha terra”. O seu túmulo tem a forma de dois braços envolvendo o mundo e neles estão escritos estas palavras: ”Peço às queridas crianças, que tudo podem, para se unirem a mim para a construção da paz nos homens e no mundo”. Confirmou, ainda neste momento, o testemunho que sempre tão ardentemente viveu: o de ser uma cidadã do mundo. Em 1970, Ano Internacional da Educação, a ONU comemorou o centenário do seu nascimento.

Deixou imensa obra escrita, entre artigos, ensaios, conferências e livros, traduzida em várias línguas, por todo o mundo. Toda a sua obra expressa a sua grande fé no potencial das crianças e do Homem. Entre outros, referimos “Antropologia Pedagógica” (1903), “O Método da Pedagogia Científica Aplicada à Educação Infantil” (1909), “A Autoeducação na Escola Elementar” (1916), “A Criança na Família” (1936), “Educação para Um Mundo Novo” (1948), “Como Educar o Potencial Humano” (1948), “A Mente Absorvente” (1ª ed. Índia 1949), “Educação e Paz” (1949).

Toda a vida de Maria Teresa Montessori foi uma doação ao serviço da personalidade humana em formação, procurando criar condições de ambiente necessárias, a fim de que nada da maravilhosa energia com que a criança foi criada se dispersasse, mas se encaminhasse para alcançar o seu destino. Com grande coragem e com resultados prodigiosos, defendeu e ensinou o modo e o método para iniciar e acompanhar a criança na grande conquista do seu Auto crescimento, despertando-a para as noções da pessoa, do mundo, da vida, dos verdadeiros valores do Ser Humano, como agente livre e responsável da criação, bem como da interdependência entre todos os elementos do Universo, que devem caminhar harmoniosamente para a conquista da justiça, do bem e da paz.

Pela sua profundidade e abrangência, descobre-se nitidamente que o Método Montessori não é um entre muitos métodos de ensino. Ele funda-se coerentemente sobre um conceito de pessoa, de educação e de recursos adequados, não tendo a sua autora iniciado a sua ação partindo de pressupostos doutrinários, mas, como ela própria disse, o seu livro foi a criança. Ela dirá: “Foram essas maravilhosas crianças, essas pobres e simples crianças de Roma, que me indicaram o caminho da justiça; foram elas que me persuadiram para a tarefa para a qual fui chamada: renovar a educação, combater com todas as minhas forças os antigos preconceitos da escravidão da criança e, portanto, do homem; libertar a sua alma de tantas cadeias, ajudá-la a viver e ajudar a humanidade a construir um mundo melhor”. É extraordinária a antecipação de Maria Teresa Montessori em despertar na criança, o mais cedo possível, a consciência da participação de todos no esforço coletivo do restabelecimento do equilíbrio e harmonia da Natureza inteira, dando ênfase ao aprimoramento de cada ser para viver em comunhão e serviço com as coisas e as pessoas, num caminho conjunto para a conquista da justiça e da paz, tornando o Homem capaz de realizar a sua missão de agente principal de Deus na Criação.

Alexandrina Leal

Licenciada em História

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