A Alemanha e a Dívida

A cultura alemã tem um brilho extraordinário, talvez impar na Europa. A Alemanha deu ao mundo alguns dos maiores filósofos, músicos, escritores, psicólogos, cientistas… a lista é imensa, quase inesgotável. Universalistas que somos, reconhecemos-lhe, com gratidão e respeito, esses méritos inquestionáveis.

No entanto, a mesma Alemanha escreveu, por mais do que uma vez, das páginas mais brutais de que a história conserva registo – crimes abomináveis que, pela sua gravidade, pelos efeitos tremendos que provocou à sua volta, não pode esquecer com ligeireza.

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Rendimento Básico Garantido

Vemos começar a ser sustentado alargadamente o que propugnamos desde há mais de 17 anos, e que reproduzimos a seguir:

“Sustentamos que todo o ser humano, pela sua própria dignidade enquanto tal – pelo simples facto de ter nascido –, tem direito apriorístico à garantia dos meios que lhe assegurem padrões médios de existência, independentemente da oportunidade (ou não) de ter acesso a um emprego no sentido convencional. Se se constata que, cada vez mais, não haverá lugar para todos no trabalho de produção material e em outras profissões que lhe estão ligadas estreitamente, torna-se inadiável repensar e redefinir outras bases e fundamentos para que cada um disponha de meios dignos e equilibrados de subsistência e conforto e, ao mesmo tempo, tenha a possibilidade de ser interventivamente útil e de aplicar a sua própria criatividade e valor próprio.

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(De)Crescimento

O dia de hoje, 1 de Maio, é paradoxal. Celebra-se o trabalhador, na efeméride de uma manifestação contra a exploração do trabalho pela civilização burguesa e capitalista, mas esquece-se que o trabalho é precisamente o valor em nome do qual essa civilização triunfou e que foi estranhamente assumido e divinizado pela quase totalidade do movimento socialista.

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Yin-Yang

A Filosofia Chinesa representa uma das mais poderosas e consistentes tradições mentais. Desde as tradições que se perdem na noite dos tempos, até aos poderosos influxos do Taoísmo e do Confucionismo, e abarcando ainda as características que localmente o Budismo adquiriu, contém um grandioso acervo de importantes ensinamentos, com uma especificidade própria, que torna injusta a sua arrumação pura e simples num bloco indistinto de Filosofia Oriental. Na verdade, há mesmo quem a considere mais distante das Filosofias Indiana e Grega (ambas) do que estas se diferenciam entre si 1. De qualquer modo, justifica a sua inclusão nessa tríade maior.

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O vegetarianismo em Portugal já tem barbas brancas

No dia 14 de Junho de 1912, uma multidão reuniu-se no salão nobre do Ateneu Comercial do Porto, um dos mais importantes pontos culturais da cidade. Conforme reporta O Vegetariano, o salão estava “repleto da melhor sociedade portuense, inclusive das mais distintas e formosas damas.” Tinham ido ouvir o escritor aveirense Jaime de Magalhães Lima (1859-1936) a discursar sobre vegetarianismo.

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ALIVIAR A PRISÃO PROFISSIONAL: É PRECISO TRABALHAR MENOS!

 Este Editorial é feito com martelo e picareta, não com linha e agulha.

Para não se entender mal o que se vai seguir, sinto-me obrigado a uma rápida referência pessoal.

Nunca fui dado à ociosidade. Em toda a minha vida adulta, e até antes, sempre trabalhei para além das minhas estritas obrigações escolares ou profissionais. Estas, aliás, sempre representaram muito menos energia, e até mesmo tempo, dispendidos, do que outras actividades, de serviço não remunerado, que considero bem mais importantes.

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Helena Blavatsky

A Natureza revela os seus mais íntimos segredos e partilha a verdadeira sabedoria somente àquele que busca a verdade por amor à própria verdade, e que aspira ao conhecimento para conferir benefícios aos outros, não à sua insignificante personalidade.”

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Xisustro – o Noé Caldeu

 Uma das pistas mais preciosas de que podemos dispor para conhecer o longo passado da nossa Terra (e dos seres que nela habitam) é, sem dúvida, o testemunho unânime, ou pelo menos alargadamente repetido no espaço e no tempo, sobre a ocorrência de determinados factos.

Sensatamente, não devemos desprezar esses testemunhos. Fazê-lo, seria incorrer no pressuposto de que (quase) todos os Antigos eram tolos ou alucinados, e que só a nossa civilização, dita moderna e ocidental, tem o privilégio da razão. Com efeito, de que outro modo explicaremos os relatos e tradições fundamentalmente concordantes?

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Olhares (im)Possíveis

 “Fenómenos! Assim vos chamam.

Não sois senão projecção mágica da mente.

Jamais vi a amplitude do céu ter o mínimo medo.

Tudo isso não é mais do que irradiação de claridade.

Não há “porquê”, não há “porque”.

Tudo o que me acontece me é ornamento.

É pois melhor que medite em silêncio.”

Yeshé Tsogyal

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A meditação entre Oriente e Ocidente

 A redescoberta da meditação

Pode-se hoje dizer que a progressiva (re)descoberta da meditação pelos ocidentais, como um treino regular da mente que visa desenvolver uma capacidade de atenção calma, clara e contínua, como forma de melhorar a qualidade de vida, em termos psicossomáticos, com profundos benefícios no plano da saúde e dos cuidados paliativos, da educação e do desenvolvimento sócio-profissional, bem como enquanto modo de desenvolver as potencialidades cognitivo-afectivas da consciência, é um fenómeno histórico-cultural e civilizacional dos mais relevantes no final do século XX e no início do século XXI, assumindo uma expressão simultaneamente popular e erudita.

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